Ministério Público virou censor de novelas

O Ministério Público do Trabalho não satisfeito em atrapalhar empresários e quem emprega resolveu interferir no elenco da próxima novela da Rede Globo – Segundo Sol.

Em tom ameaçador, MPT deu 45 dias para Globo cumprir Notificação Recomendatória de 12 páginas e 14 recomendações ou a emissora prestará esclarecimentos em audiência. Entre as medidas está até realizar um censo para saber quantos negros trabalham na emissora.

Como é que é? O Ministério Público virou censor de novela? Que maravilha. Não falta mais nada em Banânia. Essa notificação do MP é abjeta. É censura em nome de boas intenções. E o prior é que a emissora é vítima do próprio veneno do politicamente correto ideológico que invadiu a Rede Globo nos últimos anos.

Seguindo a sua nova linha editorial, a Rede Globo não vai denunciar a censura que está sofrendo do Ministério público. Pelo contrário, a empresa militante da luta por diversidade na TV vai se agachar e obedecer o censor fazendo tudo que “recomendar”. Uma ditadura não nasce de um dia para o outro nem necessariamente precisa ser oficial. Ditaduras começam tirando a liberdade de pequenas coisas, interferindo aqui e ali no livre arbítrio de uma sociedade.

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Ditadura Maduro é genocida; Brasil corre risco com os alinhados a ela daqui

A questão na Venezuela há muito deixou de ser política e ideológica. O Governo de Nicolas Maduro é uma ditadura com tudo o que uma ditadura tem de pior (esquerda ou direita). Maduro consegue ser pior que Hugo Chávez, seu padrinho político e mentor. Chávez ao menos tinha habilidade política.

O que aconteceu no último dia de 2017, na Venezuela, extrapola tudo que já aconteceu até aqui. Uma grávida vai tentar receber um pernil do Estado, porque falta até comida na Revolução Bolivariana, resultado de uma política na economia que jogou a pujante Venezuela em uma crise humanitária gravíssima, ela não consegue e se junta com manifestantes, um soldado da milícia armada de Maduro atira matando a mulher. A ditadura Maduro é genocida do seu próprio povo.

Mas o pior é uma parte da esquerda brasileira ainda sair em defesa ou a omissão de outra parte se preocupando com a desigualdade nos EUA.

Muitos riram dos alertas de que o Brasil corria risco de virar uma Venezuela gigante. Só não virou porque o PT não conseguiu – chegou a sondar o Exército para evitar o afastamento de Dilma Rouseff – domar as Forças Armadas assim como o chavismo fez com os militares do país vizinho.

Porém, o Brasil ainda corre o risco dessa ameaça por ter essa gente que passa a mão na ditadura Maduro chegar ao poder na eleição. A retomada do PT ao poder não será de pactos com o capital financeiro, as elites e menos ainda de reconciliação. E, caso Lula consiga escapar dos processos, ser candidato e eleito, vai querer retaliar a quem ele julga perseguidores dele.

O Brasil corre risco de um verdadeiro retrocesso é se a esquerda revolucionário retomar o poder. Se a esquerda alinhada com a ditadura assassina de Caracas triunfar.

Cuba: Melhor sem ditadura

fidel e che

No fim de 2014, uma polêmica perto do dia de natal ferveu o Twitter. Foi no dia que o presidente Barack Obama e o presidente Raul Castro começaram a pôr fim a mais de 50 anos de um bloqueio econômico entre EUA e Cuba. Um comentário de um fã da ilha caribenha – talvez fã dos Castro – incomodou quem não gosta do regime implementado por Fidel e Che.

Cuba

Cuba-ditadura

Os defensores do regime argumentam que Cuba é modelo em educação e saúde promovidos pelo Estado. A direita refuta e mostra dados que a miséria é grande na ilha. Como não tem liberdade de imprensa, é difícil achar dados confiáveis. A esquerda rebate usando o embargo dos EUA como fator que impediu Cuba de ser uma potência. Só que quem discorda do regime é censurado e até preso.

Cuba foi potência olímpica, mas perdeu força com deserção de atletas para países livres. Pela primeira vez desde 1967, cubanos ficarão abaixo do segundo lugar no quadro de medalhas dos jogos Pan-Americanos – ficou em primeiro quando os jogos foram em Havana, em 1991.

No Brasil, a polêmica é grande quando Cuba é assunto. Até mapa dividindo o país depois do resultado da eleição 2014 teve. O empréstimo do governo brasileiro ao governo cubano para a construção do Porto de Mariel é cercado de controvérsia. Outro assunto polêmico é o Programa Mais Médicos. Opositores ao programa do governo federal (PT) dizem que o governo brasileiro financia a ditadura cubana e esse dinheiro volta para financiar campanhas políticas do Partido dos Trabalhadores.

Quem é favorável tanto do empréstimo ao Porto de Mariel quanto as regras do programa Mais Médicos – o governo federal paga diretamente aos médicos estrangeiros do programa, exceto os médicos cubanos, e boa parte do salário vai para o governo da ilha – argumenta que o empréstimo para construção do porto é estratégico, o Brasil está se adiantando para ter vantagem econômica quando Cuba se abrir ao mercado mundial. E sobre o Mais Médicos, os médicos brasileiros não querem ir para os rincões do país.

O “vai pra Cuba” virou slogan dos contra ao regime cubano para os defensores do mesmo. É uma discussão de 5ª série e cheia de ódio recíproco. Eu prefiro ficar ao lado do povo cubano que torce para o fim de um embargo econômico que já deveria ter caído e, com ele, a abertura da economia. Um novo tempo para Cuba, com liberdade, prosperidade para seu povo e imprensa. Mesmo que Cuba seja exemplo como um país sem analfabetismo e referência em saúde, um país sem liberdade é um país manco.

A ditadura e o centrismo

Yoaní Sanchez chega ao Brasil. (Foto: Cultura Press)

Chegou ao Brasil, nesta segunda-feira, Yoaní Sanchez. A blogueira-dissidente-popstar desembarcou no Aeroporto dos Guararapes, em Recife, para dar início ao seu giro pelo mundo, que vai durar 80 dias.

Para quem não sabe, Yoaní é um cubana que criou um blog onde relata o dia-a-dia de sua terra natal, Cuba, principalmente no que tange a falta de liberdade de expressão. Em pouco tempo, a blogueira ganhou fama internacional e fez muito barulho. Chegou a ser presa e por várias vezes teve sua página retirada do ar.

E, por consequência, ganhou admiradores e detratores. No primeiro grupo, em geral, temos direitistas que se opõem ferrenhamente ao fechado regime cubano, enquanto, o segundo, é composto por esquerdistas que tem Fidel Castro como ídolo e veem o modus operandi do país centro-americano como “uma ditadura do bem”.

Ditadura do bem…

É claro que ninguém usa essa expressão abertamente, mas não é incomum ouvir, como argumentos de defesa ao regime cubano, os índices bastante razoáveis de qualidade de vida (baixo analfabetismo, baixa mortalidade infantil, etc.). Ou seja: ao contrário do que dizia Nelson Rodrigues, “a liberdade não vale mais do que o pão”.

Mas isso é muito curioso. Grande parte dos que bradam “viva la revolución” e tem um pôster de Che Guevara no quarto, lutaram contra um cruel regime militar que controlou o Brasil nas décadas de 60 e 70. Alguns deles foram presos, torturados e, fosse em 2013, talvez tivessem criado um blog para manifestar sua indignação perante à censura e a falta de liberdade. Muitos se esquecem, que, embora o motivo não tenha sido nobre, o Brasil cresceu durante o Regime Militar, graças ao apoio dos Estados Unidos, que lutavam na Guerra Fria contra a União Soviética.

Mas aí não tem “ditadura do bem”. E não tem mesmo. Assim como não tem em Cuba. A liberdade não é um bem material que se troque por um pedaço de pão. É preciso ter o pão e poder dizer se ele estava gostoso ou não. E, por isso, o papel de Yoaní é muito importante. Não, eu não sou fã dela, acho que ela não é a mártir que quer parecer e fala muita besteira. Contudo, ninguém tem o direito de proibi-la de dizer essas besteiras. E, você, seja de direita ou esquerda, certamente já lutou por isso.

Fidel Castro, líder da Revolução Cubana: líder para uns, vilão para outros. (Foto: BBC)

Não deixa de ser curioso como, ao mesmo tempo em que causa pesadelos, a palavra “ditadura” é, de certo modo, perseguida por muitas pessoas. Quantas vezes você não ouviu uma pessoa mais velha falar que queria a volta do regime militar porque, naquela época, “não tinha bagunça”? Ou seja: ditadura de esquerda é pecado, de direita é “necessário”.

Do outro lado, tem muita gente vendo fantasma de ditador, onde não há. Dias atrás, o ator José de Abreu, sempre ele, disse que foi “desconvidado” do camarote da Revista Contigo, na Marquês de Sapucaí, por motivos de “censura”, já que várias vezes criticou Roberto Civita, o chefe da Editora Abril, que publica a revista. Ou seja: se você tem um camarote e não quer que um desafeto seu entre nele, você é um “ditador”.

O centrismo

Outro dia, fiz um destes testes para “descobrir minha posição política” e o resultado não foi nem um pouco surpreendente: de acordo com minhas respostas, eu sou um “centrista”.

Essa posição política é vista com maus olhos por muitos, já que todo mundo se diz “de centro” para poder jogar na situação e na oposição. Contudo, ser centrista não significa estar “em cima do muro” e sim ter uma mente aberta.

Eu queria, sim, ter um partido político. Tenho afinidade com o PT (até acho que sou de “centro-esquerda”), mas, no jogo político, é impossível levantar uma bandeira e sair a defendendo acima de tudo, sendo que, para isso, você precisa estar cego aos trambiques de José Dirceu e companhia. Ser centrista me permite votar no PT e querer a condenação dos envolvidos no Mensalão. Me permite criticar atitudes da blogueira-popstar sem precisar defender a patética hegemonia da família Castro.

E, principalmente, me permite ter horror da ditadura (que, graças a Deus, não vivi), sem que, para isso, eu tenha que criar novos fantasmas de um regime, que, espero eu, está enterrado nos livros de história.

José de Abreu sobre sua luta contra a ditadura: “Médici, Geisel, Figueiredo e, agora, Civita”. (Foto: UOL)