Lula e Bolsonaro com rejeição alta; Doria e Barbosa com rejeição baixa

Nova pesquisa do instituto Paraná Pesquisas, Lula continua na liderança tanto nas intenções de voto quanto em rejeição. No primeiro cenário, com João Doria representando o PSDB, Lula aparece com 25,8%, Jair Bolsonaro tem 18,7%, Doria fica com 12,3%, Joaquim Barbosa (8,7%), Marina Silva (7,1%), Ciro Gomes (4,5%) e Alvaro Dias (3,5%) vem na sequência. Com Geraldo Alckmin no lugar de Doria, Lula tem 26,1%, Bolsonaro cresce para 20,8%, Joaquim Barbosa (9,8%), Alckmin (7,3%), Marina (7,0%), Ciro (4,5%) e Alvaro (4,1%).

O quadro de rejeição é mais significativo e mostra Lula, Alckmin, Bolsonaro e Ciro sendo rejeitados por mais da metade do eleitorado brasileiro. O prefeito João Doria segue com menor rejeição, mas com índice de desconhecimento de 15,4%, junto com Ciro Gomes (15%) – o que é surpreendente se levar em conta o currículo de Ciro – e o ex-presidente do STF, Joaquim Barbosa (12,8%).

Subtraindo número de rejeição com o desconhecimento do eleitor para o candidato, Doria e Barbosa ficam com rejeição abaixo de 30%. Não é por acaso que Alckmin passou a defender realização de prévias para a escolha do candidato do PSDB, já que Doria disse que não disputará prévias partidárias contra o governador e seu mentor político apostando nas pesquisas favoráveis a ele. Assim, o parido abraçaria o “clamor popular” e indicaria seu nome. Com essa iniciativa de querer prévias a lealdade de Doria, Alckmin tira ele do páreo e pavimenta sua candidatura ao Planalto.

Bolsonaro já não é mais uma “piada” eleitoral

A candidatura presidencial de Jair Bolsonaro já não é mais para ser encarada como uma “piada”. Marina Silva e ele se consolidam na disputa pela segunda posição, segundo pesquisa Datafolha, com viés de queda de Marina e ascensão de Bolsonaro. Bolsonaro está à frente de Marina numericamente (16% a 15%) e com o dobro do provável tucano na disputa o governador Geraldo Alckmin (8%); tem o triplo de Ciro Gomes (PDT), 5%.

Com João Doria (PSDB) no lugar de Alckmin não muda muito o cenário pró-Bolsonaro. O prefeito de São Paulo subiu de 9% para 10%, está melhor que seu “padrinho” político, só que em empate técnico.

O ex-presidente Lula mantém-se na dianteira da corrida presidencial com 30%. É o teto do petista bem antes de Lula vencer a primeira de suas duas eleições e dificilmente ele sobe mais do que isso ou cai mesmo se for condenado por Sérgio Moro. São eleitores fiéis do ex-presidente, o teto do PT e memória afetiva de um período de bonança para o Brasil, principalmente para a camada mais pobre da população que sofre na atual situação com desemprego em quase 15%.

A grande dúvida é se Lula se viabiliza judicialmente para o pleito. Mesmo condenado em primeira instância – há cinco ações contra ele nas varas de Curitiba e Brasília entre outros inquéritos – Lula recorreria para o TRF4 (segunda instância de Curitiba) e TRF1 (Brasília). Se mantida a condenação na segunda instância, aí viraria ficha suja e ficaria impedido de disputar – além de ser preso (provavelmente) – a eleição.

Em um provável cenário sem Lula, Marina lidera com 22%; Bolsonaro mantém os 16%; o ex-presidente do STF, Joaquim Barbosa aparece com 12%; Ciro e Alckmin empatam em 9%. É o cenário muito próximo do que vai ser.

Lula segue sendo o primeiro em intenção de voto e o mais rejeitado (46%); Barbosa (16%) e Doria (20%) são os postulantes à cadeira que Temer ocupa com menos rejeição.

Tirando a situação jurídica de Lula e a indefinição no PSDB, o quadro eleitoral de 2018 deve seguir a tendência das eleições do “brexit” no Reino Unido, EUA e França. Sai a polarização mais mercado ou mais estado; entra a polarização nacionalismo vs globalização. Uma lado já definiu seu candidato: Jair Bolsonaro; já o outro lado, está tentando achar um representante viável, o que favorece Bolsonaro essa indecisão.

Fim de sonho para Aécio Neves

O candidato do PSDB na eleição de 2014, que obteve mais de 51 milhões de votos, não aparece pela primeira vez nem na parte de rejeição. Com um pedido de prisão para ser votado no STF, Aécio já estava muito alvejado por delações da Odebrecht e outros, a JBS fulminou o pouco que restou do cacife eleitoral do tucano.

Debate: Marco Antonio Villa x Jair Bolsonaro

Era uma chance de ouro do nobre deputado provar que não é o “ogro” que dizem que é. Só que ele não aproveitou a chance. Na verdade, Bolsonaro tergiversou os 40 minutos de discussão com a ideia fixa que ele tem sobre ideologia, desarmamento, defender o regime militar e de sua honestidade (como se fosse mérito ser honesto mesmo neste momento).

Economicamente, Jair Bolsonaro só sabe do nióbio e do grafeno. E projetos megalomaníacos que justificam sua adoração pelos presidentes militares, além do próprio ser militar reformado.

Não aproveitou nem a chance de explicar o rolo da doação que a JBS fez pra ele na campanha de 2014. Se enrolou novamente ao tentar explicar como ele devolveu a doação ao partido e recebeu de volta a mesma doação.

Quem tinha convicção em não votar em Bolsonaro reforçou ainda mais ao assistir o debate na Jovem Pan. O intelecto do deputado não tem o nível de um presidente da República, onde há desafios complexos que fogem da questão ideológica pura e simples. É o mesmo nível intelecto de Dilma Rousseff, só que com o sinal trocado.

Datafolha: Lula, o ‘intocável’; Bolsonaro, a sombra dos políticos tradicionais

Datafolha mostra Lula (PT) ampliando vantagem na corrida eleitoral de 2018, e Jair Bolsonaro (PSC) chega ao segunda lugar.

No primeiro cenário, Lula tem 30%, Bolsonaro pula de 9% para 15%, Marina Silva (Rede) cai de 15% para 14%, Aécio Neves (PSDB) 8%, e Ciro Gomes (PDT), 5%, com Michel Temer (PMDB) tendo 2%.

No segundo cenário, Lula sobe de 26% para 30%, Marina cai para 16%, Bolsonaro sobe de 8% para 14%, Geraldo Alckmin (PSDB) cai de 8% para 6%, em empate com Ciro, e Temer aparece com 2%.

No terceiro cenário, já com o prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), Lula aparece com 31%, Marina, 16%, Bolsonaro, 13%, Doria, 9%, Ciro, 6%. Temer e Luciana Genro (PSOL), com 2%, Ronaldo Caiado (DEM) e Eduardo Jorge (PV), com 1%, fecham a lista.

O quarto cenário é sem Lula. Marina lidera com 25%, seguida de Bolsonaro com 14%, Ciro, 12%, João Doria, 11%, Luciana, 3%, Eduardo Jorge, 2%, e Caiado, 2%.

Esses números mostram Lula com uma força eleitoral inexplicável, Bolsonaro se consolidando como o outsider, mesmo estando anos na política, João Doria como a única esperança tucana. Marina Silva ainda é lembrada, mas caindo pesquisa atrás de pesquisa. Aécio Neves, com 51 milhões de votos na eleição de 2014, é carta fora do baralho presidencial. Já Geraldo Alckmin, não mostra poder de fogo para insistir na candidatura. Ciro Gomes é carta reserva da esquerda se Lula não for candidato – por livre espontânea vontade ou impedido pela justiça.

Lula e Bolsonaro são dois extremos. A ultra polarização nas eleições pelo mundo parece que vai aterrizar no Brasil. Pode ser retórica, mas o discurso de pré-campanha de Lula é de radicalização e até vingança por tudo que ele está passando. Bolsonaro é o que todos já estão cansado de saber. Que deus tenha misericórdia desta nação – ou não.

João Doria é o único que salva o PSDB contra Jair Bolsonaro

A primeira pesquisa de alcance nacional de olho na eleição presidencial de 2018 confirmou o que muitos desconfiavam: João Doria é a grande sensação da política. Só ele salva o PSDB de ficar de fora do segundo turno pela primeira vez desde 2002.

Os grão-tucanos – Alckmin, Aécio e Serra -, além de ficarem muito atrás de Doria, estão com índices de rejeição altíssimos. Aécio Neves, que por muito pouco não derrotou Dilma Rousseff em 2014, está com 66% de opinião negativa, superando Lula.

Além de pulverizar os últimos candidatos tucanos, Doria é único que desidrata e ameaça a candidatura de Jair Bolsonaro, consolidado na segunda posição. Lula é o líder em todos os cenários pesquisados e Marina Silva fica em terceiro em dois cenários e cai para o quarto lugar com a entrada do prefeito de São Paulo na disputa.

Mais um ponto a favor de Doria é a baixíssima rejeição: 23%. Mas o número que dizem não o conhecer é de 53%, o que explica, em parte, a baixa rejeição. Uma boa campanha no horário eleitoral e tudo resolvido.

Mesmo ele dizendo que não é candidato, que seu candidato a presidente é Geraldo Alckmin, se os números se mantiverem assim até o meio de 2018, Doria não vai poder negar o apelo do partido e o próprio PSDB, inclusive a ala contrária à sua candidatura, vai ter que apostar nele sob pena de não estar nem no segundo turno da eleição.

João Doria é o antiLula, antiBolsonaro e antitucano ao mesmo tempo.