Bonifácio de Andrada revela reais interesses de Janot no seu relatório

Relatório do deputado Bonifácio de Andrada (PSDB/MG) desnuda o real interesse de Rodrigo Janor, ex-chefe do MPF, de querer derrubar o presidente Michel Temer sem o mínimo de provas e colocando “jabutis” na denúncia que claramente afrontam a Constituição Federal. O real interesse é político.

Além de não colocar provas diretamente contra Temer, só a palavra de um delator sedento para sair da cadeia, Janot coloca fatos fora do mandato presidencial iniciado em 2016, o que afronta o artigo 86 da Carta Magna.

O relator anota para o fato de o presidente não ter mais o poder absoluto como tinha na Constituição de 1946 sobre toda a máquina pública, que não pode ser atribuído atos de subordinados ao presidente.

Bonifácio de Andrada deixa claro que a denúncia poderá ter prosseguimento quando o presidente e ministros (Eliseu Padilha e Moreira Franco, que são acusados com Temer) deixarem respectivos cargos. E que afastar o presidente Temer, agora, por no mínimo a 180 dias, em uma “denúncia claramente duvidosa”, representará uma crise de alta proporções ao povo brasileiro e as instituições brasileiras.

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Números esquizofrênicos do Datafolha

Datafolha trás números esquizofrênicos e mostra que o brasileiro está com sangue nos olhos e com gosto dele na boca. Não é para menos ao deparar com tantos escândalos e malas de dinheiro achadas em apartamentos. O problema dessa revolta generalizada é que agir pelo fígado nunca resulta em coisa boa.

Mais da metade dos entrevistados pelo instituto quer Lula preso, por tudo que já foi descoberto contra o ex-presidente. Mas tenho certeza que poucos sabem o artigo que embasaria um pedido de reclusão nem sabe em quais artigos do código penal Lula seria preso, pelos processos contra ele.

O mais interessante é que o brasileiro deseja Lula preso e presidente ao mesmo tempo, uma esquizofrenia brasileira ou uma trapalhada (malandragem) do instituto? Querem transformar o Palácio do Planalto num presídio de segurança máxima onde traficante continua dando ordens aos comandados nas favelas.

Outra coisa esquista é o Datafolha insistir em colocar o nome de Sérgio Moro nas sondagens eleitorais apenas para alimentar a narrativa de confronto político entre o juiz e Lula, o que, apesar de algumas ações duvidosas de Moro, não existe.

Na mesma pesquisa do Datafolha, 89% da população deseja que a Câmara autorize já o STF investigar Michel Temer e, consequentemente, seu afastamento provisório da presidência.

Já foi comentado aqui a confusão de mais um afastamento de um presidente em pouco mais de 1 ano, e por uma denúncia contaminada em atitudes no mínimo duvidosas, além da sanha caçadora moralista. Queiram ou não, o governo Temer já conseguiu coisas que os últimos governos tentaram e nada, como reformas importantes.

Reforma do ensino médio (parada na Câmara desde 1998);
PEC do teto público (gastar o que arrecada);
Reforma trabalhista (desburocratizar relações trabalhistas, garantir mais segurança jurídica, mais empregos formais);
Fim da obrigatoriedade da Petrobras participar de toda exploração do pré-sal (participar nos poços estrategicamente viáveis para empresa), além de um política alinhada ao livre mercado, sem uso político-populista

O Brasil está quebrado e agora a economia começa a sair da mais grave recessão em décadas. Juros da Selic em queda, inflação de quase 3% em 12 meses. Governo Temer está saneando o Brasil para, aí sim, fazer o bolo crescer (crescimento econômico) e reparti-lo, obviamento o novo governo que sair das urnas que tocará o barco. Sem deixar, é óbvio, a população mais carente desamparada, aí entram os programas assistenciais (Bolsa Família, por exemplo).

Dizem que a economia andaria independente de Temer na presidência. Até pode ser verdade que a economia tenha ganho anticorpos depois de tantas crises políticas em sequência, mas nada garantido. E o afastamento de um presidente faltando pouco tempo para terminar o mandato e sem regras claras de uma eleição indireta, na minha humilde opinião, é um caos desnecessário.

Mas algo de racional começa a brotar nas cabeças das pessoas. Aumentou quem deseja que Temer termine o mandato. Ou mais um caso de esquizofrenia ao querer que a Câmara autorize investigação imediata contra o presidente e ao mesmo tempo que ele termine o mandato. A saúde (constitucionalmente de responsabilidade não exclusiva do governo federal) é o principal problema do país, para os entrevistados, seguida de corrupção e desemprego.

Governo Temer é vítima de uma Inquisição moralista

Operação comandada por Rodrigo Janot e patrocinada pelo Grupo Globo está bem sucedida. Tudo começou na delação (super) premiada da JBS/J&F, e segue com a delação de Lúcio Funaro, que é base da segunda denúncia de Janot contra o presidente Michel Temer.

Não precisa pensar muito para concluir que a desmoralização do governo Temer favorece o governo Dilma, o PT, a esquerda mais radical. E a pesquisa CNI/Ibope veio comprovar a tese.

Aqueles que foram a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff e agora querem a queda de Temer a qualquer custo também colabora com essa percepção que o governo de Temer é pior que o de Dilma.

É óbvio que não é. Basta ver os números inflação abaixo da meta do BC, juros abaixo de dois dígitos, recorde de pontos na Ibovespa, empregos com carteira assinada voltando, PIB voltando a crescer depois de três anos caindo, aos poucos o país vai saindo da recessão que o governo Dilma provocou.

Mas os moralistas querem derrubar este governo faltando exatamente um ano para a eleição de 2018. Eles não entendem que trocar novamente de presidente vai jogar fora todo um esforço e os ganhos já perceptíveis até aqui.

Temer é uma ponte que precisa terminar este ciclo de governo começado em 2015 ou o Brasil vai cair em um escuro institucional muito pior do que já se encontra, com as instituições batendo cabeça. Depois, quando deixar a presidência, aí ele vai acertar as contas com a justiça.

É muito óbvio que um governo vai ter 8/10 de rejeição quando quase toda a imprensa só noticia fatos de corrupção ligada ao presidente, com Procuradores querendo depurar a política, sem ser nas urnas, em uma verdadeira fogueira da inquisição.

Sem Temer, o precipício

Reafirmo que o governo do presidente Michel Temer é uma boa “pinguela” para essa travessia difícil. Por mais complicado que seja um governo com membros do alto escalão mergulhados em escândalos de corrupção, inclusive o presidente, o menos traumático é deixar que Temer finalize o mandato iniciado em 2015 com Dilma, que com certeza é o mandato mais complicado da República.

Mesmo a troca de presidente sendo um processo traumático, faltando 2 anos é uma coisa. Trocar de presidente faltando só 1 ano para eleição, só irresponsáveis apoiam essa ideia. Depois de 8 trimestres de queda, o PIB tem 2 trimestres de crescimento; juros da Selic abaixo de 10%; inflação abaixo do centro da meta; desemprego caindo – é o último a sentir efeito de uma crise e o último a sair dela. E a recuperação da economia só não está mais acelerada pela crise política e os desdobramento da Lava Jato.

Por sinal, já está na hora de acabar investigações e começar a julgar o que já foi descoberto. Procuradores como Dallagnol e “lavajatistas” se revoltam com quem fala em fim da Lava Jato. Mas a operação não é para ser infinita. Uma hora é preciso colocar um ponto final.

Fazer uma segunda denúncia inepta, com frutos de uma delação de uma árvore envenenada, só vai retardar ainda mais a recuperação da economia que começa a sentir efeitos das medidas benéficas do governo do presidente Temer. E um aviso para os contra o establishment e os que apostam na política do quanto pior, melhor: seu candidato, caso vença a eleição, é que vai administrar o estrago que você ajudou a provocar.

1 ano do segundo impeachment em 24 anos

31/08/2017. Há exatamente 1 ano o Senado Federal destituía Dilma Rousseff definitivamente da presidência da República, já havia afastado temporariamente em maio de 2016, 61 senadores acolheram o relatório do Senador Antonio Anastasia (PSDB/MG), que verificou que a denúncia que veio da Câmara dos Deputados – a saber, decretos de suplementação de crédito para ministérios e atraso da subvenção do Banco do Brasil no Programa Plano Safra, uma ajuda aos agricultores contra problemas como a seca, por exemplo (“pedaladas”), no ano de 2015 – era factível.

A denúncia elaborada por Janaina Conceição Paschoal, Hélio Pereira Bicudo (um dos fundadores do PT) e Migue Reale Jr, era robusta e abarcava “pedaladas” maiores praticadas entre 2013 e 2014, também o caso da refinaria de Pasadena, no Texas, além do escândalo na Petrobras. Como presidente da Câmara do Deputados à época, Eduardo Cunha (PMDB/RJ), no entanto, seguiu o que manda Constituição e aceitou parcialmente a denúncia cortando fatos anteriores ao segundo mandato de Dilma. Janaina Paschoal contestou Cunha durante o processo afirmando que os dois mandatos são, na verdade, um mandato só. Porém, no caso de Pasadena, Dilma não era presidente, mas Ministra da Casa Civil do governo Lula e presidente do Conselho da Petrobras.

Posto isto, muita gente contesta um impeachment baseado em uma irregularidade técnica e engrossam os partidários do PT, militância petista e da esquerda que acusam de não passar de um golpe parlamentar dos “derrotados nas urnas, investigados pela Justiça e da extrema-direita”. É um direito ter essa opinião. Afinal, estamos em uma democracia mesmo eles acusando que foi um “golpe contra a democracia”, contra 54 milhões que sufragaram Dilma Rousseff e Michel Temer (sempre bom ressaltar que o atual presidente não foi colocado do nada, está lá constitucionalmente) na eleição de 2014.

Fora a parte que o Congresso, por mais que desagrade à população, foi eleito igualmente como a chapa presidencial. Ou seja: sufrágio universal, livre e secreto. E um crime de responsabilidade do presidente da República é julgado pelos parlamentares, sempre com o olhar vigilante do Supremo Tribunal Federal (STF), que negou todas as liminares pedindo suspensão do processo. Todo o processo de impeachment seguiu o que manda a Constituição Cidadã de 1988.

Agora, o impeachment resolveu a crise política? A crise econômica? E a crise institucional? É claro que não resolveu nenhuma das três crises e até agravou algumas. Muitos pediram o PT fora do governo alegando que a situação melhoraria como em um passe de mágica – os antipetistas mais ferrenhos.

Mas a maioria não acreditava nisso. E a economia mostrava sinais de recuperação até o escândalo JBS/J&F/Friboi explodir com presidente Temer sendo gravado em uma conversa nada republicana com um criminoso confesso que cresceu nas asas do BNDES. A política está atrapalhando a economia de se recuperar do terremoto dos últimos três anos. O governo fez de tudo para os deputados não autorizar o STF a analisar, agora, a denúncia que Rodrigo Janot ofereceu contra Michel Temer, e vem aí uma segunda denúncia. Mais emendas liberadas; cargos oferecidos a quem de pior existe na Câmara. Ou seja: o fisiologismo reina.

Contudo, se você me perguntar se o impedimento de Dilma foi ruim, te responderei que não, apesar de tudo. Um governo que não consegue apoio de 172 deputados e 28 senadores, não merece continuar. Dilma não gostava de política tanto que sequer atendia sua base no Congresso (Eduardo Suplicy o diga). O governo Dilma optou por “maquiar” as contas públicas, segurar preços de combustíveis e energia para ganhar a reeleição e, assim, após vencer em uma disputa muito apertada, cometeu um dos maiores estelionato eleitoral já visto no Brasil.

Nem vou entrar na política externa, que pelas declarações do PT e da própria Dilma sente-se um pouco de arrependimento de não ter feito o que Nicolas Maduro está fazendo com o seu próprio povo: repressão contra opositores, matando via milícias palacianas manifestantes, colapso da economia e destruindo o que restou de democracia na Venezuela.

Por menor que seja (técnico), um crime de responsabilidade não pode ficar impune. Mesmo o processo de impeachment sendo traumático, a lei não pode ser ignorada.