Esquerda radical e moderada

Antes de mais nada quero dizer que votei tanto no PT quanto no PSDB e posso ainda votar em futuras eleições dependendo das circunstâncias regional e nacional.

Isto posto, há uma clara ligação fraterna do PT e partidos de esquerda com a revolução russa. E partidos de esquerda incluo o PSDB. Sim, o tucanato nasceu para ser o representante da social-democracia que nada mais é que uma esquerda moderada, que cujo o objetivo final é o mesmo que a esquerda radical, só que os meios que ambas usam para chegar ao objetivo final diferem.

Enquanto a esquerda radical acha que só uma revolução pode chegar ao comunismo, a igualdade plena, sem classes sociais, a esquerda moderada prefere usar o capitalismo para o mesmo objetivo. Por isso que os governos do PSDB usando mecanismos que seriam de direita (privatizar estatais, pregar meritocracia no serviço público e responsabilidade fiscal) não torna o partido direitista. E esse “moderado em excesso” do PSDB fez com que o partido fosse boicotado pela Internacional Socialista, uma organização que reúne partidos de esquerda no mundo, boicote esse patrocinado pelo PDT de Leonel Brizola.

Na revolução russa os moderados eram conhecidos como Mencheviques. Já os radicais eram conhecidos como Bolcheviques. Atualmente, o esquerdismo moderada é conhecido como “socialismo fabiano”. Alguns dos moderados de esquerda têm em Leon Trótski o seu “guru”. E a estratégia de usar o capitalismo para chegar ao comunismo, ou se infiltrando no sistema para disseminar suas teses, é inspirada em Antonio Gramsci.

Para chegar ao poder o PT se inspirou em Lennin: dar um passo atrás para poder dar dois passos à frente. A famosa “Carta ao povo brasileiro” foi elaborada para o “mercado” e classes mais resistentes ao partido. Deu certo. Após três tentativas fracassadas de chegar ao poder de forma democrática, Lula venceu a eleição de 2002.

O “pacto social”, uma espécie de conciliação da classe trabalhadora com o capital no governo lulopetismo, levou o PT para a esquerda moderada e afastou os radicais que se dividiram em vários partidos formando a trinca extrema-esquerda PSTU, PCO, PSOL. A guinada petista também levou o PSDB mais ao centro.

Com o impeachment de Dilma Rousseff, os processos criminais de Lula em que já levou o ex-presidente a uma condenação na segunda instância, levaram o petismo de volta às origens e ao radicalismo.

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Mais sobre a Revolução Russa e a esquerda nesse resumo muito bom do canal DGP Mundo.

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Golaço de Temer ao decretar intervenção federal na segurança do Rio

Golaço do presidente Michel Temer ao decretar intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro. A intervenção vai até 31/12/2018. Um pouco tarde o governo federal (aplica-se para outros presidentes), mas melhor do que nunca. É verdade que a segurança pública da maioria dos estados brasileiros está falida também, só que a situação do Rio chegou ao limite do limite.

O presidente assinará o decreto, que ainda precisa ser apreciado pelo Congresso, em cerimônia com o governador fluminense Luiz Fernando Pezão e os presidentes da Câmara e Senado, Rodrigo Maia e Eunício Oliveira.

Quem vai comandar a intervenção é o General Walter Souza Braga Netto, que foi quem comandou operações de segurança dos Jogos Olímpicos de 2016, no próprio Rio de Janeiro, e durante os dias olímpicos houve uma tranquilidade que depois desandou ao fim dos jogos.

Mesmo atrapalhando o trâmite da Previdência na Câmara, a reforma está praticamente ferida de morte e dificilmente o governo vai conseguir 308 votos. É hora de Temer mudar a chave e mostrar que não vai ser um zumbi na presidência até o fim de seu mandato sem a reforma da Previdência, como Sarney foi em meados da década de 1980. E a segurança é uma caixa de vespeiro que pode render frutos ao governo caso a intervenção consiga pelo menos minimizar e levar um pouco de sensação de segurança ao povo do Rio.

Se eleito, Jair Bolsonaro pretende ter 15 ministros

Jair Bolsonaro participou de um bate-papo com o músico e youtuber Nando Moura. Apesar de Nando Moura ser declarado publicamente eleitor de Bolsonaro, a entrevista foi a melhor que o presidenciável já concedeu para grande, média ou mídia alternativa. Foi uma entrevista com perguntas pertinentes, não atrás exclusivamente de polêmica ou tendenciosas a favor ou contra o pré-candidato a presidente da República.

O lide da entrevista, para este blogueiro, está no minuto 33:39, quando Bolsonaro divulga em primeiro mão no canal do Nando Moura sua intenção de já divulgar ao começar a campanha eleitoral os seus ministros – se eleito pretende governar com apenas 15 pastas, ou seja, diminuir pela metade os atuais 28 ministérios – contando a criação do Ministério da Segurança Pública, que o presidente Michel Temer pretende criar, 29.

Na eleição presidencial de 2014, o candidato Aécio Neves (PSDB) comunicou no primeiro debate entre os candidatos – TV Bandeirantes (agosto) – que o seu Ministro da Fazenda seria o Armínio Fraga, o que deflagrou uma campanha massiva dos adversários – principalmente da campanha da candidata Dilma Rousseff (PT) – para desconstruir o ex-presidente do Banco Central, no governo FHC, rotulando de “ministro que planta inflação para colher juros altos”. É sempre perigoso antecipar nomes de ministros antes de vencer a eleição, mas Bolsonaro tenta se diferenciar dos candidatos tradicionais até no jeito de fazer campanha.

Bolsonaro também disse que vai “falar a verdade” e não dizer o que o eleitor quer ou que os políticos sempre dizem em época de campanha: prometer mais saúde, educação, construir milhares de creches e chegando ao governo não poder fazer o que prometeu por falta de recurso ou projetos inviáveis apenas para vencer a eleição.

Sobre não saber economia e procurar quem sabe, ninguém nasce sabendo das coisas e não é obrigado um presidente saber de tudo. Ou o chefe da nação precisaria ser médico, professor, policial e etc. O que precisa é se cercar de auxiliares que saibam o riscado em cada área, saber ser um líder para liderar sua equipe e até delegar poderes para pessoas certas.

Sobre privatizações, acho que Bolsonaro tem razão ao dizer que a Petrobras é uma empresa estratégica, mas pode ser privatizada desde que o governo mantenha o chamado “golden share” – poder de veto -, assim como a Embraer. Só não concordo muito com essa ilusão de querer baixar impostos e derrubar regulações na “canetada”, por decretos. É preciso uma reforma tributária, mas dialogando com estados, municípios, empresários e, por que não?, a população via plebiscitos e referendos. Não adianta baixar impostos sem um minucioso estudo de como diminuir o tamanho do Estado, sem prejudicar a população mais carente que precisa de uma proteção social. A chance de fracasso do governante ao entrar no populismo de eliminar impostos a qualquer preço é grande.

Também discordo de Bolsonaro sobre coalizões políticas e governabilidade. Collor e Dilma caíram, principalmente, porque não tinham base parlamentar (a segunda não soube segurara que a tinha). Um novo modelo de governabilidade não foi criado e muito menos testado. Sem uma reforma política estrutural – não reformas eleitorais – no sistema político tentar criminalizar articulações políticas, como Bolsonaro fez na entrevista chamando a governabilidade de “forma de corrupção”, está enterrando seu governo antes de ser eleito.

Sobre segurança pública, Bolsonaro espera que a população eleja deputados e senadores alinhados a ele para aprovar leis que endureçam contra criminosos. Citou, por exemplo – ele sempre bate nessa tecla: A permissão do policial atirar mais de duas vezes no bandido sem ser punido e excludente de ilicitude – legítima defesa – para toda população. A primeira parte é polêmica e conflita com a política de direitos humanos, mas na guerra civil não declarada que o Brasil vive, o policial precisa ter garantias tanto de vida como de proteção jurídica. Já a segunda está no CP, mas é desrespeitada constantemente justamente por causa da política de direitos humanos – vide o caso do cunhado de Ana Hickmann.

Emfim, Bolsonaro me parece um sujeito em estágio de aprendizado ao cargo de presidente de um país continental e inúmeros problemas – social, econômico, fiscal, de segurança. Mas já fui mais crítico a ele muito por preconceito e embarcando na imprensa e adversários que tentam colar rótulos nele, inclusive de racista, nazista, homofóbico, fascista, machista. Vejo a popularidade em Bolsonaro pela sua autenticidade, de passar a impressão para a população ser um cidadão comum, com defeitos e virtudes. Nessa linha, faço um paralelo com Lula, o retirante nordestino que venceu a seca e a fome para virar presidente. No caso de Bolsonaro seria um brasileiro comum na presidência, não sobrevivente de um flagelo ou um candidato saído do mundo financeiramente, filosófico e renegado pelo establishment político, mesmo estando na política desde 1990.

Beija-Flor ensinou como se faz desfile crítico

A Beija-Flor de Nilópolis encerrou os desfiles do Grupo Especial do Rio de Janeiro com chave de ouro. Levando para avenida enredo baseado no livro de “Frankenstein”, que na verdade originou o enredo.

Com o título “Monstro é aquele que não sabe amar. Os filhos abandonados da pátria que os pariu”, Beija-Flor deu uma aula de enredo crítico sem ser partidarizado. A escola de Nilópolis falou de corrupção, abandono do poder público, as consequências desse abandono, de intolerância. Tudo isso com excelente samba que empolgou o público e sem partidarizar a favor de partidos, muito diferente do desfile no dia anterior da Paraíso do Tuiuti, que seu carnavalesco fez uma crítica social enviesada politicamente.

Beija-Flor também se diferenciou da Mangueira. Mostrou que não precisa nomear ou usar a religião de políticos para critica-los de modo sarcástico.

Se os jurados julgarem corretamente, como deve ser, ninguém tira esse carnaval da Beija-Flor. “Ratos e urubus, larguem minha fantasia” ganhou uma companhia na galeria de desfiles monumentais da escola de Nilópolis.

Tuiuti fez desfile para “lacrar”

Se Temer se vestisse de “Presidente NEOLIBERALISTA”, sua popularidade subiria para níveis históricos

A escola de samba Paraíso do Tuiuti levou para avenida os 130 nos da Lei Áurea, uma crítica social foda sobre a escravidão moderna e o “cativeiro social”. A polêmica ficou por conta de uma ala representando os “paneleiros” de verde-amarelo sendo manipulados por uma mão que seria do “vampirão neoliberalista” com faixa presidencial.

Sou muito a favor de escolas de samba instigar reflexões e debates, mas o que o carnavalesco Jack Vasconcelos fez foi apenas aproveitar o pano de fundo do tema escravidão para propagar ideologicamente a mentira de que a reforma trabalhista é “escravidão moderna”, difamar os milhões de brasileiros que foram às ruas contra o governo Dilma e escrachar o atual presidente.

Não foi Coragem. Coragem era fazer um desfile crítico ao Lula em 2010, quando ele deixava o governo com mais de 80% de aprovação. Ou um desfile crítico a uma ditadura. O desfile da Tuiuti foi “lacração” pura e serviu de palanque para políticos oportunistas. E comparar a reforma trabalhista com escravidão além de burrice é um brutal desrespeito para com a memória dos escravos, de quem sofreu na escravidão!

Pior ainda é saber que a Tuiuti só desfilou ontem porque o rebaixamento de 2017 foi cancelado antes da apuração passada em virtude dos acidentes nos desfiles da Unidos da Tijuca e da própria Tuiuti, inclusive o da última com vítima fatal e controvérsia em relação ao acidente com o carro alegórico pivô do acidente.

Visualmente, a Tuiuti fez um desfile empolgante para quem estava na Sapucaí ou assistindo pela TV e, claro, para turma “Fora, Temer” das redes sociais. Um julgamento justo deixaria a escola no Grupo Especial e não seria loucura voltar no desfile das campeãs. Mas meu desejo é o rebaixamento da escola pela “blasfêmia” de ontem e, principalmente, também pelos acontecimentos de 2017.

Não bati panela, mas não me arrependo nada de ter apoiado o impeachment da pessoa que jogou o país na pior crise da história e não tenho medo de falar que apoio o presidente que está reerguendo a economia brasileira.