PT ressurgiu pelas mãos da Lava Jato

Primeira pesquisa Datafolha após o registro dos candidatos no TSE mostra um quadro de terra arrasada muito pelo “combate à corrupção” de setores do Judiciário. Um candidato condenado em segunda instância que está preso há quatro meses lidera com quase 40% de intenções de voto e quase vencendo no primeiro turno, além de liderar todas as simulações de segundo turno, o que mostra que esse “combate à corrupção” resultou em uma desconstrução da política.

Uma ala do Judiciário teve êxito na desconstrução de partidos e seus líderes que lideraram o impeachment de Dilma Rousseff. A delação da JBS é o símbolo. Para pegar o atual presidente Michel Temer e o ex-líder da antiga oposição que conseguiu na última presidencial mais de 50 milhões de votos, com benefícios para delatores que estupraram a lógica e revoltou a população. Forjarem provas para incriminar Michel Temer e Aécio Neves, paralisando o governo, fazendo os donos da empresa lucrarem com a bomba explodindo do nada em uma manchete deturpada, paralisando reformas como da Previdência deixando o rombo nas contas públicas cada vez maior para preservar os privilégios dos magistrados até na hora da aposentadoria. O PT e, principalmente, Lula foram os grandes beneficiados dessa pantomina.

Jogaram a política na vala comum da corrupção. Na ânsia de desmantelar um sistema corrompido autoridades do Judiciário saíram caçando políticos indistintamente, como jacobinos, destruindo reputações de políticos e partidos com delações capengas, provas insuficientes, apenas com base em indícios fracos e com excesso de abuso de autoridade, prenderam o grande líder de massa do país em um processo com base em provas por ato de ofício indeterminado pensando que assim liquidariam com sua imagem. O efeito foi o contrário do esperado. Graças a um trabalho intenso por uma rede coordenada na internet, pelo mundo acadêmico, cultural e jornalismo em grande parte dominado pelo PT e de esquerda. Conseguiram desconstruir a prisão de Lula a transformando em uma prisão política para ele não voltar a ser presidente nos braços do povo. Fizeram o mesmo com o processo de impeachment o transformando em “golpe”.

Mas procuradores e juízes ajudaram no projeto petista. Como dito parágrafos acima, uma ala do judiciário apelidada de “Red” tinha esse objetivo de desconstruir o impeachment e recuperar a imagem muito abalada do Partido dos Trabalhadores, que na eleição de 2016 perdeu 400 prefeituras em todo país. Sabotaram o governo Temer o quanto foi possível e ainda sabotam vazando informações sigilosas de investigações para a imprensa, arrastando investigações para sangrar o governo em praça pública e decisões questionáveis constitucionalmente como anulações de indicações para ministros, decretos e o ativismo jurídico de juiz de primeira instância até ministros do STF.

O Mercado está em pânico com a provável volta do PT ao governo, com ou sem Lula, e o dólar voa para mais de 4 reais. O partido já deixou claro que pretende radicalizar na parte econômica e vai governar com amargura contra o Judiciário. A ideia petista é convocar constituinte para reforma política – que não é cabível no ordenamento jurídico -, pretende governar com plebiscitos e referendos sem moderação, mudança nas indicações aos tribunais superiores entregando a missão para conselhos de classe, ou seja, sindicalizar as instituições igual Lula fez com a Procuradoria Geral da República e a inconstitucional lista tríplice que deu em Rodrigo Janot.

Uma vitória do PT em outubro não fechará a fissura que divide a nação desde 2013 como vai agravar podendo levar a conflitos igual na Venezuela, a unidade que D. Pedro II construiu está seriamente ameaçada e a integridade territorial do Brasil pode desaparecer em breve se despedaçando em várias secessões.

A frase célebre de Eduardo Cunha, ao votar no impeachment de Dilma, foi precisa e nunca fez tanto sentido: Que Deus tenha misericórdia desta nação.

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Lula atrapalha planos de Ciro Gomes

A articulação que Lula fez direto da superintendência da Polícia Federal do Paraná, de onde está preso, praticamente selou o fim do sonho de Ciro Gomes chegar ao segundo turno da eleição de 2018 e, finalmente, virar presidente do Brasil. Ciro almejou aglutinar o polo progressista da esquerda brasileira em torno de seu projeto nacional-desenvolvimentista ocupando o espaço do PT. Estava claro que Lula não deixaria e faria (fez) de tudo para atrapalhar os planos de seu ministro da integração nacional.

Ajudou o tucano Geraldo Alckmin a levar o apoio do “blocão” chamado de “centrão” – DEM, PRB, PR, PP, SD – ao convencer o velho aliado Waldemar da Costa Neto a desistir da aliança com o PDT e fazer de Josué Alencar o vice-presidente de Ciro ou Alckmin; mandou Gleisi Hoffmann acenar para Manuela D’ávila a possibilidade de ser a vice da chapa petista esfriando o namoro entre PDT e PCdoB; faltava afastar o PSB, o partido usou a candidatura de Marília Arraes, em Pernambuco, e apoio em outros estados para evitar a aliança com quem Lula acredita que vai disputar com o PT quem vai ser o representante da esquerda no segundo turno. Assim, Ciro está isolado e vai para o horário eleitoral com os 33 segundos que o seu partido tem direito, sem densidade e capilaridade partidária.

Tudo foi calculado para sobrevivência política do PT, a um custo de sacrificar o surgimento de novas lideranças mais uma vez. Além da eleição presidencial, o PT reforçou a difícil candidatura de reeleição de Fernando Pimentel, em Minas Gerais, com o PSB, a disputa mais importante nos estados do partido. Para o PSB, não restava outra saída à neutralidade nacional e o acordo com PT nos estados após Joaquim Barbosa refugar e desistir da candidatura, mas é um retrocesso pensando que cinco anos atrás Eduardo Campos rompeu com o petismo para o PSB ter vida própria e romper a polarização PSDB x PT.

Não é a primeira vez. Em 2010, Lula boicotou Ciro o preterindo na sua sucessão e apostou (vitoriosamente) suas fichas em Dilma Rousseff (se arrependeu depois, mas funcionou naquela eleição), que nunca havia disputado cargo eletivo algum na vida. E ainda fez Eduardo Campos matar o desejo de Ciro ser candidato do PSB apoiando Dilma. Mas Ciro vai continuar dizendo que a condenação imposta ao ex-presidente foi injusta para não desagradar uma parte do eleitorado que disputa com o petismo.

‘Candidato fantasma’ do PT

Pesquisa estampada na última edição da Revista Veja mostra o cenário eleitoral sem modificação na véspera do início oficial da corrida eleitoral de 2018. A pesquisa, porém, mostra dois dados importantes e neles que focarei. O primeiro dado é o cenário que tem o candidato sem rosto do PT, indicado e apoiado por Lula. Esse é o cenário mais factível e o que interessa. Este candidato “fantasminha” abocanha 9% e empata tecnicamente com Marina Silva (11%) e Ciro Gomes (7%). Geraldo Alckmin (6%) e Alvaro Dias (4%) dividem o mesmo eleitorado. O principal obstáculo de Alckmin crescer nas pesquisas é o Dias.

A estratégia do Partido dos Trabalhadores é clara e batida: levar a candidatura de Lula até o dia 17 de setembro, ou seja, o ex-presidente faria praticamente toda a campanha, mesmo caso não consiga ser solto até lá. O nome dele continuaria falado e debatido com toda a popularidade que mantém e 30% do eleitorado.

Na hora que o TSE enterrar [PT vai levar a contenda para o STF e empurrar a decisão para mais tarde, mas dificilmente terá êxito] a sua candidatura com base na lei da Ficha Limpa, Lula apontará o dedo e dirá ao seu “rebanho”: Votem [candidato escolhido], que ele é Lula e eu sou ele”.

Se mesmo sem um rosto esse candidato já acumula quase dois dígitos [em outras pesquisas já passa de dois dígitos], a tendência é ele abocanhar no mínimo 15% a 20%, o que muito provavelmente colocaria no segundo turno pela pulverização de votos. O restante se dividiria em Marina, Ciro, branco/nulo/abstenção.

O outro dado importante na pesquisa IDEIA Big Data/Veja é o eleitorado masculino e feminino, é quase uma “guerra dos sexos”. Bolsonaro tem seu eleitorado na maioria absoluta entre os homens, enquanto Marina tem um desempenho melhor entre mulheres. Mas a maioria das mulheres está sem candidato e elas formam mais da metade do eleitorado brasileiro.

A estratégia

A estratégia de Paulo Teixeira, Paulo Pimenta e Wadih Damous é clara ao provocar esse impasse e jogo de liminares solta ou não solta Lula. É simples: Objetivo não é a liberdade do ex-presidente, até porque é difícil acontecer, mas provocar um fato novo e reforçar a narrativa de prisão política, perseguição, lawfare.

Tudo foi calculado. Dia, o plantão do desembargador “certo”, a mobilização de políticos do partido e aliados, da militância na rede e nas ruas.

PT sabe que o TSE não vai deferir o registro da candidatura de Lula, mas sabe que não pode lançar o substituto do nada. É preciso criar uma bolha em torno do escolhido que faça o eleitor lulista fiel imediatamente associar o candidato substituto ao Lula.

O petismo não aguenta ficar mais tempo sem o Estado – sindicatos-amigos perderam a boquinha do imposto sindical obrigatório complicando a situação – e não dispensa meios para vencer a eleição, mesmo que os meios usados esgarcem o tecido institucional já esgarçado. E o PT conta com membros do Judiciário colocados lá pelos governos petistas, como o desembargador Rogério Favreto. A eleição está chegando e não há tempo a perder.

Impeachment foi bom para o PT

Lula é líder com 30% na nova rodada de pesquisa do Datafolha, mesmo preso por corrupção. Jair Bolsonaro (17%) e Marina Silva (10%) são os adversários mais próximos do petista, mas aparecem bem atrás. Nada menos que 21% dos pesquisados dizem não ter candidato, esse número sobe para 33% sem Lula na disputa e para 34% sem candidato do PT. O impeachment da presidente Dilma Rousseff combinado com a ruína do governo do presidente Michel Temer ressuscitou o Partido Trabalhadores. Para ter uma ideia, Lula chegou a 17% na pesquisa Datafolha de março de 2016, praticamente o último mês do governo Dilma (o processo foi aceito em abril pela Câmara e o Senado a afastou do cargo no início de maio). Antes de Dilma ser afastada, Lula já assumiu a ponta e não saiu mais dela chegando a dobrar os 17% e quase chegando a 40%.

Muitos fatores levam a esses dados e os principais são a crise econômica que não tem fim e a crise ética na política. A popularidade do governo Temer bateu os 82% de rejeição, só 3% o aprovam. É pior que Sarney, Collor e Dilma. Essa rejeição vinha caindo depois do escândalo JBS e as denúncias criminais contra o presidente congeladas pela Câmara, até a “revolta dos caminhoneiros” e a demora do governo em tomar as rédeas da situação e quando fez foi desastroso, com tabelamento de preço, subsídio no diesel agravando o já complicado quadro fiscal e reserva de mercado. Teve até “Fiscais do Sarney 2”.

Toda a crise econômica começou em 2014 e teve seu agravamento em 2015 e 2016, mas o retrato de momento conta mais do que o passado recente na memória do brasileiro.

Com o impeachment e as denúncias diariamente na imprensa contra o atual presidente, contra o PSDB que era até o impeachment o principal partido de oposição, a memória de um país com inflação controlada, situação de pleno emprego, saindo do mapa da fome da FAO, crescimento de 7% no último ano de Lula para o caos de hoje prevalece a ideia de que a troca de governo foi ruim. Mesmo o TSE impedido a candidatura de Lula, ele dita o ritmo da eleição e a chance de fazer o eleito. É só transferir metade desses 30% para o candidato que escolher e o levar ao segundo turno. E, sim, a capacidade de transferência de votos do ex-presidente ainda é grande.

A criminalização da política também colaborou para o ressurgimento de Lula. Ao nivelar toda a classe política no degrau da corrupção, juiz de primeira instância anulando nomeação de ministro, derrubando decreto presidencial, vazamentos de investigação para imprensa, quem saiu perdendo foi o centro – não o corrupto e fisiológico “centrão” -, o centro político que fez a transição pacífica do regime militar para a redemocratização.