Bolsonaro x Globo

Mais uma vez, o Jornal O Globo vem com matéria tentando desqualificar o deputado federal e presidenciável Jair Bolsonaro. A mais nova tentativa é a matéria deste domingo que seria uma acusação de nepotismo ao Bolsonaro e filhos, só que na própria matéria eles são inocentados.

Não está dando certo a ofensiva da grande mídia na tentativa de desidratar o postulante ao Planalto, que notoriamente o Grupo Globo é contra – além de matérias como a de hoje, Bolsonaro é boicotado nas emissoras do grupo -, Bolsonaro consolidou a vice-liderança no último Datafolha.

O tira está saindo pela culatra igual com Lula. A máxima usada pela militância do ex-presidente serve para os ataques ao deputado: “[fulano] é igual bolo: quanto mais batem, mais ele sobe”.

Bolsonaro cansou de apanhar calado e desabafou contra uma nota completamente deturpada de Lauro Jardim, de O Globo.

Em um vídeo, onde Bolsonaro fala com um repórter do jornal, ele desabafa dizendo que o jornal trabalha pela volta de Lula mesmo com o petista dizendo que vai regular a mídia porque assim a emissora vai ter a dívida com BNDES abatida. Ainda diz que, caso eleito, não vai perseguir O Globo, mas vai cortar 40% da verba governamental, dos 80% que ganha pelas propagandas institucionais do governo (a aberração é o Grupo Globo abocanhar 80% da verba governamental de publicidade, muito acima da audiência da TV, jornal, rádio. Escárnio. Escândalo.), deixando só o equivalente a audiência do jornal.

Bolsonaro ganharia pontos comigo se ele se comprometesse a cortar 100% da publicidade governamental de todos os veículos, deixando só a de utilidade pública e campanhas de vacinação. Ou prometesse diminuir consideravelmente o montante para publicidade institucional fora os casos de utilidade pública.

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Jair Bolsonaro incentiva sonegação fiscal

Respondendo a uma pergunta da jornalista Júlia Dualib, ao Canal Livre da Bandeirantes, Jair Bolsonaro disse que sonegava ICMS, IPI, IPVA. Claro era uma afirmação jocosa. Questionado por Mônica Bergamo, Bolsonaro disse que era força de expressão.

Mas o mais inacreditável é um presidenciável incentivar a sonegação fiscal com a seguinte frase: “se puder, sonega”. É o mesmo que o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, recebendo dinheiro fora do país e offshore em paraíso fiscal (tudo declarado, até onde se sabe).

Mesmo justificando que é o sentimento geral por pagar muito imposto e não ter quase nada de volta em serviços públicos, sonegação é crime.

Pior adversário para Jair Bolsonaro é sua rudez

O melhor (pior) adversário para Jair Bolsonaro é o próprio Jair Bolsonaro. Em uma mensagem no Twitter direcionada para jornalista Miriam Leitão, o presidenciável foi, no mínimo, grosseiro, deselegante com uma mulher e machista.

Bolsonaro revidou com uma agressividade desproporcional uma crítica que a jornalista fez a ele sobre o deputado saber ou não de economia.

Está mais do que claro que Bolsonaro não tem conhecimento de economia, o que não vejo empecilho para ser um postulante e a ser eleito presidente. Teve uma presidente que se diz economista e deixou o país na pior crise econômica já vista. Ele sabendo delegar funções, montar e coordenar uma boa equipe é suficiente. Um presidente não precisa saber economia ou precisaria ser médico, professor, etc.

Agora, o que pode desidratar Jair Bolsonaro é sua rispidez ao responder críticas principalmente da imprensa. Ele tenta imprimir o jeito Donald Trump ao lidar com os críticos. Mas essa agressividade pode sair pela culatra. A resposta para Miriam Leitão não foi a altura de um presidenciável que aparece muito bem colocado nas pesquisas. Não foi civilizatório. Sinceridade e transparência não são sinônimos de falta de educação.

Jair Bolsonaro precisa aprender que ser presidente da República não é a mesma coisa de ser um deputado que se envolve em polêmicas. Precisa aprender que um presidente tem que ser sóbrio, democrático e conciliador. Precisa ouvir mais do que falar.

Venceu a estabilidade contra a loucura de Janot

Por 251 a 233, a Câmara dos Deputados não autorizou que o STF analise denúncia de Rodrigo Janot contra Michel Temer e seus dois ministros mais próximos, Eliseu Padilha e Moreira Franco. Janot acusa os três de participar de uma organização criminosa e ainda imputa a Temer crime de obstrução de justiça. As duas denúncias ficam congeladas até que o presidente e os ministros deixem os cargos.

Comparando com o resultado da primeira denúncia (263 a 251), que não tinha os ministros citados, o governo sai com 12 votos a menos a favor do presidente, mais enfraquecido. A oposição precisava de 342 votos. É difícil aprovar reforma previdenciária (308 votos). No máximo, um item da reforma e com muita negociação, inclusive com membros da própria base que votaram contra Temer.

O que importa é que deixem o país ter um pouco de normalidade institucional após o “furacão JBS”. Raquel Dodge é mais comedida que Rodrigo Janot e, provavelmente, não vai se basear nas palavras soltas de delatores loucos para diminuírem suas penas ou até sair da cadeia para elaborar uma terceira denúncia contra o presidente. Falta pouco para a eleição de 2018. Pouco mesmo para se livrarem de Michel Temer pelo voto.

Já são três votações entre impeachment e denúncias criminais paralisando a atividade legislativa, o Brasil. Venceu a estabilidade contra a loucra de Rodrigo Janot, a histeria coletiva e oportunismo rasteiro partidário.

Jair Bolsonaro

De novo, o presidenciável Jair Bolsonaro vota igual a deputados do PT e da esquerda contra Temer. Com um discurso de combate à corrupção que agrada sua tropa na internet, Bolsonaro confirma que não passa de mais um populista apenas virando a chave para direita. Ele acha que ganha uma eleição só com um celular na mão. O pior: acha que governa sem articulação política. Não sabe de nada, inocente.

jacobinos

O nível da atual Câmara (Congresso no geral) é horripilante. Só esquecem que os deputados (senadores) não caíram em Brasília de Marte, foram colocados lá por nós, pelo voto. Ou seja, a culpa é nossa. Não adianta agora querer tirar o seu da reta sem nem se lembrar do deputado na qual votou. E que fazer Justiça a qualquer preço não é o caminho correto. Pelo contrário, é o caminho da barbárie. Nem com golpes engendrados na calada da noite com escutas clandestinas e arapucas para satisfazer as vontades de um Procurador-geral.

O “inimigo” agora é outro

A imprensa brasileira está fazendo com Jair Bolsonaro o mesmo que a imprensa americana fez com Donald Trump, o ajudando involuntariamente a chegar à presidência de seu país.

Revista Veja vem com Bolsonaro de matéria de capa e o tenta colocar como uma “ameaça”. Tudo indica que depois de anos a Veja trocou de “inimigo”: sai PT; entra Bolsonaro. Independente se você concorda ou discorda das ideias de Bolsonaro, ao tentar coloca-lo como uma “ameaça”, como a imprensa americana faz com Trump, o efeito pode ser o contrário do esperado e atrair mais eleitores para o deputado.

Porque quem já tem posicionamento a favor do deputado e capitão reformado do Exército não vai voltar atrás e quem está indeciso pode não gostar desse viés da revista. Assim como Trump, Bolsonaro tenta desacreditar a grande mídia contra sua candidatura a rotulando de “fake news” e a grande mídia revida colocando Bolsonaro como “fascista”. Quanto mais polarizado for essa disputa e o nível de argumentos mais baixo que a camada do pré-sal, mais favorece ao presidenciável.

Para cada “lacrada” da esquerda lacradora e da imprensa progressista e parcial, uma “mitada” do outro lado. É assim que vamos caminhando para 2018, para uma campanha que promete ser muito agressiva, de ambos os lados, e mais disputada que a de 2014, semelhante 1989. O resultado pode ser muito desagradável para a turma “progressista”. A grande imprensa não tem mais o monopólio da informação nem influencia a opinião pública no mesmo grau de umas décadas atrás.