Impopularidade de Doria dobra em 8 meses

Más notícias para o prefeito de São Paulo, João Doria (ainda no PSDB). Caiu aprovação popular ao seu governo – 44%, no início de sua gestão, para 32%. E dobrou quem acha a gestão Doria ruim/péssima – de 13% para 26%.

Pelos números do Datafolha é perceptível notar que há uma insatisfação com o modo que Doria resolveu seguir. Muitos de seus eleitores se sentem incomodados com algumas atitudes do prefeito, principalmente as viagens em excesso por outras cidades tentando angariar apoios políticos para uma provável disputa presidencial, mesmo negando que atrapalhe a administração.

Mesmo quando gozava de alta popularidade, 55% queriam que Doria continuasse na prefeitura e cumprisse o mandato que ganhou de forma avassaladora. Subiu para 58%. Só 10% dos paulistanos querem que saia para disputar a presidência e 15%, o governo estadual. Para 55%, não votariam de jeito nenhum para presidente e 47%, não votariam de jeito nenhum para governador de São Paulo.

Doria cometeu uns pecados até por ser o primeiro mandato eletivo. O que Doria deveria ter feito e ainda pode para reverter o quadro de degradação de sua popularidade: 1) fazer um mandato inovador, tirar do papel as desestatizações, por exemplo; 2) retribuir ajuda de Alckmin na corrida presidencial, ao invés de trair quem foi fundamental no projeto de ser prefeito (45% preferem o governador a Doria); 3) se preparar pensando em 2022 – Palácio do Planalto ou Palácio dos Bandeirantes, e não queimar etapas.

Ainda tem tempo de reverter essa curva negativa. Precisa saber se ainda resta em João Doria humildade para reconhecer erros ou a mosca azul contaminou por completo seu ego. Como bom homem de negócios, Doria deve olhar o que os números indicam e ajustar seu modo de governar a cidade. O atual não está funcionando muito bem.

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Doria x Folha

A Folha de S.Paulo faz oposição desde o início do governo João Doria, uma opção do jornal. Em uma democracia, obviamente é um direito. Agora, não pode é o jornal do tamanho da Folha ficar de picuinha com o Doria, porque não gosta do prefeito. É ridículo e mal jornalismo ficar fazendo matérias em tom de denúncias quando você ler fica com impressão que foi enganado pelo jornal.

A última é deste sábado (23). Thais Bilenky assina matéria mostrando que Doria usa aeronave do LIDE, empresa do Grupo Doria em que ele se afastou e colocou o filho no comando antes de tomar posse na prefeitura. A repórter convidou um analista político para comentar o caso. Ele acha que pode ensejar improbidade e/ou conflito de interesse.

Só corroboraria com a tese do analista se João Doria não tivesse se desligado das suas empresas ou se elas tivesse algum contrato de serviço com a prefeitura de São Paulo, o que não é uma coisa nem outra.

Thais Bilenky é a mesma repórter que fez uma pergunta a João Doria, no programa Roda Viva da TV Cultura, e ele respondeu deixando-a caçando um buraco para se esconder.

Outras matérias da Folha, que João Doria não deixou sem resposta. Em alguns casos foi até um pouco ríspido recebendo críticas em massa da classe jornalística, a mais corporativista que existe.

É cilada, Doria

Geraldo Alckmin diz que quer ser o presidente do povo brasileiro; João Doria responde de Paris: É o povo que vai escolher o candidato do partido. Apoiadores do governador paulista dizem que esta declaração foi o ponta pé inicial do afastamento entre Doria e Alckmin. A cada dia que passa o prefeito se descola do seu mentor político.

João Agripino da Costa Doria Júnior, um empresário bem sucedido nos seus empreendimentos que, apesar que sempre esteve no meio político, se elegeu com a bandeira do “não sou político”. Parecia ser um sopro de novidade no marasmo e desencanto com a classe política.

Não demorou, no entanto, em se render ao pragmatismo da realpolitik. A política é a arte do diálogo, sempre, mas é preciso manter um pouco de coerência ou você é engolido pela concorrência. Ao trair Alckmin, o que cansou de repetir que não faria isso, se aliando ao que tem de pior na política brasileira, Doria ganha uma mácula no currículo que tanto gosta de exaltar.

Sei que vou me contradizer ao que escrevi em abril de 2017, mas não tenho medo de mudar de opinião – prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo, já dizia Raul Seixas. Doria poderia muito bem cumprir os 4 anos do mandato que ganhou derrotando magistralmente o PT – vitória inédita de um prefeito de São Paulo no primeiro turno – e cumprindo boa parte das promessas de campanha – principalmente as desestatizações – o deixando mais forte para 2022. E, no meio do caminho, ainda ajudaria Alckmin na disputa de 2018. Além de, mantendo a promessa de não tentar reeleição, em 2020 eleger o seu sucessor na prefeitura.

Mas a famosa mosca azul picou João Doria. O sucesso do início da gestão, que o colocou como o melhor do PSDB na disputa de 2018 graças ao derretimento de Aécio Neves e José Serra, abatidos por delações premiadas e escândalos, deixou o prefeito obcecado igual Serra pelo desejo da presidência. Doria terá que conseguir uma desculpa muito boa para os paulistanos e explicar sua saída da prefeitura menos de 1 ano da posse se os tucanos mantiveram o compromisso de decidir o candidato do partido em dezembro.

João Doria está cometendo uma série de erros que podem atrapalhar sua escalada rumo ao Planalto. E dois erros em especial podem atrapalhar sua sede pela candidatura presidencial: A percha de “traidor” e alianças que jogam no lixo o discurso de renovação da política que usou na eleição para prefeitura de São Paulo, que provavelmente pretenda usar numa eventual campanha presidencial. E os dois erros estão interligados.

O próprio Doria mesmo garantiu durante a campanha que ficaria os 4 anos, e reiterou várias vezes em entrevistas. Agora caminha para repetir o que cansou de fazer José Serra, que abandonou vários mandatos no meio para concorrer ao governo estadual de São Paulo ou a presidente.

Vídeo de Doria e Alckmin foi constrangedor

O prefeito João Doria e o governador Geraldo Alckmin (PSDB) tiveram uma conversa no domingo dia dos pais (13) e gravaram um vídeo juntos. No vídeo, Doria reforça sua lealdade a Alckmin e repudia especulações e notícias tentando desfazer uma amizade de 37 anos que vai além da política, segundo ele.

Doria sabe usar a ferramenta de marketing político como nenhum político brasileiro. Agora, neste caso específico, o prefeito cometeu um tiro no próprio pé. Se Doria quiser disputar a presidência do Brasil sem passar a imagem de “traidor” de quem foi fundamental para sua candidatura à prefeitura de São Paulo, que fique avisado que esse vídeo será usado pelos adversários na campanha contra ele. É a primeira vez que Doria comete um erro no campo do marketing.

Mesmo que ele ainda confie de que Alckmin possa abrir mão voluntariamente da candidatura pelo clamor popular (leia-se pesquisas), o vídeo foi constrangedor demais. Era nítida a incomodação do governador, de meio que obrigação. Pode ter sido com a melhor das intenções do prefeito, mas o vídeo passou a imagem de cinismo, de falsidade, de o “beijo do Judas”.

Jogam ovos e João Doria “transforma em omelete”

O prefeito João Doria foi receber um título de cidadão soteropolitano, de Salvador/BA. Acompanhado do prefeito da capital baiana ACM Neto, foram pegos de surpresa por meia dúzia de militantes arruaceiros que não satisfeitos da baderna na frente da Câmara dos Vereadores jogaram ovos dos dois. Um atingiu a cabeça de Doria.

Quem não gosta e políticos de corrente contrária a do prefeito paulistano fez a festa na internet. O problema é a falta de coerência dessa gente. Quem comemorou a chuva de ovos de militante pago no Doria e ACM Neto são os mesmos que estariam revoltadíssimos caso fosse o Lula, o alvo.

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Essa gente que acha que político, de qualquer ideologia, merece ser escrachado é parente do “bandido bom é bandido morto”. Jogar ovo em político ou azucrinar em aeroporto e restaurante é só ser selvagem. Não tem nada de protesto. Mas tem quem prefere a selvageria. Prefere a barbárie e não a civilização.

E o tiro saiu pela culatra (mais uma vez). Toda vez que aprontam alguma com João Doria, ele grava um vídeo e usa o incidente como resposta se contrapondo aos “istas”, como ele se refere a petistas e esquerdistas. Todo ataque verbal ou físico ao Doria é munição para contra-atacar e levantar bandeiras contra rivais. Não aprendem.