Números esquizofrênicos do Datafolha

Datafolha trás números esquizofrênicos e mostra que o brasileiro está com sangue nos olhos e com gosto dele na boca. Não é para menos ao deparar com tantos escândalos e malas de dinheiro achadas em apartamentos. O problema dessa revolta generalizada é que agir pelo fígado nunca resulta em coisa boa.

Mais da metade dos entrevistados pelo instituto quer Lula preso, por tudo que já foi descoberto contra o ex-presidente. Mas tenho certeza que poucos sabem o artigo que embasaria um pedido de reclusão nem sabe em quais artigos do código penal Lula seria preso, pelos processos contra ele.

O mais interessante é que o brasileiro deseja Lula preso e presidente ao mesmo tempo, uma esquizofrenia brasileira ou uma trapalhada (malandragem) do instituto? Querem transformar o Palácio do Planalto num presídio de segurança máxima onde traficante continua dando ordens aos comandados nas favelas.

Outra coisa esquista é o Datafolha insistir em colocar o nome de Sérgio Moro nas sondagens eleitorais apenas para alimentar a narrativa de confronto político entre o juiz e Lula, o que, apesar de algumas ações duvidosas de Moro, não existe.

Na mesma pesquisa do Datafolha, 89% da população deseja que a Câmara autorize já o STF investigar Michel Temer e, consequentemente, seu afastamento provisório da presidência.

Já foi comentado aqui a confusão de mais um afastamento de um presidente em pouco mais de 1 ano, e por uma denúncia contaminada em atitudes no mínimo duvidosas, além da sanha caçadora moralista. Queiram ou não, o governo Temer já conseguiu coisas que os últimos governos tentaram e nada, como reformas importantes.

Reforma do ensino médio (parada na Câmara desde 1998);
PEC do teto público (gastar o que arrecada);
Reforma trabalhista (desburocratizar relações trabalhistas, garantir mais segurança jurídica, mais empregos formais);
Fim da obrigatoriedade da Petrobras participar de toda exploração do pré-sal (participar nos poços estrategicamente viáveis para empresa), além de um política alinhada ao livre mercado, sem uso político-populista

O Brasil está quebrado e agora a economia começa a sair da mais grave recessão em décadas. Juros da Selic em queda, inflação de quase 3% em 12 meses. Governo Temer está saneando o Brasil para, aí sim, fazer o bolo crescer (crescimento econômico) e reparti-lo, obviamento o novo governo que sair das urnas que tocará o barco. Sem deixar, é óbvio, a população mais carente desamparada, aí entram os programas assistenciais (Bolsa Família, por exemplo).

Dizem que a economia andaria independente de Temer na presidência. Até pode ser verdade que a economia tenha ganho anticorpos depois de tantas crises políticas em sequência, mas nada garantido. E o afastamento de um presidente faltando pouco tempo para terminar o mandato e sem regras claras de uma eleição indireta, na minha humilde opinião, é um caos desnecessário.

Mas algo de racional começa a brotar nas cabeças das pessoas. Aumentou quem deseja que Temer termine o mandato. Ou mais um caso de esquizofrenia ao querer que a Câmara autorize investigação imediata contra o presidente e ao mesmo tempo que ele termine o mandato. A saúde (constitucionalmente de responsabilidade não exclusiva do governo federal) é o principal problema do país, para os entrevistados, seguida de corrupção e desemprego.

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Um novo nome emergindo da política cearense

Chamou atenção uma fala do ex-presidente Lula em um bate-papo na internet para o canal do jornalista José Trajano. Lula cogitou o nome de Camilo Santana, como candidato do PT à presidência da República.

Camilo está no meio do terceiro ano como governador do Ceará. Ele foi a grande aposta do ex-governador Cid Gomes na sucessão estadual. Camilo vem mostrando uma boa gestão, mesmo com graves problemas pelo caminho e as principais são violência desenfreada, seca prolongada e a crise econômica nacional. Além de desafios na saúde e educação. Na economia, o Ceará está entre os melhores em equilíbrio fiscal e em investimento público, por mais paradoxo que possa parecer. Na avaliação popular, o governo de Camilo é “regular” para maioria da população. Sobre a fala de Lula, Camilo disse que acompanha o que acontece na política nacional, mas que está focado no estado.

Cid já teve planos de lançar Camilo, que foi seu secretário nos dois mandatos (Desenvolvimento Agrário e Cidade), candidato a prefeito de Fortaleza em 2012. Mas em uma queda de braço com a então prefeita Luizianne Lins, também do PT, Elmano de Freitas foi o candidato do partido. Elmano perdeu no segundo turno para o candidato de Cid, o deputado estadual Roberto Claudio (PSB/PDT). Aliado de Cid Gomes nas duas campanhas que o elegeu governador, Eunício Oliveira esperava de Cid, só que de aliados passaram a grande rivais no estado. E Eunício foi buscar apoio em Tasso Jereissati, que havia sido derrotado para o Senado Federal quatro anos antes. Tasso e o irmão de Cid, Ciro Gomes, fundaram o PSDB no Ceará.

Sem Lula, o PT não tem opção do mesmo apelo popular E, caso Lula não possa ser candidato por razão jurídica ou de saúde, o mais provável é que Ciro Gomes ganhe o apoio petista. Em caso de Ciro recusar o apoio por medo da alta rejeição ao petismo, aí ninguém sabe o que vai acontecer, se Camilo aceitaria um pedido do partido para disputar a presidência contra seu aliado Ciro Gomes, mesmo para o PT marcar posição e manter a tradição de ter candidato desde a redemocratização, em 1989.

Olhar Lula para além do maniqueísmo

Muitos se perguntam por que Lula é líder para presidente mesmo réu em várias ações penais e prestes a ser condenado em uma delas? Uma das principais razões é a memória afetiva de um Brasil que, por oito anos de governo Lula, se mostrou potente ganhando direito de ser sede até de Copa do Mundo desde 1950 e Olimpíada, a primeira na América do Sul.

Pré-sal, crescimento econômico pujante com distribuição de renda tirando da miséria absoluta mais de 20 milhões de brasileiros que não tinham o direito a três refeições ao dia. Quem diz que a miséria não é um grave problema certamente nunca passou fome na vida e por isso sai arrotando “bolsa esmola”, “curral eleitoral, “bovinos” e “massa de manobra”.

Lula representa o retirante que passou fome e sentou na cadeira onde só intelectual, acadêmicos, sociólogos e fazendeiros sentavam, a cadeira de presidente da nação. Por oportunismo ou não, Lula foi o único presidente que olhou para o lado pobre do Brasil (bolsa família entre outros programas sociais) e também para lado rico – “bolsa empresário”.

Agora, por outro lado, é preciso analisar os dois lados da história. Se o legado social de Lula – quase destruído por Dilma – é positivo, é impossível fechar os olhos que no governo Lula a corrupção que já existia foi institucionalizada e prosseguiu com sua sucessora, a Lava Jato está aí mostrando que o sistema político brasileiro está putrefato. E Lula deixou o governo com quase unanimidade de aprovação popular não fazendo a reforma política, tributária, trabalhista, só uma pequena reforma na Previdência no início do governo que fez o partido expulsar quadros históricos do PT, como Heloisa Helena, que votaram contra no Congresso.

Compreendo quem alega o lado social e carisma para ainda votar em Lula, mas é impossível negar o lado corrupto. Esquecendo as gritantes evidências que o presidente prevaricou durante o mandato e depois de deixar a presidência, ainda é possível observar que o discurso de mudança e ética na política, de 2002, foi um engodo. PT ganhou o voto de confiança dos brasileiros para, na sequência, o trair.

Mas é possível enxergar os dois lados de Lula e não cair no maniqueísmo de endeusamento ou torná-lo o pior demônio que já surgiu na terra.

Reflexão sobre o misticismo em torno de Lula e seu papel na história

Passei dias e dias em jejum de opiniões sobre política. Por minha vontade emocional confesso a motivação diminuta. Todo cidadão tem um compromisso com o país e seus semelhantes.

O terremoto político registrado no Brasil faz com que a gente adote a contradição de atos para sermos coerentes perante a história. Vou compartilhar mais uma reflexão. E antecipadamente peço desculpas porque o “textão” será inevitável. Especialmente pelo tema tratado: Lula.

Desde que a jornalista Eliane Cantanhede divulgou na noite de quinta (18) uma perspectiva de delações explosivas contra Lula e Dilma, um estado de euforia tomou conta do campo conservador e de apreensão no espectro progressista.

É como se uma final de Campeonato estivesse em vigência. São 13h28 de uma sexta-feira, dia 19 e até agora não sabemos do teor da delação. Se é que existe delação. Mas é uma chance para refletirmos e analisarmos por que o cidadão Luiz Inácio Lula da Silva chegou a tal espiral de admiração e ódio. Quais os motivos que levaram este operário de 71 anos a ser o protagonista de uma novela sem fim na política brasileira.

UM GOLPE DÁ LARGADA AO TRABALHISMO

É preciso fazer uma viagem no tempo. Entender que no início do Século 20, o Brasil era um país rural dominado por uma elite focada na cultura do café e que os estados de São Paulo e Minas Gerais dominavam o Palácio do Catete, independente do partido. Indicavam os políticos destinados a comandar os destinos do país, cuja desigualdade era gritante e com sacríficios impostos a classe trabalhadora, responsável por cumprir jornadas de trabalho de até 16 horas por dia.

Eis que entra no roteiro um advogado baixinho gaúcho chamado Getúlio Vargas. Disputa as eleições de 1930 contra Julio Prestes, que vence com 59% dos votos. Vargas, inconformado com o resultado e aliado a militares e uma parcela da sociedade, dá um golpe de estado e ascende ao poder.

Este é o primeiro pulo do gato. Por saber que não contaria com o apoio da elite empresarial da época, Vargas encontra na massa dos pobres, remediados e na organização sindical a brecha para se firmar politicamente e desenvolver o seu regime ditatorial. Sim, foi uma ditadura, com tudo que existe de direito.

Ao implantar a Consolidação das Leis do Trabalho, atrelar os sindicatos ao Estado, permitir o voto feminino e instituir o Salário Minimo, Vargas instala no Brasil um fenômeno político que tem efeitos até os dias de hoje: o trabalhismo.

DUTRA, O PRIMEIRO BENEFICIÁRIO

Foi em cima desta massa de remediados e desesperados que Vargas calcou sua trajetória e que foi essencial para continuar a interferir na vida política do Brasil. Tanto que em 1946 Eurico Gaspar Dutra só venceu as eleições por causa de uma atitude que hoje parece surreal: após apelo feito por correligionários, Vargas autorizou que se escrevesse um texto de sua autoria para sacramentar o apoio a Dutra e que fosse colado em postes de iluminação nas grandes cidades brasileiras.

A volta de Vargas ao poder em 1950, assim como Lula em 2002, também foi registrada com diversas incoerências. A principal foi o fechamento de um acordo com Adhemar de Barros, acusado de vários atos de corrupção, mas com grande influência no mundo político e no estado de São Paulo. Coube a ele indicar o vice-presidente Café Filho, oriundo da região nordeste.

Nem preciso gastar letras para recordar o segundo mandato turbulento de Vargas e que culminou na criação da Petrobrás, na Companhia Siderúrgica Nacional e no seu suicídio.

Antes deste ato dramático, Vargas fez questão de propagar seu apoio e apreço por JK, então governador de Minas Gerais e posteriormente Presidente da República e acossado durante seu mandato com muitas tentativas de deposição por parte de seus opositores.

Na década de 1960, após a renúncia atrapalhada de Jânio Quadros, o Brasil se viu obrigado a fazer um puxadinho com o parlamentarismo para a aceitação das elites em relação a João Goulart. Ex-ministro do Trabalho de Vargas, era o legitimo herdeiro do trabalhismo ao lado do então governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola.

Se analisarmos sob uma perspectiva histórica, o golpe militar de 1964 não foi para estancar a “ameaça comunista” e sim com a meta de bloquear a permanência do trabalhismo como fonte de poder no Palácio do Planalto. Até porque, além de Goulart e Brizola, JK era um forte candidato a retornar e com as bênçãos do grupo político articulado por Vargas.

LULA, UMA CHANCE PARA DIVIDIR A ESQUERDA

Bem, após ler toda esta linha do tempo, você deve perguntar: e Lula? Onde entra nesta trajetória?

De novo é preciso fazer uma viagem na história. Não tem jeito. Em meados da década de 1970, o governo militar amargurava seguidas derrotas nas eleições parlamentares. Sem contar a pressão pela instalação de uma anistia Ampla Geral e Irrestrita. Com certeza, se o processo não fosse controlado, isto poderia desembocar em antecipação de eleições presidenciais cujo principal favorito seria o então exilado Leonel Brizola.

Por quê? Ele era herdeiro direto do trabalhismo, especialmente após as mortes misteriosas de João Goulart e de JK. Quem leu as obras da coleção “ilusões armadas”, de autoria de Élio Gaspari, sabe que o mentor e o estrategista da ditadura militar era Golbery do Couto e Silva. E sua obsessão era impedir a vitória e a ascensão de Brizola e do trabalhismo.

O que fez? Atuou em duas frentes. Na primeira instituiu em 1977 o pacote de abril, que instituiu o senador biônico e tirou a proporcionalidade dos votos na Câmara dos Deputados. Ou seja, aumentou a bancada das regiões norte, centro-oeste e nordeste e tirou votos do sul e sudeste, principais focos de resistência do trabalhismo. A meta era fortalecer a Arena, então partido do governo e enfraquecer qualquer dissidência oposicionista.

Era preciso dividir a esquerda. Tirar de Brizola o centro das atenções. E nesse aspecto Lula entra em cena. Ao perceber o movimento das greves na região do ABC, Golbery percebe em Lula um líder em potencial para em médio e longo prazo dividir o espectro de esquerda e tirar a força de Brizola, que ainda precisava recuperar a legenda do PTB. Lógico que as greves foram reprimidas e a ameaça pairou sobre os líderes. Mas em um estágio muito menor que anteriormente na época dura do regime. Ao fechar um acordo aqui e acolá, Lula involuntariamente ganha aquilo que Golbery desejava: poder político.

A criação de um partido político por parte de Lula e dos líderes seria natural. E quando foi criado em fevereiro de 1980, o PT já tinha conseguido uma façanha que hoje poucos reconhecem: a adesão de grupos que na época flertavam com o terrorismo como arma de luta político. Algo que desembocou no Sendero Luminoso do Peru, por exemplo.

ESQUERDA DIVIDIDA EM 1989

Queiramos ou não, a estratégia de Golbery teve o resultado esperado em 1989 nas eleições presidenciais. Lula foi ao segundo turno contra Collor com 17,18% dos votos e Brizola ficou em terceiro com 16,51%. A esquerda estava rachada. Talvez até para sempre.

Com este encaixotamento, de certa maneira Lula e Brizola disputaram tal espólio por nove anos e a capitulação aconteceu em 1998, quando o próprio Brizola foi vice de Lula. Já era tarde. Com uma aliança montada a partir dos coronéis políticos do norte e do nordeste, partidos conservadores, mídia e empresariado, Fernando Henrique Cardoso elegeu-se presidente por duas vezes até com certa tranquilidade.

A partir de 2000, uma série de fatos passaram a conspirar a favor de Lula para construir sua candidatura vitoriosa em 2002. Primeiro passo foi a vitória de Marta Suplicy para prefeita de São Paulo e com boa penetração nos votos da classe média, antes resistente ao PT. Ao mesmo tempo, uma fatalidade, queiramos ou não beneficiou Lula e o PT: a morte de Mário Covas, no dia 06 de março de 2001. Era candidato natural à sucessão de FHC e tinha como baliza governos marcados pela austeridade fiscal e certa preocupação social. Falava com os pobres e a classe média. Seria difícil batê-lo.

A CONSTRUÇÃO DA ESTADIA DO PT NO PODER

O campo livre não seria suficiente para levar o PT ao poder. Era preciso conquistar a classe média e o eleitorado despolitizado e sem conexão com a esquerda. Algumas medidas foram tomadas capitaneadas por José Dirceu. A primeira foi a aliança com o então empresário José Alencar para ser vice de Lula. Na sequência, uma garantia aos setores empresarial e formadores de opinião que o Brasil não correria risco de cair em aventuras inconsequentes, como Hugo Chávez fazia na Venezuela.

A “Carta aos Brasileiros” era a senha de alforria. A partir dos dois mandatos de Lula passamos a entender porque sua figura vira mítica. Em parte por seu carisma e conexão com as massas e também pela ausência de figuras que poderia substitui-lo na ocupação de poder, como José Dirceu e Antonio Palocci, ambos abatidos por denúncias de corrupção.

O que restou? Depositar na então desconhecida Dilma Rousseff, muito mais por seu simbolismo (a primeira mulher a ocupar a Presidência) do que por seu traquejo político.

A CRIAÇÃO DO MITO LULA

Independente de tudo aquilo que aconteceu e culminou com sua deposição, a falta de paciência com o dia a dia da política e seus resultados deficientes na economia (apesar das reconhecidas dificuldades que encarou) elevou ainda mais a mística em torno de Lula.

Tirar Dilma do Planalto no final das contas transformou a esquerda e os adeptos do trabalhismo ainda mais dependentes da liderança do operário e a colocação em segundo plano de outras lideranças que poderiam ter sido trabalhadas durante este período. Nomes? Olívio Dutra, Tarso Genro, Patrus Ananias e até Fernando Haddad. Agora é tarde. Para o bem ou mal, tanto o PT como as esquerdas gravitam em torno da figura de Lula.

O que traz um péssimo aspecto: seus defeitos e equívocos são ignorados e cria-se uma idolatria messiânica capaz também de gerar um ódio inconsequente e irracional. Porque qualquer político é contraditório, incoerente, dotado de medidas por vezes incompreensivas. A diferença é saber se ele tem uma visão de estado, de fomentar um legado capaz de atravessar gerações.

AS CONSEQUÊNCIAS

Se denúncias abaterem Lula, qual será a consequência? Satisfazer uma malta sedenta por sangue não vai produzir o disfarce de que um campo político responsável pela bandeira do combate a desigualdade, preconceito racial, disparidades regionais ficará seriamente abalado. E cuja as bandeiras não são de interesse dos outros espectros ideológicos reinantes no Brasil.

E por muito tempo. Mais: joga-se na lata do lixo uma corrente ideológica construída por quase 80 anos. Detalhe essencial: se as denúncias tiverem provas cabais e concretas, Lula e Dilma devem ser submetidos ao crivo da lei e com amplo direito de defesa.

O que este artigo pretende analisar é a força de destruição não em cima de pessoas e sim sobre ideiás e grupos políticos. Para piorar, o campo conservador, ao contrário do que acontecia na Era Vargas e JK não tem um líder político capaz de galvanizar respeito, visão de estado e de país. João Dória, Luciano Huck, Roberto Justus, ao se analisar sob a perspectiva tem um lastro muito mais vazio e artificial do que Collor tinha em 1989. A partir daí verifica-se o tamanho da tragédia.

A Itália viveu algo parecido. Viveu um estado policial, jogou todos os políticos na lata do lixo e gerou um bufão como Silvio Berlusconi. O Brasil está pronto para tal catástrofe? Pense nisso.

Elias Aredes Junior é jornalista que trabalha na Radio Central, Jornal Todo Dia e Sinergia CUT

Veja usou um cadáver para fazer crítica política

Revista Veja ficou conhecida por suas capas, digamos, exóticas (não só ela). Mas a última foi a mais cretina da história. Ela traz Dona Marisa Letícia, falecida no começo do ano, com o título “A morte dupla”.

Usar um cadáver para fazer crítica política é repugnante. Mesmo que você ache que o Lula, em depoimento ao juiz Sérgio Moro, jogou a culpa na esposa no caso do triplex no Guarujá, isso não lhe dá o direito de fazer o que a Veja fez.

Como dito no início, não é de hoje que a revista joga baixo. Uma das capas mais famosas é a de véspera da eleição presidencial de 2014. Nela, reportagem afirmando que o doleiro Alberto Youssef disse que Lula e Dilma sabiam do esquema de corrupção na Petrobras. Na época achei e continuo achando que foi abusivo, porque a capa foi usada como panfleto político, e não é função da imprensa ser cabo-eleitoral de quem quer que seja.

A reportagem de capa foi usada pelo candidato Aécio Neves no seu último programa eleitoral, dois dias antes da eleição. Não sei a quantidade de votos exatos que a capa tirou de Dilma para Aécio, mas a diferença foi a menor da história da República brasileira – 51,64% a 48,36%, para Dilma. Mas a capa de agora superou e muito a capa de 2014. Só resta lamentar tamanha falta de sensibilidade de quem teve a infeliz ideia desta capa.