Mercadante, Suplicy e a reforma ministerial

Mercadante

Era mais um ano eleitoral. Ainda em março, a cobertura estava apenas esquentando. Eu estava no BANDNEWS TV. Naquele 2010, com a economia bem aquecida, dificilmente o presidente Lula deixaria de eleger o sucessor, qualquer que fosse o escolhido. Mas e São Paulo?

O ex-governador Geraldo Alckmin era o favorito. O rival mais forte certamente sairia do PT, partido que ainda não havia definido quem seria o candidato. Mercadante, Suplicy e Marta eram as estrelas do partido em São Paulo.

Eu carregava uma certeza, jamais confirmada pelas pesquisas de opinião. Para mim, o senador Suplicy era, disparado, o mais popular entre os petistas. Só que por razões para mim inexplicáveis, jamais o nome dele aparecia nas simulações que os institutos de pesquisa ofereciam quando tratavam das eleições para o governo paulista.

Até que um dia, ligo para o senador Suplicy e pergunto se ele tentaria a indicação para concorrer ao cargo. A resposta não deixava dúvida.

“Conversei com institutos de pesquisa e pedi para que meu nome fosse incluído nas simulações. Se por acaso eu for o preferido entre aqueles do partido, vou comunicar à direção do PT que pretendo disputar a indicação”.

Até que naquele dia de março a Folha de São Paulo traz na capa pesquisa Datafolha para o governo de São Paulo. Alckmin liderava em todos os cenários. Mercadante estava estacionado nos 13%. Suplicy batia nos 19%!

Imediatamente telefonei para o senador, que entrou por telefone em nossa programação para confirmar o desejo que manifestara na conversa anterior. “Com base nesse resultado, o senhor está na disputa?”. Suplicy confirmou. Disse que naquele momento estava se dirigindo ao hospital onde Mercadante se encontrava internado “para comunicar ao meu grande amigo a minha intenção”. Em seguida, o senador iria até a sede regional do PT para formalizar a pré-candidatura.

Por volta das 12h00, abro o portal UOL e dou de cara com a seguinte manchete: Suplicy desiste e Mercadante será o candidato do PT ao governo de São Paulo. Tomei um susto e liguei de novo para Suplicy. Conformado, o senador disse que entendeu as ponderações do partido e que iria apoiar o amigo.

Resumo do jogo: no establishment petista, Mercadante era muito mais forte. Aliás, ainda é. A campanha foi um fiasco e Alckmin levou fácil. E hoje, a cada vez que se fala em reforma ministerial, o atual chefe da Casa Civil ratifica o quanto é difícil removê-lo do primeiro escalão do governo. Algo que nem mesmo a oposição de Lula consegue.

Dilma vai anunciar várias mexidas no ministério. E Mercadante fica.

Fábio Piperno (@piperno) é jornalista.

Anúncios