A queda de Marina Silva como alternativa à polarização PSDB-PT

Pesquisa do DataPoder360 mostra o deputado Jair Bolsonaro (PSC) chegando perto de Lula (PT) e da liderança da corrida presidencial de 2018; Marina Silva (Rede) segue “derretendo” nas intenções de voto; João Doria (PSDB) segue como melhor tucano avaliado, mas Geraldo Alckmin (PSDB) teve leve subida. Ciro Gomes (PDT) segue variando entre 4% e 5%. A subida meteórica de Bolsonaro e queda de Lula se explicam no atual contexto confuso e nebuloso político-eleitoral. Já a queda de Marina, aí é preciso um detalhamento mais específico.

Marina Silva foi fundadora do PT no seu estado natal, o Acre. Defensora do meio-ambiente, Marina foi ministra da pasta no governo de Luiz Inácio Lula da Silva até 2008. Já para o fim de 2008 e começo de 2009, por divergências com a ministra-chefe da Casa Civil e futura candidata de Lula, Dilma Rousseff, Marina deixa o governo e o parido depois de mais de 2 décadas de militância e ocupando cargos de vereadora, deputada e senadora por dois mandatos. Se filia ao Partido Verde e lança sua candidatura presidencial. Fica em terceiro com surpreendentes quase 20 milhões de votos, vitais para levar a disputa para o segundo turno entre Dilma (PT) e José Serra (PSDB).

Todavia, Marina opta por não apoiar nenhum dos candidatos após ouvir suas propostas de olho em manter-se como terceira via na eleição de 2014. Mas, por divergências dentro do partido, resolve deixar o PV e tentar fundar seu próprio partido, um partido com a sua cara e ideias. Na primeira tentativa em criar a Rede Sustentabilidade, o TSE não aceita conceder o registro partidário faltando um ano para as eleições de 2014 alegando falta de assinaturas necessárias verificadas nos cartórios. Marina acusa sabotagem para inviabilizar sua eventual candidatura ao Planalto.

É aí que surge Eduardo Campos. Rompido com o governo petista, o então governador de Pernambuco convida Marina e sua turma para disputarem as eleições pelo PSB. E Marina aceita ser vice de Campos. Surgiram muitas críticas à ambientalista, porque a aliança romperia seu discurso da “nova política”. E Marina não estava transferindo votos para Eduardo nas pesquisas como ele planejou. Especulou-se que Campos abrisse mão da cabeça da chapa para companheira. Ele negava e apostava no início da campanha de fato e no horário eleitoral para apresentar Marina como sua vice e assim elevando seus números.

Mas o acidente aéreo que vitimou Eduardo Campos e toda sua equipe de assessores mudou o rumo da eleição de 2014. Marina Silva assumiria a candidatura do PSB, ameaçaria tirar o candidato do PSDB do segundo turno e até a ameaçar a liderança da então presidente Dilma. Só que Marina não aguentou os ataques virulentos de PT e PSDB, principalmente os partindo do seu ex-partido e algumas controvérsias da própria candidata. Marina conseguiu mais votos que em 2010 – 22 milhões -, mas insuficientes para levá-la ao segundo turno. No segundo turno, diferente de 2010, Marina resolveu apoiar o candidato tucano. Ela até apareceu no horário eleitoral de Aécio Neves.

Marina é acusada nas redes sociais de sumir após as eleições e só reaparecer quando se aproxima o período eleitoral. Falácia de quem não gosta dela. E por sua posição ambígua em relação ao impeachment da presidente Dilma: favorável, mas com ressalvas e pedindo novas eleições via cassação da chapa Dilma-Temer no TSE. A Rede Sustentabilidade se dividiu no impeachment de Dilma Rousseff no Congresso – na votação final na Câmara 2 votos contra e a favor da admissibilidade – e faz oposição ao governo de Michel Temer, apesar de se declarar independente.

O problema de Marina Silva, na verdade, é que ela ficou “queimada” na esquerda muito pelo apoio ao Aécio no segundo turno de 2014. Por outro lado, a direita não a abraçou como oposição ao petismo. Muito pelo contrário. Marina esperava ganhar espaço com a imagem de PT e PSDB destraçadas. Mas não conseguiu como foi ultrapassada por Jair Bolsonaro, e não será tarefa fácil reconquistar votos perdidos.

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PSDB apoiaria Marina Silva?

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A pesquisa Datafolha de fim de ano divulgada mostrou Lula (PT) na frente no primeiro turno em todos os cenários. Com Marina Silva (Rede) em segundo, Aécio Neves (PSDB) em terceiro, Jair Bolsonaro (PSC) em quarto e Ciro Gomes (PDT) em quinto.

O detalhe da pesquisa são as simulações de segundo turno, Lula e Marina venceriam todos os presidenciáveis do PSDB; no confronto direto com Marna, Lula perderia. Lula está com várias denúncias pendentes e aceitas sendo que já é réu em quatro delas. Se conseguir se livrar de todas elas, Lula tem um eleitorado fiel que pode levá-lo ao segundo turno. Mas outro obstáculo que Lula teria que passar é a alta rejeição, só é menor que a rejeição do presidente Michel Temer.

O PSDB está perdendo eleitores mais conservadores que votavam nos tucanos nas eleições presidenciais por falta de opção e eles caminhando para Bolsonaro. Bolsonaro está em empate técnico com Aécio (11% x 9%, para o tucano) e está em empate matemático com José Serra e Geraldo Alckmin (8% e 9%, respectivamente).

Uma pergunta surge. Marina apoiou Aécio no segundo turno de 2014, desagradando muita gente tanto do partido que disputou o primeiro turno (PSB) e do movimento que viraria partido, a Rede Sustentabilidade. Um segundo turno entre Marina e Lula, ou Marina e Bolsonaro, o PSDB apoiaria Marina Silva?

2017 será o teste definitivo para o governo de Michel Temer, e também para os postulantes a ocupar a cadeira que Temer ocupa.

Parece que Marina Silva caiu na real

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Para Folha de São Paulo disse o seguinte: “Depois de ter passado por uma eleição sofrendo a violência que foi feita em 2014 pelo marketing selvagem [referência a ataques da campanha de Dilma Rousseff], será que é possível manter o diálogo, essa ideia de que é preciso compor programaticamente, de que existem pessoas boas em todos os partidos? Me parece que isso não prosperou”.

Marina foi atacada até na sua honra ao ameaçar quebrar a polarização PT-PSDB na eleição de 2014. Mesmo assim, Marina continuou com um discurso ambíguo e meio confuso; uma hora diz ser favorável ao impeachment, mas que a melhor alternativa para resolver a crise é a ação de cassação de chapa no TSE. Apesar de considerar seu partido recém-criado, a Rede Sustentabilidade, como independente do governo Michel Temer, o partido vota majoritariamente como oposição. E fez alianças questionáveis para a sua primeira eleição.

Após o primeiro turno das eleições 2016, a Rede sofreu uma debandada de apoiadores de Marina nas eleições presidenciais de 2010 e 2014. Em carta aberta alegaram para saída “vazio de posicionamento político” e que a Rede está caminhando para o centro político que é, para eles, “conservador”.

Talvez essa rasteira de até então fiéis seguidores tenha feita Marina Silva acordar para vida. Ela viu que é fisicamente impossível manter um pé em cada canoa. Que é preciso, em certos momentos, tomar lado e decisões mais firmes e não ficar exitando flutuando em ambos os lados.

Datafolha confirma a negação popular aos políticos

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Pesquisa Datafolha realizada em 17 e 18 de março mostra que os acontecimentos das últimas semanas fizeram a rejeição ao ex-presidente Lula explodir para 57% e o apoio ao impeachment da presidente Dilma subir para 68%.

Na contra mão o rival de Dilma na eleição, o Senador Aécio Neves, viu seus números minguarem. Marina Silva é quem está absolvendo ganhos com o descrédito de PT e PSDB. A provável candidata presidencial da Rede Sustentabilidade vence em todos os cenários pesquisados, ela têm entre 21 e 24%. No principal cenário, Marina aparece com 21%, Aécio com 19% e Lula em terceiro, com 17%.

Mas os números estão muito próximos e vantagens pequenas uma da outra, o que comprova a insatisfação geral com a política. O cenário também é propício para o aparecimento de Salvadores da Pátria. E figuras do tipo de Jair Bolsonaro.

A Rede abraçou a tese de que a ação de cassação da chapa Dilma-Temer no TSE é melhor do que o impeachment e entregar a presidência ao PMDB. Essa pesquisa reforça o entusiasmo do partido e de Marina com a possibilidade de antecipação da eleição presidencial. Todavia, essa rejeição popular aos políticos de todos os partidos deixa a próxima eleição mais imprevisível que a eleição de 2014. E vou mais longe: a eleição presidencial 2018, ou antes, tem tudo para ser mais disputada que 1989. Sem esquecer as eleições municipais em alguns meses.

1 ano da eleição de 2014

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A última eleição presidencial foi histórica. Uma eleição que lembrou a primeira eleição para presidente de forma direta depois de longos 20 anos de regime militar. Foi uma eleição insana, uma eleição polarizada ao máximo, talvez a última polarizada por PT e PSDB.

Marina Silva chegou a ameaçar essa hegemonia petista-tucana já em 2014. Mas ela sucumbiu as desconstruções dos dois principais partidos que disputam a presidência desde 1994. E se enrolou nos seus próprios erros durante a campanha. Boatos, mentiras, calúnias e viradas fizeram a eleição 2014 não terminar ao fim do segundo turno, o clima hostil nas redes sociais continua dividindo o país, mas agora não mais em Aécio e Dilma.

Agora, a divisão é mais ideológica, de valores, conservadores vs. liberais, pró e contra o impeachment da presidente reeleita. Uma disputa de esquerda contra direita de antes da queda do muro de Berlim, e uma irracionalidade que assusta.

Voltando para a eleição e o resultado final, a sensação que os votos de Marina foram para Dilma e não para Aécio, mesmo a candidata do PSB e terceira colocada com 21% dos votos apoiando oficialmente o candidato do PSDB no segundo turno. A candidata do PT começou a corrida presidencial com pouco mais de 30% de intenções de voto depois das manifestações populares de junho de 2013, se estabilizou em torno de 40%; Aécio chegou até 15% quando Marina entrou no lugar de Eduardo Campos, morto em acidente aéreo. Marina chegou a empatar com a presidente Dilma no primeiro turno e abrir 10 pontos num eventual segundo turno.

Uma das lições da eleição 2014 é que não existe transferência automática de votos de um candidato para outro. Essa transferência depende muito dos candidatos, principalmente do candidato receptor dos votos. Por exemplo, se fosse Marina ou Campos no segundo turno contra Dilma, a possibilidade da transferência dos votos do PSDB para o PSB seria maior que a transferência do PSB para o PSDB. Em outras palavras, os eleitores de Aécio votariam quase que unanimidade em Marina/Campos contra Dilma, já os eleitores de Marina se dividiram entres os dois candidatos (Dilma e Aécio) ou nulo e branco ou abstenção.

A eleição 2014 foi a eleição digital, das redes sociais e a tendência é ser cada vez mais assim nas futuras eleições. A justiça eleitoral só precisa tomar cuidado com os excessos que a internet proporciona. Mas a zoeira tem que continuar livre!

Pesquisa Ibope mostra Lula forte para 2018, e também com mais rejeição

Mesmo não vivendo o melhor momento político – denúncias envolvendo pessoas próximas e até familiares e as crises (política, econômica, baixa popularidade) da presidente Dilma –, a pesquisa Ibope divulgada nesta segunda-feira (26), um ano do segundo turno de 2014, mostra que o ex-presidente Lula ainda tem muito cacife político para queimar e pode surpreender se for candidato a presidente mais uma vez, em 2018.

O Ibope fez a pesquisa com perguntas diferentes do normal. No lugar de “quem você votaria se a eleição fosse hoje?”, o Ibope perguntou “se com certeza votaria no nome apresentado para a Presidência da República, se poderia votar, se não votaria de jeito nenhum ou se não o conhece o suficiente para opinar” e podendo deixar a pergunta sem resposta.

Só contando os que votariam “com certeza”, Lula lidera com 23% (potencial de 18%), seguido de Aécio, 15% (potencial de 25%), Marina, 13% (potencial de 28%), Serra, 8% (potencial de 24%), Alckmin, 7% (potencial de 23%), e Ciro, 4% (potencial de 15%). O ex-presidente tem seu aniversário no dia 27/10, mais conhecido como amanhã. Sem dúvida essa pesquisa é o melhor presente que Lula sonhava receber. É um sopro de novidade positiva no meio de tantas notícias desagradáveis a ele e ao PT.

Mas nem tudo são flores para Lula nessa pesquisa. Ele lidera entre os mais rejeitados: Lula (55%), José Serra (54%), Geraldo Alckmin (52%) e Ciro Gomes (52%). Menores rejeições: Aécio Neves (47%) e Marina Silva (50%). Índices muito elevados de rejeições aos postulantes da cadeira de Dilma Rousseff, o que mostra que a desconfiança da população na política partidária só cresce – com razão.