PSDB se esfacelando em praça pública

O prefeito de São Paulo, João Doria, respondeu o ex-governador de São Paulo, Alberto Goldman. Goldman gravou um vídeo fazendo críticas duras ao prefeito, chegando a dizer que “São Paulo não tem prefeito”. Também em vídeo, Doria deu a resposta e não contemporizou, disse que Alberto Goldman é “medíocre”, “viveu a vida inteira à sombra de Orestes Quércia e José Serra”, que “coleciona fracassos”.

Definitivamente, o PSDB está lavando roupa suja em praça pública, o que não é bem uma novidade. Só que agora é uma disputa quase que definitiva. O partido da social democracia, que foi duramente atingindo pelo caso Aécio Neves, está se esfacelando. Hoje é mais fácil João Doria sair do que ficar no PSDB.

A briga entre Goldman e Doria vem desde 2016. Goldman, Serra, FHC queriam Andreia Matarazzo para candidato a prefeito de São Paulo, de preferência por consenso. Geraldo Alckmin brigou contra os caciques tucanos para ter prévias na disputa municipal e Doria venceu o primeiro turno das prévias após muita confusão com brigas entre militâncias dos candidatos.

Acusando Alckmin e Doria de compra de votos, Matarazzo desistiu do segundo turno e saiu do PSDB – disputou a eleição como vice de Marta Suplicy pelo PSD, de Kassab -, Doria ficou com caminho livre para ser o candidato e venceu a eleição no primeiro turno – feito inédito em São Paulo. Alberto Goldman entrou com representação no MP/SP contra João Doria, mas não conseguiu provas das acusações.

O PSDB está se auto implodindo. Durante o impeachment de Dilma Rousseff muitos apostaram que era o fim do PT, mas é o PSDB que está derretendo. E facilitando a vida de Jair Bolsonaro, faltando exatamente um ano para a eleição de 2018.

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Fim de ciclo

O vídeo do programa partidário do PSDB rendeu polêmica e rachou de vez o partido. A ala governista criticou duramente o programa e o presidente interino da legenda, senador Tasso Jereissati. Ministros tucanos saíram ao ataque contra o programa e Tasso. “Não me representa [programa]”, essa foi a frase mais dita. A palavra no programa que mais irritou os neogovernistas tucanos foi “cooptação“.

Deputados ameaçam processar Tasso, por danos morais contra a Casa. Por sua vez, ele disse que não se arrepende de nada. Que quem ficou ofendido não entendeu a mensagem que o programa passou e entrega a presidência do partido ao Aécio Neves na hora que ele pedir.

1º Vice-presidente do Senado, Cássio Cunha Lima disse que quem sugeriu a palavra da discórdia foi o ex-presidente Fernando Henrique. O governo, claro, achou “deslealdade”. E o “centrão” intensificou os pedidos para que Michel Temer tire os ministérios do PSDB e entregue ao bloco que garantiu o arquivamento da denúncia da PGR contra o presidente. Ou seja: mesmo que não tenha sido a ideia de Tasso, o pedido do “centrão” pelos ministérios do PSDB ratifica a ideia de “presidencialismo de cooptação”, que foi usado por todos os governos da redemocratização – inclusive FHC.

O programa foi uma crítica ao presidencialismo de coalizão. Não especificamente ao atual governo ou governos anteriores. Foi uma autocrítica de ter esquecido a bandeira do parlamentarismo que está no estatuto do PSDB. A verdade é que a Social Democracia Tucana está se esfacelando em público com esse racha de quem quer sair do governo tóxico eleitoralmente de Temer e quem se agarrou aos cargos.

Nas eleições municipais de 2004, só 2 anos após perder o Planalto para o PT, o PSDB elegeu um grande número de prefeitos. Veio o mensalão e o partido preferiu “deixar o Lula sangrar” e derrotá-lo nas urnas ao invés de levantar a bandeira do impeachment. Resultado: Lula foi reeleito com 60% dos votos válidos no segundo turno e o candidato tucano Geraldo Alckmin conseguiu a proeza de ter mais votos no primeiro que no segundo turno.

2016, pós-impeachment de Dilma Rousseff, de novo o PSDB elege um grande número de prefeitos em todo Brasil – inclusive São Paulo, derrotando o PT no primeiro tuno que nunca tinha acontecido após adoção de 2 turnos em 1992 – e por egos e erros está jogando fora a chance de liderar o novo processo político tão demandado pela sociedade.

O PSDB perdeu a parte que votava no partido por pura falta de opção e antilulopetismo. Esse eleitorado conservador foi para Jair Bolsonaro.

Mas não é só PSDB, PT que estão ameaçados. A outra parte, a que deu sustentação aos governos dos 2 partidos que polarizaram a eleição presidencial a partir de 1994, o PMDB, está mudando de nome e voltando a se chamar MDB, quando era a única oposição institucional ao regime militar (1964-1985).

2018 pode ser devastador para a atual classe política. É por isso que estão desesperado para aprovar até 7 de outubro mecanismos de sobrevivência – distritão e fundo público de 3 bilhões de reais para a eleição sem especificar como o dinheiro será distribuído entre partidos e candidatos.

É o fim de um ciclo. Mas ainda não há o que colocar no lugar da Nova República que ficou velha precocemente. Vai depender do eleitor e o que ele vai fazer com o seu voto.

Renovação é a salvação do PSDB

Depois de Fernando Henrique Cardoso e Alberto Goldman, chegou a vez de José Aníbal fazer duras críticas ao prefeito de São Paulo, João Doria. Já foi escrito neste blog (aqui) como o PSDB é um partido que sofre auto sabotagem. As divisões internas do tucanato fazem oposição mais forte entre elas do que quando o partido era oposição. E colaborou muito para o PSDB perder quatro eleições presidenciais para o PT.

João Doria está incomodando não só partidos e políticos adversários como os velhos caciques tucanos que não engoliram sua candidatura. FHC, José Serra, Goldman, José Aníbal queriam Andrea Matarazzo para prefeito de São Paulo. O governador Geraldo Alckmin foi o fiador de Doria, mas já está incomodado pela fato do pupilo ser o melhor do PSDB na corrida presidencial e do prefeito não desmentir com veemência que será candidato, de deixar no ar uma suposta candidatura.

Há também o fato de Doria pedir o afastamento do Senador Aécio Neves da presidência da legenda. Incomoda tucanos essa postura dele. Doria sabe que o PSDB foi alvejado fortemente no escândalo de Aécio com JBS, o partido já tinha sido alvejado pelos delatores da Odebrecht, inclusive Alckmin. O que o prefeito quer é minimizar os estragos e o dissabor de ter um quase preso como presidente de seu partido.

Doria é o que sobrou no PSDB para disputar contra Lula com chances de vencer e tentar recuperar um pouco do eleitorado conservador que votava nos tucanos por falta de opção e agora vota em Jair Bolsonaro. Ele sabe disso ao se dissociar dos demais tucanos e se aproveita de ser desconhecido nacionalmente. Doria tem baixos índices de rejeição.

Se por um lado ajuda ser desconhecido do grande eleitorado, já por outro lado complica no quesito alianças e tempo no horário eleitoral. Mas o ideal era João Doria sair candidato a presidente por um partido que convergisse com suas ideias e sem máculas. No PSDB, Doria é e será sabotado, além de perder tempo precioso se defendendo por escândalos de seus correligionários.

A palavra da moda é renovação na política. O problema é como renovar com quadros velhos nos partidos que lideram a política? Para renovar a política nas urnas, antes é preciso renovar os quadros dos partidos, chega dessa velharada que emperra o PSDB. Senhores Caciques Tucanos, deem espaço para os “cabeças pretas” antes do partido ter o mesmo fim do antigo PFL.

Por que o PSDB ‘escondeu’ João Doria do programa na TV?

O destaque do programa nacional do PSDB, na TV, foi a ausência do prefeito de São Paulo, João Doria. Doria tem se mostrado o mais viável tucano para sucessão de Temer nas pesquisas, após a Lava Jato “ferir” Aécio Neves, José Serra e Geraldo Alckmin.

O programa do partido focou em um debate com novas e jovens lideranças eleitas na última eleição municipal, mas deixou Doria de fora. Será uma estratégia de blindar o prefeito e só usá-lo na hora certa, caso Alckmin e Aécio não conseguirem viabilizar seus nomes para 2018?

No final, a vergonha alheia tomou conta por mensagens de auto-ajuda. E, para fechar, um “estamos ouvindo você” como um pedido de voto de confiança às ações do partido no Congresso Nacional.

Mapa político na Grande SP

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Na eleição de 2016 aconteceram muitos fatos históricos, como a eleição de João Doria (PSDB) em São Paulo e no primeiro turno; o derretimento do PT em várias prefeituras pelo país, de mais de 600 para pouco mais de 200 em quatro anos. Marcelo Freixo (PSOL) foi ao segundo turno derrotando o PMDB do Rio com 11 segundos no horário eleitoral, perdeu para Marcelo Crivella (PRB). Depois de algumas tentativas fracassadas, finalmente o Bispo licenciado da IRUD se torna prefeito da segunda maior cidade do país. Alexandre Kalil (PHS) foi eleito prefeito de Belo Horizonte nas Minas Gerais.

A região metropolitana de São Paulo – Grande São Paulo – é simbólica para o petismo, só que 2016 foi trágico para o PT. Não sto-abastou perder São Paulo, o PT administrará apenas uma prefeitura no entorno da capital paulista (Franco da Rocha). O partido perdeu cidades como Guarulhos, a segunda maior cidade do Estado e todo ABC paulista, o berço do Partido dos Trabalhadores, inclusive São Bernardo do Campo, de Lula. Em Santo André, por exemplo, o atual prefeito Carlos Grana só teve 21% dos votos válidos no segundo turno, um vexame histórico para o PT. Para completar, a derrota foi para um candidato do PSDB e que foi secretário do próprio prefeito Grana, Paulo Serra. Em São Bernardo, o sobrinho de Lula não conseguiu ser eleito vereador. E o candidato a prefeito na cidade onde o partido nasceu caiu no primeiro turno.

Outro perdedor na Grande São Paulo foi o PMDB, o partido caiu de 6 para 1 prefeitura.

O grande vencedor foi o PSDB, subiu de 8 para 11 prefeituras na maior região metropolitana do Brasil. Surpreendente desempenho do PR, segundo com mais prefeituras, e do PSB, PRB, PTB, PV. Além do nanico PTN, com 2 prefeituras.

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