“Tumultuar para conquistar” deveria ser o lema da esquerda jurássica

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Sônia Bomfim tentam impedir a colega Janaina Lima de discursar da tribuna da Câmara dos Vereadores de São Paulo

A Vereadora Sônia Bomfim lidera um motim que já conseguiu adiar a votação do projeto de reforma do sistema previdenciário da cidade de São Paulo em março. O gabinete de Sônia Bonfim é um dos mais caro da Câmara de Vereadores (confira aqui), mais de 100 mil reais para custear um gabinete, mesmo sendo seu primeiro mandato e vai repetir o mesmo na Câmara Federal na qual foi eleita pulando de 12 mil votos, na eleição de 2016, para quase 250 mil na eleição de 2018.

Mas é o modus operandi dessa gente. O PSOL tem como princípio a fala de Dilma Rousseff “gasto corrente é vida” e o mandato de parlamentar é para financiar todo tipo de marmota que existe.

Tudo indica que agora a votação não será adiada e consequentemente a aprovação do projeto de lei – já aprovado em 1ª votação na madrugada de sábado precisando de só mais uma votação. Sabendo da iminente derrota, a oposição apela para obstrução e discursos longos no intuito de deixar as sessões cansativas e levar ao seu encerramento.

PSOL e PT se unirem para derrubar o projeto de lei da prefeitura, que tenta evitar que o rombo da Previdência municipal fique maior e insustentável – atualmente, já é insustentável –, é do jogo político. Não é do jogo palavrões e xingamentos contra o relator Fernando Holiday (DEM) e a presidente da comissão especial que analisa o projeto Janaina Lima (NOVO).

Não é do jogo partir para agressão física como fez Antonio Donato (PT) contra Holiday e contra um guarda da GCM. É suficiente para cassação até por ser um ex-presidente da casa que deveria saber se comportar como tal, mas o corporativismo dos colegas não deve deixar tirar o mandato de Donato.

 

PSOL, que consegue a proeza de conjugar “socialismo e liberdade” na mesma frase, é uma das âncoras que impede o desenvolvimento do país. Uma esquerda que não respeita instituições, regramentos, sempre eles querem vencer no grito porque perdem no argumento, no voto popular e na competência de articular politicamente. Tudo em nome de uma ideologia que já deveria estar sepultada nos túmulos de Marx, Stalin e Lenin. Essa esquerda leva sindicalistas para tumultuar o plenário de uma casa legislativa, cria confusão em uma diplomação de eleitos e manipula os servidores criando um exército de zumbis, com o discurso de defesa da democracia e dos trabalhadores.

O que aconteceu na Câmara de Vereadores de São Paulo foi só um “ensaio” para quando for a vez da votação da reforma da Previdência no Congresso Nacional.

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Os derrotados nas urnas investem em terceiro turno

JOÃO PAULO BARRETO

O clima de terceiro turno é evidente no lado que não aceita a derrota eleitoral. É duro perder uma eleição após quatro triunfos seguidos e podem justificar que o outro lado também criou clima de terceiro turno na derrota de 2014, pedindo recontagem de votos e entrando com ações pela cassação da chapa eleita. Acabou desaguando no impeachment dois anos depois da eleição. O então candidato Aécio Neves deve se arrepender amargamente entre os arrependimentos de natureza ética. E o PSDB, por ter entrando nessa aventura nada democrática.

A imprensa, esquerda e os “defensores da democracia antifascista” que dizem não ter ideologia investem no terceiro turno e não aceitam o voto alheio tentando produzir escândalos na família do eleito, requentando a ditadura militar nas notícias, ridicularizando ministros por sua crença religiosa ou intelectual. A mágoa é tão grande que chegaram a criar um perfil para postagens de supostos eleitores de Jair Bolsonaro arrependidos. Só que uma verificada e logo se descobre que são eleitores do candidato derrotado se passando por eleitores do eleito.

Tudo por um candidato inscrito no meio da corrida eleitoral e na porta da Polícia Federal de Curitiba, porque o candidato original está preso e inelegível pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, com mais de 30 inquéritos e réu por corrupção. Pelo partido que mais tempo ficou no poder em períodos democráticos, que foi a esperança de milhões de brasileiros, de fato fez muita coisa pelo social, a economia cresceu com inflação controlada. Muito pelos ventos ventos favoráveis vindo de fora, especialmente da China. Mas que também promoveu um esquema gigantesco de corrupção institucionalizado para 1) perpetuação no poder; 2) para ter governabilidade; 3) benefícios pessoais via propina em contratos públicos milionários com empreiteiras. E arruinou a economia do país nos últimos anos de seus governos.

Não votei em Jair Bolsonaro no primeiro turno e não me arrependo de ter dado um voto de confiança nele no segundo. Até porque o governo nem começou de fato. Como vou me arrepender de uma coisa que nem existe ainda? Votei nele pela ideia que ele passou de um governo mais liberal na economia (cumpriu dando carta branca para o Paulo Guedes montar uma ótima equipe econômica), e sobretudo por um dos pilares da democracia: alternância de poder.

Votei por não querer a volta do PT depois dos “erros” morais, éticos e, principalmente, os econômicos que jogaram o Brasil na pior crise desde 1929, porque se o PT vencesse mais uma eleição presidencial, a sensação seria de absolvição pelo sufrágio popular mesmo que ilusório. Isso não significa, contudo, um cheque em branco e serei chapa branca com os possíveis erros do novo governo. Quem não aceita que a Justiça condene membros do partido após amplo direito de defesa e sentença amparada em provas desqualificando as instituições são os petistas e satélites.

A democracia se supõe que a maioria governe respeitando a minoria e a oposição fiscalizando com direito de se opor às medidas do governo. Tem gente queimando a largada.

Entrevista de Ciro Gomes no Valor

Ciro

O presidenciável Ciro Gomes, que terminou a última eleição com mais de 13 milhões de votos, concedeu uma entrevista ao jornal Valor Econômico. A tônica da entrevista foi economia, se o governo Bolsonaro é ameaça à democracia e, óbvio, o PT.

Como diz Jack, vamos por partes.

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Economia

Essa parte é a que discordo e concordo com Ciro. Ciro ataca Paulo Guedes, o futuro ministro da economia, dizendo que ele parou de ler livros em 1980. Para ele, a concepção de econômica de Guedes é inviável no Brasil e não vai levantar a economia brasileira. Não é nem que discordo da segunda parte, apesar que estou apaixonado pela equipe que o “superministro” está montando, mas o fato de já decretar que não vai funcionar por ele [Ciro] ser de uma corrente oposta ao liberalismo de Chicago e o Consenso de Washington.

É claro que Ciro não precisa elogiar o futuro governo que pretende fazer oposição e elogiar uma doutrina na qual não pertence. Agora, pelo menos dá o benefício da dúvida ou envereda pelo caminho que o próprio Ciro crítica: tipo de oposição raivosa do petismo.

Também discordo da crítica ao Sérgio Moro, o futuro ministro da Justiça e Segurança Pública. Mas, vou dar um desconto já que Ciro nunca olhou com bons olhos para ex-juiz.

Bolsonaro não é “ameaça à democracia”

Concordo que esse terrorismo foi introduzido no imaginário brasileiro pelo PT, não tenho como discordar. Perfeito. Leitura correta. Ciro acerta também quando diz que quem venceu a eleição foi o antipetismo e não tanto a direita. Acho que a direita cresceu muito nos últimos anos, mas o trampolim para vencer já nessa eleição foi a forte rejeição ao Partido dos Trabalhadores, principalmente pelos últimos anos do governo Dilma.

Revelação

Ainda na entrevista Ciro fez uma revelação de um acontecimento que já havia sido revelado pelo seu irmão Cid Gomes, só que ele acrescenta detalhes e de levantar o cabelo até de quem é careca. Os Ferreira Gomes queriam que Dilma Rousseff fosse candidata ao Senado Federal pelo Ceará. Ciro disse que a ex-presidente é “bem querida” no estado e uma pesquisa deles mostrava ela com 60% e Cid, com 80%. Segundo Ciro, Dilma topou e eles chegaram até a alugar uma casa para ela mudar o domicílio eleitoral para o nordeste e não ter problemas quando fosse registrar a candidatura. O PDT chegou a pagar um jato para ir buscá-la. A surpresa: Dilma não apareceu. Ciro conta que recebeu uma ligação do governador Fernando Pimentel (MG): “O Lula me ligou impondo a candidatura da Dilma a senadora, tá desfazendo a minha aliança inteira aqui. Desse jeito eu vou perder a eleição”.

Resumo da ópera: Dilma terminou em quarto na disputa por uma das vagas para o Senado por Minas Gerais, Pimentel não foi nem para o segundo turno na sua tentativa de reeleição e Eunício Oliveira, o pivô dessa engenharia que Lula fez para o beneficiar, perdeu a eleição no Ceará contrariando as pesquisas que davam sua vitória como certa e folgada.

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Ciro se sente traído pelo PT, por Lula, não só por não ter tido o apoio do partido, sobretudo por Lula ter articulado, direto da Superintendência da PF de Curitiba, a asfixia de sua candidatura descosturando acordos praticamente certos entre o PDT e outros partidos de centro-esquerda como o PSB. Mas creio que a principal razão para querer se distanciar é não querer mais ser associado como “linha auxiliar” do PT. Ciro quer cacifar desde já sua quarta tentativa de chegar ao Palácio do Planalto e isso passa por afastar o PT da linha de frente da oposição ao governo Bolsonaro. Sabe que só tem chance de chegar em uma segundo turno para presidente se entrar e pelo menos dividir voto no que sobrou de reduto eleitoral do petismo (mais lulista que petista), nas cidadelas lulistas dos rincões do nordeste.

Vantagem esmagadora no sul-sudeste foi predominante na vitória de Jair Bolsonaro

No dia 28 de outubro os brasileiros elegeram o presidente para o período 2019-2022, Jair Bolsonaro derrotou Fernando Haddad. Desde a primeira eleição para presidente após a redemocratização, em 1989, o PT nunca voltou a perder um segundo turno de uma eleição presidencial.

Antes de 2018, o PSL era um partido insignificante entre as mais de 30 legendas registradas no TSE, com Bolsonaro o partido elegeu mais 50 parlamentares e derrotou o PT na disputa presidencial, repetindo o também pequeno PRN de Fernando Collor.

Bolsonaro venceu em 15 estados da federação brasileira e no DF, também saiu consagrado da urna sendo vitorioso em 4 das 5 regiões do país. Realmente foi uma vitória gigantesca que deixa a responsabilidade do presidente eleito ainda maior frente aos desafios e compromissos de campanha.

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Mapeando o voto por região, observa-se que Dilma e Haddad tiveram mais ou menos a mesma votação no Nordeste. Já no Sudeste, PT perdeu um contingente muito grande de votos em relação a eleição de 2014: 6,4 mi. É mais da metade na diferença do resultado geral que foi de 10,7 mi.

No execício de imaginação se os 6,4 mi de votos fossem para Haddad, o placar da eleição passaria a ser favorável ao petista: 53,4 x 51,3. Ou seja, ao conseguir quase 40 mi de votos só no eixo sul-sudeste, Jair Bolsonaro amorteceu a grande diferença que o nordeste sempre entrega ao petismo desde 2002. A diferença geral se ampliou com a grande votação de Bolsonaro no centro-oeste e a surpreendente vitória apertada no norte.

A conclusão confirma o que foi discutido há quatro anos contra o viés preconceituoso de alguns para os nordestinos. O PT não venceu as últimas eleições antes de 2018 apenas pela votação massiva no nordeste. Ao perder terreno no centro-sul, por vários motivos já explorados à exaustão, o partido perdeu a eleição.

Eleição 2018 remember 2014

Chuvas de ações deixam a eleição presidencial com futuro incerto. Neste momento, de paixões exacerbadas que tornam a visão turva, você falar em lei será acusado de sacrilégio. Mas existe lei e somente ela é a porta de saída de confusões provocadas pelos homens.

O PT entrou com uma ação no TSE pedindo a cassação da candidatura de Jair Bolsonaro e que o deixe inelegível por 8 anos por abuso de poder econômico e doação de empresas (vedada pelo STF em 2015) via caixa 2. A Procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pediu para Polícia Federal investigar as empresas que a Folha de São Paulo diz que foram contratadas para impulsionar mensagens em massa no Whatsapp. Uma terceira ação protocolada pelo PDT, partido do terceiro colocado Ciro Gomes, no primeiro turno, pede uma nova votação sem Bolsonaro.

Das três ações a do PDT pode descartar que é sem o menor fundamento jurídico e de lógica. Já a ação do PT e o inquérito da PF renderão muitas manchetes e já adianto que não tem a menor chance de a votação do dia 28 não acontecer ou acontecer sem Jair Bolsonaro.

Porque é impossível julgar uma ação no TSE faltando uma semana para o segundo turno. O ministro-corregedor Jorge Mussi aceitou com ressalvas o pedido do PT e deu os 5 dias de prazo para o denunciado se defender. Depois, o ministro decidirá se precisa de mais tempo para colher provas para ao final da coleta de provas despachar a ação e a presidente Rosa Weber marcar a data do julgamento. Não tem prazo. É o mesmo trâmite na ação que pedia a cassação da chapa de Dilma Rousseff e Michel Temer, pelo mesmo motivo da ação do PT: abuso de poder econômico na eleição. Aécio Neves entrou contestando a chapa vencedora de 2014 após a diplomação dos eleitos, em dezembro de 2014, só em junho de 2017 que o tribunal julgou e por 4 a 3 inocentou Dilma e Temer.

A acusação que pesa contra o candidato do PSL é de que empresários contrataram empresas de marketing digital para impulsionar menagens em massa contra o PT. O que o tribunal eleitoral vai investigar é se (1) houve de fato o que a Folha trouxe, (2) comprovando a denúncia se há conexão com a campanha do candidato Bolsonaro (3) e se interferiu no curso da eleição. Atenção: os itens 2 e 3 são os principais para o julgamento do TSE.

Comprovada a denúncia e comprovado que o candidato sabia – por partícipe da trama ou por omissão -, a lei determina a cassação do registro da candidatura e, caso os componentes já diplomados, uma nova eleição é convocada independente se os eleitos já tomaram posse. Os perdedores – presidente e vice – do segundo turno não assumem no lugar dos cassados.

O jornalista Reinaldo Azevedo, que tem trânsito nos corredores do STF, disse no RedeTV News que ministros acham que essa ação é o “freio” que as instituições precisavam em um governo Bolsonaro. Dependendo de como ele governará, respeitando a Constituição e não incitando guerras contra grupos opositores ou/e a imprensa, ela pode dormir na gaveta do TSE por todo mandato.

Caso contrário, o julgamento aconteceria antes da metade do mandato para, em caso de condenação, realizar eleição direta. Na vacância da presidência e da vice-presidência nos dois primeiros anos de mandato a Constituição determina realização de eleição direta e nos dois anos finais eleição indireta no Congresso Nacional.

Independente do que acontecer, com a redemocratização foram 6 eleições presidenciais sem contestação do resultado. Vamos para a segunda que o seu resultado será decidido nos tribunais.