Temer dá ultimato para caminhoneiros

Antes tarde do que nunca, o presidente Michel Temer falou da paralisação e bloqueio de caminhões que está provocando um caos em várias cidades, transtorno a produtores rurais, indústria e paralisando serviços públicos. Tentando mostrar que ainda está no comando, Temer falou que seu governo está aberto ao diálogo, como sempre, que não vai deixar acontecer desabastecimento e chama caminhoneiros para cumprir o acordo fechado ainda ontem entre o governo e líderes dos caminhoneiros.

Michel Temer deu um ultimato e ordenou uso das forças federais para remover bloqueios e desobstruir rodovias.

Se os caminhoneiros vão obedecer ainda não se sabe, mas Temer resolveu subir o tom, mesmo tarde e passando a sensação de estar meio perdido, para tentar mostrar que ainda tem autoridade. Os pronunciamentos do ano passado para se defender das denúncias mostravam o presidente com mais firmeza e vontade de lutar e se defender.

Este pronunciamento pareceu mais protocolar. Compreensível até para não criar um clima de guerra com caminhoneiros e pânico na população, mas o tom ameaçador pode ter efeito contrário.

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Apelo ao presidente Michel Temer

Excelentíssimo Presidente da República, Senhor Michel Temer, não deixe o seu o governo terminar de forma catastrófico. Sei que seu governo e o senhor foram vítimas de uma trama para derrubá-lo no ano de 2017 – ainda sofre com bombardeios diários maculando sua honra tanto pela imprensa como do Judiciário e ameaça de uma terceira denúncia – e teve que gastar seu cacife político no Congresso Nacional para evitar que “forças obscuras” conseguissem seu objetivo. O governo já não tem mais fôlego para aprovar nem pautar reformas mais do que necessárias, urgentes.

Mas, pode piorar e a onda de paralisações dos caminhoneiros tem potencial para provocar distúrbios nas cidades por falta de suprimentos básicos para o comercio e consumo. É preciso medidas rápidas e eficientes, com urgência. Se a situação não for resolvida rapidamente, pode começar a faltar suprimentos nas prateleiras, já começou nos aeroportos, aí que o caldo entorna de vez. E a reivindicação dos caminhoneiros não só é deles. A população em geral, principalmente a classe média e os mais pobres, não aguenta mais a escalda no preço da gasolina. Não queremos saber se a culpa é do preço do petróleo em dólares na Tonga da Mironga do Kabuletê ou se o “mercado” não vai gostar de medidas para conter essa subida.

Chega de pagar a conta (o pato) que não é nossa, seja da corrupção ou da volatilidade do mercado. Queremos um preço justo e que caiba dentro do orçamento cada vez mais apertado do brasileiro. O problema vai muito além de déficit fiscal. É a crise social que está se agravando com potencial para desaguar para desabastecimento de produtos. Olha o drama humanitário que os vizinhos da Venezuela estão sofrendo. Estamos longe da situação venezuelana, verdade, e muito graças ao rompimento de Temer com o governo Dilma, que era cúmplice da ditadura Maduro, proporcionando o impeachment, mas pensar só em equilibrar as finanças públicas e esquecer a população vulnerável não é aceitável.

Presidente Michel Temer, o senhor ainda tem alguns meses antes de entregar o cargo e contornar danos assim como fez ao assumir o comando do governo federal, por favor, faça algo e evite que seu governo termine como o de seu correligionário e “conselheiro informal” José Sarney: impopular e trágico socialmente.

Daniel Coelho: Escândalo JBS deixou Michel Temer “vegetando” no cargo

Há um ano, as gravações da JBS deixaram não apenas um país assustado com a dimensão dos diálogos que vieram a público, como também mostraram para todos situações que, lamentavelmente, acontecem e sempre aconteceram no Brasil. Não dá para deixar de ponderar como esses eventos ocorreram. Ali, se teve o que na linguagem popular poderia se chamar de um “flagrante preparado”. Ou seja, não havia uma situação espontânea, mas um criminoso – no caso, Joesley Batista – forçando uma situação para envolver políticos do mais alto escalão da República, nomes como o senador Aécio Neves e o presidente Michel Temer. Mas o fato de o flagrante ter sido preparado não exime ninguém da culpa. Até porque há um fato concreto em seguida, que é uma entrega de malas com dinheiro.

Hoje, o país tem como presidente da República uma pessoa que combina a entrega de uma mala de dinheiro ilegal para um assessor seu, um ex-deputado, uma pessoa com quem tinha um convívio pessoal. São muitas as consequências disso. Uma das mais sérias: o presidente não é levado a sério para muitos outros assuntos vitais para país, a ponto de pautas importantes para a recuperação econômica do Brasil ficarem prejudicadas.

As pautas do Congresso Nacional neste governo são postas em discussão e votação exclusivamente por iniciativa do presidente da Câmara, o deputado Rodrigo Maia. O presidente da República perdeu as condições de pautar o país, de escolher que matérias são mais relevantes para a nossa economia e isso sem nenhuma dúvida é uma situação atípica. Por mais que a gente tenha tido crises graves em outros governos, os presidentes nunca deixaram de pautar o Congresso. Hoje, Michel Temer não consegue fazer isso.

Lamentei que o Congresso não tenha aprovado o afastamento de Temer, porque acho que aquela era uma oportunidade de virar a página e, a partir daí, ser criada uma agenda de país, uma agenda de transição, que seria fundamental para que fosse entregue, em 2019, um país mais organizado e com suas contas equilibradas. Como não foi possível, espero que todo esse episódio da JBS sirva para uma reflexão do eleitor. E, a partir das próximas eleições, que ele possa ter mais critério na escolha de seus representantes, tanto no Legislativo, como na presidência da República.

De toda maneira, está comprovado que a corrupção é endêmica no país, é um fator que ultrapassa as questões partidárias. A gente sabe que existem uns partidos mais corruptos do que outros, mas está evidente que temos corruptos em todos os partidos. É fundamental que nesse momento haja união entre aqueles que querem um país decente e sem corrupção. E, com essa união, possa ser apresentada uma alternativa para o Brasil.

Daniel Coelho, deputado federal pelo PPS

2 anos de Temer

2 anos do governo do presidente Michel Temer. Se você me perguntar o que mudou de maio de 2016 a maio de 2018, eu direi que muita coisa. Algumas para melhor e outras para pior. Mas que mudou, com certeza mudou.

No primeiro ano, Temer levava o barco com uma certa tranquilidade graças a ampla base que conseguiu forma no Congresso e estava conseguindo aprovar reformas importantes. Turbulências aqui e ali, mas o presidente conseguia blindar o Planalto delas até pela sua característica de habilidade política, o que falta na sua antecessora.

Temer vinha aprovando mudanças na governança nas estatais, as tornando mais profissionais e menos políticas, a reforma do ensino médio parada desde 1999, um teto para gastos públicos limitando a inflação do ano anterior, reajustou – não acontecia desde 2014 – o Bolsa Família em mais de 10% assim que assumiu o governo ainda de formar interina, reforma trabalhista pronta para aprovação e da Previdência Social estava pronta para ir para votação no plenário da Câmara. E a inflação que Temer pegou em quase dois dígitos e a levou ao centro da meta, terminando 2017 abaixo de 3%.

Mas no fatídico dia 17 de maio de 2017, o furacão JBS veio com força total devastando a estabilidade do governo. A conversa entre Joesley Batista com o presidente Temer quase custou o curto mandato. O furacão perdeu força, mas suas consequências, entre elas duas denúncias criminais por corrupção, organização criminosa e obstrução de justiça, levaram Temer a queimar quase todos os cartuchos para barrar as denúncias na Câmara. A popularidade do governo e do presidente, que já não eram grandes coisas, desabaram e nunca mais se recuperaram. E ainda há inquéritos abertos e uma possível terceira denúncia vindo aí.

O presidente teve que escolher entre sobreviver, mesmo com seu governo em frangalhos, ou aprovar reformas. Aliás, um erro grave da equipe econômica foi começar as reformas pelo teto e não pela base. Reforma da Previdência era para ter sido colocada em pauta assim que Temer assumiu a presidência definitivamente, em agosto de 2016. Foi um erro fatal da equipe econômica ter começado as reformas pelo teto e não na raiz do déficit público.

No campo econômico, apesar de toda tormenta, a desvantagem do governo Temer para o governo anterior é na questão do emprego. É o grande gargalo que a equipe econômica não conseguiu derrubar nos últimos dois anos. Excetuando o desemprego, todos os índices econômicos são favoráveis a Temer.

Dilma Rousseff foi derrubada pelo conjunto da obra – perda de apoio político, popular e escândalos de corrupção – sob o pretexto jurídico das ditas “pedaladas ficais” para aprovar o impeachment por crime de responsabilidade. Mais do que isso, Dilma caiu por ter levado o Brasil a dois PIBs negativos, uma inflação de 10% provocada pelo estelionato eleitoral que depois da eleição teve que liberar preços represados de combustíveis e energia, no último caso o sistema energético foi quebrado pelo populismo irresponsável nas Medidas Provisórias para baixar a conta de luz na marra. Em síntese, maquiagem nas contas públicas para ser reeleita. Também a farra no BNDES para “empresas amigas” e governos aliados ideologicamente ao PT, que agora dão calote no Brasil e o brasileiro que vai pagar mais essa conta.

Se Temer é ruim, Dilma foi uma tragédia, e Lula foi quem a colocou lá. Colocou os dois, diga-se. A presidência de Michel Temer era um “mal necessário” para estancar a sangria não de “lava jato”, mas do caos econômico provocado pela irresponsabilidade e populismo, foi bem sucedido até Janot e cia deflagarem o golpe fatal nas pretensões políticas, econômicas e eleitorais do governo Temer.

Presidente Temer faz pronunciamento de candidato

Presidente Michel Temer fez um pronunciamento duro em defesa da democracia, do Estado Democrático de Direito e de seu governo. Foi um pronunciamento de candidato (perdeu, Meirelles), de quem está disposto a encarar uma eleição para não apanhar calado dos candidatos mesmo a aprovação do governo abaixo de 10% e da imagem do presidente em quase 90% no negativo.

Temer falou para seus opositores, só que não só no campo político enaltecendo conquistas nos 2 anos que está no cargo, mas princialmente a oposição que sofre na imprensa quase que diariamente e no Judiciário, que a procuradora-geral indicada pelo próprio presidente pode fazer uma nova denúncia criminal, diferente das outras duas não tem como sugerir uma conspiração do antecessor de Raquel Dodge, Rodrigo Janot.

O pronunciamento colaria na população se fosse outro presidente, um popular. As conquistas em tão pouco tempo deste governo – inflação abaixo da meta do BC, uma modernização na lei trabalhista que começa a render frutos na geração de empregos, retomada do crescimento após recessão de 2015 e 2016, reforma do ensino médio parada desde a década de 1990 aprovada – impulsionaria qualquer presidente a ser favorito para reeleição. Mas Temer sofre com desgaste da sua imagem, do seu governo e fogo de todos os lados.