Pesquisa Datafolha boa para Ciro Gomes

Reprodução/Globo News

Pesquisa Datafolha encomendada pela TV Globo e Folha São Paulo confirma tendência de alta para Jair Bolsonaro (PSL), 28% (+2), e Fernando Haddad (PT), 16% (+3). Ciro Gomes (PDT) manteve os 13% da pesquisa anterior do Datafolha. Geraldo Alckmin (PSDB), 9%, e Marina Silva (REDE), 7%.

Nas simulações de segundo turno só Ciro vence Bolsonaro por 6 pontos de diferença e o capitão reformado empata com Alckmin, Marina e Haddad. Ou seja, se algum candidato pode pedir voto útil contra Bolsonaro é o candidato do PDT.

O instituto também perguntou a segunda opção de voto e Ciro (15%) também tem o melhor desempenho. Marina ainda tem 13% como uma provável segunda opção, o que pode reascender as esperanças da candidata depois de perder metade do eleitorado após entrada de Haddad. Outro que pode comemorar nesse questionário é Henrique Meirelles (MDB), que vai a 5% como segunda opção de voto.

No mais, foi uma pesquisa boa para Bolsonaro, Haddad e Ciro, o último mostra resiliência e mostra robustez não perdendo voto para o PT; mantém esperanças para Marina e nada boa para Alckmin. O tucano, aliás, vai abrir artilharia mais pesada contra Bolsonaro e Haddad nos próximos programas eleitorais e tentar o que já virou quase um milagre recuperar o eleitor antipetista de Bolsonaro.

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Bolsonaro e Haddad em alta no Ibope

Reprodução/TV Globo

Pesquisa Ibope mostra Fernando Haddad (PT) dando um salto para 19% e se isolando na vice-liderança de Jair Bolsonaro (PSL), 28%. O candidato Ciro Gomes (PDT) manteve os 11% que obteve na pesquisa anterior.

Em compensação, viu sua vantagem contra Bolsonaro se evaporar na simulação de segundo turno (40% x 39%). De 7 pontos de vantagem de Ciro no início de setembro caiu para 1 ponto.

Situação de Geraldo Alckmin (PSDB) passou de luz amarela para vermelha. Não só viu sua intenção de voto cair para 7%, como está empatado com Bolsonaro (38% x 38%) em simulação de segundo turno.

Naufraga, portanto, a carta de Alckmin no voto útil contra o capitão da reserva. O tucano faz companhia a Marina Silva (REDE), com 6%. Marina também viu sua vantagem em provável segundo turno não só desabar: Bolsonaro agora é quem ganharia da ambientalista (41% x 36%).

E, para surpresa geral, o candidato do PT empata com Bolsonaro em uma simulação de segundo turno (40% x 40%). Quem imaginou usar a subida de Haddad para pedir voto útil esta pesquisa é um balde de água fria na estratégia.

Nem cinco minutos guardados

Hoje estreia uma nova colunista que vai escrever alguns textos durante o período eleitoral. Por questões pessoais pediu que não seja usada sua identidade real, o que respeitamos e a chamaremos de Mineira.

programas psdb pt

Eu comecei esse texto mais ou menos umas 5 vezes. Provavelmente o mesmo número de guinadas na campanha do Geraldo Alckmin em 2018. A proposta original seria escrever sobre os programas de TV dos candidatos. Mas quem disse que eu, como boa mineira, recuso um velho e bom clássico, disputa, rivalidade? Jamais. E foi assim que eu me peguei presa ao PT x PSDB mais sem graça que esse país já viu.

Tempo na TV. Todo mundo quer tempo na TV. Quando a pessoa topa se submeter a um confinamento por 3 meses sendo monitorada 24hs por dia o que ela quer? Tempo na TV. Pois bem, feliz 2002 pra vocês também.

O PSDB parece desconhecer algo que os heróis do Big Brother já perceberam tempos atrás: não importa mais o tempo de TV, importa criar uma identidade, um discurso, e capitalizar isso através de pessoas dispostas a seguir você. Aquele aparelho que durante décadas reinou soberano na sala não é mais a única plataforma para conseguir ser ouvido. Pior: sequer é a plataforma preferida de quem quer ouvir. Por mais estranho que possa parecer, o brasileiro parece estar deixando de ter tempo para a TV.

Eu sempre fui uma fã do horário eleitoral gratuito na TV (eu tenho gostos peculiares, você não iria entender). Assistia atenta, gostava dos roteiros, das músicas (um abraço do Paulino!), lembro de adorar a campanha do Azeredo para Governador (“pode por um ‘x’ no lugar certo” – e me desculpar por isso). Pois bem. Após mais de 15 dias de campanha na tv, eu assisti espontaneamente a um total de zero programas. Sim. Zero. Bolinha. Nada. Se eu troquei de canal na hora? Não. Eu simplesmente não tive tempo, não coincidiu o horário, não ornou, não alinhou. Não vi.

Em pouco mais de 5min de programa, Geraldo Alckmin parece mais um quadro do Programa do Gugu. Tem grávida, tem esposa comprometida com a causa social, tem história comovente de alguém que conseguiu uma vida melhor por obra e graça do Governo de São Paulo. Com voz calma, serena, e uma narradora que fala em uma velocidade que pressupõe déficit cognitivo do telespectador, Geraldo parece completamente descolado da realidade do país que subiu numa montanha russa em 2013 e está lá, até hoje, em looping. Tudo é devagar, tudo é tranquilo, tudo é ex-pli-ca-do. Ok, eu concordo que seria tudo ótimo, não estivesse tudo isso em total descompasso com o momento político. Ao PSDB parece faltar a máxima dos Big Brothers: use a TV para despertar o interesse fora da TV. O programa acaba e você só tem vontade de ser educado: dizer “não, Geraldo”, mas acrescentar o obrigado.

Com pouco mais de 2min e meio de programa, a coligação do PT, que claramente está disputando a presidência em forma de entidade espiritual, optou por não lançar um candidato e sim um emaranhado de lembranças de um tempo-bom-que-não-volta-nunca-mais. O programa é tão interessante quanto surreal, o que acaba ativando aquela curiosidade que nos leva a assistir “Eu não sabia que estava grávida”, no Discovery Home and Health. É tudo tão fora da realidade que a gente se pergunta se realmente existe gente assim. Mas existe. Muita. E com menos da metade do tempo do Alckmin, o PT parece compreender muito melhor a dinâmica da TV ao entregar um saudosismo de ocasião aliado a uma raiva pré-moldada.

Seria apenas mais um Galo x Cruzeiro na história do país que abraça dualidades por natureza, não fosse um pequeno grande detalhe: parte da torcida olha para o campo e não se reconhece mais no time. De repente bate aquele sentimento de “time apático perdendo por 3×0 num mata-mata” e aos 39min do segundo tempo o mais sensato a fazer parece ser fugir do trânsito. Esquecer esse jogo.

Ao contrário do PT, nunca houve uma identificação do brasileiro com o PSDB. Claro, havia aquela simpatia por ideias, por programas, por líderes. Mas por partido? Arrisco dizer que não. Basta ver o que Minas Gerais impôs ao PSDB nas eleições para o Governo do Estado em 2014. Não, o PSDB não elege postes (e aqui nem vou entrar no mérito se isso é bom ou ruim). Mas pelo menos, até 2014, não quebrava as lâmpadas dos que já estavam funcionando.

Se o Lula tem teflon, como disseram tempos atrás, o PSDB é aquela panela de fundo triplo inox: quer convencer que é boa, que é econômica, que mantém a comida aquecida por mais tempo… mas haja água quente pra limpar o que gruda. E tudo gruda. A gente fica com aquela sensação de que se não ficar de olho, vai estragar tudo. E em tempos de fritadeira elétrica, ninguém quer vigiar panela.

O tempo passou e está cada dia mais escasso. Ninguém ouve áudio de 2 minutos. Enquanto os caciques do PSDB vendem a (nossa) alma para conseguir mais minutos de TV, qualquer youtuber sabe que 5 minutos é tempo demais para prender a atenção de alguém. Antes fácil até para um cigarro, virou tarefa difícil acessar aqueles cinco minutos guardados de cada pessoa.

Onde eu quero chegar? Não adianta ter todo o tempo do mundo para propagandear, se o que você tem para vender é um produto que ninguém quer comprar agora. Que não se encaixa. Que soa antigo. Pior: que tem um fabricante com fama duvidosa. Esse tipo de estratégia só faz sentido quando existem fãs incondicionais da marca. Daqueles que dormem na porta de estabelecimentos comerciais e prisionais por mais um lampejo de consumo de produtos e ideias. Não é nem de longe o caso do PSDB.

Mineira é advogada.

Fernando Haddad no Jornal Nacional

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Na quinta e última entrevista com os candidatos à presidência da República mais bem posicionados nas pesquisas eleitorais, o Jornal Nacional recebeu nesta sexta-feira Fernando Haddad do PT. Usando mais uma vez o formato das sabatinas anteriores, William Bonner e Renata Vasconcellos buscaram levantar pontos polêmicos da trajetória do entrevistado e de seu partido, sem dar espaço para colocação de propostas.

No caso específico de Haddad, cuja candidatura em substituição a Lula havia sido registrada três dias antes da entrevista, os telespectadores não tiveram a oportunidade de ouvir uma única proposta. Coube ao ex-prefeito de São Paulo se defender durante os quase 30 minutos de entrevista, começando com os escândalos do Mensalão, Petrolão e sobre suposta falta de autocrítica no Partido dos Trabalhadores.

Antes de responder, Haddad incluiu o ex-presidente Lula em seu boa-noite, o que daria um pouco da tônica do que viria a seguir. Na sequência, reforçou a tese de que o PT foi o partido que mais fortaleceu os mecanismos de combate à corrupção, relembrando ainda que os primeiros escândalos na Petrobrás nasceram durante a Ditadura Militar e que não é papel de um presidente da República se imiscuir com indicações dos diretores de estatais.

Ainda no tema corrupção, a sabatina começou a esquentar quando Bonner listou, entre petistas presos, condenados ou investigados, dois ex-presidentes, onze ex-ministros, quatro ex-presidentes do PT e três tesoureiros. Dizendo que não era correto “misturar as coisas”, Haddad citou o financiamento de campanha – em referência ao crime de Caixa 2 – e fez questão de lembrar que Dilma, por não ser ré em nenhum processo de corrupção, não deveria ser incluída naquela lista, entendendo ser uma condenação por antecipação.

Sobre a acusação de que haveria uma conspiração do Poder Judiciário, mas que grande parte dele tinha sido indicada pelos governos petistas, Haddad disse que, pessoalmente, nunca falou em conspiração, mas em erros, e que as decisões dos tribunais reforçam a ideia de que não houve partidarização do judiciário.

Quanto às denúncias do Ministério Público de São Paulo que o acusam de corrupção passiva, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro, o candidato defendeu suas ações na prefeitura de São Paulo e lembrou que a própria Corregedoria do Ministério Público investigará possível “boca de urna” dos promotores que atuam em processos contra políticos na campanha eleitoral. Em seguida, em novo momento de tensão, Fernando Haddad ignorou a tentativa de mudança de assunto dos entrevistadores para dizer que era decisão dele a satisfação com a resposta quando é o assunto é sua própria honra.

A derrota para João Dória no primeiro turno das eleições municipais de 2016 foi o tema seguinte. Na oportunidade, Haddad lembrou o momento político do País que acabou culminando com o impeachment de Dilma Rousseff e que o represamento das denúncias contra outros partidos provocou a indução do eleitor ao erro.

Tal declaração soou para os apresentadores como se a culpa fosse sempre dos outros e nunca do PT, observação que fez o candidato citar a recente entrevista de Tasso Jereissati na qual o tucano descreve aquele que seria um conjunto de erros memoráveis do PSDB após as eleições de 2014, concluindo que, para ele, o governo Dilma foi sabotado pela oposição, instante em que Bonner relembrou a estratégia eleitoral da ex-presidente de segurar aumentos de preços para realizá-los após aquele pleito.

Com o tempo da entrevista estourado, restou a Haddad falar sobre o Brasil que queria, espaço que usou para falar sobre sua passagem pelo MEC citando as universidades federais criadas, o PROUNI naquele que seria o melhor momento do país nas últimas décadas, concluindo que quer fazer o Brasil ser feliz de novo.

Ao final da entrevista, a impressão anterior de que nas sabatinas do Jornal Nacional não há espaço para colocação de propostas se ampliou. Fernando Haddad não foi perguntado acerca de nenhuma de suas propostas e se viu obrigado a apenas se defender de perguntas acusatórias. Mais uma vez, o telespectador não teve chance de conhecer mais sobre um dos presidenciáveis com maior potencial de chegar ao 2º turno.

Sem título

Datafolha: Ciro e Haddad empatados em segundo, com 13% cada

Reprodução/TV Globo

Novo Datafolha divulgado a pouco praticamente deixa Jair Bolsonaro virtualmente no segundo turno, tira Marina do páreo, Haddad entra na disputa de vez contra Ciro pelo segundo lugar, além de quase impossibilitar Alckmin. Essa nova pesquisa também corrigiu a discrepância das simulações de segundo turno comparando com as simulações do Ibope, digamos, ficou mais realístico.

Bolsonaro, mesmo sem fazer campanha desde o atentado com faca em Juiz de Fora/MG e passando por duas cirurgias complicadas, vem ganhando mais votos e beirando os 30% na margem de erro. Na outra ponta, desde que Fernando Haddad foi oficializado substituto de Lula não para de crescer gradualmente chegando a empate numérico – não só na margem de erro – com Ciro Gomes.

Excluindo votos brancos e nulos, além de não sabe e não respondeu – indecisos -, o cenário é muito favorável para Jair Bolsonaro. Bolsonaro aparece com 32,08% dos votos válidos faltando pouco mais de 20 dias. É um latifúndio de votos que mesmo vindo a perder alguns apenas uma debandada em massa poderia derrubar o candidato do PSL do segundo turno. E a probabilidade que essa debandada aconteça me parece muito improvável pelo perfil do eleitorado dele. Quanto a vencer no primeiro turno, só uma ampla migração de voto útil igual o “efeito Doria”.

Fernando Haddad e Ciro Gomes dividem 16,04% dos votos válidos, a disputa entre eles se desenha de foice para representar o campo de esquerda, com o candidato do PT tendo um pouco de vantagem pelo tempo maior no horário eleitoral em comparação com o tempo do PDT. O detalhe é que ter tempo de TV não está colaborando muito até aqui, o que diga Geraldo Alckmin estacionado no mesmo lugar com seus 5 minutos e meio.

A queda de Marina Silva é impressionante. Perdeu 8 pontos em menos de um mês nos votos totais e está com 9,87% nos válidos. Matematicamente é possível ela surpreender na reta final e recuperar esses votos voltando ao primeiro pelotão. Já a realidade, a tendência é cair mais um pouco e não descarto um do trio formado por João Amoêdo, Henrique Meirelles e Alvaro Dias chegar e até ultrapassar Marina.