Oscar na mão e apoio ao primo para Casa Branca

Atriz veterana, Olympia Dukakis não era a favorita para receber o Oscar de melhor atriz coadjuvante em 1988. Mas foi o nome anunciado pela dupla Glenn Close e Michael Douglas para levar a estatueta. No tradicional discurso, os óbvios agradecimentos a amigos, familiares, elenco e diretor. Apenas o encerramento foi diferente. A atriz se despediu do palco com um eloquente “Michael, let´s go!”.

O Michael em questão era seu primo, o então governador de Massachusetts, estado que comandou com sucesso por 12 anos. Naquele momento, Dukakis despontava na liderança da série de primárias que mais parecia um duelo entre integrantes do Dream Team político do partido Democrata.

Além de Dukakis, concorriam pela indicação o célebre reverendo Jesse Jackson, no passado ligado a Martin Luther King, Richard Gephardt, que presidiu a Câmara, o senador Gary Hart, que no ciclo anterior chegou a incomodar o favorito Walter Mondale, Al Gore e Joe Biden, mais tarde vices eleitos de Bill Clinton e Barack Obama.

Apesar da força dos demais postulantes, Dukakis venceu com relativa facilidade e chegou animado para desafiar o então vice George Bush, indicado pelos republicanos para dar continuidade à revolução conservadora conduzida com sucesso pelo presidente Ronald Reagan.

As pesquisas apontavam liderança apertada de Bush até o dia do segundo debate, quando um abatido Dukakis, debilitado por forte gripe, teve um desempenho pífio. O Democrata ainda teve de enfrentar a suspeita de que sofria de problemas psiquiátricos e de que era liberal demais até na questão da pena de morte, o que apenas piorou sua situação eleitoral.

Abertas as urnas, Bush confirmou o favoritismo com 53,4% dos votos. O apoio da prima Olympia não foi suficiente para Michael, que seguiu até 1991 como governador de Massachusetts.

Fábio Piperno (@piperno) é jornalista.

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