Pede para sair, Geddel

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Uma bomba explodiu na manhã de sábado no governo Temer. Após o surpreendente pedido de demissão do Ministro da Cultura, Marcelo Calero, na noite de sexta-feira (18), ele resolveu falar em entrevista para Folha de São Paulo e entregou que o Ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima (PMDB), fez lobby por um empreendimento imobiliário em Salvador/BA que beneficia o Ministro. É a denúncia mais grave desde as gravações de Sérgio Machado em que Romero Jucá teve que sair do Ministério do Planejamento.

Geddel Vieira Lima é conhecido no mundo político por ser boquirroto, não mede palavras, ele foi Ministro da Integração Nacional no governo Lula. Saiu, em 2010, para ser candidato a governador da Bahia, mas sem sucesso, não conseguiu nem levar a disputa ao segundo turno. Geddel não gostou da postura do PT baiano de não o apoiar ou ficar neutro na disputa com o atual governador Jaques Wágner (PT), reeleito em primeiro turno naquela eleição.

No primeiro governo da presidente Dilma, Geddel ganhou a vice-presidência de pessoa jurídica da CEF como um prêmio de consolação (que prêmio…), mas não foi suficiente. Geddel fracassou novamente em 2014 ao tentar ser Senador. Aí Geddel, junto com seu irmão deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB/BA) e o então presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, articularam o impeachment de Dilma.

O atual Ministro da Secretaria de Governo também está enrolado na operação Lava jato. Um dos delatores disse que Geddel tem uma “boca de jacaré para receber”.

Respondendo ao ex-ministro do MinC, também em entrevista para Folha, Geddel acha normal um ministro falar pelo telefone com outro sobre um processo que beneficia uma das partes e “sugerir” uma decisão favorável ao réu. Não é normal, Ministro. É tráfico de influência. Geddel já era para ter saído do governo até mesmo para não desgastar a imagem do presidente da República. Só que Michel Temer age como Dilma Rousseff: espera a crise oriunda de uma denúncia ficar insustentável e o ministro envolvido pedir para sair. A cabeça de chapa foi cassada, mas a outra metade da chapa continua no governo.

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