Do paraíso ao inferno em sete anos

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Pesquisa Datafolha reveladora faltando menos de um mês para a Olimpíada. Em três anos caiu de 64% para 40% quem é favorável a realização dos jogos do Rio de Janeiro 2016, e subiu de 25% para 50% quem é contra. O desinteresse pelos Jogos também é alarmante. Para 51% dos consultados pelo instituto o interesse pela primeira Olimpíada na América do Sul é nenhum, contra 33% com um pouco interesse e só 16% com muito interesse.

Outro dado da pesquisa é que para 63% dos brasileiros a Olimpíada no Brasil vai trazer mais prejuízo do que benefício ao país, só 29% acham que vai trazer mais benefício que prejuízo. Há um equilíbrio entre os moradores da cidade do Rio de Janeiro – 47% a 45%, para mais prejuízo que benefício. Na média geral, 51% acham que os Jogos Rio 2016 vão trazer mais prejuízo que benefício.

Há muitas explicações para essa mudança de humor da população. A principal é a mudança na economia. Quando o Brasil venceu o direito de receber os Jogos Olímpicos de 2016, em 2009, a economia vinha crescendo e teve seu ápice em 2010, com crescimento de mais de 7%. Não tinha Lava-jato, Lula era o presidente com quase 100% de aprovação e Dilma foi eleita sua sucessora prometendo manter esse clima positivo.

Em sete anos tudo mudou. A economia foi para o buraco, veio a operação Lava-jato descobrindo um esquema de corrupção gigantesco na Petrobras, contas públicas no vermelho, um processo de impeachment, troca de presidente, o Rio de Janeiro quebrou com a queda no preço do petróleo. O custo da Olimpíada já beira os 40 bilhões de reais com boa parte sendo financiada pelo poder público.

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Foi uma aposta muito alta feita por Lula, Sérgio Cabral e Eduardo Paes. Uma aposta escorada na bonança do petróleo com a descoberta do pré-sal e o crescimento da economia via consumo. Só que uma hora essa bolha estouraria e seria preciso um ajuste fiscal. Com a proximidade da eleição de 2014, o governo Dilma deixou o ajuste de lado, quando se dispôs a fazer era meio tarde e ficou muito amargo.

Ainda tem o fator que o Brasil não é um país olímpico. O Brasil ganha medalhas nas Olimpíadas mais no esforço pessoal dos atletas do que em um planejamento bem elaborado e executado pelo COB – Comitê Olímpico Brasileiro – e pelo Ministério dos Esportes. A expectativa dos organizadores para a delegação brasileira ganhar 30 medalhas (de ouro) e terminar entre os 10 melhores no quadro de medalhas é muito otimista.

A Olimpíada do Rio de Janeiro, do Brasil, da América do Sul vai acontecer. É torcer que nesses pouco mais de 20 dias tudo transcorra com uma mínima organização. Principalmente na segurança – igual na Copa do Mundo –, o mundo está muito belicoso. Que a “guerra” seja no tatame, nas quadras, nos gramados e com histórias emocionantes nas disputas por medalhas. De toda forma, o povo brasileiro vai pagar uma conta alta depois desses grandes eventos. A esperança é que o país não vire uma Grécia pós-2004.

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