Liberais de “biblioteca” unidos com a esquerda contra MBL

É sempre o mesmo roteiro. Quando jornalistas são questionados a resposta é sempre a vitimização. Uma forte reação contra a censura disfarçada de combate as fake news mostrou quem são essas agências de fact-checking. Como não poderia ser diferente, estão acusando o MBL (sempre o “bode expiatório”…) de promover um achaque contra jornalistas das agências de checagem de fatos. Não é verdade. O movimento apenas mostrou todo o ranço ideológico e controvérsias das agências simbolicamente representadas aqui.

O que mais chama atenção é que os ataques contra o MBL não partem só da esquerda e extrema-esquerda e da velha mídia, mas muitos de liberais que divergem das práticas e opiniões do movimento. É a turma do bloco dos “isentões”, a turma que só fica na retórica e posts, lives de rede social. A turma que fica fazendo gráficos e gráficos que a maioria da população não faz a menor ideia.

Enquanto isso, os garotos do MBL – associados ou simples simpatizantes – estão na luta há 3 anos e conseguiram o que o PSDB tenta desde 2002 e fracassa sempre: derrotar o PT. Articulando manifestações gigantes nas ruas e atuação institucional no Congresso, o MBL conseguiu o impeachment de Dilma Rousseff, faz pressão contra projetos que vão contra o desejo popular – regulação dos aplicativos de transportes, por exemplo – e conseguiu levar uma multidão em pleno meio de semana para protestar na véspera que o STF julgaria um HC contra prisão de Lula. Maioria dos ministros negou o habeas corpus e Lula está preso desde o dia 7 de abril em Curitiba.

A última vitória do movimento foi o cancelamento, por liminar, dos benefícios que Lula tem direito por ser ex-presidente. Advogado do MBL, Rubens Nunes entrou com uma ação popular argumentando que não tem sentido razoável motorista, seguranças e assessores custeados pelo governo se Lula está preso.

Se dependesse só dos “liberais de biblioteca” o Brasil ainda estaria nas mãos do PT, a caminho de se tornar uma Venezuela gigante. Internamente petistas lamentam que Lula não tenha feito o que fez Hugo Chávez: fechar o cerco contra a imprensa livre e aparelhar Forças Armadas.

“Liberteens” e “isentões ponderados” não gostam do MBL não só por divergências de pensamentos, o que é normal em uma democracia consolidada. O feio é agir assim para parecer ponderado e não perder amigos mais de esquerda. Outros movimentos (Livres e Mercado Popular) se julgam “verdadeiros liberais” e são contra o conservadorismo do MBL, agora colocando na balança os serviços prestados de cada movimento ao país, é uma surra de relho, um 7×1 a favor do MBL.

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Ministério Público virou censor de novelas

O Ministério Público do Trabalho não satisfeito em atrapalhar empresários e quem emprega resolveu interferir no elenco da próxima novela da Rede Globo – Segundo Sol.

Em tom ameaçador, MPT deu 45 dias para Globo cumprir Notificação Recomendatória de 12 páginas e 14 recomendações ou a emissora prestará esclarecimentos em audiência. Entre as medidas está até realizar um censo para saber quantos negros trabalham na emissora.

Como é que é? O Ministério Público virou censor de novela? Que maravilha. Não falta mais nada em Banânia. Essa notificação do MP é abjeta. É censura em nome de boas intenções. E o prior é que a emissora é vítima do próprio veneno do politicamente correto ideológico que invadiu a Rede Globo nos últimos anos.

Seguindo a sua nova linha editorial, a Rede Globo não vai denunciar a censura que está sofrendo do Ministério público. Pelo contrário, a empresa militante da luta por diversidade na TV vai se agachar e obedecer o censor fazendo tudo que “recomendar”. Uma ditadura não nasce de um dia para o outro nem necessariamente precisa ser oficial. Ditaduras começam tirando a liberdade de pequenas coisas, interferindo aqui e ali no livre arbítrio de uma sociedade.

A intolerância está ganhando

O que aconteceu no acampamento batizado de Marisa Letícia, de militantes do PT em apoio ao ex-presidente Lula é o ápice da barbaridade que se tornou a política brasileira. Um meliante passou atirando randomicamente e acertou Jéferson no pescoço, que agora está correndo risco de perder a vida e mais uma pessoa de raspão.

É um direito achar um absurdo montar acampamento perto da Polícia Federal para defender um condenado pela justiça, assim como é um direito quem quer fazer isso. A democracia permite os dois modos de pensar. O que a democracia não permite é alguém pegar uma arma e atirar contra os ocupantes do acampamento.

O ataque ao acampamento legitima os militantes a queimarem pneus fechando vias em protesto e é reforçado na demora das autoridades competentes na resposta de identificar os responsáveis os punindo.

Muitos alertas que a intolerância de parte a parte não acabaria bem. O que vivemos hoje é o que foi plantando lá atrás. Tanto o “nós x eles” do PT, como essa onda de achar que o rival político e ideológico é inimigo e é preciso eliminar nem que seja na bala. A democracia e o Estado Democrático de Direito sangram no Brasil não pela prisão de Lula ou o impeachment de Dilma, mas porque o fascismo foi semeado principalmente na internet.

Muitos exemplos que a beligerância saiu da internet para às ruas. No dia que Sérgio Moro expediu ordem judicial contra Lula, um manifestante contra Lula foi agredido na porta do Instituto Lula batendo a cabeça em um caminhão que passava tendo traumatismo craniano; tiros na caravana de Lula pelo sul.

Quando um pré-candidato ao mais alto cargo da República faz gesto imitando uma arma para um boneco satírico ao um ex-presidente está insuflando apoiadores fanáticos a fazer barbaridades. Quando a presidente do partido que ficou mais de 10 anos no poder ou a ex-presidente do país sujam a reputação das instituições brasileiras pelo mundo elas alimentam essa disputa insana que tomou conta do Brasil.

São feridas que cicatrizam, mas nunca serão apagadas.

Ninguém tem obrigação de custear o hobby dos outros

No jogo Santos e Corinthians, no último domingo, um apagão interrompeu a partida por quase uma hora e não foi a primeira vez em 2018. Logicamente, jornalistas contrários ao prefeito João Doria (PSDB) e a concessão do estádio Paulo Machado de Carvalho, o Pacaembu, começaram a teoria de sucateamento do estádio para viabilizar a sua privatização – “golpe”, para iluminados que não disfarçam suas ideologias.

O estádio do Pacaembu é de 1940. Como é tombado, ele não pode passar por uma reforma que descaracterize sua atual forma. É um estádio antigo que ainda usa banheiro químico (inacreditável) para torcedores e subutilizado por conta das novas e modernas arenas de Palmeiras e Corinthians – São Paulo já tinha o Morumbi. Sem o Santos para mandar jogos na capital, o Pacaembu estaria completamente sem utilidade, já que os moradores do bairro não aceitam shows no estádio.

Fora essa questão estética, a parte econômica e filosófica é a mais importante. Não é ético a pessoa achar que o poder público tenha que manter um estádio de futebol por ideologia, por ser paixão nacional ou identidade da nação. Se o Pacaembu não fosse tombado, eu prefeito mandava era demolir aquilo. Mas entrega-lo à iniciativa privada resolve. Não pode um trambolho tirar dinheiro da saúde, por exemplo.

Futebol é maravilhoso, eu gosto. O que não significa que os contribuintes tenham que subsidiar um estádio para meu lazer ou quem não gosta de futebol custear o hobby de quem gosta.

A foto e a narrativa

Uma imagem na capa do jornal Folha de São Paulo da última quarta-feira comoveu a internet. Crianças tiveram mochilas revistadas por soldados do Exército. É comum traficantes usarem crianças para várias funções no tráfico, inclusive usar bolsas de estudantes para transportar drogas. Por que não? Quem suspeitaria?

Não aconteceu nada com as crianças. A imagem de uma garotinha negra com cara de espanto olhando para um soldado choca no primeiro momento. Quem garante, porém, que o olhar dela é de medo? Pode ser até de admiração e, mais provável, de curiosidade.

Mas a imagem viralizou na velocidade de uma bala e oportunistas contrários a usar Forças Armadas no papel de polícia e contra a intervenção federal na segurança do Rio logo ficaram revoltados com tal procedimento. Mais engraçado é a revolta por vistoria nas mochilas de crianças e nada de se revoltar contra traficantes que usam crianças para vários serviços do tráfico, inclusive transportar drogas na mochila de estudantes.

Para essa turma de revoltadinhos traficante é “vítima” de uma política que fracassou – guerra às drogas – e o melhor é liberar ou descriminalizar a maconha, até drogas pesadas. Para essa turma se combate o crime organizado com vídeo de imagens bonitas ao som de Imagine, flores, texto e hashtag em rede social.

No fundo, artistas como Gregorio Duvivier e os playboy da zona sul estão com medo da intervenção sufocar o comércio de drogas e do preço da maconha subir ou ficar escasso. Quem compra drogas financia o tráfico e suja as mãos de sangue das vítimas de bala perdida, dentre elas crianças, centenas de polícias mortos só em 2017.

Os “descolados” estão pouco se importando com o Rio, se a cidade, o estado e o país vivem uma guerra civil não declarada. A turma só quer “fumar, cheirar, lacrar, comer, berber e meter” ouvindo Pabllo Vittar e Anitta. Quem explora a foto não está nem aí com a criança, desde que ajude a propagar as ideias e a vencer a narrativa.