A aposta de Lula

Na Eleição de 2010, Luiz Inácio Lula da Silva ficou sem muita escolha e resolveu apostar na sucessora de José Dirceu na Casa Civil, Dilma Vana Rousseff. Lula começou a guindar Dilma antes mesmo das eleições de 2010. A Ministra-chefe da Casa Civil ficou conhecida como “Mãe do PAC”, a SuperGerente que vai preservar e ampliar as conquistas do governo Lula. Dilma foi imposta candidata por Lula mesmo não sendo petista de raiz, era do PDT de Leonel Brizola e só em 2001 se filiou ao PT. Lula preteriu petistas históricos por uma neopetista.

Todas as características de Dilma foram infladas por João Santana na campanha eleitoral, inclusive transformando as negativas – durona com subordinados – em positivas. Além de ressaltar a participação de Dilma na luta armada contra a ditadura militar como guerreira pela democracia. Eleita no segundo turno derrotando o candidato do PSDB, José Serra, Dilma Rousseff se tornou a primeira mulher presidente (ou presidenta) do Brasil.

O governo Dilma começou com tranquilidade e aprovação da presidente em alta muito por causa de um crescimento excepcional do PIB no último ano do governo Lula, de 7,5%. As quedas de ministros – entre eles o da casa Civil Antônio Palocci – fizeram Dilma ganhar mais um apelido: “A faxineira do Planalto” limpando a sujeira da corrupção.

Essa tranquilidade durou até meados de 2013, quando as manifestações de junho derrubaram a popularidade da presidente, que caiu de 65% para 30% de ótimo e bom. A popularidade do governo nunca mais voltou ao patamar de antes dos protestos de junho-13, mas recuperou o suficiente para liderar as pesquisas da corrida presidencial em 2014.

dilma_lula

Ano de Copa do Mundo no Brasil e eleição, o ano de 2014 marcou a eleição mais disputada desde 1989, com vaias e xingamentos para Dilma na abertura e na final da Copa do Mundo. Lula e Dilma prometiam fazer “o diabo” para vencer a eleição. E foi feito. O marqueteiro João Santana pintou um país colorido um pouco diferente da realidade nos programas eleitorais.

A presidente Dilma Rousseff empurrou com a barriga o ajuste na economia para depois da eleição e isso custou sua popularidade – mais impopular que o presidente Collor no período de seu impeachment. A equipe econômica do primeiro mandato liderada por Dilma camuflou as contas públicas já no vermelho, o que agora pode ser usado como justificativa para o impeachment de Dilma caso o TCU reprove as contas do governo de 2014. Tudo isso no meio da operação que apura a corrupção na Petrobras.

Lula deve estar arrependido de ter escolhido Dilma Rousseff para ser a herdeira de seu legado. É claro que os candidatos naturais à sucessão presidencial dentro do PT foram caindo um por um ao longo do mandato do presidente. A saber: José Dirceu, o chefão da Casa Civil e do PT; Antônio Palocci, que ganhou a confiança do mercado no Ministério da Fazenda, mas que não resistiu a denúncia de ter violado o sigilo fiscal do caseiro de sua residência em Brasília e outras denúncias do tempo de prefeitura de Ribeirão Preto/SP.

A aposta de Lula se mostrou um desastre para o Brasil, afetando o que parecia blindado: seu alto cacife eleitoral e aprovação popular de quase 90% ao deixar o governo, o ex-presidente perde para seus principais concorrentes de 2018 em todas as sondagens. Sem perspectiva de melhora econômica e a Operação Lava-Jato como uma assombração, a situação de Lula e do PT não é nada animadora.

Anúncios