Discurso golpista de Fernanda Lima

fernanda lima

A apresentadora Fernanda Lima criou polêmica com seu discurso final do programa “Amor & Sexo”, da última terça-feira (6). Seu discurso ficaria esquecido nos arquivos da TV Globo, mas apoiadores de Jair Bolsonaro na internet fizeram a fala da modelo, atriz e apresentadora viralizar. Foi um discurso carregado na tinta de estereótipos e sentimentalista, que mais pareceu choro de quem acabou de perder no voto popular.

O que chamou atenção nos bolsoaristas foi ela fazer um discurso feminista inflamado dando a entender que “sabotaria” o governo que tomará posse em janeiro. A fala foi golpista porque inflama setores que já fazem e farão a legítima e necessária oposição ao futuro governo. O discurso foi praticamente uma declaração de guerra sem citar o nome do presidente eleito.

Tenho quase certeza que o alto comando da emissora ficou incomodado com esse discurso da Fernanda no momento que a direção de jornalismo tenta chegar o mais próximo da isenção e o trabalho que é não de hoje de desconstruir a imagem que a Rede Globo “tem lado”. Mas não vai soltar nota nem advertir publicamente a apresentadora. O mais próximo de uma “punição” é o programa não ser renovado para mais uma temporada e o motivo seria pela expressiva perda de audiência.

Pessoalmente, reforço que o discurso da Fernanda Lima foi golpista ao usar a palavra “sabotar” depois de uma eleição pra lá de conflituosa, além de um período muito conturbado politicamente, economicamente e culturalmente. Ela pode alegar que se referia ao sistema como um todo, ou seja, a sociedade machista, patriarcal, misógina, racista, homofóbica. Poderia ter feito o discurso acalorado com outras palavras ou até com as mesmas que usou deixando referências mais explícitas e assim evitar interpretações dúbias.

O recado orgânico foi dado pela repercussão mais negativa do que positiva nas redes e no Ibope, mostrando como a “lacrolândia” não assimilou o recado que a população real deu pela urna eletrônica. Independente disso, prefiro a gritaria histérica, a liberdade de uma democracia do que o silêncio de uma ditadura. Ou uma censura pérvia ao discurso da aparentadora por parte da emissora.

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A “prensa” em Paulo Guedes e o alerta do establishment a Bolsonaro

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Com 41 votos favoráveis, 16 contrários e 1 abstenção, os atuais senadores aprovaram o reajuste do teto salarial do STF para quase 40 mil reais, com efeito cascata para todo Judiciário e podendo levar os parlamentares a pegar o trenzinho da alegria. A conta desse reajuste que os próprios ministros se auto concederam e foi ratificado pelo Congresso Nacional com anuência do governo pode chegar a 6 bilhões.

Como desculpa alegam que esse aumento não fura a EC 95 (teto de gasto) porque o Judiciário tem um orçamento próprio e esse aumento nos vencimentos de vossas excelências sairá de cortes com o fim do abjeto auxílio-moradia de juízes entre outros penduricalhos.

Mesmo com a promessa do presidente do STF, Dias Toffoli, de colocar em votação a liminar de 2014 em que Luiz Fux autorizou o auxílio-moradia até para juízes com casa na sua jurisdição, o aumento continua sendo um escárnio em um período que a ordem é cortar tudo que for possível e reformas até na Previdência para evitar a completa paralisia do Estado. Mais: é imoral do ponto de vista que amplia o abismo de uma casta para o grosso da população.

Mas já estava tudo combinado entre políticos e juízes/procuradores, inclusive com aqueles que perderam nas urnas e viram uma retaguarda para processos/denúncias que respondem. Só que essa pauta bomba também foi usada de modo pedagógico pelos parlamentares, como um recado ao presidente eleito Jair Bolsonaro e o Ministro da Economia, Paulo Guedes. Guedes falou em “prensa” nos políticos para aprovarem a reforma previdenciária. A resposta não demorou: não assim é que a banda toca.

Silvio Santos tem direito de ser “adesista”

Silvio santos michel temer

Silvio Santos voltou a causar polêmica ao mandar veicular nos intervalos do SBT vinhetas com músicas do regime militar que governou o Brasil entre 1964 a 1985. Silvio deixou a turma que vive de remoer mágoas do passado e não aceita a derrota eleitoral do dia 28 histérica, revoltada, chegando a pedir a suspensão da concessão pública do canal. É a mesma turma que diz que votou “em defesa da democracia”, só que não aceita ser contrariada. Silvio Santos comanda sua TV a seu modo e não está nem aí para críticas, aliás, ele segue o famoso ditado “fale mal, mas fale de mim”.

Outra característica do empresário, apresentador, ex-camelô é ser “adesista” ao governo de turno pouco importando a ideologia. Silvio sempre abre as portas da sua emissora para os presidentes da República. Foi assim com João Batista Figueiredo, último dos presidentes militares, José Sarney, Fernando Collor, FHC, Lula, Dilma Rousseff e mais recentemente abriu espaço em quase todos os programas do SBT para o presidente Michel Temer tentar convencer a opinião pública da importância de reformar a Previdência Social.

Como já coloquei aqui, sou a favor das mídias declararem apoio a candidatos e governantes. Muito melhor do que fazer na moita. Quando é às claras, não vejo mal os meios informativos ser “governista” ou “oposicionista” desde que essa adesão não interfira na autonomia do jornalismo. É muito possível ter uma linha editorial clara e reportar fatos jornalísticos sem viés. Quem até ontem clamava por liberdade de imprensa pelo estranhamento entre o presidente eleito Jair Bolsonaro e a Folha de São Paulo, agora critica Silvio Santos por fazer uso dessa mesma liberdade.

Senor Abravanel não seria quem é se não tivesse faro de oportunidades e tato para o marketing e negócios.


Escola Sem Partido desvirtuado

O “escola sem partido” é um movimento recente, uma iniciativa de pessoas cansadas de professores usarem salas de aulas para militar no lugar de ensinar os alunos. A ideia inicial era denunciar tal prática simbolicamente, sem efeito de polícia e muito menos fiscalizar todas as salas de aula de escolas e faculdades.

A escola é um lugar para ensinar e o que temos em grande escala há anos são professores militando em plena sala de aula. Contrários dizem que o “escola sem partido” além de patrulhar professores deseduca e escola é lugar de política, sim. Mas o “escola sem partido” não excluiria o debate político e ideológico nos centros de ensino. O problema não é ter política na escola, mas catequizar para determinada ideologia e assediar alunos e professores que não seguem a cartilha de esquerda.

Como tudo no Brasil é desvirtuado, o “escola sem partido” não foi diferente. Quem é contra a doutrinação nas escolas saiu batendo na porta das escolas como se fosse o “fiscal do professor” e movimentos tentam que seja aprovado o projeto do “escola sem partido” em cada cidade e no Congresso Nacional. O STF vai julgar, em breve, se o “escola sem partido” é constitucional.

Quando tudo não passava de uma reação contra doutrinação nas escolas e universidades praticamente reescrevendo histórias era salutar e tinha meu apoio. Só que o pessoal de uma direita mais radical passou a tornar o “escola sem partido” uma política de Estado e até a perseguir professores acusados de doutrinadores. Trazer o Estado para discussão, transformar uma reação em lei, ficar perseguindo professor por ser de esquerda transformou o “escola sem partido” em um projeto fascista na verdadeira essência da palavra.

Para evitar que professores militantes façam lavagem cerebral nos filhos os pais devem se engajar nas escolas, participar e opinar em reuniões de pais, participar da vida escolar dos seus filhos e questionar matérias escolares. Propor soluções e até trocar o filho de escola se achar que a instituição de ensino mais prejudica do que ajuda no seu desenvolvimento intelecto.

Golpe no TSE e STF para impedir a posse de Bolsonaro?

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Eleitores do presidente eleito Jair Bolsonaro passaram a temer uma possível articulação no TSE e STF para impedir a posse dele em janeiro de 2019. Corre no tribunal eleitoral ações com o objetivo de cassar a chapa PSL/PRTB, com base na denúncia do jornal Folha de São Paulo, que a campanha de Bolsonaro teria tido ajuda de empresários para impulsionar mensagens em aplicativo por meio de dinheiro não declarado (caixa 2) e doação empresarial vedada pela legislação configurando abuso de poder econômico. A campanha do oponente Fernando Haddad (PT) é investigada por abuso de poder econômico também.

Outra frente que alimenta a conspiração é que Bolsonaro é réu em duas ações que tramitam juntas no STF referente ao caso Maria do Rosário. Em 2016, o STF determinou que réu não pode ficar na linha sucessória da presidência da República, aplicando o mecanismo que o presidente é afastado quando aberto um processo de impeachment. Só que os ministros também decidiram que réu só fica impedido de assumir a presidência, sem necessariamente precisar se afastar da presidência de outro poder. Isso beneficiou o senador Renan Calheiros, então presidente do Senado Federal.

Não acredito que ministros estejam articulando qualquer tentativa para impedir a posse de alguém que acabou de sair das urnas com quase 60 milhões de votos. Primeiro que seria preciso provar qualquer irregularidade da campanha do PSL e por enquanto só há a matéria do jornal sem qualquer prova de envolvimento do candidato ou membro de sua campanha nem se existiu mesmo esse disparo de mensagens pagas. Segundo, seria agravar o momento já muito tensionado e olhando pragmaticamente seria imprudente cassar a chapa vencedora para realizar uma nova eleição. Já pensou o custo em um país em crise econômica, social e acirramento político-eleitoral passando do limite do aceitável? Ainda tem o respeito a prazos de um processo. Não é pegar na gaveta e julgar da noite para o dia.

Acredito que os ministros têm outra estratégia para lidar em um governo Bolsonaro e já colocaram em prática antes mesmo do segundo turno em notas duras na imprensa e declarações após a votação do dia 28. A tática é reforçar que o poder do presidente não é absoluto e ilimitado (e não é), que é preciso respeitar os outros poderes e, principalmente, a Constituição. Os ministros sabem das suas gigantes responsabilidades como poder moderador de conflitos e o perigo de sair da legalidade por casuísmo eleitoral.

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