1 ano da eleição de 2014

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A última eleição presidencial foi histórica. Uma eleição que lembrou a primeira eleição para presidente de forma direta depois de longos 20 anos de regime militar. Foi uma eleição insana, uma eleição polarizada ao máximo, talvez a última polarizada por PT e PSDB.

Marina Silva chegou a ameaçar essa hegemonia petista-tucana já em 2014. Mas ela sucumbiu as desconstruções dos dois principais partidos que disputam a presidência desde 1994. E se enrolou nos seus próprios erros durante a campanha. Boatos, mentiras, calúnias e viradas fizeram a eleição 2014 não terminar ao fim do segundo turno, o clima hostil nas redes sociais continua dividindo o país, mas agora não mais em Aécio e Dilma.

Agora, a divisão é mais ideológica, de valores, conservadores vs. liberais, pró e contra o impeachment da presidente reeleita. Uma disputa de esquerda contra direita de antes da queda do muro de Berlim, e uma irracionalidade que assusta.

Voltando para a eleição e o resultado final, a sensação que os votos de Marina foram para Dilma e não para Aécio, mesmo a candidata do PSB e terceira colocada com 21% dos votos apoiando oficialmente o candidato do PSDB no segundo turno. A candidata do PT começou a corrida presidencial com pouco mais de 30% de intenções de voto depois das manifestações populares de junho de 2013, se estabilizou em torno de 40%; Aécio chegou até 15% quando Marina entrou no lugar de Eduardo Campos, morto em acidente aéreo. Marina chegou a empatar com a presidente Dilma no primeiro turno e abrir 10 pontos num eventual segundo turno.

Uma das lições da eleição 2014 é que não existe transferência automática de votos de um candidato para outro. Essa transferência depende muito dos candidatos, principalmente do candidato receptor dos votos. Por exemplo, se fosse Marina ou Campos no segundo turno contra Dilma, a possibilidade da transferência dos votos do PSDB para o PSB seria maior que a transferência do PSB para o PSDB. Em outras palavras, os eleitores de Aécio votariam quase que unanimidade em Marina/Campos contra Dilma, já os eleitores de Marina se dividiram entres os dois candidatos (Dilma e Aécio) ou nulo e branco ou abstenção.

A eleição 2014 foi a eleição digital, das redes sociais e a tendência é ser cada vez mais assim nas futuras eleições. A justiça eleitoral só precisa tomar cuidado com os excessos que a internet proporciona. Mas a zoeira tem que continuar livre!

Pesquisa Ibope mostra Lula forte para 2018, e também com mais rejeição

Mesmo não vivendo o melhor momento político – denúncias envolvendo pessoas próximas e até familiares e as crises (política, econômica, baixa popularidade) da presidente Dilma –, a pesquisa Ibope divulgada nesta segunda-feira (26), um ano do segundo turno de 2014, mostra que o ex-presidente Lula ainda tem muito cacife político para queimar e pode surpreender se for candidato a presidente mais uma vez, em 2018.

O Ibope fez a pesquisa com perguntas diferentes do normal. No lugar de “quem você votaria se a eleição fosse hoje?”, o Ibope perguntou “se com certeza votaria no nome apresentado para a Presidência da República, se poderia votar, se não votaria de jeito nenhum ou se não o conhece o suficiente para opinar” e podendo deixar a pergunta sem resposta.

Só contando os que votariam “com certeza”, Lula lidera com 23% (potencial de 18%), seguido de Aécio, 15% (potencial de 25%), Marina, 13% (potencial de 28%), Serra, 8% (potencial de 24%), Alckmin, 7% (potencial de 23%), e Ciro, 4% (potencial de 15%). O ex-presidente tem seu aniversário no dia 27/10, mais conhecido como amanhã. Sem dúvida essa pesquisa é o melhor presente que Lula sonhava receber. É um sopro de novidade positiva no meio de tantas notícias desagradáveis a ele e ao PT.

Mas nem tudo são flores para Lula nessa pesquisa. Ele lidera entre os mais rejeitados: Lula (55%), José Serra (54%), Geraldo Alckmin (52%) e Ciro Gomes (52%). Menores rejeições: Aécio Neves (47%) e Marina Silva (50%). Índices muito elevados de rejeições aos postulantes da cadeira de Dilma Rousseff, o que mostra que a desconfiança da população na política partidária só cresce – com razão.

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2014, o ano que entrou para história

fspA eleição presidencial de 2014 foi polarizada ao máximo como não se via desde 1989. Ao fim dela se seguiu manifestações contra a reeleição de Dilma, principalmente em São Paulo, com absurdos pedidos de intervenção militar e pedidos legítimos (ainda não se sabe se há fundamentos para tal) de impeachment da presidente por conta das denúncias na Petrobras.

Antecipado por causa das manifestações de junho de 2013, nunca antes na história desse país houve uma eleição tão longa. Mais de um ano contando a partir dos protestos de junho. Em março de 2013, a presidente Dilma tinha 65% de ótimo e bom nas pesquisas de avaliação de governo. Em junho, caiu para 30%, mas recuperou um pouco da popularidade perdida e ficou oscilando para baixo e para cima durante todo o ano de 2014.

Na Corrida ao Planalto, o primeiro grande ato foi a filiação de Marina Silva ao PSB para ser a vice na chapa do presidenciável Eduardo Campos depois da Rede Sustentabilidade ter o registro negado no TSE. Foi uma grande jogada de Eduardo Campos, mas que desagradou marineiros que achavam que Marina se filiando num partido tradicional quebraria a principal bandeira do grupo: a nova política.

Nas pesquisas eleitorais de pré-campanha, a aliança não elevou as intenções de voto de Eduardo Campos, que era conhecido apenas no Nordeste do País, mais especificamente em Pernambuco, onde foi reeleito em 2010 com mais de 80% dos votos. Marina sempre se manteve como a adversária que mais ameaçava Dilma. Ela chegou a ter 27% na pesquisa Datafolha de abril/2014. O pico de Campos foi na pesquisa Ibope de 7 de junho, com 13%. Mas logo voltou para o teto de 7% a 11%. A grande esperança e aposta de Eduardo Campos para alavancar sua candidatura era o horário eleitoral no rádio e na TV.

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Mas o que mudou mesmo foi o acidente aéreo que vitimou Eduardo Campos e toda sua equipe no dia 13 de agosto de 2014, em Santos-SP, um dia depois da entrevista do presidenciável do PSB ao Jornal Nacional, onde ele, ao final da sabatina, disparou a famosa frase “Não vamos desistir do Brasil. É aqui que vamos criar nossos filhos e netos.” Frase esta que virou o lema da campanha do PSB depois de sua morte. A morte de Eduardo Campos bagunçou o quadro eleitoral. Sua vice, Marina Silva, assumiu a candidatura do partido tendo como seu vice o Deputado Beto Albuquerque (PSB-RS).

Antes mesmo do anúncio oficial, o instituto Datafolha realizou uma pesquisa com o nome de Marina e que já a colocava em empate técnico com Aécio Neves (21% a 20%). Dias depois o Ibope fez o mesmo. Marina já colocava 10 pontos de vantagem sobre Aécio (29% a 19%) e se aproximava com uma velocidade espantosa de Dilma (34%), inclusive passando a presidente na simulação de segundo turno (47% a 43%). Na Pesquisa Datafolha de 28 de agosto, Marina empatou com Dilma (34% a 34%) já no primeiro turno e colocava 10 pontos (50% a 40%) de vantagem no segundo turno entre as duas. Parecia que a polarização de 20 anos entre PT e PSDB na disputa presidencial tinha sido finalmente quebrada. Aécio minguava a cada pesquisa até cair para inacreditáveis 14%. O melhor candidato tucano para presidente desde 2002 corria sérios riscos de nem ir ao segundo turno.

Mas Aécio nunca jogou a toalha e dizia que “a onda da razão prevalecerá no final”. Virou piada principalmente na internet, só que os ataques tanto do PSDB e, principalmente, os mais agressivos ataques do PT fizeram Marina se desidratar e, na mesma velocidade que subiu, ela desceu. Aécio foi recuperando votos perdidos para Marina e na reta final do primeiro turno já estava em empate técnico com a candidata do PSB.

2014-1No fim, as urnas mantiveram a lógica que já dura desde 2002: PT e PSDB no segundo turno. Aécio conseguiu mais de 34 milhões de votos, mais perto dos 43 milhões da presidente Dilma do que os 22 milhões de Marina. Contrariando as pesquisas eleitorais de Datafolha e Ibope da véspera do primeiro turno que indicavam um empate técnico entre Aécio e Marina (26% a 24%). Um segundo turno sangrento aguardava Aécio e Dilma.

E a previsão se realizou. O país foi dividido e entre acusações mútuas os candidatos se alternavam na liderança das pesquisas. Aécio começou o segundo turno na frente (era previsível) – 51% a 49%. Era a primeira vez que um candidato tucano ficava na frente de um candidato petista na disputa de um segundo turno. Mas, com a subida da aprovação do governo – 44% de ótimo e bom na véspera da eleição, Dilma virou e passou a ter 51% a 49% a seu favor, 2014-2chegando a 53% a 47% no Ibope na pesquisa de sábado (25/10) e 52% a 48% no Datafolha de 25/10, véspera do segundo turno.

Eleição indefinida, o brasileiro foi às urnas novamente no dia 26/10 para a eleição presidencial mais disputada desde 1989. Findada a votação, por causa do fuso horário no Acre (3 horas a menos que Brasília), a apuração seguia em sigilo. Só quando terminasse a votação no Acre é que o TSE mostraria os números para Presidente da República.

Co10659380_10152471851522339_654442303518786635_nm o fim da votação no Acre e mais de 80% das urnas apuradas em todo país, o TSE divulgou a primeira parcial às 20 horas no horário de Brasília. E se confirmou o que já era esperado, o País completamente dividido: 50,01% a 49,99%, para Dilma. Aécio liderou as primeiras horas de apuração e só às 19h30 que Dilma virou a disputa. Uma hora depois, a presidente foi matematicamente reeleita com 51,45% dos votos apurados até aquele momento. Dilma terminou a apuração com 51,64%, e Aécio com 48,36%.

Para efeito de comparação, o segundo turno ente Collor e Lula, em 1989, a primeira eleição presidencial direta depois da redemocratização terminou 53% a 47%, para Collor.

Agora é esperar que venha 2016 – ano olímpico (Rio 2016) – com as eleições municipais e 2018. Sem esquecer 2015 e todo mandato presidencial. Além de governadores, senadores, deputados federais, estaduais e distritais que começam a governar a partir de 1º de janeiro.

Viva a Democracia! Viva a Liberdade!

Diplomação de Dilma e 2018

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Na quinta-feira (18), a presidente Dilma recebeu o diploma do TSE pela vitória na última eleição. É o último passo antes da posse para o segundo mandato de Dilma Rousseff no Palácio do Planalto no dia 1º de janeiro de 2015. No mesmo dia, o PSDB entrou com uma ação no TSE pedindo a cassação dos registros de Dilma, do seu vice Michel Temer (PMDB) e a diplomação de Aécio Neves e Aloysio Nunes (vice) por irregularidades na campanha da petista.

Está mais do que claro que o PSDB esperava vencer as últimas eleições depois de está quase fora do segundo turno e perder no segundo turno por uma margem de votos tão pequena (52% a 48%). Primeiro foi a tentativa de uma auditoria nas urnas apenas por boatos de fraude das urnas eletrônicas na internet, o que foi mais ou menos aceito pelo TSE. O tribunal liberou os dados e boletins das urnas para o partido fazer a auditoria. Depois, integrantes do partido apoiando manifestações contra Dilma – perfeitamente legítimo, desde que não apoie golpe de estado.

Falta ao PSDB um norte. Uma bandeira para guiar os tucanos para fazer uma oposição forte, mas com responsabilidade. Não adianta o partido querer vencer no “tapetão”. Pode até ser legítima essa ação. Porém, por que só agora quando da diplomação de Dilma? Fica parecendo criança birrenta que não sabe perder. Aquele dono da bola que não aceita o resultado do jogo se não for a vitória do seu time. O momento para entrar com essa ação foi péssimo.

2018

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Na primeira vitória do PT, Lula venceu por 62% em 2002; Lula foi reeleito com 61% em 2006, Dilma venceu com 56% em 2010 e foi reeleita com 52% em 2014. É para oposição se animar que em 2018 é o “agora, vai”. Contudo, vai depender do quadro econômico e social do País, se Dilma vai conseguir corrigir erros do primeiro mandato e quem será o candidato do PT e seus desafiantes.

Apesar de já prepararem a campanha “Lula 2018”, PT pode passar a cabeça de chapa para um partido da base aliada se Lula não for candidato e o partido não encontrar um nome com chance de vitória. No final de 2012, Lula chegou a propor a Eduardo Campos um ministério com destaque e a possibilidade do PT apoiar o nome dele para sucessão de Dilma em 2018. Campos pediu então um compromisso de Lula, mas não conseguiu êxito e preferiu sair da base do governo, entrando na disputa presidencial já na eleição 2014.

PT não tem um nome pronto. Tirando Lula, claro. Michel Temer já falou que chegou a hora do PMDB ter candidato próprio e o partido já se movimenta. Sem Campos e Marina, PSB não tem ninguém. Já no PSDB, a briga vai ser grande: Aécio Neves com 51 milhões de votos, mas sem a força de Minas Gerais (derrotado nos dois turnos, inclusive no governo do Estado no primeiro turno); Geraldo Alckmin com boa aprovação do seu governo em São Paulo (apesar da grave crise hídrica) e José Serra com uma expressiva votação para o Senado Federal deve querer voltar a disputar à presidência. Ainda tem Marina Silva que está próxima de conseguir o registro do seu partido e deve disputar à presidência novamente, apesar do marqueteiro achar que ela não vai disputa 2018 e assessores duvidarem da sua vontade de ser presidente.

O cenário para 2018 deve ficar assim: (se nada fora do natural acontecer)

PT – Lula.

Sem Lula, os nomes mais prováveis são: Aloizio Mercadante (Ministro-chefe da Casa-Civil) e Fernando Pimentel (Governador eleito de Minas Gerais). Pimentel tem contra ele a proximidade com Aécio Neves. Se o PT aceitar um nome fora do partido para cabeça de chapa significaria que, pela primeira vez desde 1989, o Partido dos Trabalhadores não teria candidato a presidente. O mais provável é aceitar um nome do PMDB, mas não seria fácil um acordo com a oposição do Deputado Eduardo Cunha.

PSDB – Aécio, Alckmin ou Serra.

A disputa vai ser muito acirrada e pode deixar graves ranhuras no partido. Aécio perdeu força ao perder Minas Gerais e seus rivais saíram fortalecidos das urnas. Alckmin já está até montando sua equipe para o segundo mandato de olho na próxima disputa presidencial.

PMDB – Michel Temer ou Eduardo Paes.

O vice-presidente é o nome mais forte do partido e pode contar com o apoio do PT. Já o prefeito do Rio de Janeiro conta com a vitrine dos jogos olímpicos de 2016 para ter seu nome indicado e também pode contar com apoio do PT. O apoio de Paes foi fundamental para Dilma vencer no Rio.

REDE SUSTENTABILIDADE – Marina Silva.

Marina conta com um manancial de votos (22 milhões) e vários simpatizantes. A última eleição deixou feridas e baixas de descontentes que não queriam que ela fosse para PSB e, posteriormente, não gostaram do apoio dela ao Aécio no segundo turno. Marina terá duas missões: conseguir, finalmente, o registro do seu partido no TSE e superar essas divergências para curar essas feridas.

PSB – Não vejo nenhum nome competitivo no partido. Muito provavelmente o PSB se coligará com o PSDB ou com a REDE de Marina, ou lançará um candidato mesmo sem muitas chances de vitória para marcar posição no primeiro turno.

Candidatos “nanicos”: PSOL, PSTU, PCB, PCO, PSDC (Ei, ei, ei, Eymael, o democrata cristão  – lembrando que o PSDC conseguiu eleger um deputado federal e Eymael pode ter acesso aos debates nas TVs), PRTB (Levy Fidelix) e outros.

Quatro anos é muito tempo. Apesar de parecer passar rápido, muita água vai rolar nesse rio. Mas as articulações e conversas já começam para as eleições municipais de 2016. Após 2016 é que os motores começam a esquentar para 2018.

Eleições 2014 em números

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Nem sempre o que parece é…

Dilma conseguiu 26.627.802 votos no Sul-Sudeste. Mais que os 20.176.579 votos que a presidente conseguiu no Nordeste. Não precisa pensar muito nem ser craque em matemática para concluir que a “culpa” da reeleição de Dilma (e o PT ganhar o quarto mandato presidencial consecutivo, um recorde em democracias) não é do nordestino, como quer acreditar os que ficam jorrando preconceitos e asneiras nas redes sociais. E pior: na TV, jornais e revistas.

Um pouco de discernimento e estudo nos números da apuração logo se nota que a divisão do País não é de Norte-Nordeste vs. Sul-Sudeste, mas sim os votos de PT e PSDB que estão divididos em todos os estados, com predominância de um partido em um ou outro estado. É só observar Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro como exemplos.

Aécio venceu entre os gaúchos por 53,53%, mas Dilma teve 46,47%, ou seja, estado dividido. Os cariocas votaram em sua maioria no PT; 54,94% foram para Dilma, mas 45,06% foram para Aécio. Não é uma votação pequena do tucano. Já os mineiros foram novamente o fiel da balança e decidiram a eleição. Mantiveram a tradição de pintar o estado de vermelho: Dilma venceu Aécio por uma diferença de 550.601 votos. Os tucanos mineiros esperavam uma vitória de três a quatro milhões de votos a favor do partido, o que faltou para Aécio Neves, que governou Minas por oito anos e saiu com 92% de aprovação do seu governo, vencer a eleição.

É falso dizer que o Norte-Nordeste deu a vitória à Dilma. É só comparar. Dilma teve 24.569.880 votos nas duas regiões ou 45% dos votos da petista são do Norte-Nordeste. Ou nas palavras de Diogo Mainardi: dos “bovinos subdesenvolvidos”. 48,8% dos votos de Dilma são das regiões mais ricas do País, Sul-Sudeste.

Fica a lição que é mais fácil (menos trabalhoso) falar um monte de preconceitos contra o povo de uma região na TV e nas redes sociais do que entender os números.

Dilma vence a eleição mais disputada desde 1989 e o futuro de Aécio e Marina

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A presidente Dilma Rousseff (PT) foi reeleita no último domingo com 54.501.118 (51,64%) de votos, a menor diferença desde 1989. 51.041.155 (48,36%) votaram em Aécio Neves (PSDB) neste segundo turno.

O que fica de legado desta eleição é que o PT precisa, urgentemente, acordar para a vida. Não pode ter a ilusão de que o povo optou pela continuidade. Definitivamente, não. Os mais de 50 milhões que votaram na oposição e mesmo os que votaram em Dilma querem mudanças em relação à forma como o país foi governado nos últimos quatro anos.

Mudança na economia e na política, como a necessária reforma política. Em seu discurso de vitória, Dilma afirmou que o objetivo de seu segundo mandato é, além de manter o combate à miséria, manter o pleno emprego e o combate à inflação, é recuperar o crescimento econômico. Na entrevista ao Jornal Nacional no dia seguinte,  a presidente assegurou que a reforma política sairá e defendeu um plebiscito para isso – como havia dito em junho de 2013.

Todavia, não será nada fácil. A nova composição do novo Congresso – muito mais conservador – tentará barrar qualquer iniciativa mais progressista do governo. Descriminalização do aborto, da maconha e a criminalização da homofobia não sairão desse novo Congresso. O atual presidente do senado, Renan Calheiros (PMDB/AL), que ao que tudo indica será reconduzido ao cargo, já falou que plebiscito não passa. No máximo, um referendo. Inclusive, o PMDB já deu o recado.

Sem falar no loteamento dos ministérios e cargos para uma suposta governabilidade que como se vê na prática não existe. A base governista deu mais dor de cabeça para a presidente do que a oposição no primeiro mandato. Dilma não tem mais a reeleição que a prenda, mas precisa dialogar tanto com a base governista tanto com oposição para fazer as suas propostas avançarem para fazer o país destravar e melhorar os serviços públicos que ela prometeu na campanha. Se não conseguir, vai passar para população que ela não entendeu o recado, de ganhar por tão pouco e a chance do PT perder 2018 é triplicada.

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Com um cacife político de 50 milhões de votos, Aécio Neves tem tudo para ser o grande líder da oposição, coisa que ele não conseguiu ser no Senado. Pois só o foi quando a eleição se aproximou e, talvez por esse motivo, tenha lhe faltado votos para se eleger. Além de erros fatais em Minas Gerais, como apostar apenas na aprovação de 92% de seu governo por lá e indicando um candidato inexpressivo ao governo do estado, Pimenta da Veiga, que perdeu no primeiro turno para o petista Fernando Pimentel. O PSDB precisa reestruturar-se no Rio de Janeiro e, principalmente, no nordeste para voltar a sonhar com uma vitória presidencial.

Marina Silva

Marina Silva

Marina Silva comprovou nessa eleição que tem um teto de 20 milhões de votos nada descartáveis, mas que precisa ir além para pelo menos avançar para um segundo turno. Ela deve conseguir o registro do seu partido no TSE sem precisar ser “inquilina” em outro partido. Não sei se ela pretende se candidatar novamente. Tentar a presidência pela terceira vez e repetir a persistência de Lula até conseguir. Mas ela vai ter que entender que a derrota dela (de favorita a ganhar no segundo turno nem ir a ele) não foi só pela “desconstrução mentirosa e marketing selvagem”. Reconhecer seus próprios erros durante a campanha (e corrigi-los) é mais importante e crucial para sua sobrevivência como importante líder na política brasileira.