Nem o marasmo, nem um tiro no escuro, diretas já

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Não tenho medo de mudar de opinião. Já fui contra o impeachment da presidente Dilma, resolvi apoiar quando vi que a presidente perdeu a governabilidade política e popular. Não se tira o presidente do cargo por impopularidade, só no parlamentarismo com o Primeiro-Ministro, mas alguma coisa precisava acontecer para tirar o país das crises. Impeachment não é golpe. E as ditas pedaladas fiscais, os decretos suplementares não autorizados pelo Congresso são discutíveis, mas, também, podem ser crimes de responsabilidade fiscal. É preciso analisar e julgar com imparcialidade, sem paixões.

Depois de um longo debate na comissão especial, a admissibilidade é aceita por 367 votos – 25 a mais que o necessário – e a denúncia aceita no final de 2015, pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB/RJ), foi encaminhada para o Senado Federal e está em análise na comissão especial. Se o relatório do Senador Antonio Anastasia (PSDB/MG) for pela continuidade do processo e aprovado no plenário por maioria simples (quórum de 41 senadores), a presidente é afastada por 180 dias, até o julgamento do mérito – para afastamento definitivo, são necessários 54 votos.

A votação na Câmara, no domingo dia 17/04, foi de envergonhar o país perante o mundo. O ápice foi Jair Bolsonaro (PSC/RJ) votando “em memória de Carlos Alberto Brilhante Ustra”, um torturador da ditadura militar. Mas esse parlamento foi eleito pela população em 2014, assim como Dilma Rousseff, e não deslegitima o processo de impeachment.

Depois de ler muito, assistir a defesa e a acusação nas comissões, não vou mentir que temo muito retirar um presidente da República eleito pelo voto popular por uma questão fiscal. Os que são a favor do impedimento de Dilma falam no artigo 85 da Constituição; os contrários acusam que, sem crime e base jurídica, o impeachment é golpe. Esse argumento de “golpe” não aceito porque o STF determinou um rito para o processo. Mas o “pelo conjunto da obra” é tão ridículo e fantasioso quanto o tal “golpe” dos governistas. Outro argumento que não aceito é que um governo do vice-presidente não seria legítimo. Ele foi eleito junto com Dilma e teve os mesmos 54 milhões de votos dela. Ou o PMDB só serve na eleição?

Isto posto, colocar no poder um Michel Temer é entregar a chave do governo ao partido que sempre esteve na sombra dos governos desde a redemocratização. E uma turma enrolada na operação Lava-Jato.

Acho o governo Dilma lamentável e com retrocessos econômicos e sociais. Dilma perdeu a governabilidade porque não gosta dos políticos. É inepta politicamente. E o mito de super gerente não passava de bravata de Lula. Só que tirar ela só para tirar o PT do poder usando contabilidade fiscal é perigoso. Se Dilma Rousseff for afastada por uma prática usada por vários presidentes, governadores e prefeitos, vai parecer casuísmo ou oportunismo e abrir um grave precedente.

O TSE vai julgar ação pedindo a cassação da chapa Dilma-Temer por uso de dinheiro desviado da Petrobras. Que morosidade do TSE. Impossível ter alguma ação mais importante que a que pede a cassação da chapa presidencial vencedora na última eleição, o tribunal deveria ter mais celeridade diante do caos político piorando o quadro econômico-social. A delação premiada do senador Delcídio Amaral trouxe fatos contra a presidente Dilma, que fez a OAB até protocolar um outro pedido de impeachment. Este, diferente do que está sendo analisado, o crime de responsabilidade é mais claro: obstrução da justiça em favor de empreiteiros presos.

Talvez antecipar a eleição para presidente e realizar junto com as eleições municipais, com mandato de dois anos para os eleitos, seja a melhor saída para essa crise sem precedente. Falar que antecipar a eleição é golpe fica para quem tem 1% nas pesquisas. Não quero Dilma, não quero Temer; quero votar para presidente. Fazer de Michel Temer presidente é fazer do réu Eduardo Cunha o primeiro na linha sucessória da República. É entregar o Brasil ao PCC: Partido da Corja do Cunha. Você quer isso? Eu tenho muitas dúvidas.

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Um comentário sobre “Nem o marasmo, nem um tiro no escuro, diretas já

  1. Gostaria saber num pais que a educacao saude e emprego as verbas sao cortadas para conter acrise no entanto palito gravata papel higienico verbas de gabinete para sustentar essa quadrilha sao mantidas te pergunto senhores governates o povo esta sofrendo

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