A dependência da esquerda ao lulopetismo

A esquerda não consegue superar o PT e, principalmente, Lula. No último dia 12 de julho de 2017, o juiz da Justiça Federal de Curitiba/PR, Sergio Moro sentenciou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 9 anos e meio de cadeia, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro envolvendo o “caso do triplex” no Guarujá/SP. Mas não decretou prisão preventiva e deixou para o TRF da 4ª Região, em Porto Alegre/RS, decidir.

É claro que houve muita comemoração daqueles que há 3 anos esperavam pela provável primeira condenação – ainda há outras quatro ações em várias varas e inquéritos contra Lula. Mas houve muita indignação por parte da defesa do ex-presidente, do próprio, do PT, da militância e de muitos que se decepcionaram com Lula e o petismo no governo, mas verem inconsistências na sentença de Moro e falta de uma prova definitiva especificamente neste caso.

Lula e o PT ainda simbolizam a luta por justiça social pelo simbolismo que foi um retirante nordestino e operário chegar ao cargo máximo da República. E, também, pelos milhões que passaram de miseráveis a uma vida mais digna em seu governo. Como foi dito aqui, existem vários partidos formados por dissidentes do Partido dos Trabalhadores, o que dificulta formarem suas próprias bandeiras sem vínculo com o petismo.

Porém, a esquerda precisa com urgência deixar essa dependência ao lulopetismo, sob o risco da derrota na eleição municipal de 2016 não ser um caso isolado e passar a ser uma regra por muitos anos e décadas. Por mais que o “Mito Lula” seja forte, ele está cada dia mais reduzido a um nicho e pode levar a esquerda junto.

A falência da “Guerra Às Drogas”

Por Marco Bianchi

O aparelho estatal nunca conseguiu (nem de longe) eliminar o tráfico de drogas, mesmo porque ao tráfico de drogas ilícitas nunca faltou freguesia! A proibição não impede que quem queira droga ilícita ache e consuma, é fato.

Aí a principal vítima do proibicionismo acaba sendo o pobre habitante das periferias, onde o mercado paralelo se instala na base da tirania clandestina, domina o território e afasta dali o poder público.

E quem não usa droga também paga o pato, porque financia um gasto estratosférico com aparato policial tentando controlar o incontrolável!
Aí o efeito nocivo da droga, que (na legalidade) seria só do drogado, atinge indiscriminadamente a todos.

Portanto, regular substâncias (como a maconha) não é de interesse apenas dos usuários, é de interesse de toda a sociedade.

Regulamentar é diferente de liberar geral, é ter regulamento, é enfraquecer o traficante e permitir à sociedade torrar menos verbas tentando em vão combater o tráfico.

Regulamentar é arrecadar impostos, ter controle de qualidade, disciplinar o consumo, tratar dependentes…

Olha… Eu odeio teoria conspiratória, mas deduzo que fazer das tripas-coração para proibir uma simples erva-daninha atende (antes de mais nada) ao poderoso lobby da indústria farmacêutica, cujos remédios à base de ópio e morfina seriam e são substituíveis por princípios psicoativos da Cannabis em suas diversas formas de consumo: gotinhas, biscoito, chiclete, cigarrinho de artista…

“Imoral da história”: Não sou do Green Peace, mas defendo incondicionalmente a natureza e o verde, seja no campo de futebol, seja no campo das liberdades pessoais.

Datafolha: direita não aproveitou o vácuo da esquerda com impeachment

Pesquisa Datafolha mostra que a disputa ideológica no Brasil voltou a um equilíbrio diminuído com a crise ética do PT. Por causa dessa crise ética que se abateu no petismo toda a esquerda foi afetada por tabela e candidatos próximos de ideias mais à esquerda perderam as eleições municipais de 2016. Passado pouco mais de um ano do impeachment de Dilma Rousseff, no entanto, há um equilíbrio entre ideias mais perto de direita e esquerda e até os números de simpatizantes do PT voltam a crescer. A grande questão é o motivo dessa sobrevida do petismo e essa dependência da esquerda com o PT.

O mais próximo que posso imaginar é que o PT foi o único partido de raiz criado na redemocratização. O Partido dos Trabalhadores foi criado por vários segmentos da sociedade, de várias tendências de esquerda – socialista, humanista e sindical. Essas multi tendências fizeram com que os demais partidos com tendência de esquerda e centro-esquerda surgissem do PT, de dissidentes do petismo – PSOL, PSTU, PCO, REDE. Mesmo esses partidos tentando se desvincular do PT, a sua origem é muito forte ao petismo. E entre o “original” e os “genéricos”, o povo opta pelo “original”.

Por que a direita não aproveitou o vácuo da esquerda?

Basicamente, por dois fatores: a crise social que corrói ganhos da última década que foram originados de outros governos, como o Plano Real no governo Itamar Franco e reforma administrativa e privatizações no governo FHC, mas consolidados nos governos do PT, como Bolsa Família e outros programas de distribuição de renda. Também colabora a falta de representatividade do governo Michel Temer (PMDB) para quem tem afinidade ideológica por posições de direita e centro-direita, principalmente pela corrupção. O segundo ponto se estende para todos os partidos mais próximos da direita e centro-direita.

Ao mesmo tempo que o brasileiro médio é conservador em temas comportamentais, ele também é sensível nos temas como tolerância aos homossexuais (74%), imigrantes (70%), contra a pena de morte (55%) e acha que a pobreza está ligada à falta de oportunidades (77%).

Qual país mais liberal e mais estatista na Copa das Confederações 2017?

Começou a Copa das Confederações 2017, um torneio teste com as seleções campeões dos seis continentes um ano antes da Copa do Mundo. Na estreia, a anfitriã Rússia bateu a campeã da Oceania, a Nova Zelândia, por 2 a 0.

Resolvi comparar essas seleções com as posições de seus respectivos países no Índice de Liberdade Econômica (Index of Economic Freedom) da Heritage Foundation.

Se no campo a Nova Zelândia é a favorita para ser a pior seleção do torneio, já no campo de liberdade econômica é campeã [3º no geral], e Camarões o país com menor liberdade econômica entre os oito representados que estão na Rússia.

Destaque para o representante sul-americano Chile, 3º colocado entre os oito e 7º no ranking geral. O Brasil, que não está disputando esta edição da Copa das Confederações, está na posição 118º. Só ganha da Rússia e Camarões entre os participantes do torneio de futebol.

Estado Essencial

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Há três anos eu era um social-democrata, de esquerda. Mas, hoje, me identifico mais à direita. Por que essa mudança em pouco tempo? Vários fatores que me fizeram deslocar no pêndulo ideológico. Um deles é que eu vi que não gosto nada de uma esquerda que vive muito lacrando na internet. E passei a valorizar mais a responsabilidade fiscal, muito pelo desastre do excesso de intervencionismo na economia que a Nova Matriz Econômica praticada pelo governo da ex-presidente Dilma Rousseff deixou.

No entanto, ainda me identifico como social-democrata. Não defendo o Estado Mínimo, como os liberais, nem o Estado Zero, como os libertários e anarcocapitalistas. O que eu defendo é uma harmonia entre Capital e Trabalho, um meio-termo que destrave essa burocracia insana sem prejudicar direitos consagrados dos trabalhadores. Podemos chamar de social-liberal. Muitos chamam isso de “isentão”, de praticar “carteirada”, mas é só não ser extremista, um radical de direita ou esquerda. Defendo privatizações de empresas públicas (não defendia antes e/ou defendia com parcimônia) porque não vejo motivo de governos administrarem empresas quando milhões de pessoas vivem com esgoto na porta de casa.

É de chorar quando é despejado esgoto em um rio e ele ficar impossibilitado de ser usado para consumo humano e para negócios (indústria/agricultura/agropecuária), justamente em uma época de escassez de água cada vez mais comum. Como bem escreve Benedito Ruy Barbosa nas suas novelas: “O homem é o único animal que cospe na água que bebe. O homem é o único animal que mata para não comer. O homem é o único animal que corta a árvore que lhe dá sombra e frutos. Por isso, está se condenando à morte”.

Não posso ser a favor de governos que destroem as contas públicas porque essa destruição prejudica não só o governo, mas o país e seu povo, principalmente os mais pobres. Também não posso ser a favor do Estado Mínimo quando vejo esgoto escorrendo nas ruas das cidades seja grande, pequena ou na periferia. O Estado tem que ser presente no essencial para servir à população e não o contrário, a população servir o Estado, e os políticos. Muitos de esquerda querem construir a “casa” pelo “teto”, ou seja, acabar com a desigualdade social, mas só diminui a desigualdade construindo a “casa” com bases sólidas e não com populismo e socialismo de boutique ou lacradas na internet. Aos poucos, o brasileiro vai aprendendo que crescimento insustentável é maléfico e gera crises.