Carter perde para a crise dos reféns e Reagan

Ronald_Reagan

A economia americana enfrentava estagnação no final da década de 70. Nos Estados Unidos, o consumidor era quem pagava a conta pela volúpia dos produtores de petróleo aninhados na Opep. Se não bastasse a inflação em alta e a prime rate, a taxa básica de juros, perto dos dois dígitos, o presidente Jimmy Carter foi atingido por um torpedo em 1979.

No final daquele ano, partidários do aiatolá Khomeini, líder da revolução islâmica, colocaram para correr o xá Reza Pahlavi. Pouco depois, invadiram a embaixada americana em Teerã, em retaliação pelo eterno apoio de Washington ao ditador deposto. No local, 52 americanos foram feitos reféns.

No Partido Democrata, o senador Edward Kennedy decidiu desafiar Carter pela indicação para concorrer à eleição de 1980. O terceiro representante do clã Kennedy a concorrer à nomeação em duas décadas arrancou na frente nas pesquisas feitas pelo instituto Gallup. Mas a aprovação inicial à conduta de Carter nas negociações para repatriar os americanos devolveram o favoritismo ao presidente.

Como reflexo do apoio, Carter venceu 9 das 10 primárias iniciais. Só que à medida que o desfecho da crise com Teerã se arrastava, a popularidade do presidente era corroída. Nos últimos estados, Ted Kennedy conquistou importantes vitórias, insuficientes no entanto para desbancar Carter. Na convenção, o discurso do senador, célebre também como orador, foi considerado um dos mais marcantes de sua carreira. Pediu apoio ao presidente, crença no futuro e aos “sonhos que nunca morrerão”.

O pesadelo ficou para a eleição. Carter foi massacrado pelo republicano Ronald Reagan, que venceu com 50,8% dos votos populares, contra 41% do presidente.

Fábio Piperno (@piperno) é jornalista.

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