Debate Nando Moura x Arthur do Val

Muito bom o longo debate entre Nando Moura e Arthur do Val (Mamãe Falei). Tudo começou com uma troca de vídeos e terminou em um excelente debate realizado sábado (26) na sede do Direita São Paulo. Quem propôs o debate e as regras foi o Arthur, Nando topou. Nando achou que o Arthur estava “refugando”, mas ele não correu mesmo o debate sendo em um ambiente nada favorável ao Arthur. O debate ficou muito extenso e está publicado no canal do Nando Moura (vídeo abaixo).

Mas vale assistir e tirar suas próprias impressões de quem ganhou, perdeu e tirar dúvidas sobre o Mamãe Falei e o MBL depois da também longa entrevista do advogado Cléber Teixeira ao próprio Nando Moura.

Não acho que houve um vencedor. O Nando falou o que pensava cara a cara com o Arthur e o mesmo teve a oportunidade de responder acuações do ex-advogado do vereador Fernando Holiday, entre outros “desafetos” do MBL. Arthur se saiu bem nas respostas, ele não ficou intimidado nem foi para um embate vingativo. Perguntas sobre aborto deixaram o Arthur sem uma resposta mais incisiva, o que é compreensível por ser um tema polêmico e difícil. Nas perguntas sobre as acusações contra o MBL, sobre a família Bolsonaro e eleições, ele foi bem. O debate foi essencial para a direita e seus vários campos debater temas importantes e intrigas sem hipocrisia, que, aliás, o pessoal do Canal Hipócritas foi quem mediou.

Todas as frentes de direita não vão se unir nem foi o propósito do debate. Mas ficaram bem nítidas as diferenças e convergências entre conservadores e liberais. Até porque debate é discussão de ideias e ideais e não um encontro com Fátima Bernardes de amigos com pensamentos iguais.

Anúncios

Liberais de “biblioteca” unidos com a esquerda contra MBL

É sempre o mesmo roteiro. Quando jornalistas são questionados a resposta é sempre a vitimização. Uma forte reação contra a censura disfarçada de combate as fake news mostrou quem são essas agências de fact-checking. Como não poderia ser diferente, estão acusando o MBL (sempre o “bode expiatório”…) de promover um achaque contra jornalistas das agências de checagem de fatos. Não é verdade. O movimento apenas mostrou todo o ranço ideológico e controvérsias das agências simbolicamente representadas aqui.

O que mais chama atenção é que os ataques contra o MBL não partem só da esquerda e extrema-esquerda e da velha mídia, mas muitos de liberais que divergem das práticas e opiniões do movimento. É a turma do bloco dos “isentões”, a turma que só fica na retórica e posts, lives de rede social. A turma que fica fazendo gráficos e gráficos que a maioria da população não faz a menor ideia.

Enquanto isso, os garotos do MBL – associados ou simples simpatizantes – estão na luta há 3 anos e conseguiram o que o PSDB tenta desde 2002 e fracassa sempre: derrotar o PT. Articulando manifestações gigantes nas ruas e atuação institucional no Congresso, o MBL conseguiu o impeachment de Dilma Rousseff, faz pressão contra projetos que vão contra o desejo popular – regulação dos aplicativos de transportes, por exemplo – e conseguiu levar uma multidão em pleno meio de semana para protestar na véspera que o STF julgaria um HC contra prisão de Lula. Maioria dos ministros negou o habeas corpus e Lula está preso desde o dia 7 de abril em Curitiba.

A última vitória do movimento foi o cancelamento, por liminar, dos benefícios que Lula tem direito por ser ex-presidente. Advogado do MBL, Rubens Nunes entrou com uma ação popular argumentando que não tem sentido razoável motorista, seguranças e assessores custeados pelo governo se Lula está preso.

Se dependesse só dos “liberais de biblioteca” o Brasil ainda estaria nas mãos do PT, a caminho de se tornar uma Venezuela gigante. Internamente petistas lamentam que Lula não tenha feito o que fez Hugo Chávez: fechar o cerco contra a imprensa livre e aparelhar Forças Armadas.

“Liberteens” e “isentões ponderados” não gostam do MBL não só por divergências de pensamentos, o que é normal em uma democracia consolidada. O feio é agir assim para parecer ponderado e não perder amigos mais de esquerda. Outros movimentos (Livres e Mercado Popular) se julgam “verdadeiros liberais” e são contra o conservadorismo do MBL, agora colocando na balança os serviços prestados de cada movimento ao país, é uma surra de relho, um 7×1 a favor do MBL.

Ministério Público virou censor de novelas

O Ministério Público do Trabalho não satisfeito em atrapalhar empresários e quem emprega resolveu interferir no elenco da próxima novela da Rede Globo – Segundo Sol.

Em tom ameaçador, MPT deu 45 dias para Globo cumprir Notificação Recomendatória de 12 páginas e 14 recomendações ou a emissora prestará esclarecimentos em audiência. Entre as medidas está até realizar um censo para saber quantos negros trabalham na emissora.

Como é que é? O Ministério Público virou censor de novela? Que maravilha. Não falta mais nada em Banânia. Essa notificação do MP é abjeta. É censura em nome de boas intenções. E o prior é que a emissora é vítima do próprio veneno do politicamente correto ideológico que invadiu a Rede Globo nos últimos anos.

Seguindo a sua nova linha editorial, a Rede Globo não vai denunciar a censura que está sofrendo do Ministério público. Pelo contrário, a empresa militante da luta por diversidade na TV vai se agachar e obedecer o censor fazendo tudo que “recomendar”. Uma ditadura não nasce de um dia para o outro nem necessariamente precisa ser oficial. Ditaduras começam tirando a liberdade de pequenas coisas, interferindo aqui e ali no livre arbítrio de uma sociedade.

A intolerância está ganhando

O que aconteceu no acampamento batizado de Marisa Letícia, de militantes do PT em apoio ao ex-presidente Lula é o ápice da barbaridade que se tornou a política brasileira. Um meliante passou atirando randomicamente e acertou Jéferson no pescoço, que agora está correndo risco de perder a vida e mais uma pessoa de raspão.

É um direito achar um absurdo montar acampamento perto da Polícia Federal para defender um condenado pela justiça, assim como é um direito quem quer fazer isso. A democracia permite os dois modos de pensar. O que a democracia não permite é alguém pegar uma arma e atirar contra os ocupantes do acampamento.

O ataque ao acampamento legitima os militantes a queimarem pneus fechando vias em protesto e é reforçado na demora das autoridades competentes na resposta de identificar os responsáveis os punindo.

Muitos alertas que a intolerância de parte a parte não acabaria bem. O que vivemos hoje é o que foi plantando lá atrás. Tanto o “nós x eles” do PT, como essa onda de achar que o rival político e ideológico é inimigo e é preciso eliminar nem que seja na bala. A democracia e o Estado Democrático de Direito sangram no Brasil não pela prisão de Lula ou o impeachment de Dilma, mas porque o fascismo foi semeado principalmente na internet.

Muitos exemplos que a beligerância saiu da internet para às ruas. No dia que Sérgio Moro expediu ordem judicial contra Lula, um manifestante contra Lula foi agredido na porta do Instituto Lula batendo a cabeça em um caminhão que passava tendo traumatismo craniano; tiros na caravana de Lula pelo sul.

Quando um pré-candidato ao mais alto cargo da República faz gesto imitando uma arma para um boneco satírico ao um ex-presidente está insuflando apoiadores fanáticos a fazer barbaridades. Quando a presidente do partido que ficou mais de 10 anos no poder ou a ex-presidente do país sujam a reputação das instituições brasileiras pelo mundo elas alimentam essa disputa insana que tomou conta do Brasil.

São feridas que cicatrizam, mas nunca serão apagadas.

Desunião

Não tem um “grupo” que se sabota mais do que a direita brasileira. Enquanto isso, a esquerda se une e planeja frentes pensando na eleição mesmo com fortes divergências. O que liberais que estão mais para social-democratas (esquerda/centro-esquerda) estão fazendo com o João Amoêdo é se unindo com a esquerda para fuzilar sua candidatura e o crescimento do partido Novo. Não sou do Novo, não vou votar no Amoêdo (provavelmente), mas entendi muito bem o que ele quis dizer sobre a diferença salarial mulheres x homens, de que o Estado não deve interferir em uma questão interna das empresas e mais liberal do que a fala dele não existe.

Manuela D’ávila e Marcelo Freixo não pensam duas vezes em tirar foto com Lula ou ser contra o “golpe” que afastou o PT do poder. Enquanto isso, os liberais colocam o orgulho acima da causa. A direita tem muito a aprender com a esquerda em matéria de união, de não colocar ideais acima de questões práticas se quiser vencer uma eleição. E não é fazer de tudo para vencer o jogo eleitoral. É ter inteligência. Pragmatismo não é doença e em determinada circunstância é a única saída.

A turma que não sabe nada de política e muito menos de eleição não vota em Jair Bolsonaro porque é “extremista reacionário e estatista”; não vota no João Amoêdo, “fora da realidade”; Flávio Rocha é “conservador”; Marina Silva “não é liberal e é ‘cria’ do PT”.

Essa direita vai continuar apanhando na urna e se perguntando o motivo de apanhar. Vai ficar assistindo a esquerda ganhar mais uma eleição e ser governado pelo segundo “poste” do Lula ou pelo próprio – quem sabe… Ou esse bombardeio no Amoêdo e candidaturas concorrentes de Geraldo Alckmin e Henrique Meirelles é apenas é militando (pago ou não)?

Desconfio muito de gente que se preocupa mais em igualdade de salários entre homens e mulheres ou querendo agradar aquela turma de amigos de esquerda do tempo de escola ignorando as necessidades básicas e urgentes de um país como Brasil, que tem mais de 60 mil homicídios por ano, uma corrupção endêmica e institucionalizada, desemprego de mais de 10 milhões, dívida pública não parando de crescer.

O trabalhador que acorda 5 da manhã para trabalhar está preocupado em conseguir voltar para casa com vida. De não ser assaltado e morto no ponto do ônibus ou na estão no metrô, até mesmo na porta de casa. Está preocupado como pagar suas contas e que o dinheiro contado do seu salário dure até o fim do mês para sobrevivência de sua família.

Todo o resto é supérfluo.