Entrevista: Marlos Ápyus

Marlos Ápyus é formado em jornalismo na UFRN e também estudou Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas na CEFET-RN. Natural de Mossoró (RN), Marlos é mais um nordestino que foi morar em São Paulo. Se destacou na internet como editor do site político Implicante, que fazia uma dura (até mais que a oposição política) oposição ao governo Dilma Rousseff, tanto que o site chegou a estrelar uma matéria na Folha de São Paulo em 2015, com um tom acusatório, por a empresa de um membro do site ter prestado serviço ao governo de São Paulo, governado pelo PSDB. Marlos Ápyus está na luta contra teses de esquerda dominantes na imprensa. Ultimamente escrevia para o site Senso Incomum e criou o Políticas Info. Também já escreveu alguns textos para este blog, em 2013 e 2014.

A seguir, uma entrevista que ele concedeu ao Brasil Decide.

Você tem muita influencia na internet e luta contra o monopólio da comunicação e o viés esquerdista da grande imprensa, está ganhando ou perdendo essa guerra?

Ganhando em alguns aspectos, perdendo em outros. Havíamos encontrado um modelo que funcionava bem, inclusive financeiramente. Uma linguagem que permitia atingir milhões de leitores e ainda ter em contrapartida alguns trocados que ao menos pagavam o aluguel. Mas isso foi atacado pela imprensa tradicional. Ou seja… Essa luta hoje não é viável, estou em situação financeira bem complicada, sigo apenas por “amor à causa”. Mas está cada vez mais claro que tínhamos razão na nossa luta, que a imprensa é viciada e conivente com a corrupção. Deixar isso claro à opinião pública é uma vitória.

O que você acha do conceito “fake news”?

É um termo forjado pela grande imprensa para jogar contra o adversário dela aquilo que ela tanto praticava. E com finalidade de censura mesmo. Para não perder o oligopólio da narrativa. Sempre se contou mentira na política, a esquerda é especialista nisso, cresceu com isso, reelegeu Dilma espalhando mentiras… Mas, quando começou a ser derrotada por projetos independentes que delineavam tais mentiras, passou a acusar o adversário daquilo que ela fazia. É uma jogada baixa de almas pequenas. É triste, mas não surpreende.

Como combater as “fake news” sem cair na censura?

Não se combate a mentira censurando o mentiroso, mas falando mais alto do que ele. O padrão da esquerda é derrubar o perfil, a página, calar o parlamentar, ameaçar de prisão. O perfil da direita é justamente o contrário, é gritar ao máximo para o mundo que o mentiroso está mentindo, compartilhando a mentira e fazendo chacota dela.

Quero crer que isso mostra bem qual lado de fato defende a liberdade.

Você chegou a propor uma união na direita para a eleição, ainda acha que é possível ou é inviável?

Só vale a pena unir a direita por uma eleição democrática se essa direita aceitar que a democracia é o único caminho que nos retirará desta crise. Se a direita tem interesse em usar a democracia para justamente acabar com a democracia, como fez a esquerda da Venezuela, por exemplo, eu prefiro que fique longe, lá longe.

E é com muito pesar que reconheço me sentir como uma voz minoritária aqui na direita.

Na sua visão, a eleição está mais para um candidato de direita ou esquerda; liberal/conservador ou progressista?

Se um candidato de centro-esquerda vencer, já será uma vitória da direita. Porque o eixo terá se deslocado levemente para a direita. E, desde 2002, só a esquerda vence disputa presidencial. Não se vai da esquerda à direita sem passar pelo centro.

Mas, caso isso ocorra, a direita infelizmente não perceberá isso. Porque é verde, e nem é oliva, é apenas imatura mesmo, não entende que o jogo político requer décadas de luta, que é uma maratona e não uma prova de cem metros rasos.

Eu prefiro que essa direita amadureça mais um pouco antes de acumular tanto poder.

Qual sua perspectiva para o próximo mandato presidencial?

Teremos um presidente que receberá a maioria dos votos. Ou seja… Que terá, antes de assumido, feito um bom trabalho de convencimento da opinião pública. Por mais que eu entenda que tecnicamente Michel Temer recebeu os mesmos votos de Dilma Rousseff, esse diálogo entre Temer e o brasileiro nunca ocorreu, e isso é péssimo.

Então espero que os próximos quatro anos sejam melhores que os últimos dois.

Concorda com aqueles que dizem que o futuro presidente poderá sofrer impeachment?

O PT derrubou Collor colocando alguns balões da CUT na rua e chamando aquilo de povo brasileiro. A classe média derrubou Dilma colocando um milhão e meio de brasileiros na avenida Paulista. É este o novo piso. Quem quiser derrubar o próximo presidente sabe que precisa antes bater esta meta. E não é uma meta fácil.

Qual o maior erro do presidente Michel Temer para esse recorde de rejeição (comunicação?) e se teve algum acerto na sua opinião.

Há na política brasileira quatro grandes grupos de pressão: imprensa, mercado, políticos e opinião pública. O PT sabia que tinha o apoio da imprensa de graça. E o usou para conquistar a opinião pública com mentiras. Por fora, comprou o mercado com BNDES e os políticos com petrolões. Mesmo com este jogo fisiológico em voga, o PT viveu a demonizar a imprensa e o mercado. Porque tem interesses ditatoriais e sabia que estes seriam obstáculos ao projeto totalitário de poder.

Temer ao menos encarou o mercado como uma força a se respeitar. Sabe que dele depende a geração de emprego e a saúde financeira da nação. E que nenhum país se desenvolveu demonizando o mercado.

Foi talvez o único acerto. E ainda assim não acertou em cheio, tanto que se deu a algumas lambanças quando a poeira começou a sentar.

O maior erro foi não entender que o tempo em que aceitávamos corrupção impunemente acabou. Quer a qualquer custo, e o STF é o maior comparsa desta missão, voltar à situação anterior, quando roubavam sem qualquer receio. Não há qualquer chance de o Brasil voltar àquilo. Insistir neste caminho é insistir na própria destruição.

Para fechar, explane sobre o futuro da mídia tradição e alternativa.

Essa briga lembra um pouco o duelo entre cooperativas de táxi e aplicativos, taxistas e motoristas de Uber, ou serviços de streaming e canais pagos. É o tradicional contra a alternativa criada pela internet. Nos três exemplos anteriores, aprenderam a conviver, ainda que sigam adversários um do outro.

É o que espero também deste embate atual.

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Entrevista: Alexandre Frota

Na última semana, um princípio de terremoto ameaçou o partido do presidenciável Jair Bolsonaro. A jornalista Joice Hasselmann, segunda ela “pega de surpresa”, foi convocada para ser candidata ao governo de São Paulo pelo PSL. O presidente do partido no estado, Dep. Major Olimpio gravou um vídeo desmentido que o nome da jornalista foi indicado ao cargo e foi apenas um pré-candidato a deputado pelo partido que lançou o nome dela afrontando a hierarquia da direção do PSL.

Major Olimpio tenta costurar uma aliança com o pré-candidato Paulo Skaf (MDB), o que opõe o deputado e a jornalista, que é contra e acha que essa possível aliança prejudica a candidatura de Bolsonaro. A jornalista e youtuber fez uma sequência de vídeos tentando acalmar o ambiente no partido, mas não descartando sua candidatura ao governo.

O que é certo é que o PSL paulista ficou dividido com esse lançamento da pré-candidatura de Joice Hassemann ao governo paulista. Joice foi convidada por Jair Bolsonaro para ser candidata ao Senado, também por São Paulo.

O pré-candidato a deputado federal Alexandre Frota não vai com a cara da jornalista. Em entrevista exclusiva ao blog, ele não poupou críticas pesadas para Joice.

*

O que achou dessa briga Joice Hasselmann e Major Olimpo no PSL?

Joice não vale nada. É mentirosa, falsa e está se vitimizando. Mas faz tudo de caso pensado. Uma chata, fala pelos cotovelos, gralha. Imagina acordar com essa mulher falando assim sempre em tom acima do normal, gritando e rápido. Ela vai perder essa guerra, pois não manda no PSL e muito menos tem moral na cúpula e sabe de nada essa metida e prepotente.

Pode atrapalhar o PSL e prejudicar a candidatura de Jair Bolsonaro?

Jamais vai atrapalhar a candidatura de Jair, pois ele construiu tudo sem ela. E não depende dessa mulher pra nada. Joice se vende como se fosse uma Ivete Sangalo, mas não passa de uma Mara Maravilha.

Você parece ter uma bronca da Joice, o que acha dela?

Não tenho bronca, sou realista e verdadeiro. Ela não vale nada e eu já deixei claro que não confio nela. Por mim, seria expulsa do PSL.

Sua candidatura a deputado federal não prejudica Eduardo Bolsonaro, já que concorrem ao mesmo cargo, no mesmo estado e no mesmo partido?

Eu e Eduardo somos amigos antes de mais nada. Ele me convidou para entrar no PSL. O público dele é um e o meu é outro. Ele é a estrela o numero 1 nessa corrida e torço por ele e vou trabalhar para ele ser eleito com 1 milhão de votos, quem sabe ele me arrasta.

Entrevista: Guto Mota

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O vereador Guto Mota (PSD), de Tejuçuoca/CE, concedeu uma entrevista para o blog. Ele falou do governo da prefeita Heloide Estevam (PMDB), da atuação da oposição na Câmara de Vereadores daquele município e de eleições.

O que achou do primeiro ano de mandato da prefeita Heloide Estevam?

Primeiros 15 meses de mandato da prefeita deixou muito a desejar e ficou abaixo da expectativa. Tivemos um aumento no endividamento do município de Tejuçuoca (parcelamento da dívida do TEJUPREV em 200 meses ou 16 anos) e a aquisição de empréstimo milionário para reformar a sede da prefeitura, acabou o PRÓ-CIDADANIA, obras inacabadas, desabamento da quadra da escola da Boa Ação, etc.

Qual o planejamento da oposição para 2018 na eleição e na Câmara de Vereadores?

Vamos continuar trabalhando e lutando por uma Tejuçuoca melhor e mais igualitária. Mantendo a união e coesão do grupo.

Domingos Neto continua sendo seu candidato a deputado federal, e para estadual, senador (2 duas vagas), governo e presidente?

Estamos trabalhando uma grande união em prol de Tejuçuoca. União de todos os grupos de oposição e mais alguns amigos e amigas que discordam da maneira de administrar que está a vários anos no poder. Vamos nos unir, trabalharmos juntos. Apoiaremos a reeleição do Governador Camilo e estamos conversando com o ex-governador Cid Gomes, Presidente da Assembléia Legislativa Zezinho Albuquerque, o Deputado Estadual Audic Mota e com o presidente do PP Antônio José Albuquerque.

Ainda é muito cedo, mas a oposição já tem algum nome como possível candidato para 2020?

Muito cedo para vermos isso. Momento agora é de trabalhar. Mas lógico que a preferência é do Mota Filho, que foi candidato em 2016 e teve uma boa votação.

Entrevista: Janaína Lima

Entrevista com a vereadora da cidade de São Paulo, Janaína Lima (Partido NOVO). Janaína veio do movimento “Vem Pra Rua”, que surgiu com os protestos de rua a favor do impeachment de Dilma Rousseff. Foi eleita vereadora em 2016, com 19.425 votos. Como vereadora, Janaína Lima é destaque por economizar dinheiro público com cortes de despesas em seu gabinete.

Janaína Lima (centro) em manifestação por renovação na política (agosto/2017)

O que está achando do mandato do prefeito João Doria até aqui?

O prefeito Doria certamente mais acertou do que errou e o nosso mandato é grande apoiador do Plano Municipal de Desestatização e todas as parcerias que a prefeitura tem realizado com a iniciativa privada.

A vereadora está muito entusiasmada com o programa de desestatizações da prefeitura de São Paulo. Acredita que São Paulo terá um ganho grande com as concessões e privatizações?

O ganho será enorme. Os equipamentos que estão contemplados no plano em geral estão sucateados e trazem prejuízo aos cofres públicos. Além do que se arrecadará com as concessões, o paulistano vai ter acesso aos mesmos serviços, mas que serão melhores geridos enquanto a prefeitura dá foco somente ao que é mais importante: saúde, educação e segurança.

A vereadora vem dos movimentos que levaram milhares e até milhões de pessoas para as grandes manifestações entre 2013 e 2016, qual o balanço de seu mandato neste primeiro ano em um cargo público?

Vamos lançar um conteúdo no Facebook com esse balanço. Podemos dizer que fizemos muito, com muito menos recursos. Além de diversos projetos protocolados e até projeto já sancionado, economizamos mais de um milhão de reais em dinheiro público só com cortes de excessos no nosso próprio gabinete.

Muita gente espera uma renovação grande na política, principalmente no Congresso Nacional. Acredita nessa renovação?

Sim. O ano de 2018 certamente será um ano de grandes mudanças. Muitos rostos novos e gente boa e bem intencionada vão surgir como opção. Basta a população não se contentar com os velhos caciques e votar conscientemente. Não faltarão boas opções de renovação.

O seu partido tem no estatuto que candidatos só podem ter uma reeleição para qualquer cargo público. Pretende ficar os quatro anos na Câmara municipal ou se candidatar para Câmara Federal ou Assembleia de São Paulo em 2018?

Nosso objetivo é cumprir os quatro anos de mandato.

O NOVO vai ter candidatos para presidente e governos estaduais (para o governo paulista, por exemplo)?

Sim, o processo seletivo do partido está a todo o vapor e temos nomes fortes já como pré-candidatos: João Amoêdo para presidente e Rogério Chequer para o Governo do Estado de SP.

Governo Federal vem colocando em pauta reformas como PEC do teto público, ensino médio, trabalhista e tenta aprovar a da Previdência. Qual sua opinião sobre elas?

Claro que sempre há pontos polêmicos, mas em linhas gerais as reformas são importantes e precisam acontecer. A previdência está quebrada e a CLT antiquada. É preciso modernizar.

O Brasil está pronto para uma agenda do liberalismo ou o próximo presidente será estatista?

O Brasil está pronto e grandes nomes da política que até então se enquadravam como conservadores hoje tentam trazer o liberalismo em seu discurso. Não podemos prever o futuro, mas certamente o liberalismo será uma pauta forte dos debates em 2018. Nós brasileiros estamos cansados de excesso de governo e excesso de impostos sem retorno. Estamos sufocados.

Entrevista: Arthur Virgílio Neto

Entrevista com o prefeito de Manaus (AM), Arthur Virgílio Neto, que não abre mão de ser o candidato do PSDB na eleição de 2018 e desafia o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, para uma prévia aberta.

Por que resolveu entrar na disputa para ser o candidato a presidente do Brasil?

Porque entendo que é hora de ousadia com responsabilidade. Fui duas vezes líder do governo do presidente Fernando Henrique na Câmara dos Deputados, fui ministro-chefe da Secretaria da Presidência da República nesse mesmo governo, por três anos seguidos fui secretário-geral nacional do PSDB, pela terceira vez sou prefeito da cidade de Manaus, que é umas das mais complexas do país, uma das mais desafiadoras, portanto eu entendo que há experiência, além de mãos limpas, e energia para colocar o país nos bons rumos da boa economia.

O senhor é crítico do jeito que o governador Geraldo Alckmin trata os outros estados. Acha que ganharia dele em uma prévia?

A prévia depende muito como ela seja feita. Uma prévia sem cartas marcadas, uma prévia aberta, com dez debates e que o tempo está passando e eles não tratam de marcar estes debates. Uma prévia de dez debates entre o governador Alckmin e eu próprio. Uma prévia com a votação de 1,2 mi de filiados com mais de 1 ano de filiação e uma prévia em que os candidatos se joguem com nada de máquina, se joguem com o coração e cérebro para que fique bem claro quem é o melhor. Nesta prévia, eu acredito que sairia vencedor.

Agora, eu tenho dúvidas sobre o resultado da prévia. É uma coisa pra ser lutada. É uma luta que eu vejo que ele não quer travar e luta que eu preciso travar como preliminar, mas tenho certeza quase que absoluta de outra verdade: a de que ele não é o candidato para este momento a presidente da República, não é um candidato bom para empolgar a nação. Eu acho que tenho mais condições que ele para isso e me sinto mais competitivo, me sinto capaz de realmente causar uma grande polarização política neste país em torno de um projeto de reformas, de um projeto de consolidação de ganhos econômicos que nasceram com o real e que durante algum tempo andaram se desperdiçando na poeira de tanta denúncia de corrupção, de tanta confusão e tanta coisa negativa.

O senhor disse que, sem prévias, o PSDB caminha para mais uma derrota presidencial. Perderia com Alckmin, mesmo com prévias?

Eu não sinto que seja o momento dele. Não sinto. Não sinto que o eleitor queira alguém com o perfil do governador Alckmin, não vejo isso, vejo que ele passa bem distante pelas suas indecisões, pelas suas indefinições, pela forma como trata tangenciando certos assuntos sem mergulhar no coração desses mesmos assuntos. Exemplos: união homoafetiva, eu sou a favor; ele dificilmente é a favor, mas não sei como diria, talvez saísse pelo lado do direito civil.

Eu sou a favor da liberação da maconha como item de um programa muito completo de segurança pública que tenho em mãos; ele dificilmente diria algo parecido. Reforma da Previdência: eu sou favor, tem que ser votada como questão fechada no PSDB, com punição severa para aqueles que ficarem inadimplentes com este compromisso. E o governador Alckmin como presidente do partido e candidato que é uma coisa esdrúxula – presidente do partido e candidato – é algo que até denigre o partido, não fica nem bem, ele declarou que havia sido fechado questão, e foi fechado na reunião do diretório, e depois que não havia punição. Meu Deus, como pode fechar questão e não punir quem não respeite a definição de fechamento de questão por parte da instância superior de decisão do partido?

Tudo isso não compõe. É candidato, assim, muito do “talvez”, “mais ou menos”, “pode ser”, não o candidato que dê as respostas que o Brasil está pedindo agora, e por isso o Brasil tem se iludido com figuras falsas como, por exemplo, o candidato Jair Bolsonaro, que é um aventureiro, não tem nada concreto sobre ninguém, aliás, desconfio sobre o que ele teria exatamente na cabeça, não sei precisar o que poderia ter na cabeça, com certeza não tem projeto para o país na cabeça, então vai ocupando espaço, porque parece decido, fala em matar bandido. Onde é que está o plano de segurança pública? Fala em acabar com a corrupção e passando por uma pessoa honesta nunca governou tesouraria de um clube. O que recomenda para virar presidente da República? Em nome do combate à corrupção vai enganando. Vai iludindo jovens que estão cansados da insegurança pública, cansados da corrupção. Vai iludindo pessoas e nós temos aqui essa indefinição, essa coisa de sempre dizer as coisas pela metade, não falar as coisas inteiras e me sinto muito pronto para dizer as coisas o que penso, inteiras, pouco me preocupando sobre se tira voto ou me dá voto.

Disse que “esmagaria” o pré-candidato Jair Bolsonaro em um debate. Qual tática usaria para vencê-lo?

Basta debater com ele. O simples debate vai mostrar quem eu sou e vai mostrar quem ele não é. Simplesmente ele não responde uma pergunta que signifique contato realista com a arte de gerir a coisa pública e nem tem ideia formada até porque sempre foi um deputado de ficar cobrando reajuste para militares, enfim, fazer disso sua bandeira e fez, e diz que não é político, uma carreira neste campo. Para mostrar quem não é o Bolsonaro, eu preciso só de um debate com ele, e as pessoas vão ver quem sou eu.

PSDB errou ao entrar oficialmente no governo do presidente Michel Temer?

Não. Naquele momento agiu completamente ajustado com a nação com a necessidade de uma transição após a questão Dilma Rousseff. A presidente Dilma Rousseff perdeu as condições de governar o país, entra o seu substituto constitucional que era o vice-presidente Michel Temer, ele não poderia ficar pendurado no pincel, ele teria que está amparado numa maioria parlamentar que garantisse a governabilidade e com o compromisso de fazer reformas estruturais a começar pela da Previdência. Hoje em dia, virou uma coisa irrelevante. Pode sair, já devia ter saído antes, o que não pode romper com o projeto das reformas. Não podemos titubear nem usar o Temer como pretexto para titubear em relação as reformas. Se afasta do governo Temer ontem, entrega tudo que é cargo, quem não fez está perdendo tempo. Agora, não pode é não votar as reformas estruturais, isso não sirva de desculpa para ninguém.

E, na sua visão, o partido errou ao apoiar o impeachment e era melhor deixar Dilma Rousseff “sangrar” ou seria um erro igual na época de Lula no mensalão?

Não sou a favor de deixar ninguém “sangrar” porque sou contra a tortura, quem é favor de tortura é o candidato Bolsonaro. Ele que gosta disso, eu não sou a favor de tortura. Eu jamais deixaria alguém “sangrando” porque não é da minha forma de combater. Eu não fui, no início, entusiasta de impeachment, não sou vivandeira de opinião pública, de sair atrás da opinião pública.

Eu entendo que o líder ele forma maiorias, não é a maioria que forma o líder e o líder tem que saber ter essa sintonia fina com a opinião pública. Se a opinião pública emocionalmente é levada a opinião que seja, ao longo prazo, danosa para o país o papel do líder é até perder a condição de líder, mas dizer que estão errando que a história registra o que estão fazendo a cada momento da própria vida do país.

Então, pra mim, a presidente Dilma não caiu por causa de “pedalada”, não foi por causa dessa história, ela caiu porque perdeu as condições de governar o país. Como o país ficou ingovernável então o Congresso, no momento final eu entendi que tinha que ser assim, optou por impedi-la e juridicamente usaram um pretexto, mas ela caiu porque perdeu as condições de governar o país.

O senhor acha que tem chance de vitória caso seja o candidato do PSDB?

Tenho muitas expectativas de vitória sim. Porque vejo uma candidatura de esquerda cansada, a esquerda está cansada no mundo inteiro, no Brasil está mais do que fatigada, ela repete jargões que são antigos para os anos 1950 do século passado. Engraçado quando tinha que ser esquerda mesmo, quando havia uma esquerda, e eu já fui iludido por isso, mas foi nessa condição que enfrentei uma ditadura militar, o Lula não era tão esquerda assim. Uma coisa engraçada ele ter ficado depois de velho.

O grande poeta brasileiro, Carlos Drummond de Andrade, hoje em dia não tem cabimento nem na juventude, mas ele dizia que se você não é de esquerda quando jovem você não é jovem, não viveu a juventude; se você não rompeu com a esquerda depois de maduro é porque você não ficou maduro. Carlos Drummond de Andrade, grande poeta brasileiro, um dos maiores da língua portuguesa.

Lula é uma coisa velha, uma coisa ultrapassada. Nós temos na outra ponta Bolsonaro, enfim, tem um grande caminho pelo centro e não adianta nos iludimos qualquer um que se diga de centro vai chegar. Não, eu sou liberal na economia, sou a favor de privatizações, sou a favor de agências reguladoras que regulamentem essas relações entre as novas empresas privadas e o Estado. Sou a favor de um Estado necessário. Nada de Estado mamute como esse que nós temos. Sou a favor de um Estado que seja capaz de estruturar certas áreas para propiciar chegada do capital privado. Não sou, em princípio, a favor do Estado-Empresário.

Entendo que não deve ser, jamais, privatizada uma Eletronuclear, isso é matéria de segurança nacional. Mas entendo que das mais ou menos 150 estatais que nós ainda temos eu privatizaria de início quase 90%, 85% delas, incluindo a Petrobras, se tiver valor de mercado no momento. Eu ainda questiono se ela tem valor de marcado para ser privatizada tanto mal fizeram a ela no período petista, no consulado petista.

Disse que não quer o apoio do PMDB e do PP. Mas o tempo do horário eleitoral ainda faz diferença. Não seria risco abrir mão desse ativo? Até para se apresentar nacionalmente e apresentar suas propostas com tempo suficiente para as pessoas assimilarem.

Eu abriria [apoio de PMDB e PP para ter maior tempo de TV] porque considero um passivo. E mais: esse tempo de TV eu acabaria consumindo esse tempo todinho explicando porque estou com eles. Eu prefiro assim, quem tem 3, 4 ou 3 minutos e meio, e não é difícil para o PSDB conseguir isso, sem dividir o Estado em capitânias hereditárias antes da eleição para depois não governar. Eu prefiro, com clareza, arriscar que me falte algum tempo, mas acho que não faltaria, a ter um tempo que no fundo vai representar até pela expressão daquele tempão enorme de que não sou capaz de inovar, não sou capaz de propor para o país saídas efetivamente saudáveis e diferente para a grande crise brasileira.