A dependência da esquerda ao lulopetismo

A esquerda não consegue superar o PT e, principalmente, Lula. No último dia 12 de julho de 2017, o juiz da Justiça Federal de Curitiba/PR, Sergio Moro sentenciou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 9 anos e meio de cadeia, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro envolvendo o “caso do triplex” no Guarujá/SP. Mas não decretou prisão preventiva e deixou para o TRF da 4ª Região, em Porto Alegre/RS, decidir.

É claro que houve muita comemoração daqueles que há 3 anos esperavam pela provável primeira condenação – ainda há outras quatro ações em várias varas e inquéritos contra Lula. Mas houve muita indignação por parte da defesa do ex-presidente, do próprio, do PT, da militância e de muitos que se decepcionaram com Lula e o petismo no governo, mas verem inconsistências na sentença de Moro e falta de uma prova definitiva especificamente neste caso.

Lula e o PT ainda simbolizam a luta por justiça social pelo simbolismo que foi um retirante nordestino e operário chegar ao cargo máximo da República. E, também, pelos milhões que passaram de miseráveis a uma vida mais digna em seu governo. Como foi dito aqui, existem vários partidos formados por dissidentes do Partido dos Trabalhadores, o que dificulta formarem suas próprias bandeiras sem vínculo com o petismo.

Porém, a esquerda precisa com urgência deixar essa dependência ao lulopetismo, sob o risco da derrota na eleição municipal de 2016 não ser um caso isolado e passar a ser uma regra por muitos anos e décadas. Por mais que o “Mito Lula” seja forte, ele está cada dia mais reduzido a um nicho e pode levar a esquerda junto.

Para Eduardo Giannetti, a eleição 2014 deixou feridas que não se fecharam

Economista Eduardo Giannetti foi o entrevistado do programa Roda Viva de segunda-feira, 24. Em uma das respostas, ele disse que a última eleição presidencial, em 2014, deixou feridas que não se fecharam com o tempo, alguma coisa do diálogo e da grande conversa brasileira se perdeu, disse Giannetti.

Concordo plenamente. O linchamento virtual praticado pela campanha de Dilma Rousseff, sob o comando de João Santana, extrapolou o limite de fazer uma campanha para ganhar. Virou um vale-tudo que foi para a internet e de lá ganhou as ruas. E continuou o clima hostil mesmo após o resultado eleitoral no segundo turno, principalmente com o resultado premiando a campanha petista e concedendo o quarto mandato presidencial ao partido. Uma onda de manifestação ganhou a rua pedindo a saída da presidente, o que aconteceu em 2016.

Graça a esse vale-tudo o segundo governo Dilma nasceu morto e o impeachment era questão de tempo. O marqueteiro João Santana criou um mundo imaginário que Dilma não conseguiu manter por muito tempo. Chamou para cuidar da economia um banqueiro conhecido como “mãos de tesoura”, Joaquim Levy, do Bradesco, que que ficou tão isolado no governo que pediu demissão em um ano.

Para Giannetti, o estelionato eleitoral pode ter ficado de aprendizado para as próximas eleições. Acho que não vai ter mais a pirotecnia de João Santana nas campanhas eleitorais, por vários fatores, mas mentiras em campanhas não deixarão de existir. É uma característica das campanhas políticas e não só no Brasil. O eleitor é que precisa distinguir a mentira eleitoral, as propostas irreais e insustentáveis, as ilusões do discurso político natural. Já sobre os candidatos, a campanha feroz de 2014 pode não acontecer mais, mas não tem como cravar. E o clima está tão radicalizado que 2018 pode fazer inveja a 2014.

Programa do PT na TV apostou tudo em Lula

O programa semestral do PT, que foi ao em rede nacional na noite do dia 11/04, foi praticamente uma peça eleitoral de 2018, com enfoque nas conquistas sociais do governo de Luiz Inácio Lula da Silva e poucas menções a Dilma Rousseff. O programa foi uma comparação do jeito de governar entre “eles” e “nós”. “Eles sempre fizeram pra poucos; “nós fazemos para todos”, disse Lula. E não poderia faltar ataques ao governo e reformas de Michel Temer.

Também teve espaço para a defesa de Lula, réu em cinco ações penais. Rui Falcão ficou encarregado dessa parte. Voltou a dizer que Lula é vítima de uma conspiração para impedir de ser presidente novamente.

Lula é a única chance do PT para 2018. Mas pode abrir mão da candidatura na última hora, mesmo se sua situação jurídica permitir que seja candidato. Uma candidatura de Lula seria um tiro no escuro. É líder nas pesquisas, mas com uma rejeição muita alta – variando entre 50% e 60%. Mesmo se vencer a disputa e conseguir o terceiro mandato, Lula arriscaria seu capital político perante seu eleitorado mais fiel. Ele deixou a presidência com quase 90% de aprovação nos oito anos que governou o Brasil, talvez não consiga repetir o mesmo sucesso da outra vez.

O Plano B do PT não seria apoiar a candidatura de Ciro Gomes (PDT). O PT teria candidato próprio e ele seria Fernando Haddad. Queimaria etapas. No imaginário petista, Dilma terminaria os oito anos, entregaria de volta ao Lula e Haddad seria a bola da vez. Só que em 2022 ou 2026.

Com todos os grão-tucanos ocupados com a justiça existe a possibilidade de João Doria ser o representante do PSDB no grid de 2018. Pode voltar a acontecer a disputa pela prefeitura de São Paulo de 2016, Haddad contra Doria, só que agora em nível federal. A população pede – clama – por renovação na política e Haddad quanto Doria são renovações dentro de PT e PSDB.

MBL se envolveu em uma nova confusão com o pessoal do PT

Depois de um membro do movimento tentar gravar uma reunião que parecia ser secreta-sigilosa-segredo de Estado da bancada de vereadores do PT de São Paulo com o senador Lindbergh Farias (PT), a vereadora Juliana Cardoso (PT) entrou no plenário como uma louca histérica desequilibrada e partiu pra cima do vereador Fernando Holiday (DEM). Depois, Juliana foi na imprensa acusar Holiday de agressão. E a imprensa comprou a versão dela na maior cara de pau.

No vídeo (acima), uma pessoa grita sem constrangimento “falso negro”, para Holiday. O negro que não é de esquerda e não aceita se submeter a agenda deles vir automaticamente “traidor da causa”, um Capitão do Mato. Foi assim com Joaquim Barbosa no julgamento do mensalão. Mas isso a imprensa ignora.

Fernando Holiday teve calma e não fez o que a vereadora queria: ele agredir ela como reação. Fez bem. Como homem e, principalmente, como vereador que é. Se fosse eu possivelmente teria outra atitude. Não aceito ser agredido verbalmente e fisicamente por uma louca desequilibrada, ficar calado e sem reação natural só por ser mulher. Mulher que fala e bate como homem pode apanhar como homem. Direitos iguais, como pedem as feministas.

Mapa político na Grande SP

mapa-grande-sp

Na eleição de 2016 aconteceram muitos fatos históricos, como a eleição de João Doria (PSDB) em São Paulo e no primeiro turno; o derretimento do PT em várias prefeituras pelo país, de mais de 600 para pouco mais de 200 em quatro anos. Marcelo Freixo (PSOL) foi ao segundo turno derrotando o PMDB do Rio com 11 segundos no horário eleitoral, perdeu para Marcelo Crivella (PRB). Depois de algumas tentativas fracassadas, finalmente o Bispo licenciado da IRUD se torna prefeito da segunda maior cidade do país. Alexandre Kalil (PHS) foi eleito prefeito de Belo Horizonte nas Minas Gerais.

A região metropolitana de São Paulo – Grande São Paulo – é simbólica para o petismo, só que 2016 foi trágico para o PT. Não sto-abastou perder São Paulo, o PT administrará apenas uma prefeitura no entorno da capital paulista (Franco da Rocha). O partido perdeu cidades como Guarulhos, a segunda maior cidade do Estado e todo ABC paulista, o berço do Partido dos Trabalhadores, inclusive São Bernardo do Campo, de Lula. Em Santo André, por exemplo, o atual prefeito Carlos Grana só teve 21% dos votos válidos no segundo turno, um vexame histórico para o PT. Para completar, a derrota foi para um candidato do PSDB e que foi secretário do próprio prefeito Grana, Paulo Serra. Em São Bernardo, o sobrinho de Lula não conseguiu ser eleito vereador. E o candidato a prefeito na cidade onde o partido nasceu caiu no primeiro turno.

Outro perdedor na Grande São Paulo foi o PMDB, o partido caiu de 6 para 1 prefeitura.

O grande vencedor foi o PSDB, subiu de 8 para 11 prefeituras na maior região metropolitana do Brasil. Surpreendente desempenho do PR, segundo com mais prefeituras, e do PSB, PRB, PTB, PV. Além do nanico PTN, com 2 prefeituras.

sobe-desce-gsp