Maioridade penal volta ao debate

No programa Fofocalizando do SBT, Leão Lobo e Décio Piccinini travaram mais um duelo dos que acham que a maioridade penal tem que aumentar no Brasil e os que acham que não resolve o problema da criminalidade envolvendo menores de idade. A discussão começou depois de uma reportagem onde mostrou mais um crime bárbaro que é o estupro coletivo. O caso aconteceu no Piauí, o mesmo estado onde aconteceu outro crime semelhante.

Décio foi mais longe e sugeriu pena de prisão perpétua e/ou de morte para crimes hediondo, de crimes contra a vida. Mamma Bruschetta lembrou que nos EUA menor que comete crimes vai para cadeia como um adulto. Só que a diferença é que estamos no Brasil e a nossa justiça não é lá muito equânime e ágil. Em maio de 2015, fiz um texto defendendo um meio-termo. Não diminuir a maioridade penal puro e simples, mas acabar com a impunidade de menores que cometem verdadeiras atrocidades, crimes que não tem recuperação e ressocialização que resolva.

Porque só dizer que é a falta de educação de boa qualidade que leva jovens a cometer um crime tão violento como o estupro e matar, como sugeriu Leão Lobo, é simplificar a barbárie. Outra falácia muito disseminada é associar a criminalidade à pobreza. Como se ser pobre e muitas vezes sem oportunidades fosse passaporte para o mundo do crime. Nada mais falso e preconceituoso. Existem muitos delinquentes com conta bancária cheia. Ser pobre não é sinônimo de criminalidade, mesmo sem oportunidades. E só o que tem são histórias de pessoas que não tinham nada até o sucesso e/ou poder e influência.

O que não pode é ficar nesse ciclo eterno de debates toda vez que acontece um crime que choca. Enquanto os dois lados debatem e na maioria das vezes se insultam, crimes bárbaros acontecem como se fosse um replay de outros crimes igualmente chocantes. É hora de falar menos e agir mais.

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