Sai, Dilma

impeachment

Eu era contra o impeachment, contra a cassação do mandato no TSE e outros eufemismos jurídicos. Tinha e tenho medo de o país cair na escuridão do imponderável com a segunda destituição prematura de um presidente da República em pouco mais de vinte anos, a atual democracia brasileira é 1985 e a atual Constituição de 1988. Ou seja, uma jovem democracia. Apesar disso, porém, não concordava com essa coisa de petistas, defensores do governo e “não sou PT, mas” de acusarem quem defende o impeachment da presidente de golpista. Pior: essa tese foi abraçada pela presidente Dilma na entrevista para Folha. Não é golpe ou coisa do gênero. Está na Constituição e na Lei 1079/50, a lei do impeachment: Define os crimes de responsabilidade do presidente (a) da República e regula o respectivo processo de julgamento.

Resolvi apoiar o impeachment, mesmo não sabendo o que será depois, porque o governo na pessoa da excelentíssima presidente errou e cometeu crime de responsabilidade. Não adianta alegar que outros governos fizeram a mesma coisa. Vai apenas atestar o crime e mesmo assim é frágil. Um erro não justifica o outro. É casuísmo levantarem essa questão das ditas “pedaladas fiscais” nesse momento crise política, econômica, a popularidade de Dilma no “volume morto” existindo contas de governos passados sem análise na gaveta do Congresso? Pode ser, mas isso também não justifica não analisar as contas de 2014 do governo federal.

Pego o gancho da crise política, econômica e a baixa popularidade da presidente para entrar na minha justificativa e do por que resolvi apoiar a destituição de Dilma Rousseff antes de terminar o seu segundo mandato.

Estelionato eleitoral, inflação descontrolada perto dos dois dígitos, desemprego aumentando, operação Lava-jato, popularidade do governo e da presidente Dilma no fundo do poço. Não tem como o país superar essa crise política e econômica com Dilma no Planalto. É como disse o senador Cristovam Buarque (PDT/DF), em entrevista ao Correio Brasiliense: “É inegável que há um clima de fim de governo Dilma”. O governo envelheceu antes do tempo, não mostra saída segura para superar esse clima pesado provocado por erros do primeiro governo Dilma.

Só um governo novo pode oxigenar e trazer novidades positivas. Ou negativas, mas desse governo a chance de sair algo novo é quase zero. O melhor era um ato altruístico da presidente Dilma, ela renunciar aos três anos e meio que ainda tem direito. Como acho difícil disso acontecer, se o TCU julgar que o governo feriu a Lei de Responsabilidade Fiscal, o Congresso Nacional confirmar, que seja feito o que está na lei. A lei manda que a Câmara dos Deputados afaste o presidente e o Senado Federal julgue o seu mandato. Sem choro nem vela. O rigor da lei tem que ser para todos.

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