Dois anos sem Eduardo Campos, como teria sido a eleição 2014 com ele?

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Há dois anos um jato caía em Santos matando todos que estavam nele. No avião estava o candidato a presidente da República pelo PSB e ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos. Com a morte desse jovem e promissor político brasileiro a eleição presidencial de 2014 foi reconfigurada.

No lugar de Campos, Marina Silva, a vice, assumiu a cabeça de chapa. Marina tinha um cacife eleitoral de 2010, quando disputou e conseguiu quase 20 milhões de votos ficando em terceiro lugar. Em 2014, ao assumir a candidatura dias depois da morte de Eduardo Campos, Marina elevou os números da chapa nas pesquisas de intenção de voto. Ela chegou a liderar com a então atual presidente e candidata Dilma Rousseff e a vencia em simulação de segundo turno abrindo 10 pontos de vantagem para candidatura do PT.

Mas Marina sucumbiu à forte desconstrução de sua imagem pelo marqueteiro da campanha petista, João Santana, e do PSDB. Eduardo Campos tinha entre 9% e 11% da preferência do eleitorado nas pesquisas da pré-campanha e esperava subir seus números na campanha ao se tornar conhecido nacionalmente apresentando Marina Silva ao seu lado.

Difícil imaginar como seria a campanha presidencial de 2014, sem o acidente fatal que abreviou a vida de Eduardo Campos, um dos governadores mais bem avaliados do Brasil. No PT, dizem que Dilma venceria já no primeiro turno, porque Marina não conseguiria levar seus votos de 2010 para Campos. No PSDB, dizem que a vida de Aécio Neves seria facilitada sem o drama que foi com Marina na disputa.

Difícil imaginar como seria o passado com “se”. Talvez Marina conseguisse fazer a transposição de votos para Campos e o levar ao segundo turno ou ele conseguiria cativar o eleitor mostrando o que fez em oito anos como governador de Pernambuco. A disputa polarizada entre PT e PSDB já poderia ter sido no primeiro turno. E ainda tem o cenário com Dilma vencendo no primeiro turno e confirmando a tese de João Santana na pré-campanha onde chamou os adversários da petista de “pigmeus”, de “anões”.

1 ano sem Eduardo Campos

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Um ano da “tragédia de Santos”, que vitimou o candidato a presidente Eduardo Campos (PSB) e seus assessores. Na noite anterior Campos tinha sido o segundo presidenciável a ser sabatinado pelo Jornal Nacional da TV Globo e viajava para a cidade de Guarujá, onde se encontraria com o então candidato a vice-governador de São Paulo Marcio França (PSB). Marcio França esperava o jato que não chegava. Na manhã daquele dia 13/08, por volta das 11 horas da manhã, surgiu a notícia que um avião caiu em Santos. A angústia aumentava.

O avião com Eduardo Campos ficou desaparecido por algumas horas. Até que veio a notícia oficial de que o avião que caiu era de Campos e que não tinha sobreviventes. Foi um grande choque no Brasil todo. Eduardo Campos não era conhecido nacionalmente, seu teto foi de 11% de intenções de voto em maio de 2014. Em Pernambuco, a comoção foi grande.

Governador de Pernambuco reeleito com mais de 80% dos votos válidos quatro anos antes, Eduardo Campos saiu do governo bem avaliado pela população pernambucana e não conseguiu colocar seus planos e ideias para o país com sua companheira de chapa Marina Silva. Eduardo Campos deixou mulher e cinco filhos, entre eles um recém-nascido, o Miguel – nome do avô de Eduardo, Miguel Arraes.

A morte de Eduardo Campos mudou o rumo da campanha. Marina Silva saiu da vice para ser titular da chapa e chegou a empatar com Dilma Rousseff nas pesquisas vencendo a presidente na simulação de segundo turno entre as duas. Mas Marina caiu nas pesquisas na mesma velocidade que subiu e não foi para o segundo turno. E a dúvida que fica é até onde Eduardo Campos chegaria.

Campos deixou a base do governo Dilma em 2013 e passou a fazer oposição. Quando Marina teve seu registro do seu partido negado no TSE, ele abriu as portas do PSB para ela, o que ficou sendo o primeiro grande fato da eleição de 2014 naquele outubro de 2013. Eduardo Campos passou a fazer muitas críticas ao governo da presidente Dilma Rousseff, mas preservando Lula, na qual foi ministro e nutria grande admiração ao ex-presidente. Eduardo dizia que entrou na campanha para ganhar, mas era fato que seu nome seria mais conhecido em 2018.

Suas últimas palavras em público foram na sabatina do JN: Não vamos desistir do Brasil. Virou slogan da campanha de Marina Silva.

Três programas, três estratégias

Por Vinícius de Melo Justo (@relances)

No estágio de pré-campanha, muitas informações podem ser erráticas. O jogo político brasileiro é consideravelmente menos previsível do que o americano, por exemplo: o multipartidarismo, a falta de interesse da maioria da população até o momento próximo da eleição e a importância da propaganda na televisão tornam bastante difícil prever certos movimentos com precisão. O caso Russomanno nas eleições municipais em 2012 mostra como as expectativas podem ser revertidas na dinâmica nacional, embora diversos fatores estudados a fundo pela Ciência Política permitam compreender ao menos as possibilidades mais plausíveis a serem consideradas na análise.

O jogo dos bastidores pode ser ainda mais complicado, pois dependerá sempre da qualidade das informações obtidas pela imprensa – e na política ninguém fornece algo sem algum interesse, mesmo que seja apenas pela publicidade de certos fatos. Mas o horário partidário na televisão tende a ser mais transparente em relação à interpretação do momento feita pelos partidos, indicando a tendência de cada um quanto ao modo como percebem as necessidades imediatas da campanha.

Com alguma distância temporal entre si, os programas recentes de PSB, PSDB e PT apresentam formas distintas de aproximação com o eleitorado com vistas à corrida presidencial. Analisá-las permite identificar as diferenças em seus objetivos e estratégias, ainda que a linguagem publicitária leve a alguma padronização esperada das mensagens. No entanto, a leitura precisa entender, para além das preferências partidárias e ideológicas, o que a forma dos programas diz para além de seu significado mais explícito.

Programa do PSB (27 de março de 2014)

Existem estilos concorrentes na propaganda do PSB, divulgada há pouco mais de dois meses. A abertura tem um espírito jovial, chamando por “atenção” e servindo para diferenciar-se da programação normal da TV. Então, no primeiro minuto, ouvimos Eduardo Campos e Marina Silva falarem sobre o que seria sua maior semelhança: ambos “de luta e de paz”, com a ênfase algo desconfortável de Campos no epíteto “filhos da esperança” – distanciando-se do jovial presente nos primeiros segundos em favor de algum popularismo. Em outra chave, o filtro sépia parece tentar produzir a ideia de uma visão diferente das coisas, causando alguma estranheza pelo aspecto envelhecido da imagem.

Gasta-se algum tempo procurando “justificar” a aliança PSB-Rede, concentrando-se nas qualidades pessoais de Campos e Marina e no tema do desenvolvimento sustentável, bem definido em suas intenções mas pouco ou nada descrito em termos de propostas. Aproveitou-se o tema para a crítica à gestão da Petrobrás, ao elogio dos avanços econômicos até Lula, tomando o cuidado para criticar apenas Dilma, investindo contra os retrocessos. De maneira clara, o programa busca o eleitor algo descontente com o atual governo mas que esteve satisfeito durante o período Lula: não tanto um posicionamento à esquerda do PT, mas de afirmação de maior capacidade para “transformar o país”.

A estratégia de Campos, no entanto, talvez não encontre o melhor resultado nessa mescla de estilos visuais, mas na ideia por trás do programa: a produção de diálogo, conversas. Há duas necessidades subentendidas aí: primeiramente tornar Campos conhecido entre os brasileiros, apoiando-se no recall de Marina em relação a 2010; em segundo lugar, definir-se como o candidato da busca de consenso, rejeitando o atual rumo nacional mas considerando suas virtudes. Uma estratégia típica de terceira via, mas ainda em busca de sua melhor tradução visual.

BRASÍLIA, DF, BRASIL 05.10.2013 - MARINA SILVA/PSB: A ex-senadora Marina Silva anuncia sua filiação ao PSB e fecha acordo político com o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, para a corrida presidencial de 2014. Foto: Alan Marques/Folhapress
BRASÍLIA, DF, BRASIL 05.10.2013 – MARINA SILVA/PSB: A ex-senadora Marina Silva anuncia sua filiação ao PSB e fecha acordo político com o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, para a corrida presidencial de 2014. Foto: Alan Marques/Folhapress

Programa do PSDB (17 de abril de 2014)

Antecipado, o programa do PSDB também investe na conversa. Mas em vez disso o que se tem é uma espécie de entrevista de Aécio, com o apagamento do entrevistador. Existe uma narrativa muito clara no programa, começando pela história de vida de Aécio (conectando-o ostensivamente ao avô Tancredo Neves), sua passagem na Câmara e no Governo de Minas, sua opinião sobre os protestos de junho de 2013. Tudo isso entremeado com imagens antigas, dados e trechos de outros programas. Um programa bastante tradicional, talvez de propósito.

O principal objetivo é, além de tornar Aécio mais conhecido e simpático ao grande público, é apresentar suas qualidades como gestor público e comprometido com o funcionamento do governo e não com os arranjos políticos. Sobram críticas, sutis ou não, ao atual governo, posicionando-o como um candidato de oposição muito bem definido. Acena também para os participantes dos grandes protestos, defendendo o diálogo (assim como Campos).

A diferença entre os diálogos de Campos e Aécio é clara: este pretende conversar com o povo para conhecer os problemas que seriam produzidos pela ineficiência do governo, aquele para construir entendimentos de interesse nacional. É de se notar que no segundo caso existe a pressuposição de que algum consenso é possível e desejável – enquanto no primeiro a ideia é totalmente representativa: Aécio conversa para depois atuar em nome daqueles que representa. Assim, define-se na oposição de forma eficiente, mas dificulta um pouco o necessário diálogo com aqueles que Campos tenta atingir – os eleitores de Lula descontentes com Dilma.

Senador Aécio Neves (PSDB/MG)
Senador Aécio Neves (PSDB/MG)

Programa do PT (16 de maio de 2014)

Bastante criticado pelo tom de “medo”, o programa do PT aposta em atacar os “fantasmas do passado”, procurando minar desde já o discurso oposicionista, garantindo que o PT produzirá os melhores resultados para as mudanças necessárias no Brasil. É um claríssimo caso de programa composto para “segurar” o voto que já tem, buscando evitar a migração de eleitores apresentando os triunfos de todo o período do PT.

A dependência de Lula ainda é muito sensível. Dilma não tem tanto carisma e elocução quanto Aécio e Campos, ainda menos comparada ao seu antecessor. Portanto, o programa investe mais em quadros informativos e segmentos específicos. O risco aí é parecer muito autoindulgente: citar inúmeros avanços e reduzir as críticas a “pessimismo” aliena de forma decisiva o eleitor descontente, mas fortalece a convicção daqueles já dispostos a votar pela continuidade.

Mas há problemas. Chama a atenção, por exemplo, a fórmula estranha de Rui Falcão ao dizer que os protestos de 2013 revelam a necessidade de uma reforma política: “é como um corpo novo numa alma velha”, conclamando por uma “constituinte exclusiva”. Não seria o contrário? Uma alma nova presa pelo corpo envelhecido? A inversão faz pensar: terá o PT a convicção de que o problema é a mentalidade e não a estrutura? É um abandono curioso da ideia da estrutura social determinando as condições objetivas nacionais.

Presidente Dilma Rousseff
Presidente Dilma Rousseff

As diferenças visíveis entre os três programas indicam como a eleição presidencial está aberta neste momento – talvez como nunca desde 1989. As três estratégias, procurando consolidar as trincheiras de cada um dos candidatos, serão mais desenvolvidas em agosto – mas, até lá, o cenário forçará mudanças. Para quem quer entender o processo, é preciso acompanhar passo a passo.

Dupla café com leite não ameaça Dilma

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A nova pesquisa Ibope sobre a corrida presidencial parece as anteriores. Mas não é. No cenário mais provável, aquele em que tem como concorrentes Aécio Neves (PSDB), Eduardo Campos (PSB) e uma profusão de nanicos, Dilma resolveria fácil a parada se a eleição fosse agora. A notícia é péssima para a oposição e de relativo conforto para o Planalto.

Faltam seis meses e meio para o pleito, tempo suficiente para vitórias históricas. O problema para os adversários da presidente é que eles já ameaçaram mais do agora. Dilma não se move nas pesquisas. Há quem diga que bateu no teto. Ocorre que seus índices também não cedem, Aecio não sai do lugar e só Campos oscilou. Para baixo.

O cenário fica ainda mais grave para a oposição porque deve ser considerado que o intervalo entre os dois últimos levantamentos foi um período de adversidades para a presidente. Foi a fase da divulgação do pibinho de 2012, de notícias ruins na Petrobras, da deserção de uma médica cubana e de cizânia na base aliada. E nem esse redemoinho de ventos desfavoráveis foi capaz de varrer os altos índices de Dilma nas pesquisas.

Claro que os críticos argumentarão, e com alguma razão, que ela se mantém por cima, mas sem curva de alta. É verdade. Só que também é fato que a bola quicou no campo de ataque da oposição sem que ninguém conseguisse chutar para o gol. Fica a sensação de que, se não aproveitou a maré ruim para a presidente, o bloco adversário tende a ficar desnorteado no momento em que Dilma tiver boas notícias a oferecer.

Outro indicador que merece atenção no levantamento do Ibope é a diferença de apenas 3% que separa o onipresente governador pernambucano Eduardo Campos do quase anônimo pastor Everaldo Dias Pereira, o pré-candidato do PSC. Pela primeira vez em uma pesquisa, Campos ficou mais perto do líder entre os nanicos do que de Aécio. Para ele, chega a ser desolador.

Certo mesmo é que políticos e marqueteiros de oposição devem estar quebrando a cabeça para decifrar o enigma de como grudar em Dilma as notícias ruins que o governo e seus aliados têm sido capazes de produzir em escala industrial. Até agora, os opositores não conseguiram capitalizar nenhum desses muitos deslizes.

Por enquanto, Aécio e Campos mais parecem uma dupla café com leite, que só cumpre tabela. Dá até a impressão que esquentam o banco enquanto a oposição aquece os titulares. Que José Serra e Marina Silva não nos ouçam.

Fábio Piperno (@piperno) é jornalista.

Datafolha lança dúvidas para todos

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Os números não são como as cartas, que não mentem jamais. Eles não. Podem iludir e criar miragens capazes de hipnotizar. A mais recente pesquisa Datafolha sobre a corrida presidencial é em certa medida assim.

Para começar, a presidente Dilma ficou no mesmo lugar onde estava no levantamento anterior, realizado em novembro. No cenário mais provável, manteve os 47% de três meses antes. Pode até se dar ao luxo de comemorar discretamente o fato de que os dois rivais mais diretos somam agora 29%, contra os 30% da outra pesquisa, tendo 90 dias a menos para descontar a diferença.

É bom lembrar que nesse trimestre entre as duas pesquisas a presidente viu-se agarrada a um cardápio repleto de notícias ruins. A inflação cedeu pouco, a produção industrial não reverteu a curva de queda, começaram a pipocar deserções entre os médicos cubanos, o PMDB não deu trégua na refrega por mais espaço no governo, os mensaleiros foram para a cadeia, a balança comercial não reagiu, os prazos de entrega dos estádios da Copa foram para escanteio e os black blocs continuam tirando o sono, para não dizer vida, como a do cinegrafista da TV Bandeirantes.

Mesmo com toda essa sucessão de notícias desfavoráveis, Dilma não desce de um patamar confortável. Se não é suficiente para cantar vitória antecipada – e não é mesmo – a marca acima de 40% é alentadora quando não se tem um rival que já tenha batido nos 20%. A dúvida agora é saber por quanto tempo esse nível de fidelidade resistirá caso a presidente não consiga reverter a maré de eventos negativos.

Para sorte do Planalto, o vice-líder nas pesquisas continua em campo sem empolgar. Aécio Neves começou a pré-campanha empurrado por um latifúndio eleitoral, que é o estado de Minas Gerais. O problema é que não deslanchou fora das Alterosas.

Aécio não passa semana sem visitar cidades importantes do estado de São Paulo. Mas sem as companhias do governador Geraldo Alckmin e do ex-presidenciável José Serra nessas visitas, é pouco mais que um estranho no ninho tucano para o eleitor de São Paulo. Em relação à pesquisa anterior, perdeu dois pontos. Pode parecer pouco. De fato, fica dentro da margem de erro. No entanto, em nenhum outro levantamento apareceu com apenas 5% de vantagem sobre o governador Eduardo Campos. E aí reside o perigo de o tucano ser abatido no meio do caminho.

Para o ex-governador de Minas Gerais, terminar o primeiro turno atrás de Dilma, mas só dela, está dentro do script. O problema é ter a vice-liderança fustigada por Campos, um governador popular, jovem e que tem Marina Silva se aquecendo no banco, pronta para entrar na parada. Sem dúvida, a linha amarela está mais acesa do que nunca no ninho tucano.

Quando Marina começar a aparecer de forma mais ostensiva ao lado de Campos, é mais do que provável que o pernambucano venha a se beneficiar com a transferência dos votos que seriam para a ex-ministra, ainda a vice-líder nas pesquisas sempre que tem o nome mencionado nas simulações. Esse é um handicap inacessível a Aécio, que mais do que nunca precisa das estrelas do PSDB paulista na campanha para compensar o possível efeito Marina.

No confronto com o mineiro, até agora um aliado nas críticas ao governo Dilma, Campos ainda tem o bônus de ter sido um aliado de Lula. O passado como parceiro do petista lhe dá a vantagem da elasticidade do discurso. Pode esticar a corda na oposição a Dilma, ao mesmo tempo em que lembra o eleitor do pedigree de companheiro de todas as horas do popular presidente Lula. O que, convenhamos, não é pouco em uma batalha por uma vaga no segundo turno, que pode ser definida por fotochart.

O desafio de Campos, agora com status de pré-candidato que alcançou preferência na casa dos dois dígitos, é ampliar a colheita de votos entre os marineiros. Os de primeira viagem, mais fiéis, já embarcaram na canoa do governador de Pernambuco. Os que chegaram depois, em busca de um nome distante do mainstream político, ainda oferecem alguma resistência. Mas Campos conta com o carisma de Marina para dobrá-los.

Feitas as contas com base nos números do recente Datafolha, as ponderações entre os três competidores mais destacados ficariam nisso. Só que a pesquisa apontou os primeiros indícios de que um novo nome ameaça fazer alguns estragos. No único cenário em que foi mencionado, o pastor Everaldo Dias Pereira (PSC) já surge com 3%, marca suficiente para desgarrá-lo dos demais nanicos.

Na campanha, tem fé que pode fazer barulho. Ele se assume como candidato “de direita”, algo inédito na história das eleições presidenciais do Brasil e calibra o discurso na direção do eleitorado mais conservador, contra o casamento gay, a liberalização da maconha e o aborto. Para tentar materializar o milagre da multiplicação dos votos, defende o legado do presidente Lula e critica Dilma. É também aliado do pastor Marco Feliciano.

Se tem fôlego para ir muito longe, ainda é impossível saber. Mas não se deve esquecer que o falastrão Enéas começou a carreira eleitoral apenas como um folclórico nanico. A graça acabou quando na eleição presidencial de 1994 amealhou 7,38% dos votos, atrás apenas de FHC e Lula. Se chegar a tanto, Pereira pode ser até mesmo o responsável por um segundo turno. O inferno para Dilma. Coisa que para Aécio e Campos não seria de todo mal.

Fábio Piperno (@piperno) é jornalista.