100 dias de Temer

É hora de uma breve retrospectiva dos 100 dias de governo Temer.

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Michel Temer foi ungido à presidência da República no dia 12 de maio, após o Senado aprovar a admissibilidade do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, por 55 votos. O vice-presidente articulou a formação de uma ampla base de apoio com partidos da antiga base de Dilma e da antiga oposição. Essa base gira em torno de 370 deputados e 60 senadores, o que faz o afastamento definitivo de Dilma ser quase certo no julgamento final, que começa no dia 25 de agosto.

Nesses 100 dias o governo interino conseguiu aprovações de projetos importantes e que estavam pendentes, como o projeto da renegociação da dívida dos Estados com a União. Houve cortes no número de ministérios, mas aquém do esperado – de 32 passou para 26 e o governo já fala em recriar o Ministério do Desenvolvimento Agrário – e cortes nos milhares de cargos comissionados. O ambiente de negócios melhorou e a economia já começa a dar sinais de estagnação, sem queda, pronta para começar a voltar a crescer. Mas os sucessivos aumentos de salários de várias classes de servidores públicos assusta o mercado. Afinal, o governo Temer veio para fazer o ajuste fiscal que o governo Dilma não foi capaz de realizar com sucesso.

Na parte política, algumas delações premiadas atingiram o governo Temer, inclusive o próprio presidente. Primeiro, o ex-presidente da Transpetro, Sergio Machado, acusou Temer de receber dinheiro de propina da Petrobras pessoalmente para campanha de Gabriel Chalita, então no PMDB e candidato a prefeito de São Paulo em 2012, em um aeroporto de Brasília. Temer nega e Machado, por enquanto, não mostrou provas desse encontro. O presidente em exercício também foi delatado por executivos da empreiteira Odebrecht, por receber doação eleitoral advinda de propina para campanha de Paulo Skaf ao governo do Estado de São Paulo. A Odebrecht ainda negocia acordo com o MP e a delação da empresa está na fila para homologação.

Mas a maior crise pelo qual passou o governo Temer, até agora, foi no episódio dos áudios gravados por Sergio Machado. Em áudios gravados pelo próprio Machado, em conversas com Romero Jucá, Renan Calheiros e José Sarney, eles falam em deter o avanço da Lava Jato. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu ao STF prisão da cúpula do PMDB, por suposta trama para acabar com a operação Lava Jato com o impeachment e Temer na presidência. Os áudios mostram conversas sobre o momento político e econômico do país, mas nada de concreto para abafar a Lava Jato, tanto é que o Ministro Teori Zavascki negou pedido de prisão para cúpula peemedebista.

O novo presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM/RJ), disse em entrevista que, se Temer for confirmado presidente e o governo chegar em 2018 com 50% de aprovação, ele é o candidato pelos partidos que compõem a base. Temer negou que irá disputar a reeleição. Essa fala de Maia, claro, desagradou o PSDB, e Temer chamou os tucanos para um almoço e assegurou mais participação do partido nas decisões do governo. O PSDB já vinha mostrando insatisfação com o rumo que o governo Temer anda tomando na parte econômica, com o mesmo populismo fiscal de Dilma. Ministro da Fazenda, Henrique Meirelles (PMDB) sonha em ser candidato a presidente.

Em termos de popularidade, o governo Temer está um pouco melhor que governo Dilma, mas é rejeitado pela maioria da população. Michel Temer foi vaiado ao abrir os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro e usou como estratégia a discrição, para minimizar o tamanho da vaia, não tendo seu nome apresentado na cerimônia de abertura no Maracanã.

Após o processo de impeachment e assumindo a presidência de forma definitiva até 2018, Temer precisa decidir qual rumo seu curto governo vai tomar. Se da austeridade fiscal para recuperar as contas públicas, diminuir o déficit público, o rombo da previdência e a economia em geral, ou se vai governar pensado na reeleição ou em fazer o sucessor. Há os desdobramentos da operação Lava Jato e a ação que pede a cassação da chapa Dilma e Temer no TSE. Temer não tem tempo para pensar muito na resposta.

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