Impeachment foi bom para o PT

Lula é líder com 30% na nova rodada de pesquisa do Datafolha, mesmo preso por corrupção. Jair Bolsonaro (17%) e Marina Silva (10%) são os adversários mais próximos do petista, mas aparecem bem atrás. Nada menos que 21% dos pesquisados dizem não ter candidato, esse número sobe para 33% sem Lula na disputa e para 34% sem candidato do PT. O impeachment da presidente Dilma Rousseff combinado com a ruína do governo do presidente Michel Temer ressuscitou o Partido Trabalhadores. Para ter uma ideia, Lula chegou a 17% na pesquisa Datafolha de março de 2016, praticamente o último mês do governo Dilma (o processo foi aceito em abril pela Câmara e o Senado a afastou do cargo no início de maio). Antes de Dilma ser afastada, Lula já assumiu a ponta e não saiu mais dela chegando a dobrar os 17% e quase chegando a 40%.

Muitos fatores levam a esses dados e os principais são a crise econômica que não tem fim e a crise ética na política. A popularidade do governo Temer bateu os 82% de rejeição, só 3% o aprovam. É pior que Sarney, Collor e Dilma. Essa rejeição vinha caindo depois do escândalo JBS e as denúncias criminais contra o presidente congeladas pela Câmara, até a “revolta dos caminhoneiros” e a demora do governo em tomar as rédeas da situação e quando fez foi desastroso, com tabelamento de preço, subsídio no diesel agravando o já complicado quadro fiscal e reserva de mercado. Teve até “Fiscais do Sarney 2”.

Toda a crise econômica começou em 2014 e teve seu agravamento em 2015 e 2016, mas o retrato de momento conta mais do que o passado recente na memória do brasileiro.

Com o impeachment e as denúncias diariamente na imprensa contra o atual presidente, contra o PSDB que era até o impeachment o principal partido de oposição, a memória de um país com inflação controlada, situação de pleno emprego, saindo do mapa da fome da FAO, crescimento de 7% no último ano de Lula para o caos de hoje prevalece a ideia de que a troca de governo foi ruim. Mesmo o TSE impedido a candidatura de Lula, ele dita o ritmo da eleição e a chance de fazer o eleito. É só transferir metade desses 30% para o candidato que escolher e o levar ao segundo turno. E, sim, a capacidade de transferência de votos do ex-presidente ainda é grande.

A criminalização da política também colaborou para o ressurgimento de Lula. Ao nivelar toda a classe política no degrau da corrupção, juiz de primeira instância anulando nomeação de ministro, derrubando decreto presidencial, vazamentos de investigação para imprensa, quem saiu perdendo foi o centro – não o corrupto e fisiológico “centrão” -, o centro político que fez a transição pacífica do regime militar para a redemocratização.

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Um comentário sobre “Impeachment foi bom para o PT

  1. Olha, eu já disse num comentário anterior, que só o Bolsonaro ganha com a petezada insistindo no Lula como pré-candidato. Essa estratégia está longe de ser genial, pois afronta a mudança de opinião de milhões de eleitores sobre esse pseudo-pai dos pobres. Para se ter uma ideia do que está acontecendo, no Acre (governado pelo PT), Bolsonaro está EM PRIMEIRO LUGAR NAS PESQUISAS, Marina EM SEGUNDO (pois é …) e o Lula EM TERCEIRO. O polêmico deputado deve cair no chão de tanto rir dessa companheirada sem noção, que o está ajudando.

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