Joaquim Barbosa e o perigo

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Não pertencia aos que idolatravam Joaquim Barbosa no julgamento do mensalão em 2012. E muito menos o considerava “traidor” de uma suposta causa como petistas insinuavam nas redes sociais, inclusive o chamando de “capitão do mato”, um termo racista só por não se curvar aos que colocaram ele no STF e julgar os réus de acordo com as leis e a sua consciência.

Considerava Joaquim Barbosa um ser-humano com virtudes e defeitos, mais um exemplo de brasileiro de origem simples que com muita luta conseguiu se tornar o primeiro presidente negro da Suprema Corte. Temperamental, Joaquim Barbosa brigou com muitos colegas, com jornalistas e o desgaste do julgamento de membros da alta cúpula do partido do poder resolveu antecipar aposentadoria do STF em 2014.

Na quinta-feira (01/12), em entrevista para Mônica Bergamo na Folha de São Paulo, Joaquim Barbosa cuspiu barbaridades como “Impeachment Tabajara”. Não é de hoje que ele é crítico ao processo que levou ao afastamento de Dilma Rousseff, o culpando pela instabilidade institucional na qual passa o país.

Mas o que me chamou atenção foi essa resposta: “Os cientistas políticos consolidaram o pensamento de que o presidente depende do Congresso para governar. E não é nada disso. Uma das características da boa Presidência é a comunicação que o presidente tem diretamente com com a nação, e não com o Congresso. Ele governa em função da legitimidade, da liderança, da expressão da sua vontade e da sua sintonia com o povo. Dilma não tinha nenhum desses atributos. Aí ela foi substituída por alguém que também não os têm, mas que acha que está legitimado pelo fato de ter o apoio de um grupo de parlamentares vistos pela população com alto grau de suspeição. Ele [Temer] acha que vai se legitimar. Mas não vai. Não vai. Esse malaise [mal estar] institucional vai perdurar os próximos dois anos”.

Joaquim Barbosa junta o populismo com justiçamento. É um perigo! Barbosa está doido para ser candidato a presidente ou governador, ele nega. Mas a mosca azul já o picou faz tempo. (Fiz uma previsão em julho de 2015 e a mantenho) Quem brinca com fogo corre no mínimo risco de se queimar. E a idolatria por figuras que só cumprem com seu trabalho junto com essa coisa de caça a todos os políticos vão transformar 2018 em um circo de horrores. Que Deus tenha misericórdia desta nação.

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