Menos ideologia, mais racionalidade

capa_veja_EikeEmpréstimos generosos com juros camaradas do BNDES para empresários ficaram conhecidos popularmente como “Bolsa Empresário”, porque muitos que recebem essa ajudinha do governo não precisam. Enquanto o médio e pequeno empresário não recebe nada. Pelo contrário, esses ficam com a responsabilidade de pagar os impostos e as barreiras impostas por uma burocracia insana.

Há, também, o nome de Capitalismo de Estado. O governo escolhe alguns empresários para se capacitarem e disputar mercado com as multinacionais. É dado o nome a esse grupo de empresários escolhidos pelo governo de “campeões nacionais”. E o maior símbolo desse modelo no Brasil é o empresário Eike Batista, que, de empresário com ambições grandiosas, passou a endividado e até processado pela justiça por fraude no mercado financeiro. Ele tinha muita proximidade com o governo brasileiro e doava cifras generosas ao PT.

O Capitalismo de Estado é um gancho para falar de um primo seu que é o Estado gigante. Ninguém com um pouco de noção de economia pode ser favorável a um Estado obeso, perdulário, ineficiente, e isso não é ser favorável ao Estado mínimo. Não é preciso ser economista para saber que um Estado onipresente deixa a desejar nos serviços mais básicos – saúde, educação, segurança pública, combate à miséria, etc.

Não sou favorável à política de “campeões nacionais”, ou seja, ao Capitalismo de Estado, mas também não sou a favor do “tem que ensinar a pescar, não dá o peixe”. Sou favorável a um modelo que não tenha privilégios estatais a um grupo seleto de empresários, políticos e militantes partidários, mas o Estado tem o dever de amparar quem precisa e não teve muitas chances na vida.

Esse posicionamento é liberal, de centro, centro-esquerda ou centro-direita? Pouco importa a ideologia. Não se pode ficar preso na velha polarização capitalismo e comunismo, do “bem contra o mal”. Quem ainda pensa na velha polarização direita e esquerda do tempo da guerra fria é retrógrado.

A ditadura deixou uma cicatriz difícil de curar, talvez nunca se cure. Mas vai chegar a hora de virar a página, de olhar para frente, para o futuro e não para o passado. Já passou, aliás. O revanchismo que boa parte da parte da esquerda pratica só faz a cicatriz sangrar ainda mais.

Não quero que esqueçam o passado, muito longe disso. Quem não tem passado não tem futuro. É preciso lembrar o golpe de 1964 e da ditadura militar, que boa parte do país que temos hoje é fruto daquele golpe, para não se repetirem nunca mais. O sentimento de vingança, no entanto, é dispensável. E não faz bem para a união da nação.

É inútil argumentar com a esquerda retrógrada. Para a nossa esquerda jurássica, as Forças Armadas estão preparando um novo golpe para instalar uma ditadura militar. A extrema direita, os acéfalos que pedem a volta dos militares ao poder, e a esquerda jurássica são duas faces da mesma moeda.

Os extremistas são antes de tudo estúpidos. Acrescento que, além de estúpidos, são neuróticos.

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