A dependência da esquerda ao lulopetismo

A esquerda não consegue superar o PT e, principalmente, Lula. No último dia 12 de julho de 2017, o juiz da Justiça Federal de Curitiba/PR, Sergio Moro sentenciou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 9 anos e meio de cadeia, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro envolvendo o “caso do triplex” no Guarujá/SP. Mas não decretou prisão preventiva e deixou para o TRF da 4ª Região, em Porto Alegre/RS, decidir.

É claro que houve muita comemoração daqueles que há 3 anos esperavam pela provável primeira condenação – ainda há outras quatro ações em várias varas e inquéritos contra Lula. Mas houve muita indignação por parte da defesa do ex-presidente, do próprio, do PT, da militância e de muitos que se decepcionaram com Lula e o petismo no governo, mas verem inconsistências na sentença de Moro e falta de uma prova definitiva especificamente neste caso.

Lula e o PT ainda simbolizam a luta por justiça social pelo simbolismo que foi um retirante nordestino e operário chegar ao cargo máximo da República. E, também, pelos milhões que passaram de miseráveis a uma vida mais digna em seu governo. Como foi dito aqui, existem vários partidos formados por dissidentes do Partido dos Trabalhadores, o que dificulta formarem suas próprias bandeiras sem vínculo com o petismo.

Porém, a esquerda precisa com urgência deixar essa dependência ao lulopetismo, sob o risco da derrota na eleição municipal de 2016 não ser um caso isolado e passar a ser uma regra por muitos anos e décadas. Por mais que o “Mito Lula” seja forte, ele está cada dia mais reduzido a um nicho e pode levar a esquerda junto.

Anúncios

Há caminho fora dos pólos e extremos

Preisdente Temer

Gostei da fala do presidente interino Michel Temer ao empossar os novos presidentes do BNDES, Banco do Brasil, Caixa, Petrobras e IPEA. Parece discurso do “nem de direita, nem de esquerda”, mas não é. É olhar para frente. É superar essa disputa entre direita e esquerda do passado.

A nova ordem pede políticas públicas eficientes. E não tem como fazer isso com um Estado obeso, gigante, onipresente na economia. Não significa diminuir o seu tamanho ao mínimo. Não significa privatizar tudo nem demonizar as privatizações. Significa otimizar a administração pública. E colocando na presidência e nas diretorias das estatais pessoas competentes e sérias, sem indicações políticas. É gerir as empresas estatais como se fossem privadas para servir ao povo, que é o sócio majoritário delas. Com administrações privadas, sem privatizar, talvez seja resgatada a credibilidade e não se repitam práticas nada republicanas.

Temer falou, também, que não falará de “herança de espécie nenhuma”. Gosto quando um novo governo não se esconde atrás dos erros do seu antecessor. É encarar o desafio posto ou pedir para sair. Até porque o presidente interino foi vice-presidente do governo afastado e o PMDB se beneficiou das práticas nada republicanas nas estatais desde a redemocratização em 1985.

Sobre interferência do governo na Lava-jato, sem chance. Nem se quisesse, o judiciário é independente.

Uma narrativa para interditar o debate

guerra-politica

Nesses tempos de Lava Jato com escândalos na política pegando em todos os partidos e ânimos à flor da pele nas redes e nas ruas a eterna discussão que um partido é mais protegido que os outros, que outros são “perseguidos”. A dita “perseguição” que petistas esbravejam é bobagem. O partido está na lama porque os seus membros fizeram por onde. O PT aparece nas manchetes dos jornais em escândalos gigantes de corrupção porque ele foi corrompido. E o partido chegou ao poder para acabar com a corrupção erguendo a bandeira da ética. O PT não inventou a corrupção, mas se incorporou e se lambuzou nela.

Na maioria dos casos quem pede punição para os “dois lados” na verdade está querendo é que um lado seja poupado e o outro punido com o rigor da lei.

Mas é fato também que tucanos têm digamos… uma benevolência quando estoura um escândalo no ninho deles. Compra de votos para a emenda da reeleição, mensalão mineiro, “trensalão” paulista, o “merendão” paulista deveria ser mais explorado pela imprensa. É um escândalo clichê – desvios de verba da merenda escolar – porém igual ou mais repugnante que o “petrolão” petista por mexer no dinheiro da educação.

Ao brigar com os fatos para defender um lado, esses engajados prestam um desserviço para o Brasil. Enquanto a disputa for para quem é menos sujo ou mais limpo, não avançaremos como civilização. Enquanto narrativas ditarem o debate, a mentira prevalecerá. E quem entra na narrativa que um grupo político joga no ar para tirar benefícios – racismo, pobres, machismo, gays – a pessoa só está servindo aos interesses desse grupo político e dividindo o país, e essa divisão cobrará um preço alto a todos.

A esquerda neurótica

Tiago Camilo ouro no judô categoria 90kg
Tiago Camilo ouro no judô categoria 90kg

Atletas brasileiros que ganharam medalhas nos Jogos Pan-americano de Toronto, no Canadá, foram envolvidos em polêmica que a esquerda brasileira adora criar. Ao subirem ao pódio para receberem a medalha, atletas militares que participaram dos Jogos Mundiais Militares Rio 2011 prestaram continência na execução do hino brasileiro, o que não vai contra regulamento ou norma nenhuma do COB ou do COI.

Mas a esquerda não perdeu a chance de fazer um daqueles textos de patrulha que fede a chorume. Prestar continência não é ideologia, é respeito à pátria. E também não é exaltação à ditadura militar. Não vamos sujar uma reputação de uma entidade como é o Exército que é muito importante para uma nação (principalmente uma nação com uma fronteira terrestre grande como o Brasil) confundindo coisas totalmente diferente.

A ditadura foi horrível e deixou chagas abertas até hoje, isso não é novidade e concordo. Mas não vamos confundir as coisas. Os atletas não estão endossando a ditadura e os crimes cometidos pelos militares daquela época sombria, que, o que entre nós, já estão os ossos.

A esquerda brasileira não gosta das Forças Armadas. É um direito, mas não é um direito misturar tudo para passar para a opinião pública que o Exército, a Marinha e a Aeronáutica só tem golpistas assassinos. É uma falácia.

A esquerda, protestos, manifestações, sandices e monopólio

movimento-passe-livre
Esquerda

Esquerdistas são os primeiros a saírem pelas ruas protestando por tudo que não concordam. As jornadas de junho 2013 marcaram uma onda de manifestações pelo país que começou com pequenos protestos de movimentos sociais contra o aumento de R$ 3 para R$ 3,20 na passagem de ônibus e metrô, em São Paulo. A forte repressão da PM paulista fez a grande maioria da população ficar do lado dos manifestantes e ir para rua engrossar os protestos.

Os protestos viraram uma catarse coletiva “contra tudo que está aí”, contra a corrupção, os péssimos serviços públicos. Os antipetistas viram a chance de levar para rua o sentimento de revolta contra o partido que está há 12 anos no poder. O MPL conseguiu um dos objetivos lá do início: foi revogado o aumento de R$ 0,20 nas passagem em várias capitais. Mas apareceram os chamados black blocs e passaram a quebrar o patrimônio público e privado, a tocar o terror quebrando tudo que “representa o capitalismo”. O MPL saiu das ruas acusando a extrema direita de se “apropriar das manifestações”.

Depois de uma eleição bastante polarizada e disputada, um sentimento de insatisfação com o resultado das urnas ganhou força, principalmente entre os antipetistas. Várias manifestações depois do segundo turno das eleições já foram feitas e devem continuar em 2015. Petistas, militantes e esquerdistas chamam essas manifestações de “golpe dos coxinhas-reacionários-fascistas” que não aceitam que perderam. Agindo dessa forma a esquerda mostra que quer o monopólio das manifestações de rua.

Não importa se são 1 milhão, 100 mil, 10 mil, 5 mil, 500 ou 5 pessoas manifestando. Toda manifestação pacifica, seja de direita ou de esquerda, tem que ser respeitada. Há dois grupos nessas manifestações. Um é contra o PT e o governo Dilma: os que pedem punições aos envolvidos no escândalo na Petrobras, o “Petrolão”. E os saudosistas dos militares no poder falando sandices e pedindo “intervenção militar”. Apenas pessoas como Jair Bolsonaro pensam nisso. As Forças Armadas querem distância dessa gente. A ordem institucional está sólida. A democracia brasileira não corre risco de um novo golpe militar nem de cair numa ditadura “bolivariana comunista”.

manifestantes-em-sp-protestam-contra-dilma-e-escandalo-na-petrobras
Direita