Temer dá ultimato para caminhoneiros

Antes tarde do que nunca, o presidente Michel Temer falou da paralisação e bloqueio de caminhões que está provocando um caos em várias cidades, transtorno a produtores rurais, indústria e paralisando serviços públicos. Tentando mostrar que ainda está no comando, Temer falou que seu governo está aberto ao diálogo, como sempre, que não vai deixar acontecer desabastecimento e chama caminhoneiros para cumprir o acordo fechado ainda ontem entre o governo e líderes dos caminhoneiros.

Michel Temer deu um ultimato e ordenou uso das forças federais para remover bloqueios e desobstruir rodovias.

Se os caminhoneiros vão obedecer ainda não se sabe, mas Temer resolveu subir o tom, mesmo tarde e passando a sensação de estar meio perdido, para tentar mostrar que ainda tem autoridade. Os pronunciamentos do ano passado para se defender das denúncias mostravam o presidente com mais firmeza e vontade de lutar e se defender.

Este pronunciamento pareceu mais protocolar. Compreensível até para não criar um clima de guerra com caminhoneiros e pânico na população, mas o tom ameaçador pode ter efeito contrário.

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Revolta dos Caminhoneiros

Causa estranheza críticas de quem se diz liberal no campo econômico contra a paralisação dos caminhoneiros só por ser contra greves ou por beneficiar a oposição, beneficiar a esquerda e o ET de Varginha, ignorando principalmente o peso dos impostos no preço dos combustíveis, sendo que muitos dos críticos de hoje aplaudiam as mesmas paralisações quando era o PT no poder. Os Caminhoneiros alertaram o governo, o que fizeram as autoridades? Nada.

O governo fez descaso com os caminhoneiros, subestimou a importância do transporte de carga em um país que a malha ferroviária é mínima, como fez o governo anterior subestimando a onda de protestos contra o aumento de R$ 0,20 no passe de ônibus em junho de 2013 e nas manifestações pelo impeachment em 2015 e 2016. Governos subestimam a força do povo quando este se une em nome de uma causa e o atual age apenas quando a porta é arrombada, falhando na comunicação de suas ações.

Na verdade, o Brasil está completamente sem comando. O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM/RJ), articulou o fim do PIS/COFINS no projeto de reoneração da folha de pagamento das empresas, quando o acordo era só zerar a CIDE, contrariando o governo. Maia, que busca alianças para fortalecer seu nome e sua pré-candidatura à sucessão de Michel Temer, viu na causa dos caminhoneiros uma boa oportunidade de ganhar popularidade e sair do traço nas pesquisas.

A oposição está colocando toda a culpa do descalabro no Pedro Parente. Lembrando que o governo Lula abriu mão de regulamentar e investir no etanol e combustíveis renováveis quando a Petrobras descobriu o pré-sal, deixando a matriz energética brasileira cada vez mais dependente do petróleo. Parente cumpriu a missão que fora dada a ele ao assumir a Petrobras: recuperar a imagem da empresa após o escândalo gigantesco de corrupção e recuperar as finanças da estatal após intervencionismo exagerado.

Mas o preço dessa recuperação foi muito salgado para população. Parente pensou apenas nos acionistas da empresa. Só que a Petrobras é estatal e é impossível esquecer o lado social ajustando os preços apenas com o que acontece lá fora no preço internacional do petróleo e do dólar. Apenas para ficar em um exemplo, o gás de cozinha está impraticável e muitas famílias pobres trocaram o botijão de gás pelo milenar fogão a lenha ou a carvão.

A fome por imposto, o descaso nos serviços públicos, a inércia do “Leviatã” (Estado) passou de qualquer limite e o povo começa a perceber que ele é o “patrão” de quem o governa.

Apelo ao presidente Michel Temer

Excelentíssimo Presidente da República, Senhor Michel Temer, não deixe o seu o governo terminar de forma catastrófico. Sei que seu governo e o senhor foram vítimas de uma trama para derrubá-lo no ano de 2017 – ainda sofre com bombardeios diários maculando sua honra tanto pela imprensa como do Judiciário e ameaça de uma terceira denúncia – e teve que gastar seu cacife político no Congresso Nacional para evitar que “forças obscuras” conseguissem seu objetivo. O governo já não tem mais fôlego para aprovar nem pautar reformas mais do que necessárias, urgentes.

Mas, pode piorar e a onda de paralisações dos caminhoneiros tem potencial para provocar distúrbios nas cidades por falta de suprimentos básicos para o comercio e consumo. É preciso medidas rápidas e eficientes, com urgência. Se a situação não for resolvida rapidamente, pode começar a faltar suprimentos nas prateleiras, já começou nos aeroportos, aí que o caldo entorna de vez. E a reivindicação dos caminhoneiros não só é deles. A população em geral, principalmente a classe média e os mais pobres, não aguenta mais a escalda no preço da gasolina. Não queremos saber se a culpa é do preço do petróleo em dólares na Tonga da Mironga do Kabuletê ou se o “mercado” não vai gostar de medidas para conter essa subida.

Chega de pagar a conta (o pato) que não é nossa, seja da corrupção ou da volatilidade do mercado. Queremos um preço justo e que caiba dentro do orçamento cada vez mais apertado do brasileiro. O problema vai muito além de déficit fiscal. É a crise social que está se agravando com potencial para desaguar para desabastecimento de produtos. Olha o drama humanitário que os vizinhos da Venezuela estão sofrendo. Estamos longe da situação venezuelana, verdade, e muito graças ao rompimento de Temer com o governo Dilma, que era cúmplice da ditadura Maduro, proporcionando o impeachment, mas pensar só em equilibrar as finanças públicas e esquecer a população vulnerável não é aceitável.

Presidente Michel Temer, o senhor ainda tem alguns meses antes de entregar o cargo e contornar danos assim como fez ao assumir o comando do governo federal, por favor, faça algo e evite que seu governo termine como o de seu correligionário e “conselheiro informal” José Sarney: impopular e trágico socialmente.

Gasolina de R$ 5. Suicídio eleitoral

Caminhoneiros protestam contra os preços da gasolina e do diesel em vários estados brasileiros. A política de preços de Pedro Parente, presidente da Petrobras, com base no decreto presidencial autorizando aumentos sucessivos é um tiro no pé. Pode até ajudar a empresa a ter lucro e compensar perdas de acionistas na crise financeira em que passou a empresa estatal. O problema é que joga o preço da gasolina a R$ 5 e subindo. Isso fornece narrativas para oposição e derruba ainda mais a pouquíssima popularidade do atual governo enfraquecendo a candidatura de quem se apresentar defendendo o legado do presidente Michel Temer nas eleições.

É possível uma política de preços livres sem ser capitalismo selvagem. Não há só o caminho do intervencionismo do governo Dilma ou essa ultra liberalização do Parente. Por exemplo, reduzir impostos que incidem na gasolina é uma estratégia mais liberal do que essa política suicida de gatilho. Uma outra solução mais radical seria privatizar a Petrobras e abrir o mercado, como é um tema-tabu ainda, a redução de tributos, de forma que não comprometa o quadro fiscal já bastante crítico, é uma saída mais segura.

Gosto da equipe econômica do governo Temer. O problema é que tem muito nego nela que não deve largar a planilha nem para dormir e mata a estratégia política do governo. A equipe econômica de qualquer governo – esquerda ou direita – tem a obrigação de zelar pelas contas públicas e precisa ter um grau de autonomia. Só que muitos ortodoxos levam essa autonomia ao pé da letra quase que separando a economia de todo o governo, inclusive do presidente, o Ministro da Fazenda fica como um 1º Ministro. Se fosse assim não precisava de eleição e era só selecionar os melhores economistas do mercado para chefiar o governo (alguns fanáticos pelo “deus mercado” não achariam nada mal).

No final de 2017, o governo federal arrecadou R$ 20 bilhões em mais um refis. O que a equipe econômica fez com esse dinheiro? Usou para abater o déficit de 159 bi que o Congresso Nacional autorizou. Torrou uma renda extra com juros da dívida pública fazendo a alegria de especuladores, meia-dúzia de famílias abastadas e agiotas credores da União. Por que não injetou esses 20 bi na economia via algum programa? Certeza que a popularidade do governo e do presidente subiria igual como aconteceu na liberação das contas inativas do FGTS.

A parte econômica não pode ser deslocada da política, porque o seu distanciamento prejudica a parte social e, por tabela, a parte eleitoral do grupo político no poder ajudando a oposição e políticos populistas. O político que abre mão de seu poderes constitucionais querendo agradar a figura quase mística do “mercado” comete suicídio eleitoral.

Liberais de “biblioteca” unidos com a esquerda contra MBL

É sempre o mesmo roteiro. Quando jornalistas são questionados a resposta é sempre a vitimização. Uma forte reação contra a censura disfarçada de combate as fake news mostrou quem são essas agências de fact-checking. Como não poderia ser diferente, estão acusando o MBL (sempre o “bode expiatório”…) de promover um achaque contra jornalistas das agências de checagem de fatos. Não é verdade. O movimento apenas mostrou todo o ranço ideológico e controvérsias das agências simbolicamente representadas aqui.

O que mais chama atenção é que os ataques contra o MBL não partem só da esquerda e extrema-esquerda e da velha mídia, mas muitos de liberais que divergem das práticas e opiniões do movimento. É a turma do bloco dos “isentões”, a turma que só fica na retórica e posts, lives de rede social. A turma que fica fazendo gráficos e gráficos que a maioria da população não faz a menor ideia.

Enquanto isso, os garotos do MBL – associados ou simples simpatizantes – estão na luta há 3 anos e conseguiram o que o PSDB tenta desde 2002 e fracassa sempre: derrotar o PT. Articulando manifestações gigantes nas ruas e atuação institucional no Congresso, o MBL conseguiu o impeachment de Dilma Rousseff, faz pressão contra projetos que vão contra o desejo popular – regulação dos aplicativos de transportes, por exemplo – e conseguiu levar uma multidão em pleno meio de semana para protestar na véspera que o STF julgaria um HC contra prisão de Lula. Maioria dos ministros negou o habeas corpus e Lula está preso desde o dia 7 de abril em Curitiba.

A última vitória do movimento foi o cancelamento, por liminar, dos benefícios que Lula tem direito por ser ex-presidente. Advogado do MBL, Rubens Nunes entrou com uma ação popular argumentando que não tem sentido razoável motorista, seguranças e assessores custeados pelo governo se Lula está preso.

Se dependesse só dos “liberais de biblioteca” o Brasil ainda estaria nas mãos do PT, a caminho de se tornar uma Venezuela gigante. Internamente petistas lamentam que Lula não tenha feito o que fez Hugo Chávez: fechar o cerco contra a imprensa livre e aparelhar Forças Armadas.

“Liberteens” e “isentões ponderados” não gostam do MBL não só por divergências de pensamentos, o que é normal em uma democracia consolidada. O feio é agir assim para parecer ponderado e não perder amigos mais de esquerda. Outros movimentos (Livres e Mercado Popular) se julgam “verdadeiros liberais” e são contra o conservadorismo do MBL, agora colocando na balança os serviços prestados de cada movimento ao país, é uma surra de relho, um 7×1 a favor do MBL.