Temer não aceita que a sua “Ponte para o Futuro” rompeu

Eduardo Cunha está prestes em assinar acordo de colaboração (delação) premiada com o MPF, segundo Monica Bergamo. E compromete ainda mais o presidente Michel Temer. Quando fez todo o “serviço” no impeachment de Dilma na Câmara, Eduardo Cunha esperava ser o segundo homem da República. Mas foi o único que se deu mal do núcleo duro do PMDB. O antes todo poderoso da Câmara dos Deputados, Cunha está preso desde outubro de 2016, e já foi condenado em um dos processos que responde pelo juiz Sergio Moro.

Enquanto isso, Michel Temer (presidência), Romero Jucá (senado), Eliseu Padilha, Moreira Franco (ministros) e Renan Calheiros (senado) – o último é de outro grupo do partido e rompeu estrategicamente e eleitoralmente com o governo Temer – estão com foro privilegiado. Eduardo Cunha só não abriu o bico ainda por causa da “comida de passarinho” que o Joesley Batista dava. O que encaixa perfeitamente na conversa gravada pelo “grampeador safadão” da República. Eduardo Cunha abriu o caminho para Michel Temer. De “prêmio”, “ganhou” a cadeia. É hora de abrir a boca e falar os muitos esquemas que ajudou a “turma do pudim” a fazer.

Tentando loucamente se agarrar ao cargo, o presidente Michel Temer escreveu artigo para Folha de S.Paulo. Se fazendo de “perseguido” e soltando indiretas para Rodrigo Janot, Temer não aceita que a sua “Ponte para o Futuro” rompeu. Era uma “pinguela” frágil demais. Mas o governo está abrindo a carteira comprando o arquivamento da denúncia da PGR no balcão de negócios da Câmara. Crise? déficit fiscal? dívida pública? Primeiramente, a sobrevivência de um governo zumbi e com aprovação popular de 7%. E com os mesmos discursos nos últimos suspiros do governo Dilma, de “não podemos jogar o país em um vulcão”.

O diabo é que mesmo comprando votos em troca de cargos e verbas parlamentares sem cerimônia e escrúpulos, Temer pode não receber o que comprou. Na hora o deputado vai pensar duas vezes antes de abraçar um presidente tóxico em ano pré-eleitoral. O presidente errou em não ter levado a ética em conta em tempos que figurões do empresariado e da política estão indo para a cadeia.

Eduardo Cunha é o presidente de fato, acusa Renan Calheiros

Renan Calheiros entregou a liderança do PMDB no Senado. Renan se antecipou já que Romero Jucá conseguiu as assinaturas necessárias dos colegas de partido para o destituir. A tensão entre o ex-presidente do Senado e o governo de Michel Temer aumentava a cada dia.

Mas antes de entregar a liderança, Renan caiu atirando e fez gravíssimas acusações contra o governo. A maior foi reafirmar que o ex-presidente da Câmara dos Deputados e preso Eduardo Cunha ainda tem influência no Palácio do Planalto e indica assessores e até ministros. Se o Brasil fosse minimamente civilizado, o governo cairia logo após a fala de Renan. O senador de Alagoas é réu e coleciona inquéritos, mas é do ninho do PMDB e deve saber de muitos podres. O que ele externou foi apenas um fiapo do que sabe para não passar a imagem que foi derrotado. Uma raposa felpuda como Calheiros sabe a hora de pular do “Titanic afundando”.

Todavia, os movimentos que dizem lutar contra a corrupção não estão interessados na queda de Michel Temer, porque fortaleceria o PT e o “volta, Lula”. Na verdade, a luta não é contra a corrupção, mas contra a esquerda de modo geral. Há uma luta para uma única ideologia prevalecer. A Lava Jato servia até chegar no PSDB e PMDB.

Pessoalmente, eu defendi o impeachment de Dilma Rousseff e cheguei a pensar que Temer era uma boa pinguela até 2018. Sabia que não era nenhum estadista, mas saberia ter postura no cargo. Só que a postura foi receber um empresário que usurpou dinheiro público para crescer altas horas da noite na garagem do Palácio Jaburu, ouviu crimes do meliante como se concordasse o que ouvia e não fez nada posteriormente. Além de combinar uma “aposentadoria” via propina quando deixasse a presidência e deixando a missão de pegar a primeira parcela ao assessor Rodrigo Rocha Loures, o homem da mala.

O presidente está mais preocupado em sobreviver e atacar a Procuradora Geral da República, STF e sufocar financeiramente a Polícia Federal. O último pilar que sustenta o governo é o mercado financeiro, quando ele notar que as reformas subiram no telhado, aí será o fim definitivo do governo Temer. Nem os políticos terão coragem de sustentar um presidente ilhado. Até acontecer o desembarque do mercado o país vai sangrar com Michel Temer.

A renúncia seria um gesto de grandeza, mas Temer está pouco se importando com grandeza, o que ele quer é continuar no cargo mesmo sem saber como “Deus o colocou lá”.

Sem querer, Temer reforça tese de Dilma contra impeachment

Em entrevista para TV Bandeirantes, o presidente Michel Temer, sem querer, reforçou a tese levantada pela defesa da ex-presidente Dilma durante o processo de impeachment no Congresso Nacional, de desvio de função do cargo pelo então presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha.

Na época o PT negou os três votos do partido no Conselho de Ética para arquivar a denúncia que, posteriormente, cassaria o mandato de Cunha. Horas depois da negativa de socorro, Cunha chamou a imprensa e comunicou que aceitou a denúncia protocolada por Janaina Paschoal, Hélio Bicudo e Miguel Reale Jr.

Temer tentou se defender mostrando que não conspirou contra Dilma, mas acabou reforçando uma das teses da defesa. A defesa de Dilma já disse que vai levar a fala de Temer para o julgamento de mérito da ação que pede a impugnação do impeachment. Pode não convencer os ministros do STF a cancelar o impeachment, mas deixou claro que Eduardo Cunha só aceitou a denúncia porque alas do PT se insurgiram contra o acordo costurado pelo Lula.

É preciso largar o antipetismo um pouco de lado para entender a fala de Temer. Cunha só assinou a denúncia porque o PT não entregou os votos. Ou seja, Cunha assinou a denúncia por vingança, sim. Desvio de poder está muito claro. Mas não anula os crimes de Dilma. O longo processo comprovou a fraude nas operações da União com bancos públicos e as irregularidades nos decretos de suplementação de crédito.

Eduardo Cunha é uma ‘bomba relógio’

Eduardo Cunha foi condenado por Sérgio Moro a 15 anos e 4 meses por receber propina em um negócio da Petrobras na África. É a primeira condenação de Cunha e quebra o principal argumento da defesa no recurso para um habeas corpus.

O advogado do ex-presidente da Câmara dos Deputados havia dito dias antes que o seu cliente estava esgotado e não aguentaria continuar preso. Não sei exatamente o que significa. Se Cunha tentar uma delação premiada, se ele resolver abrir a boca, o estrago será grande.

Mas, para os procuradores aceitarem uma delação de Eduardo Cunha, ele precisaria falar tudo e esse “tudo” ser forte e novo. O homem que foi um dos mais poderosos da República por mais de um ano, que deu início o processo de impeachment que afastou Dilma Rousseff, está abandonado pelos próprios aliados. Preso e, agora, condenado, é uma bomba relógio prestes a explodir.

Eduardo Cunha ataca secretário das privatizações de Temer

cunha

Em entrevista ao Jornal O Estado de São Paulo, o deputado cassado e ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB/RJ) soltou o verbo contra o Secretário de Programa de Parcerias de Investimentos, Moreira Franco, um dos mais fortes e íntimo de Michel Temer.

Cunha não poupou nem o próprio Temer, inclusive disse que o governo que ajudou a criar aceitando a denúncia contra Dilma Rousseff não tem legitimidade eleitoral. Ele está enfurecido com o governo Temer e colocando na conta de Moreira Franco a articulação que levou Rodrigo Maia (DEM/RJ), o genro dele, a vencer a eleição para presidente da Câmara contra o candidato do centrão e aliado de Cunha, Rogério Rosso (PSD/DF). E disse se a ação de cassação de chapa for a julgamento no TSE, a chapa Dilma e Temer será cassada.

Ainda na entrevista, Eduardo Cunha chamou o ex-aliado Anthony Garotinho de “vagabundo” e o presidente do Senado Federal, Renan Calheiros (PMDB/AL), de “jogador, falso e dissimulado”.

Eduardo Cunha não tem mais o que perder politicamente, mas tem o (grande) risco de ir para cadeia. Ele vai usar estratégias para evitar a sua prisão e da esposa Cláudia Cruz. Nem que seja preciso atingir o governo Temer. Cunha promete lançar um livro contando reuniões, diálogo, tudo do processo de impeachment de Dilma no fim do ano. “Vai ser um presente de natal”, disse. Mesmo cassado, Eduardo Cunha continua sendo uma peça importante na política brasileira.