A vez do João Trabalhador

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João Doria tomou posse domingo (1º) e na segunda-feira (2) já começaram os ataques dos derrotados na última eleição na capital de São Paulo. Marqueteiro, presepeiro, embusteiro foram uns dos vários insultos que se leu nas redes sociais daqueles que ficaram quatro anos elogiando a gestão passada. E tudo porque o novo prefeito cumpriu a promessa de vestir o uniforme de gari e em ato simbólico lançar o programa Cidade Linda, um programa voltado para zeladoria da cidade que foi deixado um pouco de lado pelo Fernando Haddad, que apoiava pichações e depredações em nome da “arte” (quando tudo é arte nada é arte).

Mas Doria não ficou só no ato simbólico. O prefeito, junto com o secretariado, deu detalhes de qual será o caminho da nova gestão. E foram sinais muito bons.

Há quem acha que prefeito, governador e presidente, tem que ficar em palácios incomunicável. Isso deixa os governantes bem distantes da população e da realidade. Se enclausurar não é bom para o homem público, principalmente quem tem nas mãos grandes responsabilidades. Já dizia o tio Ben para o sobrinho Spider-Men: com grandes poderes, vêm grandes responsabilidades.

João Doria vai tentar governar de olho nas atribuições básicas de um prefeito, justamente o grande “pecado” de Haddad, que foi querer brincar de prefeito “revolucionário”, de “prefeito do futuro” e esqueceu do eleitorado base que foi fundamental na sua vitória em 2012: a periferia. Não é coincidência que teve desempenho pífio nessas zonas da cidade em 2016 e, no geral, caiu de 28% para 16% em quatro anos.

O João Trabalhador vai poder mostrar se é realmente trabalhador pelos próximos quatro anos.

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Os desafios da nova prefeita

Heloide Estevam foi eleita a nova prefeita de Tejuçuoca, município distante 144 Km de Fortaleza (Ceará), junto com o vice-prefeito Amilton Camelo, com 54,09% dos votos válidos. Heloide é esposa do ex-prefeito e líder do grupo político que comanda a cidade desde 2005, Edilardo Eufrásio.

Os desafios da nova prefeita são muitos em um período complicado economicamente que atravessa o país, além da grave crise hídrica provocada pela seca que atinge o nordeste brasileiro há 5 anos. E os desafios de qualquer prefeitura de grande, médio e pequena cidade como saúde, educação, segurança pública, habitação, saneamento básico, mobilidade urbana. A zeladoria é outro ponto importante de uma administração de um prefeito(a) e a administração do prefeito Valmar Bernardo, que entrega a chave da cidade para Heloide, ficou devendo.

Outro desafio da prefeita Heloide, a primeira mulher a chefiar o cargo máximo do município, é provar que será ela que governará e não o marido. Ela terá que provar para os quase 17 mil habitantes da cidade sua competência para gerenciar uma prefeitura sem nunca ter ocupando cargo público eletivo ou administrativo.

Serão quatro anos para Heloide Estevam mostrar serviço à frente da prefeitura de Tejuçuoca. E ela tem uma base de 7 dos 11 vereadores na Câmara, o que possibilita aprovar projetos do interesse de sua gestão.

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Mapa político na Grande SP

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Na eleição de 2016 aconteceram muitos fatos históricos, como a eleição de João Doria (PSDB) em São Paulo e no primeiro turno; o derretimento do PT em várias prefeituras pelo país, de mais de 600 para pouco mais de 200 em quatro anos. Marcelo Freixo (PSOL) foi ao segundo turno derrotando o PMDB do Rio com 11 segundos no horário eleitoral, perdeu para Marcelo Crivella (PRB). Depois de algumas tentativas fracassadas, finalmente o Bispo licenciado da IRUD se torna prefeito da segunda maior cidade do país. Alexandre Kalil (PHS) foi eleito prefeito de Belo Horizonte nas Minas Gerais.

A região metropolitana de São Paulo – Grande São Paulo – é simbólica para o petismo, só que 2016 foi trágico para o PT. Não sto-abastou perder São Paulo, o PT administrará apenas uma prefeitura no entorno da capital paulista (Franco da Rocha). O partido perdeu cidades como Guarulhos, a segunda maior cidade do Estado e todo ABC paulista, o berço do Partido dos Trabalhadores, inclusive São Bernardo do Campo, de Lula. Em Santo André, por exemplo, o atual prefeito Carlos Grana só teve 21% dos votos válidos no segundo turno, um vexame histórico para o PT. Para completar, a derrota foi para um candidato do PSDB e que foi secretário do próprio prefeito Grana, Paulo Serra. Em São Bernardo, o sobrinho de Lula não conseguiu ser eleito vereador. E o candidato a prefeito na cidade onde o partido nasceu caiu no primeiro turno.

Outro perdedor na Grande São Paulo foi o PMDB, o partido caiu de 6 para 1 prefeitura.

O grande vencedor foi o PSDB, subiu de 8 para 11 prefeituras na maior região metropolitana do Brasil. Surpreendente desempenho do PR, segundo com mais prefeituras, e do PSB, PRB, PTB, PV. Além do nanico PTN, com 2 prefeituras.

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Erro ou trambique?

Eleição para prefeito, vice-prefeito e vereador em cidade pequena o bicho pega. Cidades com menos de 50 mil habitantes para baixo as disputas são polarizadas em dois pólos distintos, muitas vezes formados por famílias rivais que ainda carregam as velhas disputas dos coronéis do passado.

Dentro do contexto citado acima, Tejuçuoca, com atualmente 16 mil habitantes e 13 mil eleitores aptos, não é diferente. Sempre dois candidatos opostos disputando quem comandará a prefeitura por quatro anos.

Em 2016, Itamar Maciel da Rocha (PEN), mais conhecido por Itamar da Fábrica, tentou uma terceira candidatura ao Executivo municipal, uma terceira via, mas acabou sendo impugnado pela Justiça Eleitoral devido a problemas de regularização (filiação) da convenção partidária. Itamar desistiu da candidatura e apoiou o candidato da oposição Jorge Silva Mota Filho (PRTB), mas continuou com o nome na urna e recebeu 18 votos – todos considerados nulos pelo TRE-CE (Tribunal Regional Eleitoral).

Antônia Heloide Estevam Rodrigues (PMDB) foi a candidata da situação e saiu vencedora do pleito com 6.420 votos – 54,09%.

Outra característica peculiar no município de Tejuçuoca são as pesquisas que saem poucos dias antes da votação. As candidaturas por meio de rádios da região encomendam pesquisas de institutos completamente desconhecidos trazendo números diferentes da apuração. Começou em 2008, na reeleição do então prefeito Edilardo Eufrásio – marido da prefeita eleita em 2016.

Na eleição de 2008, uma pesquisa na véspera da eleição dava Edilardo (PSDB) com 61,12% dos votos totais, contra 32,52% da candidata da oposição Zélia Mota (PSB).

Levando em conta só os votos válidos da pesquisa e sua margem de erro (4%), o resultado foi de 2,9% de erro. Ou seja, resultado acertado dentro da margem de erro.

Na eleição de 2012, a pesquisa de véspera deu Valmar Mota Bernardo (PDT), o candidato da situação, com 54,55% dos votos totais, contra 40,40% do ex-prefeito e candidato da oposição João da Silva Mota Filho (PTB). Descontando a margem de erro da pesquisa (5%), houve um erro de 1,54%.

Na eleição de 2016, as duas candidaturas divulgaram pesquisas completamente diferente uma da outra. É claro que as duas pesquisas erraram e muito o resultado da apuração, foi um show de horrores.

Uma pesquisa indicava Heloide com 60,12%; noutra pesquisa o candidato Mota Filho tinha 58% dos votos totais. Nada menos que 11,12% de erro na pesquisa que colocava a candidata Heloide como vencedora – descontando a margem de erro (4%), 7,12%. Já a pesquisa que colocava o candidato Mota Filho como vencedor, foi ainda pior, com 19,01% de errodescontando a margem de erro da pesquisa (5%), inacreditáveis 14,01%. Erros absurdos. Erros ou manipulação dos números? Não tem como saber.

Lembrando que só podem ser divulgadas pesquisas registradas nos TREs e/ou TSE.

Que se realizem pesquisas mais fieis ao resultado das urnas ou não sejam divulgadas e não induzam o eleitor a votar por, no mínimo, erros grotescos. A Justiça eleitoral local precisa tomar atitudes contra esse absurdo nas eleições municipais de Tejuçuoca.

Carta Capital e Justo Veríssimo

Capa da revista Carta Capital é revoltante. A revista que se diz de esquerda chama os eleitores de mentecaptos sem o menor constrangimento apenas por não votar nos candidatos que a revista apoiou nas eleições de 2016.

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Depois da Mayara Petruso convocando paulistas a afogar nordestinos, após a vitória de Dilma em 2010, a onda de ofender eleitores pobres de ignorantes, ingratos ou Síndrome de Estocolmo começou em São Paulo, com a derrota ainda no primeiro turno de Fernando Haddad (PT) e a vitória de João Doria (PSDB). No último dia 30/10, com a vitória de Marcelo Crivella (PRB) sob Marcelo Freixo (PSOL), assim como na vitória de Doria, Crivella obteve a vitória com enorme votação nas regiões menos desenvolvidas da cidade explodindo mensagens ofensivas nas redes sociais aos eleitores de menor poder aquisitivo.

No lugar de auto-crítica para saber onde errou e tentar recuperar o eleitor desiludido, a esquerda – ou parte dela (Carta Capital e outros iluminados não representam toda esquerda) – simplesmente faz o que extremistas do outro lado fizeram nas últimas duas eleições presidenciais e derramaram toda fúria e rancor da derrota nas urnas contra os eleitores, contra o povo, contra o povo pobre e das periferias.

A lacração tudo por um like afastou muita gente dessa esquerda que se mostrou preconceituosa e se acha superior. Até mesmo Eliane Brum, a formadora de opinião badalada de esquerda, não teve pudor de soltar sua ira e chamou, em artigo no El País, os eleitores que votaram nessa tal onda conservadora de estúpidos.

Estúpido, Eliane Brum, é quem respeita o eleitor, principalmente o pobre, só quando ele vota no seu candidato ou naquele que você quer que ele vote. Não deixa de ser triste e ao mesmo tempo divertido parte da esquerda adotando como mascote Justo Veríssimo (personagem do saudoso Chico Anysio).