Por que o PSDB ‘escondeu’ João Doria do programa na TV?

O destaque do programa nacional do PSDB, na TV, foi a ausência do prefeito de São Paulo, João Doria. Doria tem se mostrado o mais viável tucano para sucessão de Temer nas pesquisas, após a Lava Jato “ferir” Aécio Neves, José Serra e Geraldo Alckmin.

O programa do partido focou em um debate com novas e jovens lideranças eleitas na última eleição municipal, mas deixou Doria de fora. Será uma estratégia de blindar o prefeito e só usá-lo na hora certa, caso Alckmin e Aécio não conseguirem viabilizar seus nomes para 2018?

No final, a vergonha alheia tomou conta por mensagens de auto-ajuda. E, para fechar, um “estamos ouvindo você” como um pedido de voto de confiança às ações do partido no Congresso Nacional.

Mapa político na Grande SP

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Na eleição de 2016 aconteceram muitos fatos históricos, como a eleição de João Doria (PSDB) em São Paulo e no primeiro turno; o derretimento do PT em várias prefeituras pelo país, de mais de 600 para pouco mais de 200 em quatro anos. Marcelo Freixo (PSOL) foi ao segundo turno derrotando o PMDB do Rio com 11 segundos no horário eleitoral, perdeu para Marcelo Crivella (PRB). Depois de algumas tentativas fracassadas, finalmente o Bispo licenciado da IRUD se torna prefeito da segunda maior cidade do país. Alexandre Kalil (PHS) foi eleito prefeito de Belo Horizonte nas Minas Gerais.

A região metropolitana de São Paulo – Grande São Paulo – é simbólica para o petismo, só que 2016 foi trágico para o PT. Não sto-abastou perder São Paulo, o PT administrará apenas uma prefeitura no entorno da capital paulista (Franco da Rocha). O partido perdeu cidades como Guarulhos, a segunda maior cidade do Estado e todo ABC paulista, o berço do Partido dos Trabalhadores, inclusive São Bernardo do Campo, de Lula. Em Santo André, por exemplo, o atual prefeito Carlos Grana só teve 21% dos votos válidos no segundo turno, um vexame histórico para o PT. Para completar, a derrota foi para um candidato do PSDB e que foi secretário do próprio prefeito Grana, Paulo Serra. Em São Bernardo, o sobrinho de Lula não conseguiu ser eleito vereador. E o candidato a prefeito na cidade onde o partido nasceu caiu no primeiro turno.

Outro perdedor na Grande São Paulo foi o PMDB, o partido caiu de 6 para 1 prefeitura.

O grande vencedor foi o PSDB, subiu de 8 para 11 prefeituras na maior região metropolitana do Brasil. Surpreendente desempenho do PR, segundo com mais prefeituras, e do PSB, PRB, PTB, PV. Além do nanico PTN, com 2 prefeituras.

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A esquerda votaria no PSDB contra Russomanno?

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Pesquisa Ibope divulgada nesta segunda-feira (26) confirma a ascensão de João Doria (PSDB), queda de Celso Russomanno (PRB) e de Marta Suplicy (PMDB). Como está na reta final faltando poucos dias para o primeiro turno, fica improvável uma reviravolta muito grande.

A dúvida que fica é: em caso de segundo turno entre João Doria e Russomanno, a esquerda paulistana votaria no candidato do PRB para derrotar o candidato do PSDB? Ou vice-versa?

Contra o PSDB tem a rivalidade do PT nas disputas nacionais. Criou-se uma atmosfera de que quem é de esquerda não vota em tucano. Ainda mais sendo João Doria Jr., o candidato-empresário. Contra Russomanno, a rejeição é por ser candidato ligado a Igreja Universal, de Edir Macedo. E por tratar o cidadão apenas como um consumidor.

Partidários de Fernando Haddad (PT) e Luiza Erundina (PSOL) disputam quem é o verdadeiro candidato da esquerda e pelo tal “voto útil”. Só que o “voto útil” é em Marta, a ex-pestista que a esquerda passou a não gostar por ter ido para o PMDB e votado a favor impeachment. A esquerda caminha para ficar de fora do segundo turno em São Paulo, o baque será grande. Principalmente para o PT.

É hora de algo novo na política partidária

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Enquanto isso, militantes e fanáticos brigam na internet e nas ruas…

PT (petrolão) e PSDB (escândalo da merenda escolar em SP e escândalos no PR) estão mergulhados em gigantes escândalos de corrupção. Não é bom nivelar todos os políticos e partidos na lama da corrupção, mas as evidências estão aí. Os dois partidos têm podres para ninguém botar defeito.

Os dois principais partidos dos últimos 20 anos têm muito que se explicarem. Eles estão saturados, sem ideias de desenvolvimento econômico e social. A polarização entre PT e PSDB, que em muitas cidades são aliados, está sufocando o desenvolvimento do Brasil. E isso afeta a democracia do país. O pior é que não é vislumbrada uma mudança e a polarização deve continuar por mais alguns anos e eleições.

Estão surgindo vários partidos de cisões dos grandes ou grupos organizados, mas nenhum passa a sensação de que pode substituir os velhos partidos.

O país tem muito a agradecer tanto ao PSDB quanto ao PT, estabilidade econômica, inclusão social, diminuição da miséria, etc. Tudo isso foram conquistas dos governos desses partidos. Mas é hora de ir adiante, de tentar superar novos e velhos desafios. Não vejo no PSDB nem no PT, e muito menos no PMDB, saída para o Brasil superar problemas crônicos. Afinal, eles estão aí desde o início da Nova República e não conseguiram.

O grande medo é a política partidária ficar nessa de quem é mais sujo. Isso será o fim da política partidária e não é nada bom para democracia.

Polarização PT e PSDB na berlinda eleitoral

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O desgaste do PT não está beneficiando o principal partido de oposição, o PSDB. Nova pesquisa Datafolha de olho em 2018 (sim, está longe, mas a crise política, econômica, enfraquecimento do governo Dilma antecipa a disputa) mostra que a grande beneficiada com o atual quadro política é Marina Silva.

Marina disputou as duas últimas eleições para presidente e teve duas grandes votações (19.636.359 votos em 2010 e 22.176.619 votos em 2014), mas não conseguiu ir ao segundo turno em ambas disputas. E disputou por dois diferentes partidos, PV e PSB. Agora, Marina tem a Rede Sustentabilidade para chamar de “seu partido” e colocar suas ideias em prática sem aquela sensação de ser uma inquilina. Ela diz que não é “dona” do partido e não quer colocar a candidatura dela ao Planalto como uma imposição.

Seja como for, Marina se cacifa muito para ser a grande favorita de 2018. O grande obstáculo para Marina Silva é o tempo do horário eleitoral. A Rede vai precisar se coligar com outros partidos sem perder o discurso do “novo”, Marina vai ter que conseguir isso se quiser manter esse favoritismo. E os debates que a reforma eleitoral de 2015 determinou que as emissoras de TV não são obrigadas a convidar os candidatos dos partidos que tenham menos de 10 deputados na Câmara. São desafios que Marina terá que enfrentá-los.

Aécio Neves ainda tem a seu favor os 51.041.155 de votos de 2014, mas parece que tem um teto de 30%, o que é mais um teto do PSDB do que de Aécio. Qualquer que seja o candidato tucano, Aécio, Alckmin, Serra ou outro nome, ele consegue entre 30% e 35% no primeiro turno presidencial. O teto do PT despencou de 40% para 20%. É um claro reflexo da crise que passa o Partido dos Trabalhadores. Não tem outro candidato no PT que não seja o Lula.

Muita água ainda vai passar por essa Ponte Brasil até outubro de 2018. Uma coisa é certa: o brasileiro está cansado e desiludido com o lulopetismo. Mas não está gostando como a oposição (leia-se PSDB) está se comportando nessa crise. O eleitor brasileiro procura por uma terceira via que seja viável.