Erro ou trambique?

Eleição para prefeito, vice-prefeito e vereador em cidade pequena o bicho pega. Cidades com menos de 50 mil habitantes para baixo as disputas são polarizadas em dois pólos distintos, muitas vezes formados por famílias rivais que ainda carregam as velhas disputas dos coronéis do passado.

Dentro do contexto citado acima, Tejuçuoca, com atualmente 16 mil habitantes e 13 mil eleitores aptos, não é diferente. Sempre dois candidatos opostos disputando quem comandará a prefeitura por quatro anos.

Em 2016, Itamar Maciel da Rocha (PEN), mais conhecido por Itamar da Fábrica, tentou uma terceira candidatura ao Executivo municipal, uma terceira via, mas acabou sendo impugnado pela Justiça Eleitoral devido a problemas de regularização (filiação) da convenção partidária. Itamar desistiu da candidatura e apoiou o candidato da oposição Jorge Silva Mota Filho (PRTB), mas continuou com o nome na urna e recebeu 18 votos – todos considerados nulos pelo TRE-CE (Tribunal Regional Eleitoral).

Antônia Heloide Estevam Rodrigues (PMDB) foi a candidata da situação e saiu vencedora do pleito com 6.420 votos – 54,09%.

Outra característica peculiar no município de Tejuçuoca são as pesquisas que saem poucos dias antes da votação. As candidaturas por meio de rádios da região encomendam pesquisas de institutos completamente desconhecidos trazendo números diferentes da apuração. Começou em 2008, na reeleição do então prefeito Edilardo Eufrásio – marido da prefeita eleita em 2016.

Na eleição de 2008, uma pesquisa na véspera da eleição dava Edilardo (PSDB) com 61,12% dos votos totais, contra 32,52% da candidata da oposição Zélia Mota (PSB).

Levando em conta só os votos válidos da pesquisa e sua margem de erro (4%), o resultado foi de 2,9% de erro. Ou seja, resultado acertado dentro da margem de erro.

Na eleição de 2012, a pesquisa de véspera deu Valmar Mota Bernardo (PDT), o candidato da situação, com 54,55% dos votos totais, contra 40,40% do ex-prefeito e candidato da oposição João da Silva Mota Filho (PTB). Descontando a margem de erro da pesquisa (5%), houve um erro de 1,54%.

Na eleição de 2016, as duas candidaturas divulgaram pesquisas completamente diferente uma da outra. É claro que as duas pesquisas erraram e muito o resultado da apuração, foi um show de horrores.

Uma pesquisa indicava Heloide com 60,12%; noutra pesquisa o candidato Mota Filho tinha 58% dos votos totais. Nada menos que 11,12% de erro na pesquisa que colocava a candidata Heloide como vencedora – descontando a margem de erro (4%), 7,12%. Já a pesquisa que colocava o candidato Mota Filho como vencedor, foi ainda pior, com 19,01% de errodescontando a margem de erro da pesquisa (5%), inacreditáveis 14,01%. Erros absurdos. Erros ou manipulação dos números? Não tem como saber.

Lembrando que só podem ser divulgadas pesquisas registradas nos TREs e/ou TSE.

Que se realizem pesquisas mais fieis ao resultado das urnas ou não sejam divulgadas e não induzam o eleitor a votar por, no mínimo, erros grotescos. A Justiça eleitoral local precisa tomar atitudes contra esse absurdo nas eleições municipais de Tejuçuoca.

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