Carta aberta a Marina Silva

Marina-BrasilAntes de tudo, sei que não é fácil encarar mais uma disputa presidencial, a terceira seguida, principalmente depois da última disputa, a qual teve seu nome caluniado até pela campanha oficial da atual presidente, mas o Brasil pede que você entre na disputa de daqui a três anos. Os brasileiros pedem um (a) candidato (a) que devolva um mínimo de esperança de dias melhores depois de sucessivas ilusões e estelionatos eleitorais. De decepções que abalaram a confiança do povo na classe política. Que joga a crença nos partidos atuais no lixo.

Desde 1989, já tivemos o “caçador de marajá” que não aguentou uma CPI e foi expulso da presidência; tivemos um Sociólogo que liderou uma equipe de economistas de alto nível e o Dragão da Hiperinflação foi finalmente domado. Mas logo na sequência, esse mesmo Sociólogo chegou à presidência justamente por esse feito e não conseguiu avançar em outros problemas da nação – miséria e desemprego, por exemplo. Esse Sociólogo entregou a faixa presidencial para um ex-Operário e retirante nordestino sem diploma universitário. A esperança venceu o medo e esse ex-Operário, que surgiu das greves dos metalúrgicos do ABC paulista nos tempos da ditadura militar, conseguiu avanços sociais significativos. Sua presidência, no entanto, esbarrou nos velhos vícios da política nacional, que o partido dele tanto criticava e acabou virando “mais um”.

Mas as conquistas sociais foram tão significativas, que seu governo terminou com aprovação popular recorde, apesar dos pesares. O ex-Operário fez seu sucessor ser uma mulher. Esta se tornou a primeira mulher presidente do Brasil. O mandato dessa mulher presidente – ou presidenta – foi prometido que seria de continuação do mandato do ex-Operário. Só que erros administrativos e ideologia demais acabaram fazendo algumas conquistas do Sociólogo e do ex-Operário ficarem estagnadas o até retrocederem. Depois de uma campanha muito acirrada, a primeira presidente conseguiu a reeleição na base de um estelionato eleitoral elaborado pelo marqueteiro de sua campanha e que é um dos principais motivos da sua aprovação popular ter caído para um dígito.

Por tudo isso, Marina Silva, o brasileiro clama por uma nova alternativa, uma alternativa que fuja dessa dicotomia de vinte anos e faça renascer o verdadeiro espirito da política, do espirito público. Só que uma utopia com os pés no chão para não decepcionar novamente os brasileiros e mais uma esperança morrer no vício da velha política. Nada de “Salvadores da Pátria”. Não vamos desistir do Brasil. Não desista do Brasil, Marina.

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