Popularidade de João Doria segue em queda

A popularidade do prefeito João Doria (PSDB) segue em queda, diz o Datafolha. Depois de um início de lua de mel com os paulistanos, Doria tomou um caminho que não agradou os eleitores que o colocaram no cargo ainda no primeiro turno na eleição de 2016.

Pelo retrato da pesquisa, o prefeito ainda tem prestígio com os muito ricos e ricos da cidade. O que caiu foi sua aprovação na classe média e entre os mais pobres. Ou seja, Doria cometeu o mesmo erro estratégico que Haddad: olhou mais para regiões centrais e esqueceu da periferia.

Fernando Haddad (PT) foi um prefeito de guetos, de movimentos culturais e sociais. João Doria está sendo um prefeito mais para o centro e esqueceu da periferia que deu o primeiro lugar para ele em todas as zonas eleitorais. Essa queda de Doria, na periferia e classe média, pode fazer o PT recuperar seu reduto histórico.

A queda em sua popularidade mata de vez as pretensões presidenciais de Doria e afeta seu plano B, o governo estadual.

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Ataques políticos disfarçados a Doria e Crivella

O  ataque infundado ao prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), veio de Marisa Monte e Arnaldo Antunes. Os artistas alegam que Doria usou indevidamente uma música composta por eles e o prefeito não aceitou as sugestões propostas para “reparar os danos autorais”.

Veja a nota dos artistas

No dia 21 de agosto, fomos surpreendidos por um vídeo publicado pelo atual prefeito de São Paulo, João Dória Jr., em suas redes sociais, divulgando a inauguração de obra da Prefeitura no Parque do Ibirapuera.

O vídeo em questão, com mais de 100 mil visualizações e diversos compartilhamentos, faz uso não autorizado da canção “Ainda Bem”, de nossa autoria (em gravação com interpretação de Marisa), como música de fundo, visando promover as atividades do prefeito, suas parcerias institucionais e comerciais, inclusive citando nominalmente uma marca de artigos esportivos.

Notificamos o prefeito, em conjunto com nossas editoras (SonyATV e Universal Music Publishing), sobre o uso ilegal de nossa obra, solicitando a retirada imediata do conteúdo de circulação e o esclarecimento ao público de que a canção havia sido usada sem nosso consentimento.

Apenas 2 meses depois, recebemos uma resposta assinada por João Dória Jr., argumentando que a música no vídeo havia sido captada de forma espontânea no ambiente das gravações, justificativa esta que, ainda que fosse verdadeira, não encontra qualquer abrigo na Lei de Direitos Autorais.

O vídeo é claramente uma peça audiovisual de propaganda política, produzida, editada e finalizada, com o evidente objetivo de autopromoção. A música é mantida como trilha sonora do vídeo, sincronizada continuamente por mais de 40 segundos ao fundo de imagens sequencialmente editadas.

Na tentativa de informar o prefeito sobre as regras de utilização de autorias e fonogramas em obras audiovisuais, enviamos uma nova notificação elucidando tecnicamente a impropriedade de seus argumentos.

A despeito de nosso pedido, não houve nenhuma iniciativa de João Dória Jr. ou de sua equipe para retirada do conteúdo do ar. Tivemos que solicitar sua remoção diretamente às redes sociais. Fomos atendidos pelo Facebook e Instagram, mas o vídeo ainda pode ser acessado no canal oficial do prefeito no Twitter (https://twitter.com/jdoriajr/status/899286098244927489) e no YouTube (https://www.youtube.com/watch?v=SVh6Ajn8qTw), atestando o seu descaso com os criadores, em uma atitude consciente e deliberada de perpetuação da infração.

Nos sentimos ultrajados e lesados em nosso direito patrimonial e moral, uma vez que, além de não termos sido sequer consultados, nunca permitimos o uso de nenhuma de nossas canções para fins políticos. Queremos deixar claro que a nossa motivação jamais foi financeira, e sim educativa. Enquanto autores e artistas, esperamos respeito à Lei de Direitos Autorais.

Fomos extremamente pacientes e cuidadosos na condução da questão. Sugerimos, inclusive, como forma de solução amigável que, num gesto de boa vontade, respeito e reparação simbólica à classe dos autores, fosse efetuada uma doação à Sociedade Viva Cazuza, que cuida de crianças portadoras de HIV na cidade do Rio de Janeiro e se sustenta de direitos autorais do autor e artista Cazuza.

O fato é que nenhuma das nossas sugestões de solução foi atendida e, por este motivo, redigimos este comunicado para esclarecer ao nosso público que não concordamos com essa postura desrespeitosa e também para reafirmar a importância do cumprimento da legislação de direito autoral, principalmente por aqueles que, como autoridades e gestores públicos, independentemente do seu viés político, deveriam ser os primeiros a dar exemplo na sua aplicação.

São Paulo, 29 de novembro de 2017,
Marisa Monte e Arnaldo Antunes

Em vídeo, a nota de João Doria

Inacreditável Marisa Monte e Arnaldo Antunes pedirem R$ 300 mil da prefeitura por uma música sua aparecer em um vídeo de inauguração de uma praça pública. Ao contrário do que diz a nota dos artistas, em que dizem que a ação não é por questão política e ideológica, fica claro que é por política e porque discordam ideologicamente do prefeito. Antunes é petista declarado e Marisa foi contra o afastamento da ex-presidente Dilma Rousseff.

Duvido se quem usasse a música em questão fosse de um partido simpático aos artistas citados estariam fazendo tal atitude, pelo menos não em público.

Crivella x Jornal Extra (Grupo Globo)

É uma briga antiga. Vem antes da eleição e intensificou após a vitória de Marcelo Crivella (PRB) para prefeito do Rio de Janeiro, derrotando o candidato preferido do periódico carioca, Marcelo Freixo (PSOL). Após a eleição, o Extra (todo Grupo Globo) faz oposição à gestão Crivella. Até aí tudo normal dentro da democracia e imprensa livre. O problema, porém, é o jeito pejorativo (chamando o prefeito de “bispo”, tentando misturar a religião de Crivella com o lado político) e notícias claramente distorcidas de propósito contra programas e ações do prefeito.

A nota de Crivella contra a última do Jornal Extra

Ao contrário do que estampa o jornal “Extra” na edição de hoje, a Prefeitura *apoia a realização do evento “Barco de Iemanjá”*, tanto que o *isentou de alvarás e do pagamento de taxas municipais*.

O déficit herdado da administração anterior e a crise econômica que atinge o país, e, mais pesadamente, nosso estado e nosso município, obrigaram a Prefeitura a tomar medidas de austeridade, direcionando os recursos prioritariamente para educação e saúde. No entanto, a Riotur ofereceu apoio operacional ao evento, que contará ainda com os serviços prestados pela Guarda Municipal, Comlurb, Cet-Rio e outros órgãos da Prefeitura.

Reportagens como a estampada hoje na edição do “Extra”, além de distorcerem fatos e omitirem informações, incentivam uma condenável “luta religiosa” que em nada interessa à população da Cidade do Rio de Janeiro.

Desde a posse o Extra usa a religião de Crivella para o atacar e criticar sua administração. É mau jornalismo a serviço da ideologia de editores e jornalistas que não deixam a sua ideologia na porta da redação. É o jornalismo tendencioso. É ativismo político disfarçado de jornalismo. É a classe artística e o mau jornalismo unidos contra políticos e gestores com viés ideológico contrário deles.

Impopularidade de Doria dobra em 8 meses

Más notícias para o prefeito de São Paulo, João Doria (ainda no PSDB). Caiu aprovação popular ao seu governo – 44%, no início de sua gestão, para 32%. E dobrou quem acha a gestão Doria ruim/péssima – de 13% para 26%.

Pelos números do Datafolha é perceptível notar que há uma insatisfação com o modo que Doria resolveu seguir. Muitos de seus eleitores se sentem incomodados com algumas atitudes do prefeito, principalmente as viagens em excesso por outras cidades tentando angariar apoios políticos para uma provável disputa presidencial, mesmo negando que atrapalhe a administração.

Mesmo quando gozava de alta popularidade, 55% queriam que Doria continuasse na prefeitura e cumprisse o mandato que ganhou de forma avassaladora. Subiu para 58%. Só 10% dos paulistanos querem que saia para disputar a presidência e 15%, o governo estadual. Para 55%, não votariam de jeito nenhum para presidente e 47%, não votariam de jeito nenhum para governador de São Paulo.

Doria cometeu uns pecados até por ser o primeiro mandato eletivo. O que Doria deveria ter feito e ainda pode para reverter o quadro de degradação de sua popularidade: 1) fazer um mandato inovador, tirar do papel as desestatizações, por exemplo; 2) retribuir ajuda de Alckmin na corrida presidencial, ao invés de trair quem foi fundamental no projeto de ser prefeito (45% preferem o governador a Doria); 3) se preparar pensando em 2022 – Palácio do Planalto ou Palácio dos Bandeirantes, e não queimar etapas.

Ainda tem tempo de reverter essa curva negativa. Precisa saber se ainda resta em João Doria humildade para reconhecer erros ou a mosca azul contaminou por completo seu ego. Como bom homem de negócios, Doria deve olhar o que os números indicam e ajustar seu modo de governar a cidade. O atual não está funcionando muito bem.

Doria x Folha

A Folha de S.Paulo faz oposição desde o início do governo João Doria, uma opção do jornal. Em uma democracia, obviamente é um direito. Agora, não pode é o jornal do tamanho da Folha ficar de picuinha com o Doria, porque não gosta do prefeito.

É ridículo e mal jornalismo ficar fazendo matérias em tom de denúncias quando você ler fica com impressão que foi enganado pelo jornal.

A última é deste sábado (23). Thais Bilenky assina matéria mostrando que Doria usa aeronave do LIDE, empresa do Grupo Doria em que ele se afastou e colocou o filho no comando antes de tomar posse na prefeitura.

A repórter convidou um analista político para comentar o caso. Ele acha que pode ensejar improbidade e/ou conflito de interesse.

Só corroboraria com a tese do analista se João Doria não tivesse se desligado das suas empresas ou se elas tivesse algum contrato de serviço com a prefeitura de São Paulo, o que não é uma coisa nem outra.

Thais Bilenky é a mesma repórter que fez uma pergunta a João Doria, no programa Roda Viva da TV Cultura, e ele respondeu deixando-a caçando um buraco para se esconder.

Doria costuma responder matérias da Folha e outros veículos em vídeos, não deixa sem resposta ataques à sua gestão e à sua pessoa. Em alguns casos, foi até um pouco ríspido e recebeu críticas em massa da classe jornalística, a mais corporativista que existe.

É cilada, Doria

Geraldo Alckmin diz que quer ser o presidente do povo brasileiro; João Doria responde de Paris: É o povo que vai escolher o candidato do partido. Apoiadores do governador paulista dizem que esta declaração foi o ponta pé inicial do afastamento entre Doria e Alckmin. A cada dia que passa o prefeito se descola do seu mentor político.

João Agripino da Costa Doria Júnior, um empresário bem sucedido nos seus empreendimentos que, apesar que sempre esteve no meio político, se elegeu com a bandeira do “não sou político”. Parecia ser um sopro de novidade no marasmo e desencanto com a classe política.

Não demorou, no entanto, em se render ao pragmatismo da realpolitik. A política é a arte do diálogo, sempre, mas é preciso manter um pouco de coerência ou você é engolido pela concorrência. Ao trair Alckmin, o que cansou de repetir que não faria isso, se aliando ao que tem de pior na política brasileira, Doria ganha uma mácula no currículo que tanto gosta de exaltar.

Sei que vou me contradizer ao que escrevi em abril de 2017, mas não tenho medo de mudar de opinião – prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo, já dizia Raul Seixas. Doria poderia muito bem cumprir os 4 anos do mandato que ganhou derrotando magistralmente o PT – vitória inédita de um prefeito de São Paulo no primeiro turno – e cumprindo boa parte das promessas de campanha – principalmente as desestatizações – o deixando mais forte para 2022. E, no meio do caminho, ainda ajudaria Alckmin na disputa de 2018. Além de, mantendo a promessa de não tentar reeleição, em 2020 eleger o seu sucessor na prefeitura.

Mas a famosa mosca azul picou João Doria. O sucesso do início da gestão, que o colocou como o melhor do PSDB na disputa de 2018 graças ao derretimento de Aécio Neves e José Serra, abatidos por delações premiadas e escândalos, deixou o prefeito obcecado igual Serra pelo desejo da presidência. Doria terá que conseguir uma desculpa muito boa para os paulistanos e explicar sua saída da prefeitura menos de 1 ano da posse se os tucanos mantiveram o compromisso de decidir o candidato do partido em dezembro.

João Doria está cometendo uma série de erros que podem atrapalhar sua escalada rumo ao Planalto. E dois erros em especial podem atrapalhar sua sede pela candidatura presidencial: A percha de “traidor” e alianças que jogam no lixo o discurso de renovação da política que usou na eleição para prefeitura de São Paulo, que provavelmente pretenda usar numa eventual campanha presidencial. E os dois erros estão interligados.

O próprio Doria mesmo garantiu durante a campanha que ficaria os 4 anos, e reiterou várias vezes em entrevistas. Agora caminha para repetir o que cansou de fazer José Serra, que abandonou vários mandatos no meio para concorrer ao governo estadual de São Paulo ou a presidente.