O “inimigo” agora é outro

A imprensa brasileira está fazendo com Jair Bolsonaro o mesmo que a imprensa americana fez com Donald Trump, o ajudando involuntariamente a chegar à presidência de seu país.

Revista Veja vem com Bolsonaro de matéria de capa e o tenta colocar como uma “ameaça”. Tudo indica que depois de anos a Veja trocou de “inimigo”: sai PT; entra Bolsonaro. Independente se você concorda ou discorda das ideias de Bolsonaro, ao tentar coloca-lo como uma “ameaça”, como a imprensa americana faz com Trump, o efeito pode ser o contrário do esperado e atrair mais eleitores para o deputado.

Porque quem já tem posicionamento a favor do deputado e capitão reformado do Exército não vai voltar atrás e quem está indeciso pode não gostar desse viés da revista. Assim como Trump, Bolsonaro tenta desacreditar a grande mídia contra sua candidatura a rotulando de “fake news” e a grande mídia revida colocando Bolsonaro como “fascista”. Quanto mais polarizado for essa disputa e o nível de argumentos mais baixo que a camada do pré-sal, mais favorece ao presidenciável.

Para cada “lacrada” da esquerda lacradora e da imprensa progressista e parcial, uma “mitada” do outro lado. É assim que vamos caminhando para 2018, para uma campanha que promete ser muito agressiva, de ambos os lados, e mais disputada que a de 2014, semelhante 1989. O resultado pode ser muito desagradável para a turma “progressista”. A grande imprensa não tem mais o monopólio da informação nem influencia a opinião pública no mesmo grau de umas décadas atrás.

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“Ovada” em Bolsonaro, só ele ganha com isso

A temporada Primavera-Verão no Brasil é militante jogar ovo em políticos. Coincidentemente em João Doria e, agora, em Jair Bolsonaro. Esqueça quem são os políticos. Esqueça a questão política e ideológica. Esqueça que são políticos, simplesmente. Qual o ganho político em jogar ovos em alguém? Não tem ganho. Pelo contrário, a tática é suicida e nojenta. Nada cristão. Jogar ovo em alguém é como cuspir na cara do semelhante, independente quem seja a pessoa.

Especificamente no caso de agora, no Bolsonaro, que já lidera a corrida presidencial em cenários sem Lula, é mais fácil ele aumentar a quantidade de votos do que cair nas pesquisas. Bolsonaro pode ter as opiniões mais abomináveis. Mas combatê-lo com agressões verbais e físicas mais o ajuda do que o atrapalha. Só o torna vítima de intolerância e os que acusam de ser intolerante passam a ser intolerantes. Se derrubam ideias com argumentos.

Mas tem gente que pensa que está em uma gincana colegial e a política é um Grêmio Estudantil, um grande DCE.

Marco Antonio Villa x Jair Bolsonaro

Era uma chance de ouro do nobre deputado provar que não é o “ogro” que dizem que é. Só que ele não aproveitou a chance. Na verdade, Bolsonaro tergiversou os 40 minutos de discussão com a ideia fixa que ele tem sobre ideologia, desarmamento, defender o regime militar e de sua honestidade (como se fosse mérito ser honesto mesmo neste momento).

Economicamente, Jair Bolsonaro só sabe do nióbio e do grafeno. E projetos megalomaníacos que justificam sua adoração pelos presidentes militares, além do próprio ser militar reformado.

Não aproveitou nem a chance de explicar o rolo da doação que a JBS fez pra ele na campanha de 2014. Se enrolou novamente ao tentar explicar como ele devolveu a doação ao partido e recebeu de volta a mesma doação.

Quem tinha convicção em não votar em Bolsonaro reforçou ainda mais ao assistir o debate na Jovem Pan. O intelecto do deputado não tem o nível de um presidente da República, onde há desafios complexos que fogem da questão ideológica pura e simples. É o mesmo nível intelecto de Dilma Rousseff, só que com o sinal trocado.

Estar ao lado de Bolsonaro não é pensar como ele

bolsonaro

É complicado para quem é ou virou oposição ao PT ter que ficar ao mesmo lado de figuras como Jair Bolsonaro, Levy Fidelix, Marco Feliciano, Silas Malafaia, Magno Malta e outros. Mas ser oposição ao PT não significa ter as mesmas ideias reacionárias, ultraconservadoras e algumas homofóbicas e racistas dessa turma.

O mais complicado é lidar com os fãs de Bolsonaro, uma trupe forte que está impregnada por toda a internet, principalmente nas redes sociais. Só que ninguém pode perder o direito de pensar e ter opinião por medo de ser associado a um “bolsominion” – nome dado aos fãs de Jair Bolsonaro.

Dois vídeos que definem bem quem é Jair Bolsonaro.

Reinaldo Azevedo

Cláudio Tognolli

Jair Bolsonaro presidente seria uma tragédia para o Brasil

bolsonaro-bonecopixulecoO polêmico deputado Jair Bolsonaro (PSC/RJ) não mede as palavras quando se pronuncia publicamente, principalmente quando assunto é questões LGBT. Bolsonaro virou inimigo da causa gay juntamente com o Pr. Silas Malafaia, Marco Feliciano e outros. Ele também tem uma legião de seguidores que o chama nas redes sociais de “Bolsomito”. O deputado tem a pretensão de ser candidato na eleição presidencial de 2018.

Jair Bolsonaro ficou com uma média de 4,5% na pesquisa Datafolha de dezembro de 2015. Ele já tinha sido o deputado eleito pelo Rio de Janeiro mais votado, com mais de 464 mil votos. Nas megas manifestações do dia 13/03, Bolsonaro foi vaiado e um dos poucos políticos que foram aplaudidos.

Jair Bolsonaro é um militar reformado e adorador do regime militar que vigorou no país entre 1964 e 1984, e acha que a ditadura foi necessária para impedir os comunistas de implementarem a ditadura do proletariado. Fora o discurso que ele acha que não é homofóbico, mas incentiva à homofobia, Bolsonaro é representante da direita nacionalista, que defende repressão do Estado contra os que ele acha ser subversivos.

O PIB brasileiro cresceu 6% em média de 1970 a 1984, mas a custo da liberdade, da democracia, aumento do número de miseráveis e da fome, de mortes e desaparecidos quem lutou contra a ditadura. E também da corrupção em obras faraônicas que, obviamente, não vieram à tona em sua plenitude por causa da censura imposta pelos militares. Tudo isso descrito é defendido pelo Jair Bolsonaro. Agora imagina um cara desse na presidência da República.