Eunício e Maia, os “vices” de Temer

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Ontem e hoje a Câmara e Senado elegeram suas novas composições no comando das mesas diretoras. No Senado, Eunício Oliveira (PMDB/CE) foi eleito por 61 votos a 10 derrotando José Medeiros (PSD/MT). Na Câmara, o atual presidente Rodrigo Maia (DEM/RJ) foi reeleito com muita folga na primeira votação – 293 votos.

Essas vitórias de Eunício e Maia mostram a força da base governista e poder de articulação do governo do presidente Michel Temer. A oposição no governo Temer é nula. Os presidentes do Parlamento terão pela frente a devastadora delação da Odebrecht, assim como quase toda classe política de todos os partidos.

Dois destaques na eleição da Câmara.

Destaque 1: Mariana Carvalho (PSDB/RO) peitou o partido, registrou candidatura avulsa para segunda secretaria fazendo o candidato oficial retirar a candidatura e sendo eleita a única mulher na mesa.

Destaque 2: Jair Bolsonaro surpreendeu na véspera registrando candidatura no fim do prazo, mas só conseguiu míseros quatro (4) votos ficando atrás da candidata do PSOL, Luiza Erundina.

Constituição e regimento interno à parte, Rodrigo Maia é o favorito na eleição da Câmara

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Apesar de não oficializar sua candidatura a pedido do presidente Michel Temer, Rodrigo Maia (DEM/RJ) está trabalhando e deve ser reeleito em primeiro turno na eleição para presidente da Câmara para o biênio 2017/2018 no dia 2 de fevereiro.

Maia está buscando apoio do famoso centrão – união informal que reúne cerca de 200 deputados de partidos como PP, PSD, PRB, PR, PTB, PSC, SD – e esvaziando as candidaturas de Rogério Rosso (PSD/DF) e Jovair Arantes (PTB/GO). Ainda tem a candidatura de André Figueiredo (PDT/CE), que é mais para marcar posição e uma candidatura de oposição ao governo. Mas Maia vai atrás de apoios no PCdoB, PDT e PT, que ajudaram na sua eleição em julho passado.

No colégio eleitoral, Rodrigo Maia trabalha para garantir a vitória no primeiro turno e sabe que tem o apoio do Planalto, mesmo o governo dizendo que não vai interferir na disputa.

Confirmando a reeleição de Maia, a disputa tem tudo para ser ser judicializada. A Constituição e o regimento interno da Câmara dos Deputados são claros de que não pode reeleição do presidente da mesa na mesma Legislatura. Maia sacou a carta de que o seu mandato é complemento do mandato de Eduardo Cunha e, portanto, permitida a recondução ao cargo. Ele ainda conta com o fato do judiciário voltar após a eleição e o STF não querer intervir em uma questão interna após a tensão institucional do caso Renan Calheiros.

Ficamos assim: Governo Temer se fazendo de surdo e mudo, mas no bastidor torcendo e mexendo os pauzinhos a favor de Rodrigo Maia; por sua vez aposta que o STF quer distância de mais confusão com o Legislativo.

Temos saudades de um Brasil que nunca existiu

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A semana está emocionante na Câmara dos Deputados. Conspirações e manobras que ignoram o regimento se misturam com cenas de agressividade, xingamentos e de vale-tudo. No Conselho de Ética, nome que soa despropositado diante da rotina recente, não se consegue votar nada tantas são as manobras e chicanas de quem faz da ética um estorvo que precisa ser removido o quanto antes.

Tantas ocorrências, que mais parecem cenas de fim de baile estilo risca-faca, despertam comentários e análises sobre a degradação dos costumes políticos e do baixo nível da representação no Congresso. Afinal, estamos piorando e no passado não era assim. Certo? Não.

É fato que a qualidade do nosso parlamento e da classe política em geral beira o deprimente. Duvido que exista um brasileiro que possa se orgulhar do nível médio dos políticos que nos representam. Mas, por mais lamentável e perversa que seja a atual safra de “homens públicos”, já tivemos algo muito melhor?

É claro que não. Desde sempre estamos à mercê do que há de pior na representação política. Sempre mesmo. Ou será que alguém acredita que os parlamentares escravagistas dos tempos de império tinham mais caráter que os Cunhas da vida? Você de fato acredita que os oligarcas da época da política Café com Leite eram mais honestos que os atuais mensaleiros e trensaleiros? Ou que a turma que apoiava AI-5, prisões e torturas durante o ciclo militar tinha mais espírito público que um Feliciano ou um Sibá Machado?

Não podemos esquecer que em outros tempos o Senado Federal já foi até cenário de um assassinato. Em 1963, o nobre senador Arnon de Mello, pai de Fernando Collor de Mello, disparou da tribuna contra o desafeto Silvestre de Gois Monteiro. Ruim de pontaria, acabou fulminando o senador José Kairala, que morreu horas depois. Obviamente, ninguém foi punido.

Foi à bala também que o então governador da Paraíba, Ronaldo Cunha Lima, tentou em 1993 resolver diferenças com o antecessor Tarcisio Burity. Em um restaurante de João Pessoa, o pai do atual líder do PSDB no Senado acertou três disparos no inimigo. Burity resistiu, processou o governador-justiceiro e morreu 10 anos depois sem que o processo tivesse sido concluído. Em 2007, quando o STF estava perto de julgá-lo, o então deputado Cunha Lima renunciou ao mandato para que o processo retornasse à Justiça da Paraíba. Morreu impune em 2012, exatos 19 anos após os tiros!

Esses são apenas alguns poucos exemplos de como nossos costumes jamais foram de provocar alguma manifestação de orgulho. E os Anões do Orçamento? E o reinado de Inocêncio Oliveira como presidente da Câmara dos Deputados? E a renúncia de ACM, então presidente do Senado, pilhado em investigações sobre violação de sigilo no painel de votações da Casa? E os parlamentares que se locupletavam durante a construção de Brasília?

Bem, eu poderia encher mais um monte de parágrafos com lembranças sobre malfeitos de deputados, senadores, presidentes, imperadores, governadores etc ao longo da nossa história. Mas vou poupá-los.

Lamentavelmente, o que se assiste nesses dias não é a degradação, mas a reprise do que sempre fomos. O “nunca antes na história desse país” é uma falácia quando tenta convencer alguém ou a todos das virtudes de um passado que foi sem nunca realmente ter sido. Mente quem diz ter saudades de um Brasil que jamais existiu.

Fábio Piperno (@piperno) é jornalista.

Datafolha: Governo Dilma é reprovado por 67% da população

Pesquisa Datafolha mostra uma variação para baixo na reprovação ao governo da presidente Dilma.

67% acham o governo Dilma ruim/péssimo, 22% acham regular e 10% acham o governo ótimo/bom.

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Em outubro-2014, em plena campanha eleitoral do segundo turno, a reprovação popular ao governo Dilma era de 20%, foi para 24% em DEZ-14, pulou para 44% em FEV-15 já no início do segundo mandato quando o eleitorado da presidente se sentiu traído com algumas medidas tomadas no governo; após a mega manifestação de 15 de março, onde mais de 2 milhões de pessoas foram às ruas protestar contra o governo e a corrupção, a rejeição pulou para 62%, em ABR-15 deu uma desacelerada caindo para 60%, voltou a subir em JUN-15 atingindo 65%, a última avaliação de governo do Datafolha foi realizada em AGO-15 e um recorde de 71% de reprovação de um governo desde o governo Collor em 1989.

Essa nova pesquisa foi feita nos dias 25 e 26 de novembro, justamente no dia da prisão do senador Delcídio do Amaral (25) que apareceu em gravação feita pelo filho de Nestor Cerveró negociando uma mesada e fuga para o pai dele em troca de não mencionar o nome do senador na delação premiada.

A queda da reprovação é uma novidade positiva que o governo precisava, mas continua um índice muito alto e os índices da economia (1) continuam piorando, inclusive para 2016.

Pela primeira vez, a corrupção é o maior problema do Brasil para os brasileiros

  1. Corrupção – 34%
  2. Saúde – 16%
  3. Desemprego – 10%
  4. Educação e violência – 8%

Para 81% dos entrevistados do Datafolha, Eduardo Cunha tem que ser cassado, 7% são contra e 4% indiferente. O Congresso Nacional é avaliado ruim/péssimo por 53% da população.

Brasília 40ºC

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Os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Eduardo Cunha (PMDB) e Renan Calheiros (PMDB) fizeram um pronunciamento sobre o primeiro semestre do Legislativo. Cunha na TV em rede nacional e Calheiros em vídeo (abaixo) disponibilizado no canal do Senado no Youtube.

Ambos ressaltaram a independência do Legislativo nesse último semestre do governo e ambos colocaram para si esse “feito”, o de recuperar a independência dos poderes.

O pronunciamento de Eduardo Cunha foi mais protocolar, mas deixou claro que seguirá na mesma linha de atuação. E o vídeo foi gravado antes dos acontecimentos de sexta-feira.

O pronunciamento de Renan Calheiros foi maior e mais incisivo. Bateu forte no ajuste fiscal novamente, festejou o PMDB mais atuante, elogiou o vice-presidente Michel Temer (PMDB), se defendeu das denúncias envolvendo seu nome, fez críticas veladas ao governo Dilma e falou dos desafios para os meses de agosto e setembro dos quais os chamou de “agosto e setembro negros”. Deixou uma mensagem subliminar para o governo mais ou menos assim: “quem procura acha” e “você colhe o que você planta”.

Se a tensão política foi grande no primeiro semestre entre governo e Congresso, principalmente dentro da base governista e mais especificamente entre PT e PMDB, no segundo semestre a expectativa é que aumente. Com os desdobramentos da Lava-jato, julgamento das contas do governo Dilma de 2014 no TCU e ação da oposição no TSE contra a campanha da presidente Dilma e do vice Michel Temer.