Eduardo Cunha complica Rodrigo Janot

Ex-presidente da Câmara dos Deputados e que está preso desde outubro de 2016, Eduardo Cunha deu uma entrevista para Revista Época nitroglicerina pura. Ele conta que o ex-PGR, Rodrigo Janot, só aceitaria sua delação se confirmasse que recebeu da JBS para ficar calado e ser a prova de que o presidente Michel Temer obstruiu a justiça.

Foi só um pedaço da entrevista. Cunha diz que Janot tem ódio dele, só que o ódio pelo Temer é maior. Revela que tem provas, datas, fatos, testemunhas, indicações de meios para uma colaboração premiada. Que sua delação arrebentaria com a dos executivos da JBS e debilitaria a da Odebrecht. E acabaria com a de Lúcio Funaro.

Eduardo Cunha diz que Rodrigo Janot queria um terceiro mandato. Como não pegaria bem queria um próximo seu para sucessor – Nicolao Dino (seu vice) – e tinha que derrubar Michel Temer para que seu plano funcionasse. Foi aí que apareceu a JBS. Segundo Cunha, Janot manobrou politicamente a delação de Joesley Batista e de Funaro. E deu o exemplo da compra de votos a favor do impeachment que Funaro diz em sua delação que, na verdade, a compra de votos foi contra o afastamento da ex-presidente Dilma.

Eduardo Cunha cita também um encontro com Lula e Joesley por 4 horas na véspera da votação do impeachment na Câmara. Lula queria que Cunha interrompesse o impeachment e “é só um pequeno exemplo”, disse.

Cunha também diz que sua prisão – já foi condenado por Sérgio Moro em uma das ações contra ele – é um “troféu”. Segundo ele, o Lula é o outro troféu do MPF. Um troféu de cada lado. E disse que Moro se acha “salvador da pátria”, que queria uma “Mãos Limpas” com objetivo político para destruir o establishment, a elite política. E conseguiu, segundo Cunha.

Tudo que Eduardo Cunha diz na entrevista se encaixa no que apareceu nas últimas semanas, inclusive novos áudios que a Revista Veja conseguiu em que Joesley Batista diz claramente que Janot queria ser presidente ou indicar o substituto de Temer. Últimos meses de Rodrigo Janot à frente da PGR foram usados politicamente sem pudor algum. Arrastou o país que estava começando a voltar a ter alguma normalidade política de volta ao olho do furacão. Um verdadeiro lesa-pátria. Janot deve ter pesadelos com Marcelo Miller e Ângelo G. Vilela, o segundo já disse que quer falar tudo que sabe.

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Exceção virando regra

Por 3 a 2, o STF afastou Aécio Neves (PSDB/MG) do mandato de senador. Por unanimidade, os 5 ministros da 1ª Turma livraram o tucano da prisão proposta pelo ex-Procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que queria cadeia para Aécio. Rosa Weber, Luis Roberto Barroso e Luiz Fux votaram para restabelecer cautelares que Luiz Edson Fachin havia, monocraticamente, decidido. O novo relator do caso, Marco Aurélio Melo, havia cancelado as cautelares e devolvido o mandato.

Aécio fica afastado das funções de parlamentar, não pode sair durante a noite e se encontrar com outros investigados.

Sinceramente, data venia aos ministros, foi um morde e assopra vergonhoso. Não queriam prender nem virar as costas para população. Então fizeram essa palhaçada.

Sem entrar no mérito das acusações, Judiciário afastar um senador do cargo fere o voto popular e, principalmente, a Constituição. O pior: não é a primeira vez. Usaram a mesma ferramenta inconstitucional para afastar Eduardo Cunha da presidência da Câmara e do mandato de deputado. O ministro Taori Zavascki – morto em janeiro – e os outros ministros (o pleno da corte decidiu o caso do deputado) deixaram claro nos votos que estavam usando uma excepcionalidade.

Não é defendendo o Aécio Neves, que não vale os 51 milhões de votos que recebeu na eleição de 2014, é o cidadão comum. Aliás, diferentemente dos eleitores da ex-presidente Dilma, os eleitores de Aécio não ficam chorando em defesa dele. O perigo está em ministros da suprema corte rasgar aquilo que deveriam proteger (Constituição). Se fazem isso com um Senador e Deputado, só imagina com os simples “mortais”. Os que gritam contra o Estado Democrático de Direito não calculam (alguns casos por ignorância) que eles podem ser o alvo depois.

De retalho em retalho a Constituição Federal virou uma colcha de retalho. É muito perigoso para a democracia um poder interferindo em outro constantemente.

Temer não aceita que a sua “Ponte para o Futuro” rompeu

Eduardo Cunha está prestes em assinar acordo de colaboração (delação) premiada com o MPF, segundo Monica Bergamo. E compromete ainda mais o presidente Michel Temer. Quando fez todo o “serviço” no impeachment de Dilma na Câmara, Eduardo Cunha esperava ser o segundo homem da República. Mas foi o único que se deu mal do núcleo duro do PMDB. O antes todo poderoso da Câmara dos Deputados, Cunha está preso desde outubro de 2016, e já foi condenado em um dos processos que responde pelo juiz Sergio Moro.

Enquanto isso, Michel Temer (presidência), Romero Jucá (senado), Eliseu Padilha, Moreira Franco (ministros) e Renan Calheiros (senado) – o último é de outro grupo do partido e rompeu estrategicamente e eleitoralmente com o governo Temer – estão com foro privilegiado. Eduardo Cunha só não abriu o bico ainda por causa da “comida de passarinho” que o Joesley Batista dava. O que encaixa perfeitamente na conversa gravada pelo “grampeador safadão” da República. Eduardo Cunha abriu o caminho para Michel Temer. De “prêmio”, “ganhou” a cadeia. É hora de abrir a boca e falar os muitos esquemas que ajudou a “turma do pudim” a fazer.

Tentando loucamente se agarrar ao cargo, o presidente Michel Temer escreveu artigo para Folha de S.Paulo. Se fazendo de “perseguido” e soltando indiretas para Rodrigo Janot, Temer não aceita que a sua “Ponte para o Futuro” rompeu. Era uma “pinguela” frágil demais. Mas o governo está abrindo a carteira comprando o arquivamento da denúncia da PGR no balcão de negócios da Câmara. Crise? déficit fiscal? dívida pública? Primeiramente, a sobrevivência de um governo zumbi e com aprovação popular de 7%. E com os mesmos discursos nos últimos suspiros do governo Dilma, de “não podemos jogar o país em um vulcão”.

O diabo é que mesmo comprando votos em troca de cargos e verbas parlamentares sem cerimônia e escrúpulos, Temer pode não receber o que comprou. Na hora o deputado vai pensar duas vezes antes de abraçar um presidente tóxico em ano pré-eleitoral. O presidente errou em não ter levado a ética em conta em tempos que figurões do empresariado e da política estão indo para a cadeia.

Eduardo Cunha é o presidente de fato, acusa Renan Calheiros

Renan Calheiros entregou a liderança do PMDB no Senado. Renan se antecipou já que Romero Jucá conseguiu as assinaturas necessárias dos colegas de partido para o destituir. A tensão entre o ex-presidente do Senado e o governo de Michel Temer aumentava a cada dia.

Mas antes de entregar a liderança, Renan caiu atirando e fez gravíssimas acusações contra o governo. A maior foi reafirmar que o ex-presidente da Câmara dos Deputados e preso Eduardo Cunha ainda tem influência no Palácio do Planalto e indica assessores e até ministros. Se o Brasil fosse minimamente civilizado, o governo cairia logo após a fala de Renan. O senador de Alagoas é réu e coleciona inquéritos, mas é do ninho do PMDB e deve saber de muitos podres. O que ele externou foi apenas um fiapo do que sabe para não passar a imagem que foi derrotado. Uma raposa felpuda como Calheiros sabe a hora de pular do “Titanic afundando”.

Todavia, os movimentos que dizem lutar contra a corrupção não estão interessados na queda de Michel Temer, porque fortaleceria o PT e o “volta, Lula”. Na verdade, a luta não é contra a corrupção, mas contra a esquerda de modo geral. Há uma luta para uma única ideologia prevalecer. A Lava Jato servia até chegar no PSDB e PMDB.

Pessoalmente, eu defendi o impeachment de Dilma Rousseff e cheguei a pensar que Temer era uma boa pinguela até 2018. Sabia que não era nenhum estadista, mas saberia ter postura no cargo. Só que a postura foi receber um empresário que usurpou dinheiro público para crescer altas horas da noite na garagem do Palácio Jaburu, ouviu crimes do meliante como se concordasse o que ouvia e não fez nada posteriormente. Além de combinar uma “aposentadoria” via propina quando deixasse a presidência e deixando a missão de pegar a primeira parcela ao assessor Rodrigo Rocha Loures, o homem da mala.

O presidente está mais preocupado em sobreviver e atacar a Procuradora Geral da República, STF e sufocar financeiramente a Polícia Federal. O último pilar que sustenta o governo é o mercado financeiro, quando ele notar que as reformas subiram no telhado, aí será o fim definitivo do governo Temer. Nem os políticos terão coragem de sustentar um presidente ilhado. Até acontecer o desembarque do mercado o país vai sangrar com Michel Temer.

A renúncia seria um gesto de grandeza, mas Temer está pouco se importando com grandeza, o que ele quer é continuar no cargo mesmo sem saber como “Deus o colocou lá”.

Sem querer, Temer reforça tese de Dilma contra impeachment

Em entrevista para TV Bandeirantes, o presidente Michel Temer, sem querer, reforçou a tese levantada pela defesa da ex-presidente Dilma durante o processo de impeachment no Congresso Nacional, de desvio de função do cargo pelo então presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha.

Na época o PT negou os três votos do partido no Conselho de Ética para arquivar a denúncia que, posteriormente, cassaria o mandato de Cunha. Horas depois da negativa de socorro, Cunha chamou a imprensa e comunicou que aceitou a denúncia protocolada por Janaina Paschoal, Hélio Bicudo e Miguel Reale Jr.

Temer tentou se defender mostrando que não conspirou contra Dilma, mas acabou reforçando uma das teses da defesa. A defesa de Dilma já disse que vai levar a fala de Temer para o julgamento de mérito da ação que pede a impugnação do impeachment. Pode não convencer os ministros do STF a cancelar o impeachment, mas deixou claro que Eduardo Cunha só aceitou a denúncia porque alas do PT se insurgiram contra o acordo costurado pelo Lula.

É preciso largar o antipetismo um pouco de lado para entender a fala de Temer. Cunha só assinou a denúncia porque o PT não entregou os votos. Ou seja, Cunha assinou a denúncia por vingança, sim. Desvio de poder está muito claro. Mas não anula os crimes de Dilma. O longo processo comprovou a fraude nas operações da União com bancos públicos e as irregularidades nos decretos de suplementação de crédito.