William Waack segue seu caminho sendo um jornalista super qualificado

William Waack escreveu um artigo excelente publicado na Folha de São Paulo (aqui). É verdade que a “piada” que ele fez lá nos Estados Unidos durante a cobertura das eleições em novembro de 2016, e o vídeo só foi vazado mais de um ano depois, foi uma mancha na grandiosa carreira desse jornalista de currículo invejável.

Mas não se pode querer aniquilar com ele ou queima-lo na fogueira. Foi um ato racista, William não é racista. A Globo o suspendeu e não tinha outro caminho sem ser rescindir o contrato com Waack, pois se reintegra estaria comprovado que a emissora cometeu injustiça com ele.

Livre para trabalhar em outro veículo, William Waack pode ser contratado pela rádio Jovem Pan. Bom para ele recomeçar em um novo ambiente e para rádio que vai ter em seus quadros um jornalista dos mais qualificados no mercado.

Nada de linchamento virtual ou caça às bruxas por uma fala infeliz.

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Longevidade dos ministros do STF

O Supremo Tribunal Federal é a última instância do Poder Judiciário, e por isso os seus ministros são chamados de “Supremos”.

A realidade é um pouco diferente. Nos últimos anos nem a Suprema Corte escapou do descrédito que se alastrou na população contra as instituições brasileiras. A demora em julgar processos contra políticos (sem contar o presidente, são 10 ministros para milhares de processos), decisões controvérsias, politização por parte de alguns ministros e judicialização da política (essa última não é culpa do Supremo, ele é provocado por representações), são alguns dos principais motivos da revolta popular contra o STF.

Os ministros do STF são nomeados pelo presidente da República. Se for aprovado pelo Senado Federal, o indicado toma posse para um cargo sem mandato, o limite é a aposentadoria compulsória que passou de 70 para 75 com a aprovação da chamada “PEC da bengala”.

Mas há projetos no Congresso Nacional para modificar a fórmula de escolha dos ministros do Supremo, como uma lista pré-definida onde o presidente escolheria 3 nomes e os senadores escolheriam 1 após debate entre eles – substituindo as enfadonhas sabatinas. E fixar mandato de 10 anos.

Só como exemplo da atual composição o Decano Celso de Mello tem sua aposentadoria para novembro de 2020, quando completa 75 anos de idade, ele completará 31 anos na Corte. Já Marco Aurélio Mello tem previsão para deixar o tribunal em julho de 2021, totalizando os mesmos 31 anos de Celso.

Na sequência aparecem (por longevidade da posse até a aposentadoria) Antonio Dias Toffoli (2009-2042), Gilmar Mendes (2002-2030), Alexandre de Moraes (2017-2043), Cármen Lúcia (2006-2029), Luis Roberto Barroso (2013-2033), Edson Fachin (2015-2033), Ricardo Lewandowski (2006-2023), Luiz Fux (2011-2028), Rosa Weber (2011-2023).

É claro que sempre tem o imponderável nos casos de algum ministro antecipar a aposentadoria (Joaquim Barbosa, 2003-2014) e em caso de falecimento (Teori Zavascki, 2012-2017).

Se a regra não for modificada até lá (longo caminho), o próximo presidente, eleito em 2018 e posse em 2019, terá poder para fazer pelo menos 2 indicações ao STF.

A Corte mais alta do Judiciário merece respeito tanto por parte dos seus membros quanto da população, porque é o Guardião da Constituição. Mais do que guardião, o STF é a última instância para preservar o Estado Democrático de Direito e a própria democracia. É preciso acreditar nas instituições.

30 anos

Tejuçuoca completa 30 anos de emancipação política. É ainda uma jovem cidade no meio do semi-árido nordestino na parte cearense, mas Tejuçuoca entrou na fase adulta com conquistas e derrotas.

Desde 13 de janeiro de 1988 (foi emancipada em 28 de dezembro de 1987, pela lei 11.414, mas saiu no Diário Oficial do Estado no ano seguinte) muita coisa aconteceu e, ao mesmo tempo, a mesmice continua reinando.

Já foram realizadas 8 eleições para eleger o prefeito, vice-prefeito e vereadores. Apesar de ser tempo suficiente para um amadurecimento político, inclusive elegendo a primeira mulher prefeita na eleição de 2016, o caciquismo político ainda é forte.

O poder Executivo de Tejuçuoca é dominante e a Câmara de Vereadores é um mero carimbador de projetos da prefeitura. A prefeitura é o grande polo concentrador da economia – junto com aposentados do INSS e Bolsa Família – do município, com comércios de pequeno e médio porte.

Há pequenas indústrias de confecções, mas a industrialização não chegou e não tem sinal que vai chegar tão cedo. Enquanto isso, o sonho de muitos é ter um emprego público. O brasileiro é concurseiro nato, o tejuçuoquense eleva isso a enésima potência com uma economia muito dependente do Estado até pela carência de infraestrutura e condição de vida um pouco melhor. O voto não é um ato de cidadania e sim uma obrigação para tal candidato depois de eleito retribua a ajuda na eleição.

Mas o povo de Tejuçuoca é, na média, um povo batalhador que precisa matar um leão por dia para sobreviver. E com conscientização mudaremos a mentalidade clientelista dominante para, de fato, uma cidadania plena. Pode parecer clichê e otimismo, mas precisamos de otimismo e até um pouco de utopia às vezes para transformar realidades desfavoráveis em algo melhor.

Que os próximos 30 anos sejam de mais vitórias do que derrotas e das derrotas se extraia aprendizado.

Jair Bolsonaro “liberal verde-oliva”

O presidenciável Jair Bolsonaro falando da reforma da Previdência não tem o que tirar um petista falando, é o mesmo texto da esquerda, de não tirar o direito dos “velhinhos” se aposentar. Só que a reforma proposta pelo atual governo não mexe com o direito sagrado da aposentadoria, apenas estabelece idades mínimas para homens e mulheres e evitar que a Previdência continue chupando recursos do orçamento para fechar o déficit cada vez maior.

Bolsonaro apoia privatizar a Petrobras, desde que o governo possa selecionar os interessados na estatal (a comunista China nem pensar, segundo o deputado). Isso não é privatização, é formação de oligopólio para substituir o monopólio do Estado. Apenas transfere a empresa de mãos continuando o mercado concentrado em poucas empresas ou nem isso.

Não adianta colocar um liberal – Paulo Guedes – para comandar a economia se você diverge do seu comandado, o Brasil já passou por essa experiência com Dilma e Joaquim Levy, e não foi muito boa.

Outro ponto interessante da entrevista de Bolsonaro na RedeTV foi quando a apresentadora do jornal Amanda Klein fez uma pergunta bem formulada sobre a capilaridade do atual partido do pré-candidato o PSL. Ele invocou Enéas Carneiro, que “foi muito longe” tendo só 15 segundos no horário eleitoral na TV e sem redes sociais, em 1994. Só que o Enéas “foi muito longe” conseguindo 4 milhões de votos e um terceiro lugar. Será que Bolsonaro espera ser eleito presidente com 4 milhões de votos em um país com 200 milhões de habitantes e mais ou menos 150 milhões de eleitores?

Melhor forma de desidratar o Bolsonaro é deixar ele falar, falar e falar. A cada entrevista é um desastre atrás do outro. Não é possível que pessoas que saibam pensar para além do popularesco continue pensando em votar em um candidato despreparado para um cargo de tamanha responsabilidade (ainda mais nas atuais circunstâncias) e tão tosco.

Bolsonaro e o Livres

Walderice Santos da Conceição, Wal, é funcionária fantasma alojada no gabinete do deputado Jair Bolsonaro, ainda no PSC que já “namorou” o PEN – obrigando o partido a mudar para Patriota – e fechou uma parceria com Luciano Bivar para ser o candidato do PSL, sendo o pivô da debandada dos liberais do movimento Livres do partido.

Segundo apurou a Folha, Wal mudou várias vezes de cargo com salários que podem chegar a quase R$ 15 mil nos 15 anos que é funcionária no gabinete sem pisar o pé em Brasília. Mais: seu marido faz “bicos” na casa de veraneio de Bolsonaro em Mambucaba, que fica em Angra dos reis (RJ).

“Funcionário fantasma” pode ser um tiro fatal nas pretensões eleitorais de Jair Bolsonaro. Obviamente, a seita vai tentar desqualificar de todas as formas a matéria do jornal e quem ousar questionar o pré-candidato.

Todavia, a imagem de quase santidade que se formou em torno de Jair Bolsonaro, muito por não está envolvido nos megas escândalos de corrupção, já virou pó.

Quase 30 anos em um cargo público não aprovando um único projeto de grande repercussão (fora o voto impresso) com todas as benesses do cargo e se autoproclamando combatente da mentalidade esquerdista dominante, PT, Foro de SP, mas votando contra projetos que a esquerda abomina. Também as polêmicas que geraram processos contra ele, como no caso com a Maria do Rosário. O populismo e oportunismo de virar as costas para a política (o sistema) que o deixa sem tempo de TV e sem a obrigatoriedade de ser convidado para os debates eleitorais apostando sua futura campanha só na internet e seus seguidores que não aceitam que o “mito” seja criticado nem por quem se diz publicamente conservador.

Não sou liberal “puro” ou libertário, portanto não sou adepto ao Livres, mas admiro o movimento que tenta levantar a bandeira do liberalismo na política institucional. Sou bastante crítico do liberal que não gosta de se juntar com outro liberal mais ortodoxo e com os conservadores. A esquerda se une com mais facilidade, mesmo com fortes divergências de opiniões e dogmas – gera um preço a pagar outros partidos ficando à sombra de um partido hegemônico.

Mas a batida de posição do Livres, não aceitando ficar no mesmo partido que Bolsonaro e tudo que ele representa, foi um feito a ser lembrado por anos, décadas, séculos. Com absoluta certeza vai estar nos livros de história da política brasileira. E as últimas notícias referenda a posição acertada dos liberais.