Renovação é a salvação do PSDB

Depois de Fernando Henrique Cardoso e Alberto Goldman, chegou a vez de José Aníbal fazer duras críticas ao prefeito de São Paulo, João Doria. Já foi escrito neste blog (aqui) como o PSDB é um partido que sofre auto sabotagem. As divisões internas do tucanato fazem oposição mais forte entre elas do que quando o partido era oposição. E colaborou muito para o PSDB perder quatro eleições presidenciais para o PT.

João Doria está incomodando não só partidos e políticos adversários como os velhos caciques tucanos que não engoliram sua candidatura. FHC, José Serra, Goldman, José Aníbal queriam Andrea Matarazzo para prefeito de São Paulo. O governador Geraldo Alckmin foi o fiador de Doria, mas já está incomodado pela fato do pupilo ser o melhor do PSDB na corrida presidencial e do prefeito não desmentir com veemência que será candidato, de deixar no ar uma suposta candidatura.

Há também o fato de Doria pedir o afastamento do Senador Aécio Neves da presidência da legenda. Incomoda tucanos essa postura dele. Doria sabe que o PSDB foi alvejado fortemente no escândalo de Aécio com JBS, o partido já tinha sido alvejado pelos delatores da Odebrecht, inclusive Alckmin. O que o prefeito quer é minimizar os estragos e o dissabor de ter um quase preso como presidente de seu partido.

Doria é o que sobrou no PSDB para disputar contra Lula com chances de vencer e tentar recuperar um pouco do eleitorado conservador que votava nos tucanos por falta de opção e agora vota em Jair Bolsonaro. Ele sabe disso ao se dissociar dos demais tucanos e se aproveita de ser desconhecido nacionalmente. Doria tem baixos índices de rejeição.

Se por um lado ajuda ser desconhecido do grande eleitorado, já por outro lado complica no quesito alianças e tempo no horário eleitoral. Mas o ideal era João Doria sair candidato a presidente por um partido que convergisse com suas ideias e sem máculas. No PSDB, Doria é e será sabotado, além de perder tempo precioso se defendendo por escândalos de seus correligionários.

A palavra da moda é renovação na política. O problema é como renovar com quadros velhos nos partidos que lideram a política? Para renovar a política nas urnas, antes é preciso renovar os quadros dos partidos, chega dessa velharada que emperra o PSDB. Senhores Caciques Tucanos, deem espaço para os “cabeças pretas” antes do partido ter o mesmo fim do antigo PFL.

Por que o PSDB ‘escondeu’ João Doria do programa na TV?

O destaque do programa nacional do PSDB, na TV, foi a ausência do prefeito de São Paulo, João Doria. Doria tem se mostrado o mais viável tucano para sucessão de Temer nas pesquisas, após a Lava Jato “ferir” Aécio Neves, José Serra e Geraldo Alckmin.

O programa do partido focou em um debate com novas e jovens lideranças eleitas na última eleição municipal, mas deixou Doria de fora. Será uma estratégia de blindar o prefeito e só usá-lo na hora certa, caso Alckmin e Aécio não conseguirem viabilizar seus nomes para 2018?

No final, a vergonha alheia tomou conta por mensagens de auto-ajuda. E, para fechar, um “estamos ouvindo você” como um pedido de voto de confiança às ações do partido no Congresso Nacional.

Mapa político na Grande SP

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Na eleição de 2016 aconteceram muitos fatos históricos, como a eleição de João Doria (PSDB) em São Paulo e no primeiro turno; o derretimento do PT em várias prefeituras pelo país, de mais de 600 para pouco mais de 200 em quatro anos. Marcelo Freixo (PSOL) foi ao segundo turno derrotando o PMDB do Rio com 11 segundos no horário eleitoral, perdeu para Marcelo Crivella (PRB). Depois de algumas tentativas fracassadas, finalmente o Bispo licenciado da IRUD se torna prefeito da segunda maior cidade do país. Alexandre Kalil (PHS) foi eleito prefeito de Belo Horizonte nas Minas Gerais.

A região metropolitana de São Paulo – Grande São Paulo – é simbólica para o petismo, só que 2016 foi trágico para o PT. Não sto-abastou perder São Paulo, o PT administrará apenas uma prefeitura no entorno da capital paulista (Franco da Rocha). O partido perdeu cidades como Guarulhos, a segunda maior cidade do Estado e todo ABC paulista, o berço do Partido dos Trabalhadores, inclusive São Bernardo do Campo, de Lula. Em Santo André, por exemplo, o atual prefeito Carlos Grana só teve 21% dos votos válidos no segundo turno, um vexame histórico para o PT. Para completar, a derrota foi para um candidato do PSDB e que foi secretário do próprio prefeito Grana, Paulo Serra. Em São Bernardo, o sobrinho de Lula não conseguiu ser eleito vereador. E o candidato a prefeito na cidade onde o partido nasceu caiu no primeiro turno.

Outro perdedor na Grande São Paulo foi o PMDB, o partido caiu de 6 para 1 prefeitura.

O grande vencedor foi o PSDB, subiu de 8 para 11 prefeituras na maior região metropolitana do Brasil. Surpreendente desempenho do PR, segundo com mais prefeituras, e do PSB, PRB, PTB, PV. Além do nanico PTN, com 2 prefeituras.

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A esquerda votaria no PSDB contra Russomanno?

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Pesquisa Ibope divulgada nesta segunda-feira (26) confirma a ascensão de João Doria (PSDB), queda de Celso Russomanno (PRB) e de Marta Suplicy (PMDB). Como está na reta final faltando poucos dias para o primeiro turno, fica improvável uma reviravolta muito grande.

A dúvida que fica é: em caso de segundo turno entre João Doria e Russomanno, a esquerda paulistana votaria no candidato do PRB para derrotar o candidato do PSDB? Ou vice-versa?

Contra o PSDB tem a rivalidade do PT nas disputas nacionais. Criou-se uma atmosfera de que quem é de esquerda não vota em tucano. Ainda mais sendo João Doria Jr., o candidato-empresário. Contra Russomanno, a rejeição é por ser candidato ligado a Igreja Universal, de Edir Macedo. E por tratar o cidadão apenas como um consumidor.

Partidários de Fernando Haddad (PT) e Luiza Erundina (PSOL) disputam quem é o verdadeiro candidato da esquerda e pelo tal “voto útil”. Só que o “voto útil” é em Marta, a ex-pestista que a esquerda passou a não gostar por ter ido para o PMDB e votado a favor impeachment. A esquerda caminha para ficar de fora do segundo turno em São Paulo, o baque será grande. Principalmente para o PT.

É hora de algo novo na política partidária

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Enquanto isso, militantes e fanáticos brigam na internet e nas ruas…

PT (petrolão) e PSDB (escândalo da merenda escolar em SP e escândalos no PR) estão mergulhados em gigantes escândalos de corrupção. Não é bom nivelar todos os políticos e partidos na lama da corrupção, mas as evidências estão aí. Os dois partidos têm podres para ninguém botar defeito.

Os dois principais partidos dos últimos 20 anos têm muito que se explicarem. Eles estão saturados, sem ideias de desenvolvimento econômico e social. A polarização entre PT e PSDB, que em muitas cidades são aliados, está sufocando o desenvolvimento do Brasil. E isso afeta a democracia do país. O pior é que não é vislumbrada uma mudança e a polarização deve continuar por mais alguns anos e eleições.

Estão surgindo vários partidos de cisões dos grandes ou grupos organizados, mas nenhum passa a sensação de que pode substituir os velhos partidos.

O país tem muito a agradecer tanto ao PSDB quanto ao PT, estabilidade econômica, inclusão social, diminuição da miséria, etc. Tudo isso foram conquistas dos governos desses partidos. Mas é hora de ir adiante, de tentar superar novos e velhos desafios. Não vejo no PSDB nem no PT, e muito menos no PMDB, saída para o Brasil superar problemas crônicos. Afinal, eles estão aí desde o início da Nova República e não conseguiram.

O grande medo é a política partidária ficar nessa de quem é mais sujo. Isso será o fim da política partidária e não é nada bom para democracia.