A repórter, o beijo forçado e a guerra cultural

Não é recente e se aprofunda cada vez mais a militância ideológica na imprensa nacional e internacional. Em tempos de polarização acirrada vira instrumento na guerra de narrativas e domínio cultural. A disputa não é mais entre comunismo contra capitalismo, até porque já está mais que comprovado que comunismo além de não funcionar economicamente (caos) e socialmente (aprofunda a miséria) tira a liberdade. Sai Karl Marx; entra Antonio Gramsci e a teoria que não se muda um sistema por meio de revolução armada, o filosofo marxista italiano defendeu que a revolução tem mais chance de êxito por meio cultural, ou seja, entrar dentro do sistema para transforma-lo. É aí que entra a imprensa.

Redações de jornais e TVs são dominadas por jornalistas de esquerda – liberal, social-democrata ou socialista -, o mundo cultural, esportivo e artístico também foram “capturados pelos canhotos”. A esquerda também é hegemônica no mundo acadêmico. Todo esse predomínio pauta discussões e modelos culturais. Verdade que esse domínio vem sendo questionado e enfrentado com muita resistência. Mas a guerra é longa e desleal. A pauta progressista já está incorporada no jornalismo/esporte e entretenimento do principal grupo de mídia do país (Grupo Globo).

Uma das pautas mais comuns do progressismo ideológico é o feminismo e nem a Copa do Mundo de futebol escapa da guerra cultural-ideológica. Na verdade, a Copa é palco perfeito e coincidentemente muitos casos estão surgindo para deleite da rapaziada. A última teve a repórter do Grupo Globo Julia Guimarães, que fazia um link direto da Rússia, quando um torcedor tentou dar um beijo nela. Compreensível o ato da repórter com o cara. Achei um pouco de exagero, mas tudo bem. É desagradável você lá fazendo o seu trabalho e do nada um sujeito desconhecido tenta te beijar.

Meu problema mesmo é com a repercussão, os discursos indignados travestidos de discurso político e a campanha hipócrita da imprensa transformando tudo em machismo, racismo, homofobia e outros ismos. É ir vasculhar igual urubu atrás de carniça a vida dos participantes da pegadinha de mau gosto com uma russa e jogar seus podres para linchadores virtuais. Um outro caso parecido fez com que um rapaz perdesse o emprego em uma companhia aérea.

Tudo é calculado para fazer prevalecer a narrativa. Nessa guerra vale distorcer, mentir, criar factoides, criar vilões e heróis, estereotipar quem pensa diferente ou simplesmente não concorda com vitimismo, o politicamente correto ou simplesmente não quer mudar o mundo e seus acertos e defeitos.

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Aborto e Democracia

No Brasil, o aborto é permitido apenas em casos de estupro, risco de vida da mãe e anencefalia do bebê. Quem defende uma flexibilização argumenta que aborto é caso de saúde pública e mulheres – pobres – correm risco de vida em clínicas clandestinas. Feministas radicais dizem “meu corpo, minhas regras”. Já quem é contra até nos casos previstos em lei, diz que a vida é a partir da concepção e aborto é assassinato de bebês.

Uma gravidez indesejada é ruim. Muitas crianças são abandonadas nas ruas e orfanatos por mães sem condição de criar ou não preparadas para ser mãe. Por outro lado, um quase aborto fez o mundo correr o risco de perder um Cristiano Ronaldo e um feto não pode ser jogá-lo no lixo. O aborto não pode ser tratado com naturalidade.

A presidenciável Marina Silva (REDE), em entrevista para Mariana Godoy, disse que é contra o aborto. Marina é evangélica. Só que defende que seja feito um plebiscito para ser debatido. A pré-candidata deixa claro que apesar do Congresso ter legitimidade para decidir sobre o tema, como aconteceu na Argentina, onde o aborto foi aprovado na Câmara e está no Senado, por ser um tema abrangente de natureza ética, filosófica, religiosa, de saúde pública, o povo precisa ser ouvido.

Concordo plenamente com Marina. A República da Irlanda fez um plebiscito e a ampla maioria da população derrubou a emenda que proibia qualquer tipo de aborto no país historicamente católico. Ser contra o aborto não significa automaticamente ficar contra o debate. O que não pode, lembrando Gilmar Mendes, é “dar uma de esperto” e tentar flexibilizar o aborto no STF, como fez Luis Roberto Barroso em uma ação que descriminalizou o aborto nos três primeiros meses de gestação.

Há uma outra ação que está em discussão e tem a Ministra Rosa Weber como relatora que descriminaliza o aborto que não está na lei, de autoria do PSOL. O mesmo PSOL que tentou passar o aborto geral na Câmara de Vereadores de São Paulo sob o pretexto de humanizar os casos já previsto em lei, mas que tinha uma “pegadinha” no projeto da vereadora Sâmia Bomfim e foi derrubado graças ao vereador Fernando Holiday (DEM/MBL).

Só o Congresso Nacional tem o poder de legislar sobre aborto. O STF está usurpando competências legais e ultrapassando a linha de separação dos poderes. Não é caso isolado nem será o último assunto que a Suprema Corte legisla no lugar do Congresso. Em uma democracia representativa leis são elaboradas e votadas pelos representantes da população escolhidos em eleição direta, universal e livre. Quando há um impasse em uma questão muito polêmica e os representantes não conseguem decidir pelas divergências de opinião e credo, uma ferramenta para sair do impasse é a consulta popular via plebiscitos e referendos.

Sutis diferenças entre referendos e plebiscitos. Referendo é referendar determinada lei, ou um ponto de uma, que não o houve acordo no Parlamento; plebiscito é o contrário: a população é quem legisla com poder de decisão, o que for decido, em maioria absoluta, deputados e senadores que referendam o que o povo escolheu. Simplificando: No referendo é a população que referenda o que os representados legislaram, enquanto no plebiscito os representes referendam o que a população decidiu.

O Brasil não tem muita tradição de realizar plebiscitos e referendos, apesar da atual Constituição permitir. Nos 30 anos da Nova República houve apenas 1 plebiscito (sistema de governo – monarquia/parlamentarista ou República/presidencialista) e 1 referendo (sobre proibição de armas e fogo).

Plebiscitos e referendos aguçam o dever cívico da população e põe fim a impasses que muito provavelmente nunca serão solucionados no Parlamento em questões polêmicas. Claro que não pode banalizar tais instrumentos de democracia direta com bobagens ou será o fim da democracia representativa. E a democracia representativa continua sendo a mais viável forma de convivência civilizatória. Só que plebiscitos e referendos são poucos usados no Brasil.

Pabllo Vittar dá aula aos “justiceiros sociais”

A esquerda lacradora – incluso todos os segmentos – resolveu bombardear Silvio Santos por causa de uma charada em um quadro do seu programa dominical que vai para mais de 5 décadas consecutivas no ar. O apresentador foi acusado de ser “homofóbico” apenas por conjugar a palavra “bicha” a David Brazil, Gominho e Pabllo Vittar.

Gaby Amarantos puxou a manada contra o apresentador e empresário. Quem é Gaby Amarantos na fila da padaria para chamar o maior animador da história da TV brasileira de “homofóbico” e “racista”?

Tudo não passa de uma estratégia política-ideológica no momento que o empresário Senor Abravanel luta para fazer prevalecer o seu direito de propriedade privada e não tomar um prejuízo ainda maior do que já tomou. José Celso Martinez, vulgo Zé Celso, está querendo que a prefeitura de São Paulo construa um parque e assim impedir que Senor Abravanel (SS) construa um empreendimento imobiliário em local perto do Teatro Oficina, que nem do Zé Celso pertence, mas do governo estadual paulista.

Neste caso específico da disputa Silvio Santos vs Zé Celso, existe uma união de forças da política, imprensa e artistas contra o direito de propriedade privada do empresário.

Poderia escrever mil palavras em defesa de Silvio Santos e contra a histeria do politicamente correto que o acusa. Mas vou deixar Pabllo Vittar respondendo uma pergunta a respeito da confusão. A drag não caiu na pergunta tendenciosa do repórter e ganhou meu respeito.

Arrasou, Pabllo!!!

Existe homofobia. Gays são mortos só pela sua orientação sexual. Não é, porém, generalizando que se combate o problema. E muito menos fazendo linchamentos de pessoas como Silvio Santos, que sempre abriu o seu programa e sua emissora ajudando pessoas simples independente da classe social, cor, região, religião e sexualidade.

Silvio Santos não é “homofóbico” e muito menos “racista”, o apresentador/animador é de um tempo que não existia uma patrulha organizada para fiscalizar os programas de TV pronta para destruir reputações de quem não gosta e uma imprensa canalha que faz qualquer barbaridade por audiência e/ou em defesa de uma ideologia. Pode dizer que tem uma mentalidade mais antiga, a sua própria idade mostra o óbvio, mas não é por ódio a uma classe, cor ou gênero.

Revolta dos Caminhoneiros

Causa estranheza críticas de quem se diz liberal no campo econômico contra a paralisação dos caminhoneiros só por ser contra greves ou por beneficiar a oposição, beneficiar a esquerda e o ET de Varginha, ignorando principalmente o peso dos impostos no preço dos combustíveis, sendo que muitos dos críticos de hoje aplaudiam as mesmas paralisações quando era o PT no poder. Os Caminhoneiros alertaram o governo, o que fizeram as autoridades? Nada.

O governo fez descaso com os caminhoneiros, subestimou a importância do transporte de carga em um país que a malha ferroviária é mínima, como fez o governo anterior subestimando a onda de protestos contra o aumento de R$ 0,20 no passe de ônibus em junho de 2013 e nas manifestações pelo impeachment em 2015 e 2016. Governos subestimam a força do povo quando este se une em nome de uma causa e o atual age apenas quando a porta é arrombada, falhando na comunicação de suas ações.

Na verdade, o Brasil está completamente sem comando. O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM/RJ), articulou o fim do PIS/COFINS no projeto de reoneração da folha de pagamento das empresas, quando o acordo era só zerar a CIDE, contrariando o governo. Maia, que busca alianças para fortalecer seu nome e sua pré-candidatura à sucessão de Michel Temer, viu na causa dos caminhoneiros uma boa oportunidade de ganhar popularidade e sair do traço nas pesquisas.

A oposição está colocando toda a culpa do descalabro no Pedro Parente. Lembrando que o governo Lula abriu mão de regulamentar e investir no etanol e combustíveis renováveis quando a Petrobras descobriu o pré-sal, deixando a matriz energética brasileira cada vez mais dependente do petróleo. Parente cumpriu a missão que fora dada a ele ao assumir a Petrobras: recuperar a imagem da empresa após o escândalo gigantesco de corrupção e recuperar as finanças da estatal após intervencionismo exagerado.

Mas o preço dessa recuperação foi muito salgado para população. Parente pensou apenas nos acionistas da empresa. Só que a Petrobras é estatal e é impossível esquecer o lado social ajustando os preços apenas com o que acontece lá fora no preço internacional do petróleo e do dólar. Apenas para ficar em um exemplo, o gás de cozinha está impraticável e muitas famílias pobres trocaram o botijão de gás pelo milenar fogão a lenha ou a carvão.

A fome por imposto, o descaso nos serviços públicos, a inércia do “Leviatã” (Estado) passou de qualquer limite e o povo começa a perceber que ele é o “patrão” de quem o governa.

Ambição desmedida derrubou o Titanic

O filme Titanic já tem mais de 20 anos e continua entre os filmes de maior bilheteria lembrado até hoje como um sucesso retumbante. Mas o texto não é sobre o filme em si. É sobre o simbolismo que o filme passou.

Titanic é uma história inspirada em um fato real que mostrou a que preço pessoas pagam pela ganancia desmedida e prepotência de outras. E o preço, no caso específico, foram milhares de mortes. James Cameron mostrou como a ganancia e a megalomania voltam contra você. Megalomania de construir um transatlântico enorme e dizer que nem Deus o afunda e ganancia de fechar os olhos para os riscos por fama e dinheiro. A cena mais emblemática é quando o capitão é “obrigado” a aumentar a velocidade para chegar antes do tempo previsto e a viagem ganhar as manchetes dos jornais. Ele não cede de imediato e tenta convencer o proprietário do risco de usar a velocidade máxima do navio explorando ao máximo sua potência, mas o ego fala mais alto que a sensatez.

Já quando o navio se choca com o iceberg e era questão de horas para ele afundar, o capitão se vira para o dono do Titanic e fala: “acho que terá sua manchete”. Não era a manchete que o dono queria, mas foi a que ele e o capitão, o segundo por não resistir a tentação do ego inflamado, provocaram. As cenas do navio afundando são de uma dramaticidade contagiante. Fora a questão técnica perfeita levando você para a fatídica noite de 14 de abril de 1912, você se emociona assistindo impotente as pessoas desesperadas tentando entrar nos botes e não tendo lugares suficientes para mais de 2000 pessoas, uma mistura de desespero e resiliência.

Famílias sendo separadas. Tentativa de suborno para furar fila dos botes retratando a corrupção e a mensagem que o dinheiro não compra tudo. Nos minutos antes do Titanic afundar, todos se misturam cada um em busca de se salvar. Quem tem quem dinheiro e poder, tem melhor sorte. Só que não tem lugar para todos os privilegiados. Fica a imagem de corpos bolhando no meio do oceano após o navio afundar nas profundezas do atlântico.

Um mundo sem classe social é utópico. Várias tentativas de igualdade só levaram a mais pobreza, miséria e autoritarismo em nome de boas intenções. Não significa, porém, que ambição seja ruim. Querer ganhar dinheiro, ter prestígio e poder no que faz é salutar, é o combustível da vida, desde que não prejudique terceiros e o próprio planeta.