Efeito Ferraro não evita fracasso democrata

Geraldine Ferraro

A eleição presidencial de 1984 seria a missão impossível para os Democratas. A popularidade do presidente Ronald Reagan crescia na mesma proporção da recuperação da prosperidade econômica do país. No front externo, a corrida armamentista exauria o império soviético e começava a abrir fendas nos antes inextricáveis regimes do leste europeu.

Com as Reaganomics em alta, os republicanos ganharam o suporte para acelerar a revolução conservadora. Para piorar o cenário entre os Democratas, o senador Edward Kennedy, apontado como o favorito para obter a indicação, descartou concorrer.

A partir da desistência do caçula do clã Kennedy, o nome de Walter Mondale, vice-presidente no governo Carter, se tornou o mais forte no partido. No entanto, no início das primárias foi surpreendido em alguns estados que deram inesperadas vitórias ao pouco conhecido senador pelo Colorado, Gary Hart. Mas rapidamente o meteórico “fenômeno Hart” se dissipou.

Entre os outros nomes que tentaram a indicação, o ativista e reverendo Jesse Jackson, que militou ao lado de Martin Luther King, tornou-se o primeiro negro a disputar com alguma chance. Outro concorrente famoso foi o célebre astronauta John Glenn. Na época senador, não conseguiu decolar nas primárias democratas.

Consciente de que enfrentaria um poderoso rival nas urnas, Mondale arriscou uma inovação da escolha da companhia de chapa. O candidato recebeu como vice a congressista Geraldine Ferraro. Então com 49 anos, foi a primeira mulher a ir tão longe em um dos dois grandes partidos.

Simpática e comunicativa, Ferraro seria o antídoto contra o vice de Reagan, o austero ex-comandante da CIA, Goerge Bush. Não deu certo. Os republicanos conquistaram um triunfo histórico, com vitórias em 49 estados!

Fábio Piperno (@piperno) é jornalista.

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