Temer parte para o ataque. Alvos: JBS e PGR

Michel Temer resolveu apostar suas fichas no ataque contra JBS e PGR. Em novo pronunciamento no Palácio Planalto, o presidente fez um duro discurso de resistência as denúncias que deixaram seu governo por um fio.

Temer praticamente desafiou a justiça brasileira a prender os irmãos Batista, executivos da empresa e arquivar o inquérito contra ele.

Editora do Painel da Folha de São Paulo, Daniela Lima escreveu no Twitter: Temer lança uma versão engravatada do “deixa o homem trabalhar”. A referência é ao slogan de Lula na campanha de reeleição de 2006. É o que Temer se agarra para permanecer no governo: uma nova troca de governo pode jogar fora a recuperação da economia.

O problema é que são denúncias da maior gravidade que nem reformas necessárias podem salvar um governo moribundo.

Editorial Jornal O Globo – renúncia do presidente

Jornal O Globo publicou um editorial pedindo a renúncia imediata do presidente Michel Temer

Um presidente da República aceita receber a visita de um megaempresário alvo de cinco operações da Polícia Federal que apuram o pagamento de milhões em propinas entregues a autoridades públicas, inclusive a aliados do próprio presidente. O encontro não é às claras, no Palácio do Planalto, com agenda pública. Ele se dá quase às onze horas da noite na residência do presidente, de forma clandestina. Ao sair, o empresário combina novos encontros do tipo, e se vangloria do esquema que deu certo: “Fui chegando, eles abriram. Nem perguntaram o meu nome”. A simples decisão de recebê-lo já guardaria boa dose de escândalo. Mas houve mais, muito mais.

Em diálogo que revela intimidade entre os dois, o empresário quer saber como anda a relação do presidente com um ex-deputado, ex-aliado do presidente, preso há meses, acusado de se deixar corromper por milhões. Este ex-deputado, em outro inquérito, é acusado inclusive de receber propina do empresário para facilitar a vida de suas empresas no FI-FGTS da Caixa Econômica Federal. O presidente se mostra amuado, e lembra que o ex-deputado tentou fustigá-lo, ao torná-lo testemunha de defesa com perguntas que o próprio juiz vetou por acreditar que elas tinham por objetivo intimidá-lo.

Ao ouvir esse relato do presidente, o empresário procura tranquilizá-lo mostrando os préstimos que fez. Diz, abertamente, que “zerou” as “pendências” com o ex-deputado, que tinha ido “firme” contra ele na cobrança. E que ao zerar as pendências, tirou-o “da frente”. Mais tarde um pouco, em outro trecho, diz que conseguiu “ficar de bem” com ele. Como o presidente reage? Com um incentivo: “Tem que manter isso, viu?”

Não é preciso grande esforço para entender o significado dessa sequência de diálogos. Afinal, que pendências, senão o pagamento de propinas ainda não entregues, pode ter o empresário com um ex-deputado preso por corrupção? Que objetivo terá tido o empresário quando afirmou que, zerando as pendências, conseguiu ficar de bem com ele, senão tranquilizar o presidente quanto ao fato de que, com aquelas providências, conseguiu mantê-lo quieto? E, por fim, que significado pode ter o incentivo do presidente (“tem que manter isso, viu”), senão uma advertência para que o empresário continue com as pendências zeradas, tirando o ex-deputado da frente e se mantendo bem com ele?

Esses diálogos falam por si e bastariam para fazer ruir a imagem de integridade moral que o presidente tem orgulho de cultivar. Mas houve mais. O empresário relata as suas agruras com a Justiça, e, abertamente, narra ao presidente alguns êxitos que suas práticas de corrupção lhe permitiram ter. Conta que tem em mãos dois juízes, que lhe facilitam a vida, e um procurador, que lhe repassa informações. Um escândalo. O que faz o presidente? Expulsa o empresário de sua casa e o denuncia as autoridades? Não. Exclama, satisfeito: “Ótimo, ótimo”.

Não é tudo, porém. Em menos de 40 minutos de conversa, o empresário ainda encontra tempo para se queixar de um ex-funcionário seu, atual ministro da Fazenda. Diz, com desfaçatez, que tem enfrentado resistência no ministro da Fazenda para conseguir a troca dos mais altos funcionários do governo na área econômica: o secretário da Receita Federal, a presidente do BNDES, o presidente do Cade e o presidente da CVM. Pede, então, que seja autorizado a usar o nome do presidente quando for novamente ao ministro da Fazenda com tais pleitos. O que faz o presidente? Manda-o embora, indignado? Não, de forma alguma. O presidente autoriza: “Pode fazer”.

Este jornal apoiou desde o primeiro instante o projeto reformista do presidente Michel Temer. Acreditou e acredita que, mais do que dele, o projeto é dos brasileiros, porque somente ele fará o Brasil encontrar o caminho do crescimento, fundamental para o bem-estar de todos os brasileiros. As reformas são essenciais para conduzir o país para a estabilidade política, para a paz social e para o normal funcionamento de nossas instituições. Tal projeto fará o país chegar a 2018 maduro para fazer a escolha do futuro presidente do país num ambiente de normalidade política e econômica.

Mas a crença nesse projeto não pode levar ao autoengano, à cegueira, a virar as costas para a verdade. Não pode levar ao desrespeito a princípios morais e éticos. Esses diálogos expõem, com clareza cristalina, o significado do encontro clandestino do presidente Michel Temer com o empresário Joesley Batista. Ao abrir as portas de sua casa ao empresário, o presidente abriu também as portas para a sua derrocada. E tornou verossímeis as delações da Odebrecht, divulgadas recentemente, e as de Joesley, que vieram agora a público.

Nenhum cidadão, cônscio das obrigações da cidadania, pode deixar de reconhecer que o presidente perdeu as condições morais, éticas, políticas e administrativas para continuar governando o Brasil. Há os que pensam que o fim deste governo provocará, mais uma vez, o atraso da tão esperada estabilidade, do tão almejado crescimento econômico, da tão sonhada paz social. Mas é justamente o contrário. A realidade não é aquilo que sonhamos, mas aquilo que vivemos. Fingir que o escândalo não passa de uma inocente conversa entre amigos, iludir-se achando que é melhor tapar o nariz e ver as reformas logo aprovadas, tomar o caminho hipócrita de que nada tão fora da rotina aconteceu não é uma opção. Fazer isso, além de contribuir para a perpetuação de práticas que têm sido a desgraça do nosso país, não apressará o projeto de reformas de que o Brasil necessita desesperadamente. Será, isso sim, a razão para que ele seja mais uma vez postergado. Só um governo com condições morais e éticas pode levá-lo adiante. Quanto mais rapidamente esse novo governo estiver instalado, de acordo com o que determina a Constituição, tanto melhor.

A renúncia é uma decisão unilateral do presidente. Se desejar, não o que é melhor para si, mas para o país, esta acabará sendo a decisão que Michel Temer tomará. É o que os cidadãos de bem esperam dele. Se não o fizer, arrastará o Brasil a uma crise política ainda mais profunda que, ninguém se engane, chegará, contudo, ao mesmo resultado, seja pelo impeachment, seja por denúncia acolhida pelo Supremo Tribunal Federal. O caminho pela frente não será fácil. Mas, se há um consolo, é que a Constituição cidadã de 1988 tem o roteiro para percorrê-lo. O Brasil deve se manter integralmente fiel a ela, sem inovações ou atalhos, e enfrentar a realidade sem ilusões vãs. E, passo a passo, chegar ao futuro de bem-estar que toda a nação deseja.

Temer descarta renúncia

O presidente Michel Temer disse que não renuncia em pronunciamento no Palácio do Planalto. “[…] Não renunciarei. Sei o que fiz. Exijo investigação plena e muito rápida, para esclarecimento do povo brasileiro”, disse Temer.

Temer acusou a gravação de Joesley Batista de “clandestina” e disse que vai se defender no STF. Finalizou dizendo que seu único compromisso é com o Brasil, e só este compromisso o guiará.

Temer se agarrou nos índices que mostram começo da recuperação econômica – já desandou com a bomba de quarta-feira. A Bolsa de Valores despencou quase 10% e o dólar voou alto para quase R$ 4,00. Na verdade, Temer jogou gasolina no incêndio, seu governo não tem mais sustentação.

Movimentos, tanto de esquerda como de direita, já convocaram manifestação para o domingo, 21. A depender do tamanho desta manifestação e andamento do abandono dos ministros, além do conteúdo do áudio, Temer pode ter tido seu dia de Collor e Dilma em resistir ao inevitável: a queda.

FIM

Já era para o governo Temer. Não tem a menor condição depois da bomba atômica divulgada com exclusividade pelo Jornal O Globo. A saída, digamos, menos traumática é a renúncia de Michel Temer. Já! E as reformas necessárias ao país terão que ficar em stand-by e ver o que sai dos escombros.

Pensar que a República cairia via Odebrecht. Realmente é explosivo o que tem nas delações da empreiteira. Mas comparadas com essa dos sócios da JBS, foi um “traque”. Quem apertou o botão final e explodiu a República foi Joesley Batista.

Ruim com Temer, pior sem ele

O governo do presidente Michel Temer completou 1 ano no último dia 12/05. Muitas análises se o país melhorou, piorou ou ficou na mesma situação, além de reclamações e choradeira dos de sempre.

Há um tripé no impeachment de Dilma: 1) baixa popularidade, pelos escândalos de corrupção em série, a crise econômica aguda e o estelionato eleitoral; 2) perda de apoio parlamentar; 3) as denúncias que fundamentaram o afastamento. É bom deixar claro que as denúncias que fundamentaram o impeachment foram comprovadas nos meses de discussão no Congresso, apesar de alguns insistirem que “pedalada fiscal” e decreto para suplementação de crédito sem autorização dos parlamentares não são crimes de responsabilidade ou suficientes para afastar uma presidente legitimamente eleita.

Essa discussão já está superada (será julgada ação da defesa de Dilma no STF ainda) e a discussão nova é a possível cassação pelo TSE da chapa eleita. O MPE reiterou o pedido para cassar o mandato de Temer e deixar Dilma inelegível por oito anos. E o ministro relator Herman Benjamin também já liberou o relatório para os seus pares com a tendência de pedir a cassação, sem separação de chapa, no seu relatório. A bola está com o presidente do tribunal Gilmar Mendes marcar a data do julgamento.

Constitucionalmente, se Temer cair no julgamento do TSE, não será possível realizar eleição direta para um mandato tampão. Mas é tão confusa essa questão que não duvido que o tribunal resolva fazer nova eleição direta e não indireta (por deputados e senadores) como manda a Constituição.

Com todos os problemas e os defeitos do governo Temer – há muitos -, um dos principais motivos da queda de Dilma está começando a render frutos: freio na brutal recessão e volta do crescimento. E não vejo outro nome possível fora do presidente Temer, para essa travessia difícil.

PS: Mais uma notícia boa: Intenção de Consumo das Famílias aumenta 11,1% na comparação anual

PS2: Logo após publicação do post, Gilmar Mendes, presidente do TSE, remarcou o julgamento para 6 de junho, com quatro sessões