A radicalização do discurso é uma estratégia

institutolula

Demétrio Magnoli levanta uma questão interessante em sua coluna no jornal Folha de São Paulo de hoje: se está em curso um golpe, por que a presidente Dilma não aplica o artigo 137 da Constituição?

Dilma não aplica o Estado de Sítio porque a acusação de golpe não se sustenta.

A presidente Dilma está atirando para o lado errado. Ao acusar de golpe um processo legitimado pelo STF, ela só está pregando para os convertidos, a militância. Quem vai decidir a sorte do governo dela são os deputados e senadores. Não é a claque de Twitter e a tropa de Guilherme Boulos. Muito menos o “exército” (muitas aspas) do Stédile, o MST. Era muito previsível que o PT e seus asseclas não abririam mão da boquinha do poder facilmente.

Toda essa defesa de um governo que já caiu é só uma estratégia para quando o impeachment se consumar. Lula, o PT e asseclas se reorganizarão e, diferente quando caiu a ditadura militar, agora eles radicalizarão no discurso. Agirão como “vítimas” de um “golpe” que os deixaram excluídos do sistema. O discurso será que a democracia representativa só representa as elites. E quando os privilégios ficaram ameaçados as elites se juntaram para derrubar o governo popular, o “governo dos pobres”, em uma aliança da oposição com a imprensa, judiciário e o mercado financeiro. Não sei se colará. Só o tempo para responder.

Anúncios