Democracia x Juristocracia

Deltan Dallagnol e Carlos Fernando em campanha pelas 10 Medidas Contra Corrupção do MPF

Um dos Procuradores da força tarefa da Operação Lava Jato, Carlos Fernando dos Santos Lima, disse o seguinte em entrevista para Folha de São Paulo: “Se eu estivesse fazendo consideração político-partidária, eu estaria realmente vinculado a certos posicionamentos. Se você defende princípios que estão na Constituição, esse argumento é absurdo. Eu vou falar. Não posso deixar de falar”.

O nobre Procurador da República está certo no que diz a Constituição. O problema, no entanto, é um Procurador virar praticamente um analista político dando entrevistas e palpitando em assuntos de outros poderes (Legislativo e Executivo). Só mostra uma atuação política de um investigador de… políticos.

Não é de hoje que Carlos Fernando, Deltan Dallagnol e outros procuradores foram seduzidos pelos holofotes e o ativismo jurídico-político nas redes sociais. Já se dissimulou que alguns membros do Ministério Público querem aniquilar toda classe política para substituir por uma “juristocracia”. Muito se comenta que Deltan e Carlos concorrerão na próxima eleição, um pela Senado e outro para Câmara Federal.

Mas, sinceramente, o Judiciário está longe de ser uma ilha de virtudes. O combate contra a corrupção é muito bem-vindo, mas não atropelando o devido processo legal, o Estado de Direito e fazendo confusão proposital na população com o mantra de uma conspiração dos políticos contra investigações e uma purificação da política pela Lava Jato. Depuração política quem faz é a urna. E só a urna pode ter o poder de depuração política em uma democracia.

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