Datafolha não errou, foi equivoco do jornal

A última pesquisa Datafolha gerou uma polêmica com alguns dos questionários. No questionário “o que seria melhor para o Brasil”, 50% opinaram que seria a permanência de Temer na presidência; 32% querem a volta de Dilma e 9% disseram outros caminhos – entre eles novas eleições.

O site The Intercept, assinado pelo jornalista americano Glenn Greenwald (cofundador do site) e pelo colaborador brasileiro Erick Dau, afirmaram em texto “tornou-se evidente que, seja por desonestidade ou incompetência extrema, a Folha cometeu fraude jornalística”. Alessandro Janoni, diretor de pesquisa do instituto, disse “Não há erro, e tanto a Folha quanto o Datafolha agiram com transparência”.

Em defesa do jornal Sérgio Dávila, editor-executivo da Folha, afirmou “O resultado da questão sobre a dupla renúncia de Dilma e Temer não nos pareceu especialmente noticioso, por praticamente repetir a tendência de pesquisa anterior e pela mudança no atual cenário político, em que essa possibilidade não é mais levada em conta.”

Tendo a concordar com Dávila. Não vejo mais possibilidade de ser antecipada as próximas eleições presidenciais dentro do que prevê a Constituição. Agora seria passar por cima das regras constitucionais, um verdadeiro golpe. O momento para essa opção, e eu era a favor dela, já passou.

Mas, para evitar teoria conspiratória que possivelmente surgiria se a pesquisa desagradasse o outro lado, a Folha poderia ter colocado o dado que tem 62% de apoiadores de nova eleição para presidente antes de 2018. Em um momento belicoso como o atual qualquer informação errada ou sonegada é usada de arma para desqualificar os “inimigos”.

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Datafolha confirma a negação popular aos políticos

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Pesquisa Datafolha realizada em 17 e 18 de março mostra que os acontecimentos das últimas semanas fizeram a rejeição ao ex-presidente Lula explodir para 57% e o apoio ao impeachment da presidente Dilma subir para 68%.

Na contra mão o rival de Dilma na eleição, o Senador Aécio Neves, viu seus números minguarem. Marina Silva é quem está absolvendo ganhos com o descrédito de PT e PSDB. A provável candidata presidencial da Rede Sustentabilidade vence em todos os cenários pesquisados, ela têm entre 21 e 24%. No principal cenário, Marina aparece com 21%, Aécio com 19% e Lula em terceiro, com 17%.

Mas os números estão muito próximos e vantagens pequenas uma da outra, o que comprova a insatisfação geral com a política. O cenário também é propício para o aparecimento de Salvadores da Pátria. E figuras do tipo de Jair Bolsonaro.

A Rede abraçou a tese de que a ação de cassação da chapa Dilma-Temer no TSE é melhor do que o impeachment e entregar a presidência ao PMDB. Essa pesquisa reforça o entusiasmo do partido e de Marina com a possibilidade de antecipação da eleição presidencial. Todavia, essa rejeição popular aos políticos de todos os partidos deixa a próxima eleição mais imprevisível que a eleição de 2014. E vou mais longe: a eleição presidencial 2018, ou antes, tem tudo para ser mais disputada que 1989. Sem esquecer as eleições municipais em alguns meses.

68% da população acha que não houve melhora significativa nos últimos treze anos

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Quase 70% da população acha que não houve melhora significativa nos últimos treze anos, segundo o Datafolha. É claro que esse resultado se deve pelos últimos três anos, quando a economia desandou. De 2013 pra cá a sensação de que a melhora de vida foi pequena, que os serviços públicos não melhoram, ficou mais nítido.

Isso é consequência da política que o governo optou para a economia: crescer via consumo. Deixou a melhoria dos serviços públicos de lado. Também a produção ficou estagnada. Por isso a inflação elevada e persistente, nem aumentando os juros da selic ela cai porque a demanda cresceu mais que a oferta. E porque a inflação alta tem mais a ver com a alta do dólar e os preços represados pelo governo até o final do ano eleitoral de 2014 do que essa coisa do pessoal do Banco Central achar que se resolve alta da inflação só aumentando juros básicos sufocando ainda mais a economia.

Não pode ser esquecido que o Brasil carece de reformas estruturantes como política, previdência, trabalhista e tributária. O governo do PT não teve coragem ou não quis fazer. Respaldo popular tinha, o governo Lula terminou com 87% de aprovação. Além de uma ampla e heterogênea base no Congresso.

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Sempre achei os decretos de abertura de crédito suplementar não autorizados pelo Congresso mais graves que as pedaladas fiscais. Não que as pedaladas não sejam graves, deixar de repassar R$ 40 bilhões a bancos públicos para fazer superávit é grave. Só que os tais decretos foram uma afronta ao Legislativo, um dos podres da República. É como se o governo resolvesse governar sem o Legislativo. E o Michel Temer também assinou os decretos não autorizados pelo Congresso. Ou seja, se cabe impeachment para Dilma, Temer assumindo a presidência também tem que ser alvo de um processo de impeachment.

Na verdade, acho perigoso afastar um presidente sem ser por crime de responsabilidade, só crime fiscal. Isso pode virar uma bagunça sem precedentes e o Brasil passar a cassar presidentes sem parar mais, não ter mais estabilidade política. O que levaria a um caos econômico e social muito maior do que já existe hoje.

Ainda tem um cenário pior: um messiânico aproveitador como Jair Bolsonaro emergir para o poder.

Datafolha: Governo Dilma é reprovado por 67% da população

Pesquisa Datafolha mostra uma variação para baixo na reprovação ao governo da presidente Dilma.

67% acham o governo Dilma ruim/péssimo, 22% acham regular e 10% acham o governo ótimo/bom.

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Em outubro-2014, em plena campanha eleitoral do segundo turno, a reprovação popular ao governo Dilma era de 20%, foi para 24% em DEZ-14, pulou para 44% em FEV-15 já no início do segundo mandato quando o eleitorado da presidente se sentiu traído com algumas medidas tomadas no governo; após a mega manifestação de 15 de março, onde mais de 2 milhões de pessoas foram às ruas protestar contra o governo e a corrupção, a rejeição pulou para 62%, em ABR-15 deu uma desacelerada caindo para 60%, voltou a subir em JUN-15 atingindo 65%, a última avaliação de governo do Datafolha foi realizada em AGO-15 e um recorde de 71% de reprovação de um governo desde o governo Collor em 1989.

Essa nova pesquisa foi feita nos dias 25 e 26 de novembro, justamente no dia da prisão do senador Delcídio do Amaral (25) que apareceu em gravação feita pelo filho de Nestor Cerveró negociando uma mesada e fuga para o pai dele em troca de não mencionar o nome do senador na delação premiada.

A queda da reprovação é uma novidade positiva que o governo precisava, mas continua um índice muito alto e os índices da economia (1) continuam piorando, inclusive para 2016.

Pela primeira vez, a corrupção é o maior problema do Brasil para os brasileiros

  1. Corrupção – 34%
  2. Saúde – 16%
  3. Desemprego – 10%
  4. Educação e violência – 8%

Para 81% dos entrevistados do Datafolha, Eduardo Cunha tem que ser cassado, 7% são contra e 4% indiferente. O Congresso Nacional é avaliado ruim/péssimo por 53% da população.

Governo Dilma naufragando e levando o PT junto

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O Partido dos Trabalhadores está se esfarelando e é uma pena que isso esteja acontecendo. Um partido que nasceu da base da sociedade, único caso no Brasil, vai tendo um fim melancólico causado em boa parte por seus dirigentes. Se o PT não tivesse passado a mão na cabeça dos “companheiros” pegos no mensalão – “guerreiros” e “presos políticos” – talvez a história fosse outra. O partido, no entanto, optou por defender os seus e acusar um complô da mídia golpista com as elites – branca e coxinha.

Fora todo o problema que a Operação Lava Jato trouxe ao PT, governo e para a economia, tudo foi agravado pela perda de confiança dos empresários, agentes econômicos e a população para o governo da presidente Dilma. A perda de credibilidade do governo Dilma entre os agentes econômicos e empresários foi resultado de uma política desastrosa do primeiro mandato. De 2011 a 2014 o governo adotou uma política mais intervencionista, a Nova Matriz Econômica, o que não acontecia no governo Lula – não em grandes proporções.

Já a perda de credibilidade entre a população demorou um pouco mais a acontecer. Primeiro, a queda de popularidade causada pelas manifestações de junho 2013. O governo conseguiu reverter e Dilma foi reeleita, com maioria apertada.

Depois, no pós-eleição, a popularidade do governo desabou e continua caindo para níveis negativos históricos graça a um estelionato eleitoral nunca antes visto. O governo maquiou as contas públicas para passar a imagem de um governo equilibrado e um país em desenvolvimento econômico e social. Só que a conta chegou e a presidente teve que fazer tudo aquilo que disse que não precisava ser feito. Pior: acusava seus adversários que eles fariam o arrocho, se eleitos.

Queria um PT forte, robusto, pujante, honesto e competente comandando o país e seu povo, com desenvolvimento econômico e justiça social. O que temos é um partido acuado, sem respostas e com as mesmas desculpas de sempre; um governo sem um plano, imobilizado, um país à deriva pronto para colidir com um iceberg.