Porta da Lacração

Gregório Duvivier e Fábio Porchat tentam fazer graça com religiões de picuinha com quem tem fé – lembrando que Porchat é funcionário da Record TV, que pertence a Igreja Universal -, já que são ateus. Não precisa desrespeitar uma religião (nenhuma) desta forma, como se verifica no vídeo do dia no canal Porta dos Fundos, para fazer humor (se é que isso se enquadra na categoria de humor).

No final do vídeo Porchat ainda mostra sua bunda branca para o mundo, possivelmente para chocar a “Tradicional Família Brasileira”, mas só consegue passar recibo de ridículo, de palhaço. Fazer humor é uma dádiva (de Deus) que poucos têm. Pessoal do Porta acerta em alguns vídeos – até Duvivier às vezes -, só que o viés ideológico e a mania de querer “lacrar” é mais forte.

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Filme de Danilo Gentili teve Lei Rouanet

O jogo virou. Para quem critica artistas usufruírem de verbas públicas via Lei Rouanet e incentivo à cultura, pegou muito mal o filme mais recente de Danilo Gentili ter captado R$ 3 milhões pela Rouanet.

Nem adianta os fãs de Gentili tentar justificar dizendo que foi a Warner (distribuidora) que deixou de pagar impostos para usar no filme. Ou o apresentador afirmar que tirou dinheiro da conta pessoal para colocar no filme. Pode não ter sido beneficiário direto, mas seu filme foi beneficiado diretamente por aquilo que ele critica.

Danilo Gentili estava (está) com 100% de razão no episódio do repórter da Folha de São Paulo. Só que, neste episódio, ele “comeu mosca”. Mesmo se foi a empresa de distribuição do filme que captou, Gentili poderia muito bem dispensar e fazer um crowdfunding com seus mais de 15 milhões de seguidores no Twitter e telespectadores do seu programa no SBT para distribuição do filme.

Quem critica e acha que o Estado nem deva existir usar o próprio para distribuição de um filme não é muito coerente – para ficar no mínimo.

Democracia representativa não é fazer as vontades de ‘bebê chorão’

No Brasil, há uma confusão sobre o que é democracia representativa. Muita gente acha que o representante precisa votar na Câmara Federal, Assembleias, Câmara de Vereadores e Senado sempre como pensa o representado. Nada mais falso. O político eleito tem no mandato uma carta concedida pelo eleitor, mas essa carta não é uma diretriz que o representante precisa seguir fielmente. Ou era melhor as decisões não ter pontes e a própria população decidir políticas públicas, de governos, institucionais, tudo. Seria democracia direta.

Eu, pessoalmente, sou a favor de ter mecanismos que possibilitem mais democracia direta por meio de plebiscitos e referendos. Não abusando deles, óbvio. O parlamentar ou representante do Executivo tem que ter uma atuação livre e condicionado ao bem estar da população. É muito bom a população ficar atenta ao que fazem seus representados. Mas o problema é ficar revoltada como uma criança birrenta toda vez que não é atendida.

Maior exemplo é o caso de Aécio Neves (PSDB/MG). Afastado por medidas cautelares pelo STF, os senadores votaram por sustar tais medidas e devolver o mandato ao parlamentar. Uma coisa é você achar errada ou equivocada; outra é ficar revoltadinho e até pedir por intervenção militar.

Já foi comentado aqui o erro grave que é três ministros do STF afastar do cargo um Senador da República, sendo que nem réu é ainda. Por mais que as digitais de Aécio em um crime são gritantes, o Estado Democrático de Direito tem que prevalecer sempre. A Constituição precisa prevalecer sempre. O voto popular precisa prevalecer sempre. Só quem tem voto pode afastar do cargo quem tem voto.

Aécio pode ter decepcionado mais de 50 milhões que confiaram e depositaram voto nele na última eleição presidencial, mas depuração política tem que ser no voto. O eleitor precisa aprender a votar melhor. De tanto levar pancada, uma hora aprende. E os senadores não decidiram cancelar o processo contra Aécio. Não acredito em “purificação” na política, nas bravatas de procuradores boquirrotos ou deposito em uma operação policial (ou nos militares) a salvação da pátria.

Danilo Gentili x Diego Bargas

Nova polêmica esquentou o Twitter na tarde deste sábado, 14. Danilo Gentili publicou um vídeo da entrevista que Diego Bargas usou como base para crítica sobre novo filme do apresentador-humorista, no jornal Folha de S.Paulo.

Na entrevista fica claro o viés do repórter fazendo perguntas sem o menor sentido para o tema. Além disso, Gentili ainda mandou seus seguidores pesquisarem o nome do jornalista e logo aparaceram postagens dele militando por Lula, Dilma e Fernando Haddad, todos do PT. Gentili é inimigo declarado do PT e vice-versa.

No dia seguinte, o jornalista fez textão comunicando que perdeu o emprego e colocou a culpa nos “tempos sombrios”. Como tudo no Twitter vira disputa polarizada, teve gente que não gostou do modo do apesentador, expondo o jornalista para seus 15 milhões de seguidores.

Na minha terra, o nome disso é “bode expiatório”. Se um funcionário da minha empresa faz perguntas bizarras, faz um trabalho horrível para qual foi encomendado e, acima de tudo, usa o veículo para perseguir quem não gosta, é demissão. Não gosto de muitas atitudes do apresentador, mas não é por isso que vou fazer uma matéria deturpada contra ele, ainda mais por questões ideológicas e políticas. O jornalismo agoniza de um modo terrível. Estudantes de jornalismo saem da faculdade com lavagem cerebral infectando as redações de jornais, agências de publicidade, TVs, rádios. A imprensa ainda vem falar de “fake news”, de pós-verdade, sendo que é a que mais produz os dois tipos.

Vi gente dizendo que os argumentos a favor do filme do Gentili servem para o Queermuseu. O filme, diferentemente da mostra de Porto Alegre, tinha indicação de idade. E o problema está na matéria complemente enviesada do jornalista ex-Folha.

Jacobinos brasileiros

Deltan Dallagnol, apelidado carinhosamente de “Dartagnol”, está cuspindo fogo nas suas redes sociais porque o STF – porcamente – apenas determinou que se cumpra a Constituição – lei alguma se sobrepõe a ela: medidas cautelares contra parlamentares que obstrua o mandato outorgado pelo povo tem que passar pela autorização prévia das respectivas Casas Legislativas.

O mais engraçado é que Deltan ganha, como Procurador da República, salário acima do teto constitucional. Vamos acabar com todos os privilégios ou parar com indignação seletiva.

Do Marcelo Miller, que advogou para JBS ainda na Procuradora-geral da República quando a empresa negociava delação premiada, Deltan não escreve uma linha. Estranho… Combate contra corrupção todos que não devem nada querem. Mas não atropelando a Constituição e o voto popular. O que querem alguns é uma revolução tipo a francesa no Brasil, com predominância dos jacobinos. Quem seria o nosso Robespierre?

É claro que citaria Luis Roberto Barroso, o novo queridinho da imprensa, defensor de terrorista que tenta reescrever o direito constitucional pela sua conveniência e Edson Fachin, que estranhamente não aceitou pedido de prisão a Miller, apenas de Joesley Bastita e Ricardo Saud.

O pior de tudo é que se formou uma aliança perigosa entre procuradores, imprensa e influenciadores de opinião que é assustadora e causa muito medo. Procuradores passaram a usar as redes sociais para insuflar a massa bovina contra a classe política. Pobre Brasil…