Pesquisa desenha um provável segundo turno entre Jair Bolsonaro e Ciro Gomes

Pesquisa DataPoder360 coloca Bolsonaro e Ciro como provável duelo do segundo turno de 2018, mas nada é garantido em uma eleição tão imprevisível. E é a primeira sem o nome de Lula ser testado em nem um cenário. O ex-presidente está preso desde abril e inelegível pela Lei da Ficha Limpa.

Cenário 1
Jair Bolsonaro (PSL) 25%
Ciro Gomes (PDT) 12%
Fernando Haddad (PT) 8%
Geraldo Alckmin (PSDB) 7%
Alvaro Dias (PODEMOS) 6%
Marina Silva (REDE) 6%
Branco-nulo 28%
Não sabe 8%
Cenário 2 (com mais opções)
Bolsonaro 21%
Ciro 11%
Marina 7%
Haddad 6%
Alckmin 6%
Alvaro 5%
Manuela (PCdoB) 2%
Collor (PTC), Meirelles (MDB), Rocha (PRB) e Maia (DEM) 1%
Outros 0,8%
Branco-nulo 27%
Não respondeu 12%

Completa aqui

O ex-prefeito Haddad começou a receber votos como substituto de Lula, mesmo o PT não oficializando a troca. É natural que quando mais se chega perto da campanha as pessoas vão percebendo que Lula não poderá ser candidato e o eleitor fiel lulista vai para quem for seu representante. Alvaro Dias continua sendo a grande pedra no sapato de Alckmin, o ex-tucano pega boa parte do eleitorado do PSDB e não tem em mente se unir ao antigo correligionário. Mas Dias já disse que aceita negociar o apoio do ex-partido para sua candidatura – muito improvável. Ciro deu uma subidinha de leve e já é vice-líder em números absolutos fora a margem de erro da pesquisa. Marina tem o recall das duas eleições anteriores. Mas tem um teto e ele está cada vez menor.

Se Bolsonaro não desidratar e resistir os 45 dias de campanha com pouquíssimo tempo no horário eleitoral, fundo eleitoral não abundante, sem palanque forte nos estados, a chance dos candidatos de PDT e PSL no segundo turno é considerável. Seria uma disputa interessante entre um conservador (mais radical) contra um progressista (não menos radical), um mais liberal na economia, apesar das controvérsias de Bolsonaro ser liberal de verdade, contra um candidato que defende o nacional-desenvolvimentismo com intervencionismo estatal na economia de forma moderada.

Apesar de dois modelos opostos de candidaturas, Ciro e Bolsonaro não são orgânicos dentro da direita e da esquerda, nem necessariamente os dois candidatos representam fielmente o conservadorismo e o progressismo.

Ciro Gomes começou na política na Arena, o partido que dava sustentação política para o regime militar. Passou por PMDB, fundou o PSDB no Ceará, foi candidato duas vezes a presidente pelo PPS, saiu para o PSB, rompeu com Eduardo Campos e teve uma rápida passagem pelo PROS, até chegar no PDT pelas mãos de Carlos Lupi.

Jair Bolsonaro também acumula passagens por diversos partidos e é deputado federal desde 1990. Bolsonaro tinha uma atuação parlamentar mais voltada ao sindicalismo militarismo, antes de seu nome aparecer nacionalmente com declarações polêmicas e a luta contra o projeto chamado de “kit gay“, do Ministério da Educação na época comandado por Fernando Haddad, um dos seus prováveis adversários. Daí passou a combater a chamada ideologia de gênero e a doutrinação ideológica de esquerda nas escolas públicas. É acusado de não saber nada de economia e tenta desfazer essa imagem apresentando ao mercado financeiro o economista liberal Paulo Guedes, como Ministro da Fazenda em um governo seu.

Como ficaria o centro político? E os liberais que deixaram o partido com a ida de Bolsonaro ao PSL, votariam no intervencionista Ciro Gomes para impedir o Bolsonaro ou votariam tapando o nariz em Jair Bolsonaro para evitar o Ciro? Como ficaria o eleitor mais de centro que é quem decide uma eleição presidencial? São questões importantes sem respostas fáceis. De qualquer maneira, não é possível cravar um segundo turno entre Ciro e Bolsonaro ou qualquer outra disputa, por ainda ser pré-campanha e pela eleição de 2018 ser diferente de qualquer outra realizada recentemente.

Anúncios

CNT/MDA – Quase 50% não tem candidato ainda

CNT/MDA divulgou mais uma rodada de pesquisa presidencial

A “previsão” aqui não aconteceu e Jair Bolsonaro (PSL), nem Marina Silva (REDE), não ganharam pontos com saída de Joaquim Babosa da disputa.

A campanha de Geraldo Alckmin (PSDB) está cada vez mais perto de entrar em “coma” definitivo, despencou mais de 3% em relação a última pesquisa do CNT/MDA. Alckmin sofre com a concorrência do ex-tucano Alvaro Dias (PODEMOS) e a indefinição de uma união dos partidos chamados de “centro”.

Lula, mesmo preso em Curitiba, segue liderando com 32,4%, o dobro do segundo colocado Bolsonaro (16,7%), mas variou para baixo em relação a pesquisa anterior.

Sem Lula, o número de brancos/nulos ou indecisos está em 45,7%. É um oceano de sufrágios que torna a eleição completamente imprevisível. Neste cenário, Bolsonaro lidera com 18,3%, Marina Silva (Rede Sustentabilidade) e Ciro Gomes (PDT) empatam tecnicamente – 11,2% e 9% -, Alckmin com seus minguados 5,3%, Dias fica com 3%, o provável substituto de Lula, Fernando Haddad aparece com 2,3%, ainda não consegue convencer o eleitorado fiel lulista, até porque ainda não se apresenta como candidato do ex-presidente.

Surpreendentemente, o ex-presidente Fernando Collor (PTC) aparece com 1,4%, bem mais que Michel Temer (MDB), Rodrigo Maia (Democratas), Henrique Meirelles (MDB), Manuela D’ávila (PCdoB) e Guilherme Boulos (PSOL). Os candidatos liberais João Amêdo (Novo) e Flávio Rocha (PRB) seguem no traço confirmando a máxima que like não é voto.

Joaquim Barbosa, o “centro” que procuravam

DataPoder360, do site Poder360, também realizou uma nova rodada de pesquisas de olho na eleição presidencial de outubro. Os números são um pouco diferentes do Datafolha.

Vamos a eles sem enrolação, mas de um jeito diferente: levando em conta só os votos válidos dos candidatos descartando nulos, brancos e indecisos – é assim que o TSE faz na apuração oficial. Pesquisa completa aqui.

Joaquim Barbosa se consolida como o grande “outsider”, posto este ocupado recentemente por Luciano Huck, que desistiu da candidatura para não perder o emprego na TV Globo e patrocinadores, além do emprego da sua esposa Angélica Huck. Barbosa é o único que vence Jair Bolsonaro em simulação de um segundo turno.

Como já foi dito no post aqui, Alvaro Dias é a pedra no sapato de Geraldo Alckmin. O paranaense pega boa parte do eleitorado que normalmente iria de PSDB. Dias deixou o partido por divergências internas e diz que só se alia aos tucanos se vierem aderir a campanha dele.

Joaquim Barbosa ainda hesita em oficializar a pré-candidatura. Ficou conhecido no julgamento da Ação Penal 470 – o mensalão do PT – onde foi o relator do caso no STF e recebeu enxurrada de críticas da esquerda e foi colocado no pedestal pela direita. Foi primeiro negro a presidir a Suprema Corte brasileira e antecipou a aposentadoria do tribunal em 2014. De família humilde, a história do mineiro tem semelhança com a de Lula, mas, diferente do presidente que o indicou ao STF, Barbosa subiu na vida longe do sindicalismo e da política.

Na presidência do CNJ, Barbosa ordenou os cartórios a reconhecer o casamento gay de acordo com a decisão do STF de 2011, que reconheceu a constitucionalidade da união homoafetiva.

Joaquim Barbosa é o “centro” que a mídia tanto procurava. Caso suba a rampa do Palácio do Planalto, sua política tende a ser social-democrata na economia, de esquerda tanto no social quanto nos costumes.

Curiosidades da pesquisa Datafolha

Extraindo os votos brancos, nulos, voto em ninguém e indecisos da pesquisa Datafolha para 2018, contando apenas os votos válidos, aqueles que o eleitor diz em quem votaria, que é como o TSE faz a apuração apurando os votos nulos e brancos em separado dos votos válidos, nota-se algumas curiosidades.

1) Lula teria quase 40% dos votos válidos.
2) Sem Lula, Jair Bolsonaro lidera com menos de 25%. Um oceano de votos “órfãos” de candidato, uma boa parcela a espera do ex-presidente indicar alguém, enquanto outra simplesmente não encontra um candidato.
3) Marina Silva teria 20% dos votos válidos, mais ou menos a mesma votação que teve nas eleições de 2010 e 2014. Ou seja, Marina tem um teto que não consegue furar, mas o conserva, o que é positivo para ela, são eleitores “fiéis” da ambientalista.
4) Um dos obstáculos de Geraldo Alckmin é Alvaro Dias. O ex-tucano pega um pedaço substancioso de Alckmin. Para se ter uma ideia nos cenários sem Lula, quando junta-se os votos válidos dos dois a favor de Alckmin, o tucano vai para 14% e 16%, encostando em Marina e Bolsonaro.
5) Ciro Gomes e Joaquim Barbosa dividem um grande pedaço do eleitorado, muito provavelmente a turma não muito de direita ou esquerda, de centro-esquerda.
6) Michel Temer e Henrique Meirelles empatam nos cenários com Lula. Já nos cenários sem Lula, Temer leva uma pequena vantagem contra o seu ex-ministro.

Datafolha – votos válidos, com Lula e com Temer
Datafolha – votos válidos, com Lula e Meirelles
Datafolha – votos válidos, sem Lula e com Meirelles
Datafolha – votos válidos, sem Lula e com Temer

1º Datafolha presidencial de 2018

Datafolha divulgou a primeira pesquisa eleitoral de 2018 e a primeira pós condenação em segunda instância de Lula. É a pesquisa que Jair Bolsonaro reclamou, com razão, de perguntas tendenciosas e caluniosas contra o deputado e a Justiça brasileira, mas que seria censurar o TSE impedir a divulgação.

A pesquisa mostra Lula ainda líder, variando entre cenários de 34 a 37%. Já era previsível que não despencaria de uma vez. Ocorre que já houve variação negativa na transferência de voto de Lula para o possível candidato substituto do PT: 53% não votariam de jeito nenhum no candidato indicado pelo ex-presidente, uma subida de 7%.

Os cenários sem Lula são um verdadeiro “Deus nos acuda”, completamente indefinido. Jair Bolsonaro lidera, variando de 18% a 20%; Marina Silva varia de 7% a 16%; Ciro Gomes atinge o pico de 12% em um dos cenários; Geraldo Alckmin, 11%; Luciano Huck, 8%; Alvaro Dias, 6%; João Doria, 5%; Fernando Collor e Manuela D’ávila, 3%; Henrique Meirelles e Jaques Wagner, 2%; Guilhermos Boulos, João Amoêdo, Paulo Rabello e Rodrigo Maia, 1%.

De resto, essa pesquisa é muito mal feita. O Datafolha fez uma confusão grande na formação dos cenários excluindo nomes que não deveria excluir – Marina – e incluir nomes que não deveria – Huck e Joaquim Barbosa.

Algumas observações:

O não-candidato Luciano Huck ainda ter o seu nome nas pesquisas e do pré-candidato do PSDB Arthur Virgílio não aparecer é um absurdo; situação esdrúxula é Huck ter quase 10% em um dos cenários pesquisados, o que pode faze-lo mudar de ideia.

Ciro não herda votos de Lula, mas aparece brigando cabeça a cabeça com Alckmin e não muito distante de Marina e Bolsonaro, a esquerda tende a migrar para o ex-ministro sem o ex-presidente na disputa.

O candidato dos liberais chamados de “liberteens”, João Amoêdo (NOVO), que faz sucesso na internet é “traço” na rua e a alternativa Henrique Meirelles não empolga o eleitorado.