Facebook atenta contra soberania brasileira em nome do combate a perfis falsos

O Facebook, de forma autoritária, derrubou 196 páginas e 87 contas de pessoas ligadas ao Movimento Brasil Livre – MBL e outros. Na justificativa alegou que os administradores “escondia das pessoas a natureza e a origem de seu conteúdo com o propósito de gerar divisão e espalhar desinformação”. O MBL postou no Twitter do movimento uma nota que contradiz a rede social do Mr. Zuckerberg.

Não é de hoje que os ataques por parte da grande mídia e empresas de rede social contra as chamadas mídias alternativas acontecem, mas agora é mais ousada na tentativa de calar vozes que encontraram na internet canal para expressar suas opiniões, descontentamento, emoções, sentimentos, alegria, trabalho, fúria e, sim, preconceito. A ordem é combater as “fake news”, o discurso de ódio, exceto se for da mesma linha ideológica deles, aí se fazem de surdo, cego e mudo.

Até o presidente do Tribunal Superior Eleitoral – TSE, Luiz Fux, foi levado ao erro ao dizer que abriria procedimento investigatório com base em um relatório – ironia – “fake news” da Universidade de São Paulo – USP – e falou até em anulação da eleição se comprovado que um candidato venceu com ajuda de notícias falsas. Os coordenadores do Monitor do Debate Político no Meio Digital da universidade – que são nada admiradores do MBL, pelo contrário – tiveram que desmentir e dizer que nunca existiu estudo sobre maiores propagadores de notícias falsas na rede.

O Facebook, uma empresa americana, está interferindo no debate político na internet na véspera de iniciar uma campanha eleitoral das mais tensas e decisivas do Brasil, com a desculpa de combater perfis falsos. É gravíssimo e o Congresso Nacional tem que chamar os responsáveis da empresa no Brasil, ou até mesmo Mark Zuckerberg, para explicar o que aconteceu. Ele já teve que comparecer nos parlamentos dos EUA e União Europeia no escândalo Cambridge Analytica.

Mais grave é a desculpa do banimento: gerar divisão de pensamento é, segundo o Facebook, “espalhar desinformação”. É uma decisão obscura, incoerente e em um momento delicado.

Mas existe uma galera liberal libertária, fundamentalista e os anarcocapitalistas com papo de “liberdade da empresa agir como bem querer”. Fora a esquerda se aproveitando para impor sua narrativa. Não é assim que a banda toca. Livre mercado é ter um ambiente fácil para quem quer empreender, gerar empregos e lucrar. Só que existe um negócio chamado de responsabilidade, de respeito ao contrato com clientes. Uma empresa – ainda mais estrangeira – não pode ferir as leis do país, o que está fazendo o Facebook.

Você tem o direito de ter divergências e não gostar do MBL. Eu tenho algumas, apesar de mais concordar do que discordar da linha de pensamento do movimento. Aplaudir e fazer chacota do que aconteceu com integrantes do MBL mostra que seu farol moral está torto. Hoje é com eles, amanhã é com você e depois com todos! É a liberdade de expressão, democracia e a soberania nacional que estão em jogo.

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Entrevista: Marlos Ápyus

Marlos Ápyus é formado em jornalismo na UFRN e também estudou Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas na CEFET-RN. Natural de Mossoró (RN), Marlos é mais um nordestino que foi morar em São Paulo. Se destacou na internet como editor do site político Implicante, que fazia uma dura (até mais que a oposição política) oposição ao governo Dilma Rousseff, tanto que o site chegou a estrelar uma matéria na Folha de São Paulo em 2015, com um tom acusatório, por a empresa de um membro do site ter prestado serviço ao governo de São Paulo, governado pelo PSDB. Marlos Ápyus está na luta contra teses de esquerda dominantes na imprensa. Ultimamente escrevia para o site Senso Incomum e criou o Políticas Info. Também já escreveu alguns textos para este blog, em 2013 e 2014.

A seguir, uma entrevista que ele concedeu ao Brasil Decide.

Você tem muita influencia na internet e luta contra o monopólio da comunicação e o viés esquerdista da grande imprensa, está ganhando ou perdendo essa guerra?

Ganhando em alguns aspectos, perdendo em outros. Havíamos encontrado um modelo que funcionava bem, inclusive financeiramente. Uma linguagem que permitia atingir milhões de leitores e ainda ter em contrapartida alguns trocados que ao menos pagavam o aluguel. Mas isso foi atacado pela imprensa tradicional. Ou seja… Essa luta hoje não é viável, estou em situação financeira bem complicada, sigo apenas por “amor à causa”. Mas está cada vez mais claro que tínhamos razão na nossa luta, que a imprensa é viciada e conivente com a corrupção. Deixar isso claro à opinião pública é uma vitória.

O que você acha do conceito “fake news”?

É um termo forjado pela grande imprensa para jogar contra o adversário dela aquilo que ela tanto praticava. E com finalidade de censura mesmo. Para não perder o oligopólio da narrativa. Sempre se contou mentira na política, a esquerda é especialista nisso, cresceu com isso, reelegeu Dilma espalhando mentiras… Mas, quando começou a ser derrotada por projetos independentes que delineavam tais mentiras, passou a acusar o adversário daquilo que ela fazia. É uma jogada baixa de almas pequenas. É triste, mas não surpreende.

Como combater as “fake news” sem cair na censura?

Não se combate a mentira censurando o mentiroso, mas falando mais alto do que ele. O padrão da esquerda é derrubar o perfil, a página, calar o parlamentar, ameaçar de prisão. O perfil da direita é justamente o contrário, é gritar ao máximo para o mundo que o mentiroso está mentindo, compartilhando a mentira e fazendo chacota dela.

Quero crer que isso mostra bem qual lado de fato defende a liberdade.

Você chegou a propor uma união na direita para a eleição, ainda acha que é possível ou é inviável?

Só vale a pena unir a direita por uma eleição democrática se essa direita aceitar que a democracia é o único caminho que nos retirará desta crise. Se a direita tem interesse em usar a democracia para justamente acabar com a democracia, como fez a esquerda da Venezuela, por exemplo, eu prefiro que fique longe, lá longe.

E é com muito pesar que reconheço me sentir como uma voz minoritária aqui na direita.

Na sua visão, a eleição está mais para um candidato de direita ou esquerda; liberal/conservador ou progressista?

Se um candidato de centro-esquerda vencer, já será uma vitória da direita. Porque o eixo terá se deslocado levemente para a direita. E, desde 2002, só a esquerda vence disputa presidencial. Não se vai da esquerda à direita sem passar pelo centro.

Mas, caso isso ocorra, a direita infelizmente não perceberá isso. Porque é verde, e nem é oliva, é apenas imatura mesmo, não entende que o jogo político requer décadas de luta, que é uma maratona e não uma prova de cem metros rasos.

Eu prefiro que essa direita amadureça mais um pouco antes de acumular tanto poder.

Qual sua perspectiva para o próximo mandato presidencial?

Teremos um presidente que receberá a maioria dos votos. Ou seja… Que terá, antes de assumido, feito um bom trabalho de convencimento da opinião pública. Por mais que eu entenda que tecnicamente Michel Temer recebeu os mesmos votos de Dilma Rousseff, esse diálogo entre Temer e o brasileiro nunca ocorreu, e isso é péssimo.

Então espero que os próximos quatro anos sejam melhores que os últimos dois.

Concorda com aqueles que dizem que o futuro presidente poderá sofrer impeachment?

O PT derrubou Collor colocando alguns balões da CUT na rua e chamando aquilo de povo brasileiro. A classe média derrubou Dilma colocando um milhão e meio de brasileiros na avenida Paulista. É este o novo piso. Quem quiser derrubar o próximo presidente sabe que precisa antes bater esta meta. E não é uma meta fácil.

Qual o maior erro do presidente Michel Temer para esse recorde de rejeição (comunicação?) e se teve algum acerto na sua opinião.

Há na política brasileira quatro grandes grupos de pressão: imprensa, mercado, políticos e opinião pública. O PT sabia que tinha o apoio da imprensa de graça. E o usou para conquistar a opinião pública com mentiras. Por fora, comprou o mercado com BNDES e os políticos com petrolões. Mesmo com este jogo fisiológico em voga, o PT viveu a demonizar a imprensa e o mercado. Porque tem interesses ditatoriais e sabia que estes seriam obstáculos ao projeto totalitário de poder.

Temer ao menos encarou o mercado como uma força a se respeitar. Sabe que dele depende a geração de emprego e a saúde financeira da nação. E que nenhum país se desenvolveu demonizando o mercado.

Foi talvez o único acerto. E ainda assim não acertou em cheio, tanto que se deu a algumas lambanças quando a poeira começou a sentar.

O maior erro foi não entender que o tempo em que aceitávamos corrupção impunemente acabou. Quer a qualquer custo, e o STF é o maior comparsa desta missão, voltar à situação anterior, quando roubavam sem qualquer receio. Não há qualquer chance de o Brasil voltar àquilo. Insistir neste caminho é insistir na própria destruição.

Para fechar, explane sobre o futuro da mídia tradição e alternativa.

Essa briga lembra um pouco o duelo entre cooperativas de táxi e aplicativos, taxistas e motoristas de Uber, ou serviços de streaming e canais pagos. É o tradicional contra a alternativa criada pela internet. Nos três exemplos anteriores, aprenderam a conviver, ainda que sigam adversários um do outro.

É o que espero também deste embate atual.

Bolha

Brasil está acéfalo de poder e à deriva. O presidente perdeu a autoridade, já tinha perdido apoio no parlamento. A paralisação dos caminhoneiros saiu do controle. O governo negociou com quem não representa os caminhoneiros. Temer deu ultimato e ficou desmoralizado ainda mais. Oportunistas tentam jogar o caos só na conta do Pedro Parente e do “golpe” que afastou Dilma Rousseff, fingindo que a gestão dela levou a empresa para o buraco com uma política irresponsável e criminosa.

Na outra ponta temos liberais de quermesse que não conhecem a realidade de um país continental, vivem numa bolha e pensam que o Estado mínimo do mínimo é a solução para todos os problemas. Não conhecem lugares que não se sustentam sem o Estado. Também temos a versão do “governismo doente” a favor de um governo com 7% de aprovação popular, que tudo é armação para um golpe.

Alguns liberais brasileiros são tarados por lucro e preferem pagar 5 reais na gasolina, além de ignorarem que pessoas passaram a cozinhar em fogo a lenha/carvão pelo preço impagável do botijão de gás. A Petrobras (que não deve mirar só o lucro de seus acionistas) é uma empresa de sociedade mista e a política de Pedro Parente é voltada para quem não precisa do Estado.

Enquanto for estatal e deter o monopólio do setor energético, a Petrobras não pode só pensar como uma empresa privada e deixar os preços dos combustíveis a bel prazer do inconstante dólar e do cada vez mais instável barril do petróleo.

Defensores da tese que o “mercado” tudo resolve reclamam de políticos oportunistas com discurso populista. Todo político faz discurso para o povo independente da coloração ideológica. Políticos não podem virar as costas para os desejos da população. O bom político e gestor público é aquele que sabe dosar o interesse do povo/eleitor com o interesse público. Ou seja, não comprometer as finanças públicas sem fechar os olhos para o anseio popular. Quem acha o contrário é quem não gosta e entende de política, que acha que governos só devem olhar apenas para o “mercado”.

Talvez tenha sido o maior erro de nascença do governo do presidente Michel Temer. Como o governo nasceu não de uma eleição e sim fruto de um impeachment, com forte apoio do empresariado e promessas de reformas que agradaria o “mercado”, a direção da política econômica – e a política na Petrobras está inserida – guinou total só para um lado gerando forte impopularidade contra o presidente.

A reforma trabalhista é um exemplo. O governo enviou uma reforma enxuta ao Congresso Nacional discutida com sindicatos, só que o patronal redigiu uma ampla reforma que mexeria com centenas de artigos da CLT e o relator Rogério Marinho (PSDB/RN) foi apenas o “testa de ferro” rasgando a reforma proposta do governo. E o governo não reclamou da descaracterização do projeto inicial.

O estado não pode ser paquidérmico. Mas o Estado precisa existir e ter mecanismos para servir quem precisa dele. Administrar um governo como se fosse uma empresa privada só mesmo na cabeça de individualistas ególatras e liberal que vive na sua bolha desconhecendo como vive o povo dos rincões.

Liberais de “biblioteca” unidos com a esquerda contra MBL

É sempre o mesmo roteiro. Quando jornalistas são questionados a resposta é sempre a vitimização. Uma forte reação contra a censura disfarçada de combate as fake news mostrou quem são essas agências de fact-checking. Como não poderia ser diferente, estão acusando o MBL (sempre o “bode expiatório”…) de promover um achaque contra jornalistas das agências de checagem de fatos. Não é verdade. O movimento apenas mostrou todo o ranço ideológico e controvérsias das agências simbolicamente representadas aqui.

O que mais chama atenção é que os ataques contra o MBL não partem só da esquerda e extrema-esquerda e da velha mídia, mas muitos de liberais que divergem das práticas e opiniões do movimento. É a turma do bloco dos “isentões”, a turma que só fica na retórica e posts, lives de rede social. A turma que fica fazendo gráficos e gráficos que a maioria da população não faz a menor ideia.

Enquanto isso, os garotos do MBL – associados ou simples simpatizantes – estão na luta há 3 anos e conseguiram o que o PSDB tenta desde 2002 e fracassa sempre: derrotar o PT. Articulando manifestações gigantes nas ruas e atuação institucional no Congresso, o MBL conseguiu o impeachment de Dilma Rousseff, faz pressão contra projetos que vão contra o desejo popular – regulação dos aplicativos de transportes, por exemplo – e conseguiu levar uma multidão em pleno meio de semana para protestar na véspera que o STF julgaria um HC contra prisão de Lula. Maioria dos ministros negou o habeas corpus e Lula está preso desde o dia 7 de abril em Curitiba.

A última vitória do movimento foi o cancelamento, por liminar, dos benefícios que Lula tem direito por ser ex-presidente. Advogado do MBL, Rubens Nunes entrou com uma ação popular argumentando que não tem sentido razoável motorista, seguranças e assessores custeados pelo governo se Lula está preso.

Se dependesse só dos “liberais de biblioteca” o Brasil ainda estaria nas mãos do PT, a caminho de se tornar uma Venezuela gigante. Internamente petistas lamentam que Lula não tenha feito o que fez Hugo Chávez: fechar o cerco contra a imprensa livre e aparelhar Forças Armadas.

“Liberteens” e “isentões ponderados” não gostam do MBL não só por divergências de pensamentos, o que é normal em uma democracia consolidada. O feio é agir assim para parecer ponderado e não perder amigos mais de esquerda. Outros movimentos (Livres e Mercado Popular) se julgam “verdadeiros liberais” e são contra o conservadorismo do MBL, agora colocando na balança os serviços prestados de cada movimento ao país, é uma surra de relho, um 7×1 a favor do MBL.

União contra censura

A rede social de Mark Zuckerberg está preparando uma parceira com agências de checagens de fatos para verificar se postagens são “fake news” e, caso sendo, diminuir o alcance de público delas.

Tudo muito bonito e de boas intenções (que o inferno está superlotado delas…). Se não fosse por um detalhe: agências responsáveis são enviesadas ideologicamente. Agência Lupa e Aos Fatos serão responsáveis de julgar se postagens são falsas. A Agência Lupa se orgulha de ser “a primeira especializada em fact-checking do país”, é de propriedade da Revista Piauí e fica hospedada no Portal UOL, que por sua vez é do Grupo Folha, de linha editorial clara de centro-esquerda e às vezes de esquerda pura.

Além disso, o próprio Zuckerberg já admitiu no Senado americano que integrantes do Facebook tem predominância de esquerda. Ele é acusado, inclusive, de “tocar a empresa como uma ditadura”.

Desde o Brexit e a eleição de Donald Trump, a grande mídia nacional e internacional culpam as “fake news” espalhadas pela rede pela vitória dos separatistas britânicos e de Trump, há uma campanha para regular a internet, principalmente as redes sociais.

Separar o joio do trigo é salutar e muito importante, o problema é a linha muito tênue entre regular e censurar. Quem vai fiscalizar quem fiscaliza? O grande perigo é uma postagem ganhar o selo “fake news” e o desempenho da página ser sufocada até ficar inutilizada apenas por causa do posicionamento politico-ideológico das postagens.

Os libertários dizem que não se trata de censura, porque é uma empresa privada e faz o que bem entender, que é só procurar outra rede e o mercado pune a empresa de Zuck. Dos mesmos que dizem que não existe corrupção no setor privado e defendem abertamente sonegação por ideologia (“imposto é roubo”, essa tontice fantasiosa).

Identificar uma notícia falsa é fácil e não precisa de agência. Perigo mesmo é uma notícia deturpada de um grande veículo de comunicação, de uma notícia com viés político disfarçado de prestação de serviço, uma meia-verdade é muito mais perigosa do que uma mentira inteira.

Todas as batalhas políticas de 2015 pra cá a esquerda perdeu. Impeachment, eleições 2016, reforma trabalhista e fim do imposto sindical obrigatário, PEC do teto público, reforma do ensino médio. De olho nas eleições de outubro investem numa campanha difamatória pesada contra movimentos de direita, com apoio da grande mídia – no caso da imprensa também é medo de concorrência e perder ainda mais terreno para mídias alternativas.

Por pelo menos 50 anos a direita ficou sufocada enquanto a esquerda aumentava tentáculos em toda sociedade, no meio intelectual, artístico, cultural, político, acadêmico e econômico. Com a internet tal domínio começou a ser quebrado. Mas ainda falta muito caminho. Chegou a hora da direita deixar um pouco de brigas. Não importa qual candidato grupos de direita vai apoiar. Agora é era de se unir porque o outro lado está unido como meio de derrotar a direita que ganhou força de 2013 pra cá graças à internet. Se continuarem essa briga fratricida liberais x conservadores, a esquerda agradece. Ou a direita terá que se conformar em ficar mais 50 anos marginalizada, sufocada politicamente e estigmatizada como “fabricadora de fake news”.

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Depoimento em que Mark Zuckerberg admite que o Vale do Silíco, local da sede do Facebook, é “extremamente esquerdista”