Governo Dilma ganha fôlego no final de 2015; 2016 e 2018 imprevisíveis

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O governo da presidente Dilma Rousseff está ganhando fôlego justamente no momento que o impeachment foi deflagrado pelo presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB/RJ).

Pesquisa do Instituto Datafolha averiguando a popularidade do governo mostra recuo na reprovação popular. É o segundo recuo na taxa de reprovação consecutivo depois de ter atingido o recorde de 71%.

De 67% na pesquisa do Datafolha de novembro caiu para 65% agora. Quem acha o governo regular se manteve em 22%. Quem aprova o governo passou de 10 para 12%. Chegou a bater em 8% de ótimo e bom durante 2015. Não é exagero de concluir que Dilma Rousseff termina o ano no lucro. Escapou do impeachment pelo menos em 2015, o STF garantiu poder ao Senado Federal de rejeitar o mesmo, onde o PMDB é menos feroz ao governo, se passar na Câmara, Eduardo Cunha e o próprio PMDB estão sendo emparedados na justiça. Dilma fechou o ano recuperando um pouco da popularidade perdida. Vai passar o natal e a virada mais tranquila.

Mas a população continua descontente com o governo. Inflação de dois dígitos ao ano, desemprego subindo, dólar a R$ 4, juros nas alturas, retração do PIB, a economia continua se deteriorando sem boas perspectivas. A batalha final do impeachment ficou para 2016. O ano vindouro promete muitas surpresas e emoções fortes. A continuação da operação Lava-jato, a ação de impugnação da chapa Dilma/Temer no TSE começará a ser julgada e ainda é ano de eleições municipais. E como vai ficar o humor do Senador Renan Calheiros PMDB/AL) com o governo depois da quebra de sigilo.

Tudo pesado na balança, a insatisfação popular com o governo e com a própria presidente continua, mas a população se deu em conta que não adianta afastar Dilma e o PT do poder e colocar Michel Temer e o PMDB no lugar. Seria trocar seis por meia-dúzia, o sujo pelo mal lavado.

Corrida presidencial 2018

A oposição está no caminho errado. É o que mostra essa pesquisa Datafolha. A aposta da oposição no famigerado quanto pior, melhor não é boa. O Senador Aécio Neves (PSDB) continua liderando, mas perdeu força comparando com outras pesquisas nas quais seu nome aparecia com mais 30% de intenções de voto. Apesar de todo dia ter o seu nome e de seu familiares nos jornais com notícias desfavoráveis, Lula (PT) continua com uma base de votos que o garantiria ao menos no segundo turno. Marina Silva (Rede) continua bem cotada. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), perdeu força – não foi uma boa bater em alunos… Os principais nomes do PMDB perderiam para Luciana Genro (PSOL). Ciro Gomes (PDT) ficou com uma média de 6,5%. E o polêmico deputado Jair Bolsonaro (PP/RJ) ficou com uma média de 4,5% nos quatro cenários pesquisados.

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Aécio dobra a aposta no antipetismo

Aecio-NevesNa entrevista que concedeu ao jornal o Estado de São Paulo, Aécio falou de eleição, estelionato eleitoral, sobre o governo e sobre a presidente Dilma; reconheceu erros da sua campanha em Minas Gerais onde governou por oito anos com 92% de aprovação popular e, mesmo assim, perdeu nos dois turnos para Dilma, mas ele acha que o que pesou no resultado final foi não ter tido uma boa votação no nordeste. Aécio também falou do ex-presidente Lula. O tucano se sente magoado com Lula pela agressividade dele durante o segundo turno.

O Senador Aécio Neves (PSDB/MG) está com um discurso de oposição claramente antipetista que beira ao radicalismo, um pouco mais que na campanha presidencial de 2014. Aécio está com um discurso oposto ao de Fernando Henrique Cardoso, que alterna um tom mais crítico e ameno ao governo Dilma.

Quando assumiu o comando do partido, o mineiro (carioca) resgatou Fernando Henrique de volta à cena política até mesmo dentro do partido. O PSDB praticamente escondeu nas suas três campanhas presidenciais anteriores o ex-presidente que deixou o Palácio do Planalto com alta rejeição pela política de arrocho praticado no segundo mandato e ao racionamento de energia elétrica de 2001. Aécio está numa batalha de estratégias contra o governador Geraldo Alckmin (PSDB/SP) por 2018. Enquanto o senador vai para o confronto contra o governo federal apostando no impeachment no Congresso Nacional ou na cassação dos mandatos de Dilma e Temer no TSE, o governador critica o governo de forma mais contida – Aécio é parlamentar e Alckmin chefe do executivo estadual, tem uma diferença também – e aposta no desgaste do PT.

Só o tempo dirá qual estratégia será exitosa dentro do partido e se será exitosa na eleição. A estratégia de Aécio Neves é mais complicada. Mas Aécio tem um patrimônio eleitoral gerado pelos 51 milhões de votos que Alckmin não tem. E ainda tem o senador José Serra (PSDB/SP) a espera de uma chance para disputar a presidência da República pela terceira vez. Especula-se até que Serra pode ir para o PMDB para ser o candidato que o partido procura para a sucessão de Dilma.

Não vale tudo por um impeachment

eduardo-cunha-cpiQuando é que Eduardo Cunha (PMDB/RJ) vai sair da presidência da Câmara dos Deputados? As provas encontradas já eram suficientes e incompatíveis com o cargo que ele ocupa – Presidente da Câmara dos Deputados, o terceiro na linha sucessória da República. Essa última é o tiro de misericórdia. Pesam contra Cunha denúncias estarrecedoras e com provas muito robustas (aquiaquiaqui e aqui).

Por muito menos Severino Cavalcanti caiu, em 2005, da mesma cadeira que Cunha ocupa hoje. Ele quebrou o decoro parlamentar ao dizer na CPI da Petrobras que não tinha contas no exterior, o que pode levar a cassação do seu mandato de deputado. Ele mentiu! É quebra de decoro parlamentar! Vamos ver a próxima desculpa do deputado federal Carlos Sampaio (PSDB/SP) e outros aliados de Cunha para continuarem apoiando ele.

Eduardo Cunha foi denunciado pelo Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, ao STF a mais de 100 anos de prisão, o que estão esperando para afastar esse sujeito da cadeira de presidente da “casa do povo”? Estão esperando que o STF aceite a denúncia e Cunha vire réu? Enquanto isso, a Câmara dos Deputados fica com um presidente acusado por denúncias dignas daqueles filmes de gângster.

O combate à corrupção tem que ser pra valer e não uma indignação seletiva no melhor estilo “o inimigo do meu inimigo é meu amigo”. E a teoria conspiratória que Cunha levanta em sua defesa envolveria a Procuradoria Geral da República, os procuradores do Paraná, o juiz Sergio Moro e até as autoridades da Suíça. Eduardo Cunha, o “Frank Underwood brasileiro”, caiu na sua própria arrogância e sua esperteza.

É inadmissível o terceiro na linha sucessória acumular tantas denúncias de tamanha gravidade. Não adianta blindar ou tentar justificar a permanência de Eduardo Cunha na presidência da Câmara porque ele é quem pode aceitar abrir um processo de impeachment contra a presidente Dilma, isso é absurdo. É ficar cego para os crimes de Cunha só para derrubar Dilma e o PT da presidência da República. Também não inocenta os erros de Dilma, Lula e do PT.

Sou dos que apoiam o impeachment da presidente Dilma, mas não a qualquer custo. E, se não sair até novembro, acho que a oposição tem que mudar de estratégia. Mais um ano com a pauta do impeachment não é bom para o país nem para própria oposição pensando em 2018. É até bom que Dilma fique até o final do mandato. O PT precisa carregar o peso do governo Dilma e sua baixa popularidade nas eleições 2016 e 2018. Só quero ver a retórica petista para se livrar do “Custo Dilma”. É um paradoxo, mas o impeachment beneficiaria o PT.

A oposição precisa encontrar um norte, uma direção fora o impeachment. Precisa mostrar um projeto alternativo ao que está aí e que é desaprovado por 70% da população. Ou não vai catalisar esse sentimento majoritário contra o PT e, assim como no escândalo do mensalão, vai deixar escapar mais uma chance.

Sem Partido

logomarcas-eleicoes-2014Os logos dos candidatos em campanhas políticas são essenciais para o eleitor conhecer os candidatos e poder escolher um. Na última campanha presidencial, no entanto, ocorreu uma novidade nas logomarcas dos principais concorrentes a presidente.

Tanto a candidata que concorria à reeleição quanto os dois principais da oposição não colocaram o partido que representavam na marca eleitoral.

É fato que os partidos no Brasil estão desacreditados, descaracterizados, sem ideologias. Não por menos. Nada menos que 33 partidos existentes – os últimos a ganharem o registro no TSE foi o Partido Novo e a Rede Sustentabilidade, de Marina Silva – no Brasil atualmente. É impossível existir mais de 30 ideologias partidárias. Muitos desses partidos só existem por causa do fundo partidário que é público e para promover seus líderes (donos).

Os principais candidatos a presidente preferiram esconder o seu partido na peça de divulgação de suas candidaturas. É sintomático. Sou a favor de candidaturas independentes, mas os partidos são pilares importantes em uma democracia representativa.

Censura aos partidos pequenos

Restringiram os debates eleitorais na TV aos candidatos de partidos que tiverem mais de 9 deputados na Câmara e deixa nas mãos dos candidatos de partidos maiores aceitarem ou não a participação dos candidatos chamados de “nanicos”.

Já existe a desigualdade nos tempos do horário eleitoral, os debates amenizam essa brutal diferença de um candidato ter 12 minutos contra alguns minutos de uns e segundos de outros para se apresentarem aos eleitores. Candidatos “nanicos” atrapalham, mas alguns esquentam e até enriquecem os cada vez mais chatos debates eleitorais. Essa cláusula é antidemocrática e não ajuda em nada a melhorar a política brasileira.

O brasileiro é conservador na hora do voto

urna-eletronicaA eleição presidencial de 2014 foi cheia de reviravoltas. Começou com a presidente Dilma (PT) na dianteira, mas Marina Silva (PSB) empatou com ela assim quando entrou no lugar de seu companheiro de chapa Eduardo Campos, morto em um acidente aéreo. Na primeira pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha com o nome de Marina, ela apareceu com 21% e, depois, com 35%; Aécio Neves (PSDB) caiu para 15%. No primeiro tuno, Aécio conseguiu 30% dos votos contando com brancos e nulos (33,5% dos votos válidos), enquanto Marina ficou com 19% (21,3% dos votos válidos).

PT e PSDB, cada um usando uma estratégia diferente, mas com objetivo igual, usaram de táticas de desconstrução de Marina Silva. O tucano usou a seguinte mensagem: “Aécio, o voto útil para derrotar o PT”, dizia o slogan. A campanha do tucano também usou a tática de juntar o nome de Marina ao do PT, mostrando que ela não saiu do partido durante a crise do mensalão, só posteriormente.

Afinal, o derretimento nos números de Marina foi por causa da desconstrução política do PSDB ou pela desconstrução feroz do PT/João Santana? Erros e contradições da candidata do PSB, como lançar um programa de governo sem a devida atenção e corrigi-lo depois, também ajudam a explicar Marina no papel que foi de Ciro Gomes na eleição de 2002. A outra opção é que o brasileiro é conservador na hora do voto. Não conservador de valores. Também, mas em não arriscar muito.

Em 2014, ele ameaçou algo novo, mas preferiu continuar com a polarização PT-PSDB que vem desde 1994. E, no segundo turno, optou pela continuidade. Em 2018, a história tem tudo para ser diferente e o ciclo do PT no governo chegar ao fim depois de 16 anos. Quem viver, verá.