Golpe no TSE e STF para impedir a posse de Bolsonaro?

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Eleitores do presidente eleito Jair Bolsonaro passaram a temer uma possível articulação no TSE e STF para impedir a posse dele em janeiro de 2019. Corre no tribunal eleitoral ações com o objetivo de cassar a chapa PSL/PRTB, com base na denúncia do jornal Folha de São Paulo, que a campanha de Bolsonaro teria tido ajuda de empresários para impulsionar mensagens em aplicativo por meio de dinheiro não declarado (caixa 2) e doação empresarial vedada pela legislação configurando abuso de poder econômico. A campanha do oponente Fernando Haddad (PT) é investigada por abuso de poder econômico também.

Outra frente que alimenta a conspiração é que Bolsonaro é réu em duas ações que tramitam juntas no STF referente ao caso Maria do Rosário. Em 2016, o STF determinou que réu não pode ficar na linha sucessória da presidência da República, aplicando o mecanismo que o presidente é afastado quando aberto um processo de impeachment. Só que os ministros também decidiram que réu só fica impedido de assumir a presidência, sem necessariamente precisar se afastar da presidência de outro poder. Isso beneficiou o senador Renan Calheiros, então presidente do Senado Federal.

Não acredito que ministros estejam articulando qualquer tentativa para impedir a posse de alguém que acabou de sair das urnas com quase 60 milhões de votos. Primeiro que seria preciso provar qualquer irregularidade da campanha do PSL e por enquanto só há a matéria do jornal sem qualquer prova de envolvimento do candidato ou membro de sua campanha nem se existiu mesmo esse disparo de mensagens pagas. Segundo, seria agravar o momento já muito tensionado e olhando pragmaticamente seria imprudente cassar a chapa vencedora para realizar uma nova eleição. Já pensou o custo em um país em crise econômica, social e acirramento político-eleitoral passando do limite do aceitável? Ainda tem o respeito a prazos de um processo. Não é pegar na gaveta e julgar da noite para o dia.

Acredito que os ministros têm outra estratégia para lidar em um governo Bolsonaro e já colocaram em prática antes mesmo do segundo turno em notas duras na imprensa e declarações após a votação do dia 28. A tática é reforçar que o poder do presidente não é absoluto e ilimitado (e não é), que é preciso respeitar os outros poderes e, principalmente, a Constituição. Os ministros sabem das suas gigantes responsabilidades como poder moderador de conflitos e o perigo de sair da legalidade por casuísmo eleitoral.

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“Não vejo em Bolsonaro um conservador”

Uma entrevista com um membro da dita “nova direita” que declarou voto em Fernando Haddad para evitar Jair Bolsonaro. Marlos Ápyus foi por alguns anos no Twitter um aguerrido ativista contra governos petistas, perdeu amizades e oportunidades profissionais. Marlos defende que o agora presidente eleito não é conservador, como fazer oposição ao governo de Bolsonaro, comenta sobre o Partido NOVO, garante que o PSDB como conhecido acabou e chama o governador eleito de São Paulo, João Doria, de “Donald Trump genérico”.

Vale a leitura e refletir mesmo se você não concordar com suas palavras.

Como se sente um membro da “nova direita” que passou anos combatendo o PT tendo que votar no partido?

Foi terrível ter que votar no PT. Mas, perto de outras situações vividas neste 2018, foi até fácil. Três palavras rondam a mente: frustração, culpa e vergonha. Frustração por ver uma direita que só falava em Reagan, Thatcher e Churchill querer que o Brasil engula Major Olímpio, Joice Hasselmann e todo o clã Bolsonaro. Culpa por saber que os últimos anos do meu trabalho foram úteis à ascensão do que considero o pior presidenciável da história da nossa jovem democracia. E vergonha por ter que baixar a cabeça e reconhecer que havia sentido em muitos dos alertas feitos pela esquerda nos últimos anos. Em especial, aquele sobre o despertar da extrema-direita.

O que essa “nova direita” errou de 2013 pra cá para ter esse segundo turno?

Foi tolerante demais com a intolerância. Desde o início estava lá o germe do autoritarismo, e eu mesmo fiz pouquíssimo caso dele, aleguei que se tratava apenas de um punhado de cartolinas falando em intervenção militar. A ideia deveria ter sido esmagada ali. Nenhum passo poderia ser dado antes disso. Lembro de o MBL se esforçar para tirar o caminhão dos “intervencionistas” dos protestos pelo impeachment, mas fracassar seguidamente. Corta para 2018: o MBL defendendo Jair Bolsonaro com unhas e dentes. O mesmo MBL que eu tanto defendi.

De novo: frustração, culpa e vergonha.

O que fazer e como fazer oposição a Bolsonaro?

O PT já experimentou ser a oposição irresponsável que historicamente era. E não conseguiu derrotar o governo Temer (já ao final do primeiro turno, Bolsonaro foi escolhido como candidato da situação, tudo ficou nítido no momento em que o Centrão migrou para o candidato do PSL). O desafio é ser oposição responsável. Como o PT não ajudará, será necessário fazer uma oposição descolada do petismo. E, para não repetir os erros do PSDB, é preciso fazer uma oposição firme. Para tanto, o segredo é simples, ainda que não seja fácil: saber reconhecer os acertos do governo, saber repreender os erros, não pecar por omissão, apresentar-se como uma solução e, principalmente, manter um diálogo ininterrupto com a opinião pública – essa indireta foi para Marina Silva.

O que acha do NOVO vencer em Minas Gerais e ter sua primeira experiência no Executivo em um grande e quebrado estado?

A criminalização da política é um erro que cometemos há muito tempo. Mais recentemente, piorou no que fracassamos ao não diferenciá-la da politização do crime. Sei que estou marinando ao falar assim, mas há uma linha clara separando os dois movimentos. Um é a busca do meio termo para pacificar conflitos. O outro e o uso de narrativas para livrar criminosos da cadeia. O primeiro não é errado. Mas o NOVO faz cara feia até para esse, e isso talvez seja o que mais me decepciona na sigla. Há tanto despeito com o mero diálogo que o NOVO só se permitiu apoiar – aquela nota de neutralidade era um apoio dissimulado que o partido não quis assumir – uma figura grotesca como Jair Bolsonaro, que de liberal tem praticamente nada.

Imagino que o governo de Minas Gerais será positivo para o NOVO deixar de ser verde. E, principalmente, verde-oliva.

A “nova direita” tem como se reagrupar novamente ou o elo se perdeu?

Eu acho que ela está bem agrupada em torno de Bolsonaro. Essa nova direita não votou em Bolsonaro com o pesar que eu votei em Haddad. Ela votou com orgulho. Tantas vezes, usando a desculpa de que fazia isso apenas para derrotar o PT. Mas não me convenceu. Do contrário, não faria as defesas tão apaixonadas do candidato escolhido.

Na sua opinião, o PSDB tem salvação ou só uma refundação e até trocar de nome?

O PSDB acabou. Aquela sigla da elite intelectual paulistana acabou. Alckmin já não era um expoente dela. E foi traído por um Donald Trump genérico, da série C. Que vai tentar transformar o partido, num primeiro momento, em mais uma linha auxiliar de Bolsonaro. Num segundo turno, num trator capaz de passar por cima daquele que agora jura apoiar. É um pouco a diferença entre futebol arte e futebol força. Doria está disposto a dar canelada, simular pênalti e chutar a bola para o mato. Tem quem ache bonito vencer assim. Mas eu sou da escola de Telê Santana.

O PSL chegou para ser o partido dos conservadores ou é apenas uma onda?

Não vejo em Bolsonaro um conservador. Bolsonaro é só uma mistura de mal com atraso e pitadas de psicopatia. E se cercou de gente assim. Conservadorismo é basicamente prudência. É ser firme na contenção de riscos por, como ninguém, saber dar valor a tudo aquilo que se tenta mudar. E o modo de fazer importa. Com honra, com ordem, com respeito, com o máximo de cuidado. Ou o exato oposto de como o bolsonarismo age.

Quem pariu Mateus que o embale

Quando a gente pensa que a hipocrisia do Partido dos Trabalhadores chegou ao seu limite, sempre é possível se surpreender. O PT é o partido que ficou meses levantando a campanha “Impeachment é golpe”, “Eleição sem Lula é fraude” e desacreditando instituições insistindo em uma farsa eleitoral até o máximo para tirar proveito.

Quando a eleição se caminha para a derrota de uma candidatura que o partido teve que engolir, vem mais uma vez com a carta da falta de legitimidade do presidente eleito, assim como fez com Michel Temer ignorando que Lula colocou Temer na vice de Dilma. Petistas não se conformam que perderam a tão falada, entre eles, da narrativa dos fatos e não controlam mais um eleitor que se libertou das mentiras eleitorais das últimas três disputas presidenciais. O partido ainda controla boa parte, mas insuficiente para vencer.

A cartada da matéria da Folha de São Paulo – repleta de ilações e zero provas e enviesada ideologicamente nem conto com o fato da autora da matéria ser uma esquerdista e eleitora do PT declarada – foi usada para gerar um fato novo que gerasse notícias para impulsionar Fernando Haddad, que não consegue gerar notícias por ser um completo néscio, um prefeito que manipula a própria agenda apenas para fazer uma pegadinha com um crítico de sua gestão, ou criar elementos para contestar o resultado eleitoral.

Mais irônico é o PT falar em distorção do debate eleitoral com os históricos desde 2006 e, principalmente, na eleição de 2014 com acusações que vão desde que seus rivais acabariam com programas sociais se eleitos, privatizariam todo patrimônio público tirando dinheiro da educação e até o prato de comida dos mais humildes. E, nessa eleição mesmo, produziram e continuam produzindo fake news contra adversários.

Tudo não passa de um teatro eleitoral para justificar a derrota nas urnas que começou nas municipais de 2016. A encenação de Lula candidato era para colocar o PT no segundo turno e fazer uma forte bancada de deputados na Câmara Federal. O projeto foi exitoso nas duas metas. Agora, no segundo turno, a estratégia é questionar o resultado eleitoral usando a carta das fake news com ajuda de jornalistas militantes da grande mídia e ser o que o PT mais gosta: ser “oposição sangue nos olhos”.

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Os na casa de 60 milhões que estão elegendo Jair Bolsonaro presidente, segundo as pesquisas, boa parte vai votar não pelo candidato ou pelas propostas (não) apresentadas durante a campanha eleitoral. Uma parcela vai votar em Bolsonaro por ser contra o PT, outra por se simpatizar com o candidato e outra parte significativa pela destruição da política nos últimos anos (com muita responsabilidade dos partidos) por parte de ações e campanhas de membros do Judiciário para fazer uma depuração forçada do sistema político.

Rodrigo Janot declarando voto em Haddad, por exclusão, apenas tira a máscara desse sujeito que fez de tudo para reescrever a história do impeachment de quem o levou para chefia da PGR transformando o órgão em sindicato corporativo e derrubar o presidente que estava prestes a fazer a reforma que ajustaria as contas públicas, mexeria em privilégios dos marajás do Judiciário na Previdência pública resgatando definitivamente o Brasil da sua pior crise econômica. Tudo em um boteco em Brasília, em um encontro que virou piada com o advogado de Joesley Batista.

Quem “pariu” Bolsonaro destruindo o sistema político na sua sanha persecutória, com método, foi o Janot e seus “parças” Edson Fachin, Cármen Lúcia, Luis Roberto Barroso, Deltan Dallagnol, etc.

Pagar de preocupado e defensor da democracia quando fechava os olhos para arroubos autoritários de petistas e corrupção nos governos do PT não passa de hipocrisia. E não precisa ficar justificando o voto no 13 ou no 17 com textão e mensagens em tom de ameaça/terrorismo contra quem vai votar em branco/nulo, o voto é livre e o não-voto também.

Ciro já de olho em 2022

Cio Gomes, que obteve no primeiro turno das eleições mais de 13 milhões de votos, gravou um vídeo depois de passar todo segundo turno na Europa. Como esperado, Ciro não declarou voto em Fernando Haddad (PT) focando sua fala no pós-eleição na formação de um movimento que “proteja a democracia brasileira, a sociedade mais pobre nos avanços contra os direitos e interesses nacionais”.

O não apoio declarado a Haddad é o primeiro passo para o lançamento antecipado da campanha presidencial de Ciro 2022. A estratégia do PDT é manter o nome de Ciro na mídia durante todo o próximo ciclo para aumentar os 12,47% que ele recebeu em 2018 se colocando como principal líder da oposição do, segundo as pesquisas, ao governo de Jair Bolsonaro (PSL).

Ciro Gomes tenta se deslocar e afastar a ideia de que seria “satélite” do PT e de Lula.

Institutos de pesquisas são confiáveis?

Os institutos de pesquisas já vinham perdendo credibilidade nas eleições anteriores. Em 2018, os resultados das pesquisas de véspera comparados com o resultado oficial teve um abismo injustificável e seus representantes preferiram culpar a imprevisibilidade desta eleição, o Whatsapp, fake news, um movimento de última hora que quando o eleitor realmente decide seu voto tanto para presidente, governador e cargos do legislativo. Nada de fazer uma autocrítica nas metodologias de cada instituto e reconhecer que erraram e erraram feio.

O que assombrou foi nas disputas estaduais apara o governo e para o Senado. Minas Gerais e Rio Janeiro foram os grandes exemplos, já São Paulo a maior supressa ficou na segunda vaga para o segundo turno entre Márcio França (PSB) e Paulo Skaf (MDB) e as duas vagas do Senado, que Eduardo Suplicy (PT) liderou todas as pesquisas até a véspera e terminou a eleição em terceiro lugar.

Para o governo paulista, os institutos de pesquisa até pegaram a onda favorável ao socialista, mas não pegaram na mesma velocidade a descida do Skaf. Contando a margem de erro o Datafolha errou em 3 pontos o resultado do Paulo Skaf, enquanto o Ibope foi ainda pior e errou em 7 pontos, isso contando com a margem de erro que cada instituto coloca.

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Em Minas e no Rio os erros foram ainda mais assombrosos. Mas os institutos erram também na disputa presidencial. Tiveram erros menores, mas significativos. Ibope e Datafolha davam Jair Bolsonaro (PSL) com 40% e 41% na véspera do primeiro turno. Ao final da votação, Bolsonaro teve 46%. Levando em conta a margem de erro a diferença ficou em 4 e 3 pontos para cada instituto acima da margem de erro (2). Erraram também a votação de Fernando Haddad (PT), Ciro Gomes (PDT) e Geraldo Alckmin (PSDB), mas no caso dos três dentro da margem de erro.

Prefiro acreditar que sejam erros normais, que pesquisas não são para acertar os resultados das urnas e sim para apontar tendências. Ocorre que o negócio está fugindo do controle e muita gente decide o seu voto pelos números das pesquisas. Quanto mais for o grau de acerto mais confiável será a pesquisa. Os institutos precisam parar de encontrar culpados e melhorar suas metodologias. Também parar de fazer simulação de segundo turno no primeiro que só serve para os candidatos explorarem eleitoralmente.

Se for para errar sucessivamente, então é melhor não fazer pesquisa ou só realizar pesquisa de boca de urna.