Casamento gay, ativismo judicial e mau jornalismo do Profissão Repórter

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Estava eu assistindo TV numa noite de quarta-feira sem futebol (pense em um sofrimento terrível) meio distraído no computador quando ouço “o presidente é contra”. Era o “Profissão Repórter” em seu último programa do ano falando de casamento gay.

Só que o programa de Caco Barcellos foi desonesto. A reportagem mostrava como casamentos gays aumentaram em outubro na comparação com outubro de 2017 e essa demanda aquecida seria por medo de Jair Bolsonaro acabar com a possibilidade jurídica quando tomar posse na presidência.

Problema é que o casamento gay não tem uma lei no Brasil. O que é permitido é a união estável via decisão do STF em 2011. Dois anos depois, em 2013, Joaquim Barbosa, como presidente do CNJ, baixou uma resolução obrigando cartórios a realizar casamentos entre homossexuais com base na decisão da Suprema Corte. Ou seja, não tem interferência do Executivo.

Pior: nem ouvir o outro lado o programa tentou. Básico no jornalismo. Foi uma matéria com o único propósito de reforçar o estereótipo de homofóbico em Jair Bolsonaro. Isso não é jornalismo. É militância ideológica disfarçada usando uma concessão pública.

Também tentou acabar com a reputação de um promotor de Santa Catarina apenas por ele tentar valer a Constituição Federal, coisa rara nos últimos tempos. O que o promotor Henrique Limongi fez foi que a Constituição seja cumprida, ao tentar barrar e anular casamentos entre pessoas do mesmo sexo. Ativistas pela causa dos homossexuais deveriam cobrar dos deputados e senadores para uma lei do casamento gay ser aprovada e não se depender de uma resolução do CNJ, uma anomalia.

Mas essa turma prefere o caminho fácil do Judiciário e buscar suas pautas nos tribunais ao invés do voto popular para formar uma bancada robusta fazendo passar leis no parlamento.

Fizeram isso com o casamento gay e estão tentando passar a legalização das drogas e do aborto no STF, porque sabem que o ativismo judicial está em voga, e por saber que faltam votos para uma bancada numerosa porque o Brasil é predominantemente conservador e tem pautas mais urgentes do que as últimas dos progressistas, como a carnificina de mais 60 mil homicídios por ano, o caos na saúde pública e falta de emprego.

Nada contra dois homens e duas mulheres quererem formar uma família e oficializar o ato, mas dentro das normas legais e sem querer impor nada a sociedade.

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Hipocrisia midiática; Paulo Guedes acertando ‘nervos’

Tudo é motivo para criticar o governo de Jair Bolsonaro. O caso de Fabrício Queiroz é, sim, importante que seja esclarecido o quanto antes a movimentação de 1,2 milhão de sua conta, se tem alguma ilegalidade e se Flávio Bolsonaro está envolvido. Mas a imprensa ignora outros assessores de outros deputados da Alerj (até do PSOL) citados no relatório do COAF e com movimentação atípica maior que a do ex-assessor do filho do presidente eleito.

A mais nova implicância é com um suposto pedido da futura primeira-dama, Michelle Bolsonaro, que teria pedido a transferência de quadros e imagens associadas à religião católica do Palácio da Alvorada para o Palácio Jaburu. Michelle é evangélica e estão atribuindo a isso o pedido dela. É a mesma imprensa, e a intelligentsia, que reclama de imagens de Jesus Cristo na cruz em repartições públicas, sendo que no caso específico o que houve foi um rodízio normal e o vice-presidente Hamilton Mourão, católico como Jair Bolsonaro, que pediu a imagem de Santa Bárbara no Jaburu. Mais uma crítica pela crítica. Essa é parte de campanha para uma rixa de católicos e evangélicos e colocar o presidente eleito no meio dela.

Enquanto isso, empresária confessa em depoimento o que ficou conhecido como “mensalinho do Twitter”. O PT contratou a empresa Lajoy para impulsionar a hashtag #lulazord e, com o sucesso da empreitada, a contratou para recrutar um exército de influenciadores digitais para publicar mensagens elogiosas a candidatos do partido. Só um depoimento, mas é muito mais do que a matéria da Patricia Campos Mello denunciando que empresários impulsionavam “fakenews” contra o mesmo PT via Whatsapp a um custo de R$ 12 milhões. Até hoje não foi apresentada uma prova ou um indício robusto e serviu apenas para petistas e o PDT de Ciro Gomes pedirem até a anulação do primeiro turno presidencial, além de oxigenar a candidatura do candidato derrotado no segundo turno, Fernando Haddad.

Paulo Guedes dizendo na cara de parte do dono do dinheiro a necessidade de cortar até 50% da verba pública do Sistema S, que nada mais é que uma CUT com sinal trocado, não tem preço. Se os sindicatos tiveram sua fonte principal de renda drasticamente diminuída com o fim do imposto obrigatório na reforma trabalhista, chegou a vez do sindicato patronal colaborar para reequilibrar as contas do governo. Não é justo impor sacrifício só de um lado. Fala perfeita do futuro Ministro da Economia.

Os derrotados nas urnas investem em terceiro turno

JOÃO PAULO BARRETO

O clima de terceiro turno é evidente no lado que não aceita a derrota eleitoral. É duro perder uma eleição após quatro triunfos seguidos e podem justificar que o outro lado também criou clima de terceiro turno na derrota de 2014, pedindo recontagem de votos e entrando com ações pela cassação da chapa eleita. Acabou desaguando no impeachment dois anos depois da eleição. O então candidato Aécio Neves deve se arrepender amargamente entre os arrependimentos de natureza ética. E o PSDB, por ter entrando nessa aventura nada democrática.

A imprensa, esquerda e os “defensores da democracia antifascista” que dizem não ter ideologia investem no terceiro turno e não aceitam o voto alheio tentando produzir escândalos na família do eleito, requentando a ditadura militar nas notícias, ridicularizando ministros por sua crença religiosa ou intelectual. A mágoa é tão grande que chegaram a criar um perfil para postagens de supostos eleitores de Jair Bolsonaro arrependidos. Só que uma verificada e logo se descobre que são eleitores do candidato derrotado se passando por eleitores do eleito.

Tudo por um candidato inscrito no meio da corrida eleitoral e na porta da Polícia Federal de Curitiba, porque o candidato original está preso e inelegível pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, com mais de 30 inquéritos e réu por corrupção. Pelo partido que mais tempo ficou no poder em períodos democráticos, que foi a esperança de milhões de brasileiros, de fato fez muita coisa pelo social, a economia cresceu com inflação controlada. Muito pelos ventos ventos favoráveis vindo de fora, especialmente da China. Mas que também promoveu um esquema gigantesco de corrupção institucionalizado para 1) perpetuação no poder; 2) para ter governabilidade; 3) benefícios pessoais via propina em contratos públicos milionários com empreiteiras. E arruinou a economia do país nos últimos anos de seus governos.

Não votei em Jair Bolsonaro no primeiro turno e não me arrependo de ter dado um voto de confiança nele no segundo. Até porque o governo nem começou de fato. Como vou me arrepender de uma coisa que nem existe ainda? Votei nele pela ideia que ele passou de um governo mais liberal na economia (cumpriu dando carta branca para o Paulo Guedes montar uma ótima equipe econômica), e sobretudo por um dos pilares da democracia: alternância de poder.

Votei por não querer a volta do PT depois dos “erros” morais, éticos e, principalmente, os econômicos que jogaram o Brasil na pior crise desde 1929, porque se o PT vencesse mais uma eleição presidencial, a sensação seria de absolvição pelo sufrágio popular mesmo que ilusório. Isso não significa, contudo, um cheque em branco e serei chapa branca com os possíveis erros do novo governo. Quem não aceita que a Justiça condene membros do partido após amplo direito de defesa e sentença amparada em provas desqualificando as instituições são os petistas e satélites.

A democracia se supõe que a maioria governe respeitando a minoria e a oposição fiscalizando com direito de se opor às medidas do governo. Tem gente queimando a largada.

Eles não digeriram a vitória de Jair Bolsonaro

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JOÃO PAULO BARRETO
editor

Imprensa suja e parcial tenta minar a popularidade do presidente eleito, Jair Bolsonaro, e antes dele tomar posse em janeiro. Não é que não possa fazer jornalismo investigativo contra políticos que ocupam altos cargos. Jornalismo não pode ser “chapa branca” e também não pode ser oposição. Jornalismo é para informar com fatos concretos e sem tomar partido, o que se vê é um jornalismo enviesada e hipócrita.

Redações são notadamente de esquerda e os jornalistas não se conformam da vitória de Jair Bolsonaro na eleição presidencial. Viram nessa história esquisita do ex-assessor de Flávio Bolsonaro uma chance de desconstruir a família e, principalmente, o presidente eleito. Viram a grande chance de minar o novo governo antes mesmo do seu começo.

A imprensa está vasculhando e criando uma narrativa que mostre que a família Bolsonaro montou uma sofisticada rede de assessores para arrecadar dinheiro. Um “laranjal”. É uma estratégia que, se não for possível derrubá-lo, deixe a sensação que Bolsonaro enganou os eleitores.

Todas as matérias de assessores com alguma controvérsia não mostram crimes, apenas algumas partes há indícios de irregularidades que possam mostrar crimes a partir de uma investigação. Mas os derrotados nas urnas e a imprensa (quase a mesma coisa) partem para o terceiro turno.

Eles não suportam a ideia que não pautam mais a população. Pelo menos não como antes. A partir de janeiro a farra de publicidade governamental da grande mídia deve passar por uma reestruturação como nunca antes. Eles estão desesperados. O sistema – político e midiático – tenta se recompor ou minimizar o estrago do furacão que passou na eleição.

Chegam ao ponto de debochar da futura Ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, que sofreu abusos sexuais na infância e contou em um culto uma história quando era criança subiu em uma goiabeira com veneno na mão para se suicidar, mas viu Jesus e encontrou a paz na religião. São os mesmos que enchem o peito para denunciar a “onda de ódio” na internet e acusam Bolsonaro de propagar ódio e querer acabar com a democracia brasileira, mas na primeira oportunidade eles propagam ódio contra quem pensa diferente e não aceitam alternância de poder.

Para essa turma que diz progressista só tem que existir na disputa política a esquerda, centro-esquerda e no máximo centro ou centro-direita. Se um político ou mesmo um cidadão comum se considerar de direita e conservador é logo carimbado de extremista, reacionário, fascista, nazista. E quem denunciar esse “ódio do bem”, a doutrinação nas escolas, na imprensa, na academia, quem não concordar com o politicamente correto e a inversão de valores, é intolerante.

O bombardeio contra Jair Bolsonaro e seus filhos provavelmente vai continuar nesse resto de ano e depois da posse talvez aumente a intensidade. Matérias com tom acusatório e conteúdo irrisório, distorcido e até com informações falsas; ações do governo contestadas por “especialistas” que postam “ninguém solta a mão de ninguém”, memes zombando e artigos críticos contra ministros que não concordam com a agenda da ONU, de ONGs nacionais e internacionais.

Só acho que a maioria da população não vai engolir narrativas corrompidas por ideologias e interesses financeiros. Não engoliu na eleição. A “resistência” está com defeito de fabricação.

Direitos Humanos vs Bandidolatria

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Uma ação policial no interior do Rio de Janeiro reacendeu um debate antigo e complexo. Um bandido assaltou uma loja na cidade de Valença (RJ), ele tinha um revolver calibre .38 e R$ 50 mil em joias roubadas. Ao fazer um patrulhamento no centro da cidade, a PM foi avisada do assalto com refém, no caso uma senhora de 83 anos. Segundo os policiais o assaltante ameaçava atirar na mulher ou no policial.

O policial que estava tentando negociar com o criminoso não teve dúvida e aproveitou a primeira brecha que o bandido deu para atirar. Estava em jogo a vida da vítima e a sua própria ou do sequestrador. Um vídeo de todo ocorrido percorreu a internet e lógico que houve manifestações de aplausos ao policial e críticas.

No Twitter, o presidente eleito Jair Bolsonaro publicou uma mensagem parabenizando o policial por ter salvo a vida da senhora de 83 anos. Nunca um presidente da República valorizou uma ação policial por ter salvo um cidadão ou cidadã.

 

Mas a imprensa, especialmente a Folha de SP, noticiou o caso quase crucificando o policial e usando a mensagem do presidente como um endosso a um assassinato. É a “bandidolatria” que encontrou guarida nas redações de jornalismo. Bandido é vítima da sociedade, de falta de oportunidade e a polícia é fascista que comete genocídio contra a população pobre e negra. Pensamento assim passou a ser propagado por quem defende uma linha ideológica revolucionária divisionista.

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Todo um discurso de uma parte da esquerda é endossado por uma imprensa com viés. A “bandidolatria” acha que o problema da violência está na polícia que “mata muito” e a solução está na desmilitarização passando por iluminar todas as ruas das cidades. O conceito de “Direitos Humanos” foi distorcido de uma forma que se você aplaude um policial que arriscou sua vida para salvar outra é logo carimbado de fascista – obviamente, quem acusa o outro indiscriminadamente de fascista não faz a menor ideia do real significado do fascismo – e você passa a ser o criminoso. A inversão de valores foi tão grande, que gerou um efeito de repulsa pela palavra “direitos humanos”.

Na próxima segunda-feira (10) vai ser comemorado os 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Ninguém pode ser contra o que está nos 30 artigos da declaração escrita alguns anos depois do término da Segunda Grande Guerra Mundial, que deixou um rastro de destruição em vários países e vidas humanas. Acontece que passaram a usar a declaração como justificativa para teses das mais absurdas. O termo “direitos humanos” passou a ser usado por pessoas que sequestraram a pauta para fins políticos. Quem defende direitos humanos passou a ser associado a esquerda.

Na minha concepção de direitos humanos a vida deve estar em primeiro lugar, sempre. Agora, qual vida vem primeiro? A vida do bandido que aponta uma arma para um trabalhador tentando ganhar seu ganha pão dignamente ou da vítima? Comissões e ONGs de direitos humanos só visitam famílias de bandidos, só lutam em defesa de quem está na margem da lei ignorando quem defende e quem vive dentro da lei.

Bandido bom é bandido preso cumprindo a pena proporcionalmente ao delito cometido. Não necessariamente em um hotel cinco estrelas. Presídio não é para ser depósito de pessoas, mas não é colônia de férias para ter luxo. Se é para escolher, eu prefiro o bandido morto do que a vítima ou o policial.