Uma “amante” trapalhona

gleisi

Gleisi Hoffmann está disposta a conquistar o título de maior mico de 2018 (até porque muito provavelmente não conseguirá a reeleição caso dispute a renovação do seu mandato de senadora e tenho dúvidas que seja eleita deputada) e não economizou estoque já em janeiro.

Primeiro, Gleisi simplesmente confundiu um faixa em italiano no jogo de futebol na Alemanha pensando que fosse em apoio a Lula. A desculpa foi que recebeu a imagem e logo postou sem olhar direito.

Na terça-feira, 16, soltou a seguinte frase: “Para prender o Lula, vai ter que prender muita gente, mas mais do que isso, vai ter que matar gente”. A presidente nacional do Partido dos Trabalhadores, que é ré suspeita de receber R$ 1 milhão em contratos fraudulentos da Petrobras para sua campanha ao Senado de 2010 (responde a outros inquéritos, entre eles acusada de participar de um esquema em empréstimos consignados, traduzindo: roubando os velhinhos junto com seu marido Paulo Bernardo e é apelidada na lista de propinas da Odebrecht de “amante”), achou pouco a campanha desmoralizadora e coerção à Justiça pela absolvição de Lula no TRF-4 e declara que a confirmação da condenação por corrupção e lavagem de dinheiro do ex-presidente no tribunal de Porto Alegre será o estopim para uma guerra civil no Brasil.

Gleisi voltou atrás horas depois ao ver a repercussão e disse que foi “força de expressão”. É a mesma que levou um “pito” de Renan Calheiros, no início do julgamento do impeachment de Dilma Rousseff, porque falou que o Senado não tinham moral para julgar Dilma.

No fundo é tudo desespero de Gleisi da possibilidade grande do chefe ficar impedido de disputar a eleição se condenado por um órgão colegiado e a Lei da Ficha Limpa barrar a tentativa de voltar ao Palácio do Planalto. Sem Lula, a chance do PT achar um substituto que consiga herdar os votos é pequena. O PT não consegue nem mais aglutinar multidões sem ajuda das centrais sindicais.

Gleisi Hoffmann pode ficar sem cargo público a partir de 2019, mas já está treinando para sua nova carreira: humorista, mesmo de forma involuntária.

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PT do Senado e os 12 bilhões de nordestinos

Twitter da bancada do PT no Senado foi fazer uma comparação nada a ver e cometeu um erro dos mais bizarros.

Não sei se é por ignorância com os números, tipicamente do petismo, ou para deixar a comparação mais forte mesmo com informação errada (falsa).

Acho que foi por burrice. Para quem acha que gasto público indiscriminadamente é vida e responsabilidade fiscal é coisa de “neoliberal” colocar uma região com mais habitantes que o próprio planeta é fichinha.

Fim de ciclo

O vídeo do programa partidário do PSDB rendeu polêmica e rachou de vez o partido. A ala governista criticou duramente o programa e o presidente interino da legenda, senador Tasso Jereissati. Ministros tucanos saíram ao ataque contra o programa e Tasso. “Não me representa [programa]”, essa foi a frase mais dita. A palavra no programa que mais irritou os neogovernistas tucanos foi “cooptação“.

Deputados ameaçam processar Tasso, por danos morais contra a Casa. Por sua vez, ele disse que não se arrepende de nada. Que quem ficou ofendido não entendeu a mensagem que o programa passou e entrega a presidência do partido ao Aécio Neves na hora que ele pedir.

1º Vice-presidente do Senado, Cássio Cunha Lima disse que quem sugeriu a palavra da discórdia foi o ex-presidente Fernando Henrique. O governo, claro, achou “deslealdade”. E o “centrão” intensificou os pedidos para que Michel Temer tire os ministérios do PSDB e entregue ao bloco que garantiu o arquivamento da denúncia da PGR contra o presidente. Ou seja: mesmo que não tenha sido a ideia de Tasso, o pedido do “centrão” pelos ministérios do PSDB ratifica a ideia de “presidencialismo de cooptação”, que foi usado por todos os governos da redemocratização – inclusive FHC.

O programa foi uma crítica ao presidencialismo de coalizão. Não especificamente ao atual governo ou governos anteriores. Foi uma autocrítica de ter esquecido a bandeira do parlamentarismo que está no estatuto do PSDB. A verdade é que a Social Democracia Tucana está se esfacelando em público com esse racha de quem quer sair do governo tóxico eleitoralmente de Temer e quem se agarrou aos cargos.

Nas eleições municipais de 2004, só 2 anos após perder o Planalto para o PT, o PSDB elegeu um grande número de prefeitos. Veio o mensalão e o partido preferiu “deixar o Lula sangrar” e derrotá-lo nas urnas ao invés de levantar a bandeira do impeachment. Resultado: Lula foi reeleito com 60% dos votos válidos no segundo turno e o candidato tucano Geraldo Alckmin conseguiu a proeza de ter mais votos no primeiro que no segundo turno.

2016, pós-impeachment de Dilma Rousseff, de novo o PSDB elege um grande número de prefeitos em todo Brasil – inclusive São Paulo, derrotando o PT no primeiro tuno que nunca tinha acontecido após adoção de 2 turnos em 1992 – e por egos e erros está jogando fora a chance de liderar o novo processo político tão demandado pela sociedade.

O PSDB perdeu a parte que votava no partido por pura falta de opção e antilulopetismo. Esse eleitorado conservador foi para Jair Bolsonaro.

Mas não é só PSDB, PT que estão ameaçados. A outra parte, a que deu sustentação aos governos dos 2 partidos que polarizaram a eleição presidencial a partir de 1994, o PMDB, está mudando de nome e voltando a se chamar MDB, quando era a única oposição institucional ao regime militar (1964-1985).

2018 pode ser devastador para a atual classe política. É por isso que estão desesperado para aprovar até 7 de outubro mecanismos de sobrevivência – distritão e fundo público de 3 bilhões de reais para a eleição sem especificar como o dinheiro será distribuído entre partidos e candidatos.

É o fim de um ciclo. Mas ainda não há o que colocar no lugar da Nova República que ficou velha precocemente. Vai depender do eleitor e o que ele vai fazer com o seu voto.

A dependência da esquerda ao lulopetismo

A esquerda não consegue superar o PT e, principalmente, Lula. No último dia 12 de julho de 2017, o juiz da Justiça Federal de Curitiba/PR, Sergio Moro sentenciou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 9 anos e meio de cadeia, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro envolvendo o “caso do triplex” no Guarujá/SP. Mas não decretou prisão preventiva e deixou para o TRF da 4ª Região, em Porto Alegre/RS, decidir.

É claro que houve muita comemoração daqueles que há 3 anos esperavam pela provável primeira condenação – ainda há outras quatro ações em várias varas e inquéritos contra Lula. Mas houve muita indignação por parte da defesa do ex-presidente, do próprio, do PT, da militância e de muitos que se decepcionaram com Lula e o petismo no governo, mas verem inconsistências na sentença de Moro e falta de uma prova definitiva especificamente neste caso.

Lula e o PT ainda simbolizam a luta por justiça social pelo simbolismo que foi um retirante nordestino e operário chegar ao cargo máximo da República. E, também, pelos milhões que passaram de miseráveis a uma vida mais digna em seu governo. Como foi dito aqui, existem vários partidos formados por dissidentes do Partido dos Trabalhadores, o que dificulta formarem suas próprias bandeiras sem vínculo com o petismo.

Porém, a esquerda precisa com urgência deixar essa dependência ao lulopetismo, sob o risco da derrota na eleição municipal de 2016 não ser um caso isolado e passar a ser uma regra por muitos anos e décadas. Por mais que o “Mito Lula” seja forte, ele está cada dia mais reduzido a um nicho e pode levar a esquerda junto.

Para Eduardo Giannetti, a eleição 2014 deixou feridas que não se fecharam

Economista Eduardo Giannetti foi o entrevistado do programa Roda Viva de segunda-feira, 24. Em uma das respostas, ele disse que a última eleição presidencial, em 2014, deixou feridas que não se fecharam com o tempo, alguma coisa do diálogo e da grande conversa brasileira se perdeu, disse Giannetti.

Concordo plenamente. O linchamento virtual praticado pela campanha de Dilma Rousseff, sob o comando de João Santana, extrapolou o limite de fazer uma campanha para ganhar. Virou um vale-tudo que foi para a internet e de lá ganhou as ruas. E continuou o clima hostil mesmo após o resultado eleitoral no segundo turno, principalmente com o resultado premiando a campanha petista e concedendo o quarto mandato presidencial ao partido. Uma onda de manifestação ganhou a rua pedindo a saída da presidente, o que aconteceu em 2016.

Graça a esse vale-tudo o segundo governo Dilma nasceu morto e o impeachment era questão de tempo. O marqueteiro João Santana criou um mundo imaginário que Dilma não conseguiu manter por muito tempo. Chamou para cuidar da economia um banqueiro conhecido como “mãos de tesoura”, Joaquim Levy, do Bradesco, que ficou tão isolado no governo que pediu demissão em um ano.

Para Giannetti, o estelionato eleitoral pode ter ficado de aprendizado para as próximas eleições. Acho que não vai ter mais a pirotecnia de João Santana nas campanhas eleitorais, por vários fatores, mas mentiras em campanhas não deixarão de existir. É uma característica das campanhas políticas e não só no Brasil. O eleitor é que precisa distinguir a mentira eleitoral, as propostas irreais e insustentáveis, as ilusões do discurso político natural. Já sobre os candidatos, a campanha feroz de 2014 pode não acontecer mais, mas não tem como cravar. E o clima está tão radicalizado que 2018 pode fazer inveja a 2014.