Estado Essencial

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Há três anos eu era um social-democrata, de esquerda. Mas, hoje, me identifico mais à direita. Por que essa mudança em pouco tempo? Vários fatores que me fizeram deslocar no pêndulo ideológico. Um deles é que eu vi que não gosto nada de uma esquerda que vive muito lacrando na internet. E passei a valorizar mais a responsabilidade fiscal, muito pelo desastre do excesso de intervencionismo na economia que a Nova Matriz Econômica praticada pelo governo da ex-presidente Dilma Rousseff deixou.

No entanto, ainda me identifico como social-democrata. Não defendo o Estado Mínimo, como os liberais, nem o Estado Zero, como os libertários e anarcocapitalistas. O que eu defendo é uma harmonia entre Capital e Trabalho, um meio-termo que destrave essa burocracia insana sem prejudicar direitos consagrados dos trabalhadores. Podemos chamar de social-liberal. Muitos chamam isso de “isentão”, de praticar “carteirada”, mas é só não ser extremista, um radical de direita ou esquerda. Defendo privatizações de empresas públicas (não defendia antes e/ou defendia com parcimônia) porque não vejo motivo de governos administrarem empresas quando milhões de pessoas vivem com esgoto na porta de casa.

É de chorar quando é despejado esgoto em um rio e ele ficar impossibilitado de ser usado para consumo humano e para negócios (indústria/agricultura/agropecuária), justamente em uma época de escassez de água cada vez mais comum. Como bem escreve Benedito Ruy Barbosa nas suas novelas: “O homem é o único animal que cospe na água que bebe. O homem é o único animal que mata para não comer. O homem é o único animal que corta a árvore que lhe dá sombra e frutos. Por isso, está se condenando à morte”.

Não posso ser a favor de governos que destroem as contas públicas porque essa destruição prejudica não só o governo, mas o país e seu povo, principalmente os mais pobres. Também não posso ser a favor do Estado Mínimo quando vejo esgoto escorrendo nas ruas das cidades seja grande, pequena ou na periferia. O Estado tem que ser presente no essencial para servir à população e não o contrário, a população servir o Estado, e os políticos. Muitos de esquerda querem construir a “casa” pelo “teto”, ou seja, acabar com a desigualdade social, mas só diminui a desigualdade construindo a “casa” com bases sólidas e não com populismo e socialismo de boutique ou lacradas na internet. Aos poucos, o brasileiro vai aprendendo que crescimento insustentável é maléfico e gera crises.

Escola sem partido

escola sem partidoEstá tendo muita distorção sobre o projeto de lei que está no Senado Federal, o projeto “Escola sem partido “, alguns por desconhecimento do que é, de fato, o projeto e outros por má-fé, mesmo. O projeto “Escola sem partido” é para livrar as escolas da doutrinação ideológica e partidária. Essa doutrinação fez a cabeça de uma geração, distorcendo fatos e colocando uma ideologia como se fosse melhor que a outra.

Toda ideologia tem suas virtudes e defeitos, mas nas últimas décadas só foi ensinado as virtudes de uma e os defeitos da outra. É preciso mudar e deixar que o aluno escolha qual ideologia deseja seguir.

O “Escola sem partido” não é contra uma ideologia específica ou partido político, mas é justamente para acabar com essa desigualdade nas escolas e nos livros de história. O “Escola sem partido” é para não existir livros do MEC para lá de tendenciosos enaltecendo o socialismo marxismo em detrimento do capitalismo. E não é para colocar o capitalismo como solução para o mundo em detrimento do socialismo ou qualquer outra ideologia, nem é censura. O professor não pode levar para sala de aula a sua preferência ideológica ou partidária. “Escola sem partido” não é para fazer analfabetos políticos. É para evitar que continue a produção de zumbis de uma ideologia que defendem um partido cegamente e, ao invés disso, ser um cidadão politizado e crítico.

A escola tem que ser um lugar de aprendizado, mas não só do que o professor gosta ou como gostaria que fosse o mundo. Pode mostrar os ensinamentos de Marx para os alunos, mas tem que ensinar os de Mises também. O “Escola sem partido” é para evitar distorções como neste vídeo.

Apesar de você amanhã há de ser outro dia

Não queria meter minha colher nessa cumbuca, mas não consigo. Lamentável o que fizeram no show de Claudio Botelho. Não justifica paralisar um show porque o artista fez uma crítica a políticos.

E sobre ele ter sido racista. Acho de verdade que ele queria dizer “nego” e não “negro”. E se ele não se atrapalhou que pague na justiça pelo ato racista. Pior ainda é o Chico Buarque proibir Claudio Botelho de usar suas canções.

Chico Buarque a cada ação se torna mais lambe botas do PT. Lamentável que o cara que criou músicas símbolos da luta contra a ditadura militar, a favor da democracia e liberdade jogue tudo na privada para defesa de um partido.

Millôr Fernandes que tinha razão sobre o Chico: Eu desconfio de todo idealista que lucra com seu ideal. Chico Buarque vive atualmente das suas ótimas canções do tempo da ditadura. Nunca mais fez uma com o sucesso e qualidade de antes.

Chico faz com suas músicas o que bem entender, se autoriza o uso delas ou não. Mas o “mito” de lutador por democracia e liberdade cai ao cancelar autorização por política. E merece ser criticado.

O caso Quitandinha confirma que todas as discussões na internet viram dicotomias

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O linchamento virtual ainda vai provocar uma grande tragédia. O que estão fazendo com a Quitandinha, bar da Vila Madalena/SP, é lamentável. Vem uma denúncia via redes sociais e já preparam as pedras sem o direito de defesa do dono do bar. Uma denúncia mal explicada e correm para fazer evento em Facebbok contra o estabelecimento ignorando os rapazes que supostamente cometeram o assédio. Nota 0 (ZERO) para esse neo-ativismo virtual.

O bar publicou um vídeo desmentindo o relato publicado em textão no Facebook de que o local cometeu negligência. Aí entro no Twitter e vejo que Quitandinha está nos TTs – Trending Topics. Clico e dou de cara com tweets colocando defeitos no vídeo e também que quando “reaças e misóginos estão de um lado, você tem que ficar do outro lado”. Como se fosse uma disputa do Bem contra o Mal. A internet transformou qualquer discussão em uma dicotomia, seja uma discussão de política, de TV ou tipos de comida.

De toda essa polêmica tiro uma conclusão: você pode mostrar todas as provas possíveis desmentindo um fato para um feminista (homem ou mulher) que não vai adiantar nada. Quem tem um conceito pré-definido e uma opinião formada não vai mudar seu posicionamento. Pode esgotar todos os seus argumentos fundamentados em provas definitivas, mas será o mesmo que falar para uma parede, ou seja, perda de tempo. Além do desgaste físico, mental e distanciamento caso a pessoa com qual for discutir for próxima a você.

Menos ideologia, mais racionalidade

capa_veja_EikeEmpréstimos generosos com juros camaradas do BNDES para empresários ficaram conhecidos popularmente como “Bolsa Empresário”, porque muitos que recebem essa ajudinha do governo não precisam. Enquanto o médio e pequeno empresário não recebe nada. Pelo contrário, esses ficam com a responsabilidade de pagar os impostos e as barreiras impostas por uma burocracia insana.

Há, também, o nome de Capitalismo de Estado. O governo escolhe alguns empresários para se capacitarem e disputar mercado com as multinacionais. É dado o nome a esse grupo de empresários escolhidos pelo governo de “campeões nacionais”. E o maior símbolo desse modelo no Brasil é o empresário Eike Batista, que, de empresário com ambições grandiosas, passou a endividado e até processado pela justiça por fraude no mercado financeiro. Ele tinha muita proximidade com o governo brasileiro e doava cifras generosas ao PT.

O Capitalismo de Estado é um gancho para falar de um primo seu que é o Estado gigante. Ninguém com um pouco de noção de economia pode ser favorável a um Estado obeso, perdulário, ineficiente, e isso não é ser favorável ao Estado mínimo. Não é preciso ser economista para saber que um Estado onipresente deixa a desejar nos serviços mais básicos – saúde, educação, segurança pública, combate à miséria, etc.

Não sou favorável à política de “campeões nacionais”, ou seja, ao Capitalismo de Estado, mas também não sou a favor do “tem que ensinar a pescar, não dá o peixe”. Sou favorável a um modelo que não tenha privilégios estatais a um grupo seleto de empresários, políticos e militantes partidários, mas o Estado tem o dever de amparar quem precisa e não teve muitas chances na vida.

Esse posicionamento é liberal, de centro, centro-esquerda ou centro-direita? Pouco importa a ideologia. Não se pode ficar preso na velha polarização capitalismo e comunismo, do “bem contra o mal”. Quem ainda pensa na velha polarização direita e esquerda do tempo da guerra fria é retrógrado.

A ditadura deixou uma cicatriz difícil de curar, talvez nunca se cure. Mas vai chegar a hora de virar a página, de olhar para frente, para o futuro e não para o passado. Já passou, aliás. O revanchismo que boa parte da parte da esquerda pratica só faz a cicatriz sangrar ainda mais.

Não quero que esqueçam o passado, muito longe disso. Quem não tem passado não tem futuro. É preciso lembrar o golpe de 1964 e da ditadura militar, que boa parte do país que temos hoje é fruto daquele golpe, para não se repetirem nunca mais. O sentimento de vingança, no entanto, é dispensável. E não faz bem para a união da nação.

É inútil argumentar com a esquerda retrógrada. Para a nossa esquerda jurássica, as Forças Armadas estão preparando um novo golpe para instalar uma ditadura militar. A extrema direita, os acéfalos que pedem a volta dos militares ao poder, e a esquerda jurássica são duas faces da mesma moeda.

Os extremistas são antes de tudo estúpidos. Acrescento que, além de estúpidos, são neuróticos.