Janaína Paschoal, a “comuna-tucana”

A deputada estadual Janaína Paschoal (PSL/SP) se pronunciou sobre a manifestação que apoiadores do governo de Jair Bolsonaro (PSL) estão organizando para o dia 26. Pressionada para gravar áudios e vídeos convocando a população, Janaína escreveu uma nota se negando a apoiar e dizendo ser contra esta manifestação.

“Não tem cabimento Deputados eleitos legitimamente fugirem das dificuldades de convencer os colegas (ser Parlamentar é difícil) e ficarem instigando o povo a gerar o caos.”, Janaína captou o real interesse da manifestação. Objetivo é tentar deixar o Congresso Nacional “de quatro” para o Planalto. É usar a pressão popular para transformar o parlamento em um “puxadinho” do governo e eximir o presidente de dialogar com quem foi eleito junto com ele. Portanto, uma manifestação antidemocrática. Bom que a Dra Janaína Paschoal acordou que a criminalização da política, que ela colaborou, é péssima para a ordem democrática.

“Estão causando um terrorismo onde não há! As pessoas estão apavoradas, escrevendo que nosso presidente está correndo risco.
Ele não é amado pela esquerda, pelos formadores de opinião? É verdade.
Mas quem o está colocando em risco é ele, os filhos dele e alguns assessores que o cercam. Acordem!”. Exatamente! Mas o confronto permanente faz parte da estratégia de domínio do grupo antiestablishment que inclui o presidente Bolsonaro. Qualquer pessoa ou movimento com independência ao bolsonarismo sofre represália, constrangimento, ataques e tentativa de assassinato de reputação.

No trecho “Há tempos, não temos um Ministério tão bom! Profissionais de ponta, nas pastas adequadas, orientados por boa teoria, bons valores, com experiência prática. E o Presidente gerando o caos?”, Janaína ainda está iludida ou tem medo de cortar relação com o bolsonarismo por temer retaliação do PSL ou medo de perder engajamento no mundo virtual.

Está claro que o núcleo antiestablishment aposta no caos institucional. E os filhos não agem sem anuência do presidente. O intuito não é fechar o Congresso. Mas usá-lo no palanque eleitoral permanente e para isso é necessário apoio popular para enfraquecer as instituições. A manifestação do próximo domingo é o grande teste.

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Aposta do bolsonarismo

A escalada do conflito governo vs “sistema” está subindo na mesma velocidade que a popularidade do presidente Jair Bolsonaro se esfacela. O caldo está fervendo e já deu sinal do potencial explosivo com o tamanho das manifestações contra o contingenciamento no MEC que, ao contrário do que acha o presidente, não foram só de “idiotas úteis“. As manifestações do dia 15/05 lembraram junho 2013. Diferentemente das manifestações de seis anos, de quarta tiveram um foco bem definido e uma pauta sensível: educação.

Para mostrar que a sua força nas redes ainda pode mobilizar multidões nas ruas, o bolsonarismo está promovendo a sua manifestação para o dia 26/05 com slogan “todos juntos contra o centrão” e um ameaçador #OPovovaiInvadirOCongresso. Não deixa de ser uma oportunidade de medir o tamanho desse núcleo duro do eleitorado de 57 milhões de pessoas que elegeram Bolsonaro.

Pesquisas de variados institutos mostram queda de popularidade do governo e do presidente. A lua de mel que governos têm após a posse não durou seis meses pela falta de habilidade política de Bolsonaro, e ele não faz questão de aprender, o desencanto de boa parte do eleitorado brasileiro que depositou muita esperança na figura mística do salvador da pátria, a disputa fratricida dentro do governo insuflada pelo ideólogo de um dos grupos e pelos filhos do presidente.

Líderes no Congresso Nacional já farejaram sangue ao mar e perceberam que o presidente Bolsonaro não quer dialogar com eles. Que incentiva os ataques contra os políticos, contra aliados e até a integrantes do próprio governo. Nesse clima, o presidente compartilhou um texto no Whatsapp que lembrou a carta de renúncia do Jânio Quadros e o “Não me deixam só” do Fernando Collor. A aposta é no caos que dilacera o tecido social e a própria democracia. Não tem nada de conservadorismo aí. A relação com o Congresso tende a piorar.

A impressão é que Jair Bolsonaro prefere que derrubem o seu governo a se “prostituir”, torcendo que sua imagem fique preservada. É uma visão equivocada do que seja a negociação política e convivência harmoniosa entre os poderes da República. Deve achar que vai conseguir uma base com pressão popular ou trocar o Congresso por referendos e plebiscitos, como Chávez fez na Venezuela e Olavo de Cavalho sugeriu que Bolsonaro fizesse aqui.

Enquanto isso, a economia do país definha de vez e a crise social se agrava abrindo caminho para a esquerda voltar. Mas não acho que os políticos queiram um novo impeachment em tão curto intervalo – o que não significa que seja uma carta descartada e os próprios bolsonaristas trouxeram o tema para o debate público em teorias conspiratórias.

O pedido de Janaína

A deputada estadual Janaína Paschoal (PSL/SP) postou um texto sucinto e direto criticando o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para alertar o presidente Jair Bolsonaro. Janaína pediu para o atual presidente parar de ouvir Olavo, se afastar dos filhos e pediu que a base de apoiadores que ajudaram a eleger Bolsonaro pare de brigar entre si.

Janaína Paschoal já havia alertado ao bolsonarismo o perigo de virar um petismo de sinal trocado na convenção que homologou o nome de Jair Bolsonaro candidato a presidente. Desagradou muita gente no partido e militantes. Muito provavelmente será ignorada mais uma vez, com perigo de ser boicotada pelo partido e pela militância. E, claro, ser xingada por Olavo de Carvalho.

Muito curioso, quando eu pedi o impeachment de Dilma Roussef, com base em crimes graves, fartamente demonstrados, FHC saiu em defesa da ex-Presidente, diminuiu minha denúncia, mesmo confessando não ter lido… depois, serviu como testemunha de defesa de Lula em vários processos.
Agora, no nascedouro do governo Bolsonaro, ele diz aos sindicalistas, que o impeachment pode ser inevitável. E ainda tem quem diga que FHC era o líder da oposição ao PT!? FHC é o mais letrado dos petistas!
Acreditem, as manifestações de hoje não têm nada a ver com cortes na educação, nem com reforma da previdência. Os infiltrados usariam qualquer desculpa para criar o factoide da insatisfação, com o fim de derrubar Bolsonaro. Peço, encarecidamente, àqueles que ajudaram a elegê-lo que parem de brigar entre si. É isso que eles querem. É assim que se fortalecem. Parem de brigar internamente! A briga com os verdadeiros opositores (que estão unidos) está só começando!
Afastem as teorias da conspiração da mente… Não houve um único grupo (ou pessoa) responsável pela vitória de Bolsonaro.
Houve um povo cansado que se uniu e abraçou nossa única alternativa naquele momento. Caiam na real!
Peço a Bolsonaro que pare de ouvir Olavo. Ele tem uma obra incrível, mas a obra não se confunde com o autor. Peço a Bolsonaro que pare de ouvir os próprios filhos. Siga amando seus filhos, mas os afaste, por favor.
Muitos querem derrubar Bolsonaro, mas não somos nós! Nós enfrentamos todos os riscos para dar uma chance ao país. Bolsonaro, reflita! Eu nunca menti para o Sr! O Sr sabe!

Janaína Paschoal, @JanainaPaschoalOficial

Governo sem base

Em votação com quase unanimidade partidária, oposição e “centrão” impuseram derrota acachapante ao governo e aprovaram requerimento convocando o ministro Weintraub para explicar no plenário da Câmara o contingenciamento em universidades e institutos federais. A convocação é obrigatória e no mesmo dia dos protestos e greve das escolas.

De 389 votos, 307 a 82 foi o placar a favor do requerimento. Recado mais direto impossível. Não adianta achacar o Congresso com hashtag no Twitter. Ou jogar nas costas do parlamento os problemas que o governo vem enfrentando e não ter até agora correspondido os anseios que elegeram Jair Bolsonaro.

A votação do requerimento convocando o ministro liga o sinal vermelho para a votação da reforma da Previdência. Se continuar esse voluntarismo e essa beligerância da campanha, não entender que precisa sair do palanque e deixar de falar só para a bolha radical das redes sociais, o governo será inviabilizado definitivamente. Parar de focar em guerra cultura e contra o establishment.

(Recado ao partido NOVO: cuidado para não virar uma linha auxiliar do PSL, como PCdoB foi do PT.)

Maia suspeita que o vazamento de delação que o cita saiu do ciclo de Jair Bolsonaro

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, suspeita que o vazamento da delação premiada de Henrique Constantino foi por pessoas próximas do presidente Jair Bolsonaro. Na sua delação com 11 anexos, o dono da empresa área GOL cita Maia, mas sem apresentar detalhes da troca de favores. O presidente da Câmara disse não conhecer Constantino e ele está mentindo. A delação cita também outros políticos de vários partidos, entre eles o ex-presidente Michel Temer, Eduardo Cunha e o um dos filhos do ex-presidente Lula.

Desde o início do governo Bolsonaro, Maia vem tendo conflitos com o Planalto. Na eleição da mesa diretora da Câmara, o presidente Bolsonaro decidiu pela neutralidade. Mas o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, costurou uma alternativa ao seu colega de partido. Maia levou a melhor e conseguiu o apoio do PSL em troca de comissões importantes e da segunda vice-presidência ao partido.

De lá pra cá, Bolsonaro e Maia vivem uma montanha russa de sentimentos.

Na última semana a relação da Câmara com o governo voltou a estremecer por causa da MP 870/19. A MP foi votada na comissão mista, mas modificada.

Principais mudanças:

  • COAF volta para pasta da Economia;
  • limitar atuações dos auditores da RF em crimes fiscais;
  • FUNAI de volta para pasta da Justiça;
  • demarcação de terras indígenas sair da pasta da Agricultura e voltar para FUNAI;
  • desmembramento do Ministério Desenvolvimento Regional em Cidades e Integração Nacional entregando ao PP e MDB

O governo queria votar no mesmo dia no plenário, mas o PSL se rebelou e os deputados não compareceram. Foi aí que o deputado Diego Garcia (Podemos/PR) fez uma questão de ordem para tirar a MP da pauta e votar MPs antigas primeiro. Isso irritou Maia, que havia participado do acordo do governo com o “centrão” para as mudanças e votar no plenário no mesmo dia.

Eduardo Bolsonaro, o presidente Jair Bolsonaro, o Chanceler Ernesto Araújo postaram enigmas que a eleição só foi uma “batalha” e “a guerra só começou”. Líderes do “centrão” não gostaram e mandaram recados que não tem votação e, se continuarem os ataques, não se vota nada. Os próximos capítulos serão decisivos para definir qual rumo vai seguir Congresso e governo, se paz ou guerra.

Vitor Hugo x Onyx

Major Vitor Hugo brigou feio com ministro Onyx. A ordem era votar rapidamente a MP 870 do jeito que saiu da comissão para não caducar – se expira em 3 de junho. Profundamente irritado, Onyx disse que lavava as mãos em relação ao líder do governo e deixava a decisão de tirar a liderança dele com o presidente Bolsonaro, que foi quem o indicou ao cargo. Vitor Hugo passou a se defender atacando no Twitter e até fez live no Facebook respondendo mensagens dos internautas.