Realidade desmente os lábios e ajuda a derrotar Bush pai

O sucesso e a popularidade do presidente Ronald Reagan premiaram o vice George Bush com o status de favorito indiscutível na largada da campanha eleitoral para a Casa Branca em 1988. E as primárias não desmentiram a força do ex-diretor da CIA, parceiro fiel de Reagan em episódios críticos, como o atentado que o feriu a bala e a crise Irã-Contras.

Nas prévias do Partido Republicano, Bush aniquilou com mais de dois terços dos votos as pretensões do senador e veterano de guerra Robert Dole e do telepastor Pat Robertson, um ultraconservador que entre tantas excentricidades prometia banir a pornografia e dizia ter contatos com Deus.

Exagero ou não, o fato é que Robertson não passou dos 9,2%, vexame que o levou a desistir antes do final. Dole foi até o fim, mas encerrou a maratona das primárias com modestos 19,19%.

Na convenção de New Orleans que o aclamou, um empolgado Bush discursou contra os impostos, que para os críticos de dentro e de fora do partido deveriam ser elevados para compensar a indulgência dedicada aos felizes contribuintes mais ricos dos Estados Unidos no período das Reaganomics.

Para delírio da plateia e da esposa Barbara, que o aplaudia com entusiasmo, Bush prometeu que não criaria mais impostos, a despeito das dificuldades que o governo encontrava para equilibrar o orçamento. “Read my leaps: no new taxes”, prometeu o assertivo candidato.

Empossado na Casa Branca e em minoria no congresso, Bush não teve como resistir ao ímpeto dos opositores, que lançaram mão de novas, e da elevação das velhas, taxas para conter os desequilíbrios das contas públicas.

Na eleição seguinte, o “Read my leaps: no new taxes” que foi seguido de aumento de impostos, tornou-se um mantra na boca dos democratas, o que arranhou a imagem do presidente. E, na tentativa de se reeleger, Bush foi derrotado por um quase desconhecido democrata chamado Bill Clinton.

Fábio Piperno (@piperno) é jornalista.

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