Por mais “Liberdade, liberdade”

É sombrio, mas os desfiles das escolas de samba se aproximam perigosamente de virar o que está no vídeo acima.

Em busca de patrocínios, as escolas estão cada vez mais flexibilizando nas escolhas dos enredos e aceitando a primeira grande proposta financeira que aparece. Sem se preocupar se o dinheiro vem de uma ditadura cruel da África – Beijar-flor 2015 com Guiné-Equatorial – ou os famosos enredos CEPs (sobre uma determinada cidade) com dinheiro público.

Sem o mesmo poderio financeiro dos bicheiros, além da dificuldade de encontrar um mecena principalmente em período de crise, as escolas ficam sem muito escolha. O efeito colateral disso é que afeta diretamente os sambas e o próprio desfile das agremiações, que ficam engessadas e sem criatividade. As escolas de samba precisam resgatar as suas origens: um desfile menos luxuoso, só que mais criativo e sambas que empolgam o público. Ou, em um tempo não muito distante, o tema de enredo será sobre bancos, empresas e empreiteiras.

Por mais sambas como “Liberdade, liberdade! Abre as asas sobre nós” (Imperatriz Leopoldinense 1989) e Aquarela brasileira (Império Serrano 1964), sambas que empolgam e emocionam.

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