Bolsonaro já não é mais uma “piada” eleitoral

A candidatura presidencial de Jair Bolsonaro já não é mais para ser encarada como uma “piada”. Marina Silva e ele se consolidam na disputa pela segunda posição, segundo pesquisa Datafolha, com viés de queda de Marina e ascensão de Bolsonaro. Bolsonaro está à frente de Marina numericamente (16% a 15%) e com o dobro do provável tucano na disputa o governador Geraldo Alckmin (8%); tem o triplo de Ciro Gomes (PDT), 5%.

Com João Doria (PSDB) no lugar de Alckmin não muda muito o cenário pró-Bolsonaro. O prefeito de São Paulo subiu de 9% para 10%, está melhor que seu “padrinho” político, só que em empate técnico.

O ex-presidente Lula mantém-se na dianteira da corrida presidencial com 30%. É o teto do petista bem antes de Lula vencer a primeira de suas duas eleições e dificilmente ele sobe mais do que isso ou cai mesmo se for condenado por Sérgio Moro. São eleitores fiéis do ex-presidente, o teto do PT e memória afetiva de um período de bonança para o Brasil, principalmente para a camada mais pobre da população que sofre na atual situação com desemprego em quase 15%.

A grande dúvida é se Lula se viabiliza judicialmente para o pleito. Mesmo condenado em primeira instância – há cinco ações contra ele nas varas de Curitiba e Brasília entre outros inquéritos – Lula recorreria para o TRF4 (segunda instância de Curitiba) e TRF1 (Brasília). Se mantida a condenação na segunda instância, aí viraria ficha suja e ficaria impedido de disputar – além de ser preso (provavelmente) – a eleição.

Em um provável cenário sem Lula, Marina lidera com 22%; Bolsonaro mantém os 16%; o ex-presidente do STF, Joaquim Barbosa aparece com 12%; Ciro e Alckmin empatam em 9%. É o cenário muito próximo do que vai ser.

Lula segue sendo o primeiro em intenção de voto e o mais rejeitado (46%); Barbosa (16%) e Doria (20%) são os postulantes à cadeira que Temer ocupa com menos rejeição.

Tirando a situação jurídica de Lula e a indefinição no PSDB, o quadro eleitoral de 2018 deve seguir a tendência das eleições do “brexit” no Reino Unido, EUA e França. Sai a polarização mais mercado ou mais estado; entra a polarização nacionalismo vs globalização. Uma lado já definiu seu candidato: Jair Bolsonaro; já o outro lado, está tentando achar um representante viável, o que favorece Bolsonaro essa indecisão.

Fim de sonho para Aécio Neves

O candidato do PSDB na eleição de 2014, que obteve mais de 51 milhões de votos, não aparece pela primeira vez nem na parte de rejeição. Com um pedido de prisão para ser votado no STF, Aécio já estava muito alvejado por delações da Odebrecht e outros, a JBS fulminou o pouco que restou do cacife eleitoral do tucano.

Governo Dilma ganha fôlego no final de 2015; 2016 e 2018 imprevisíveis

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O governo da presidente Dilma Rousseff está ganhando fôlego justamente no momento que o impeachment foi deflagrado pelo presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB/RJ).

Pesquisa do Instituto Datafolha averiguando a popularidade do governo mostra recuo na reprovação popular. É o segundo recuo na taxa de reprovação consecutivo depois de ter atingido o recorde de 71%.

De 67% na pesquisa do Datafolha de novembro caiu para 65% agora. Quem acha o governo regular se manteve em 22%. Quem aprova o governo passou de 10 para 12%. Chegou a bater em 8% de ótimo e bom durante 2015. Não é exagero de concluir que Dilma Rousseff termina o ano no lucro. Escapou do impeachment pelo menos em 2015, o STF garantiu poder ao Senado Federal de rejeitar o mesmo, onde o PMDB é menos feroz ao governo, se passar na Câmara, Eduardo Cunha e o próprio PMDB estão sendo emparedados na justiça. Dilma fechou o ano recuperando um pouco da popularidade perdida. Vai passar o natal e a virada mais tranquila.

Mas a população continua descontente com o governo. Inflação de dois dígitos ao ano, desemprego subindo, dólar a R$ 4, juros nas alturas, retração do PIB, a economia continua se deteriorando sem boas perspectivas. A batalha final do impeachment ficou para 2016. O ano vindouro promete muitas surpresas e emoções fortes. A continuação da operação Lava-jato, a ação de impugnação da chapa Dilma/Temer no TSE começará a ser julgada e ainda é ano de eleições municipais. E como vai ficar o humor do Senador Renan Calheiros PMDB/AL) com o governo depois da quebra de sigilo.

Tudo pesado na balança, a insatisfação popular com o governo e com a própria presidente continua, mas a população se deu em conta que não adianta afastar Dilma e o PT do poder e colocar Michel Temer e o PMDB no lugar. Seria trocar seis por meia-dúzia, o sujo pelo mal lavado.

Corrida presidencial 2018

A oposição está no caminho errado. É o que mostra essa pesquisa Datafolha. A aposta da oposição no famigerado quanto pior, melhor não é boa. O Senador Aécio Neves (PSDB) continua liderando, mas perdeu força comparando com outras pesquisas nas quais seu nome aparecia com mais 30% de intenções de voto. Apesar de todo dia ter o seu nome e de seu familiares nos jornais com notícias desfavoráveis, Lula (PT) continua com uma base de votos que o garantiria ao menos no segundo turno. Marina Silva (Rede) continua bem cotada. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), perdeu força – não foi uma boa bater em alunos… Os principais nomes do PMDB perderiam para Luciana Genro (PSOL). Ciro Gomes (PDT) ficou com uma média de 6,5%. E o polêmico deputado Jair Bolsonaro (PP/RJ) ficou com uma média de 4,5% nos quatro cenários pesquisados.

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1 ano da eleição de 2014

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A última eleição presidencial foi histórica. Uma eleição que lembrou a primeira eleição para presidente de forma direta depois de longos 20 anos de regime militar. Foi uma eleição insana, uma eleição polarizada ao máximo, talvez a última polarizada por PT e PSDB.

Marina Silva chegou a ameaçar essa hegemonia petista-tucana já em 2014. Mas ela sucumbiu as desconstruções dos dois principais partidos que disputam a presidência desde 1994. E se enrolou nos seus próprios erros durante a campanha. Boatos, mentiras, calúnias e viradas fizeram a eleição 2014 não terminar ao fim do segundo turno, o clima hostil nas redes sociais continua dividindo o país, mas agora não mais em Aécio e Dilma.

Agora, a divisão é mais ideológica, de valores, conservadores vs. liberais, pró e contra o impeachment da presidente reeleita. Uma disputa de esquerda contra direita de antes da queda do muro de Berlim, e uma irracionalidade que assusta.

Voltando para a eleição e o resultado final, a sensação que os votos de Marina foram para Dilma e não para Aécio, mesmo a candidata do PSB e terceira colocada com 21% dos votos apoiando oficialmente o candidato do PSDB no segundo turno. A candidata do PT começou a corrida presidencial com pouco mais de 30% de intenções de voto depois das manifestações populares de junho de 2013, se estabilizou em torno de 40%; Aécio chegou até 15% quando Marina entrou no lugar de Eduardo Campos, morto em acidente aéreo. Marina chegou a empatar com a presidente Dilma no primeiro turno e abrir 10 pontos num eventual segundo turno.

Uma das lições da eleição 2014 é que não existe transferência automática de votos de um candidato para outro. Essa transferência depende muito dos candidatos, principalmente do candidato receptor dos votos. Por exemplo, se fosse Marina ou Campos no segundo turno contra Dilma, a possibilidade da transferência dos votos do PSDB para o PSB seria maior que a transferência do PSB para o PSDB. Em outras palavras, os eleitores de Aécio votariam quase que unanimidade em Marina/Campos contra Dilma, já os eleitores de Marina se dividiram entres os dois candidatos (Dilma e Aécio) ou nulo e branco ou abstenção.

A eleição 2014 foi a eleição digital, das redes sociais e a tendência é ser cada vez mais assim nas futuras eleições. A justiça eleitoral só precisa tomar cuidado com os excessos que a internet proporciona. Mas a zoeira tem que continuar livre!

Pesquisa Ibope mostra Lula forte para 2018, e também com mais rejeição

Mesmo não vivendo o melhor momento político – denúncias envolvendo pessoas próximas e até familiares e as crises (política, econômica, baixa popularidade) da presidente Dilma –, a pesquisa Ibope divulgada nesta segunda-feira (26), um ano do segundo turno de 2014, mostra que o ex-presidente Lula ainda tem muito cacife político para queimar e pode surpreender se for candidato a presidente mais uma vez, em 2018.

O Ibope fez a pesquisa com perguntas diferentes do normal. No lugar de “quem você votaria se a eleição fosse hoje?”, o Ibope perguntou “se com certeza votaria no nome apresentado para a Presidência da República, se poderia votar, se não votaria de jeito nenhum ou se não o conhece o suficiente para opinar” e podendo deixar a pergunta sem resposta.

Só contando os que votariam “com certeza”, Lula lidera com 23% (potencial de 18%), seguido de Aécio, 15% (potencial de 25%), Marina, 13% (potencial de 28%), Serra, 8% (potencial de 24%), Alckmin, 7% (potencial de 23%), e Ciro, 4% (potencial de 15%). O ex-presidente tem seu aniversário no dia 27/10, mais conhecido como amanhã. Sem dúvida essa pesquisa é o melhor presente que Lula sonhava receber. É um sopro de novidade positiva no meio de tantas notícias desagradáveis a ele e ao PT.

Mas nem tudo são flores para Lula nessa pesquisa. Ele lidera entre os mais rejeitados: Lula (55%), José Serra (54%), Geraldo Alckmin (52%) e Ciro Gomes (52%). Menores rejeições: Aécio Neves (47%) e Marina Silva (50%). Índices muito elevados de rejeições aos postulantes da cadeira de Dilma Rousseff, o que mostra que a desconfiança da população na política partidária só cresce – com razão.

Aécio dobra a aposta no antipetismo

Aecio-NevesNa entrevista que concedeu ao jornal o Estado de São Paulo, Aécio falou de eleição, estelionato eleitoral, sobre o governo e sobre a presidente Dilma; reconheceu erros da sua campanha em Minas Gerais onde governou por oito anos com 92% de aprovação popular e, mesmo assim, perdeu nos dois turnos para Dilma, mas ele acha que o que pesou no resultado final foi não ter tido uma boa votação no nordeste. Aécio também falou do ex-presidente Lula. O tucano se sente magoado com Lula pela agressividade dele durante o segundo turno.

O Senador Aécio Neves (PSDB/MG) está com um discurso de oposição claramente antipetista que beira ao radicalismo, um pouco mais que na campanha presidencial de 2014. Aécio está com um discurso oposto ao de Fernando Henrique Cardoso, que alterna um tom mais crítico e ameno ao governo Dilma.

Quando assumiu o comando do partido, o mineiro (carioca) resgatou Fernando Henrique de volta à cena política até mesmo dentro do partido. O PSDB praticamente escondeu nas suas três campanhas presidenciais anteriores o ex-presidente que deixou o Palácio do Planalto com alta rejeição pela política de arrocho praticado no segundo mandato e ao racionamento de energia elétrica de 2001. Aécio está numa batalha de estratégias contra o governador Geraldo Alckmin (PSDB/SP) por 2018. Enquanto o senador vai para o confronto contra o governo federal apostando no impeachment no Congresso Nacional ou na cassação dos mandatos de Dilma e Temer no TSE, o governador critica o governo de forma mais contida – Aécio é parlamentar e Alckmin chefe do executivo estadual, tem uma diferença também – e aposta no desgaste do PT.

Só o tempo dirá qual estratégia será exitosa dentro do partido e se será exitosa na eleição. A estratégia de Aécio Neves é mais complicada. Mas Aécio tem um patrimônio eleitoral gerado pelos 51 milhões de votos que Alckmin não tem. E ainda tem o senador José Serra (PSDB/SP) a espera de uma chance para disputar a presidência da República pela terceira vez. Especula-se até que Serra pode ir para o PMDB para ser o candidato que o partido procura para a sucessão de Dilma.

Não vale tudo por um impeachment

eduardo-cunha-cpiQuando é que Eduardo Cunha (PMDB/RJ) vai sair da presidência da Câmara dos Deputados? As provas encontradas já eram suficientes e incompatíveis com o cargo que ele ocupa – Presidente da Câmara dos Deputados, o terceiro na linha sucessória da República. Essa última é o tiro de misericórdia. Pesam contra Cunha denúncias estarrecedoras e com provas muito robustas (aquiaquiaqui e aqui).

Por muito menos Severino Cavalcanti caiu, em 2005, da mesma cadeira que Cunha ocupa hoje. Ele quebrou o decoro parlamentar ao dizer na CPI da Petrobras que não tinha contas no exterior, o que pode levar a cassação do seu mandato de deputado. Ele mentiu! É quebra de decoro parlamentar! Vamos ver a próxima desculpa do deputado federal Carlos Sampaio (PSDB/SP) e outros aliados de Cunha para continuarem apoiando ele.

Eduardo Cunha foi denunciado pelo Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, ao STF a mais de 100 anos de prisão, o que estão esperando para afastar esse sujeito da cadeira de presidente da “casa do povo”? Estão esperando que o STF aceite a denúncia e Cunha vire réu? Enquanto isso, a Câmara dos Deputados fica com um presidente acusado por denúncias dignas daqueles filmes de gângster.

O combate à corrupção tem que ser pra valer e não uma indignação seletiva no melhor estilo “o inimigo do meu inimigo é meu amigo”. E a teoria conspiratória que Cunha levanta em sua defesa envolveria a Procuradoria Geral da República, os procuradores do Paraná, o juiz Sergio Moro e até as autoridades da Suíça. Eduardo Cunha, o “Frank Underwood brasileiro”, caiu na sua própria arrogância e sua esperteza.

É inadmissível o terceiro na linha sucessória acumular tantas denúncias de tamanha gravidade. Não adianta blindar ou tentar justificar a permanência de Eduardo Cunha na presidência da Câmara porque ele é quem pode aceitar abrir um processo de impeachment contra a presidente Dilma, isso é absurdo. É ficar cego para os crimes de Cunha só para derrubar Dilma e o PT da presidência da República. Também não inocenta os erros de Dilma, Lula e do PT.

Sou dos que apoiam o impeachment da presidente Dilma, mas não a qualquer custo. E, se não sair até novembro, acho que a oposição tem que mudar de estratégia. Mais um ano com a pauta do impeachment não é bom para o país nem para própria oposição pensando em 2018. É até bom que Dilma fique até o final do mandato. O PT precisa carregar o peso do governo Dilma e sua baixa popularidade nas eleições 2016 e 2018. Só quero ver a retórica petista para se livrar do “Custo Dilma”. É um paradoxo, mas o impeachment beneficiaria o PT.

A oposição precisa encontrar um norte, uma direção fora o impeachment. Precisa mostrar um projeto alternativo ao que está aí e que é desaprovado por 70% da população. Ou não vai catalisar esse sentimento majoritário contra o PT e, assim como no escândalo do mensalão, vai deixar escapar mais uma chance.