Dilma e a Venezuela

dilma-rousseff-nicolas-maduroDilma Rousseff saiu em defesa explícita do governo autoritário de Nicolas Maduro na semana passada em Bruxelas. Disse a mandatária brasileira: “Rechaçamos a adoção de quaisquer tipos de sanções contra a Venezuela”. Disse mais: “Nós, países latino-americanos e caribenhos, não admitimos medidas unilaterais, golpistas e políticas de isolamento”. Dias depois, o governo venezuelano proíbe um avião da FAB – Força Aérea Brasileira – de entrar em território venezuelano com senadores de oposição. Senadores Aécio Neves (PSDB/MG), Aloysio Nunes (PSDB/SP) e Ronaldo Caiado (DEM/GO) tentam visitar os presos políticos Leopoldo Lópes, que está em greve de fome há 22 dias, e o prefeito da área metropolitana de Caracas, Antonio Ledezma.

Quando o Senado paraguaio acionou um dispositivo legal da sua Constituição e afastou por 39 votos a 4 o presidente Fernando Lugo, o governo brasileiro fez um barulho imenso. Só que a imprensa paraguaia trabalhava livremente nem havia tropas nas ruas reprimindo manifestantes. O governo conseguiu até afastar o Paraguai do Mercosul na mesma época que foi aprovada a entrada da Venezuela no bloco.

O silêncio ensurdecedor do governo brasileiro diante do caos que se passa na Venezuela mancha uma tradição brasileira, a tradição de um país que tem na Constituição o respeito à liberdade de expressão e os direitos humanos. Pior, ao falar na Bélgica sobre a Venezuela, Dilma deixou o silêncio e passou a defender o indefensável. A presidente Dilma mancha a sua biografia. De militante que pegou em armas para combater uma ditadura agora defende uma ditadura por ideologia. O problema é que ela não é representante só de um partido, ela é a presidente da República e representa todo o país. Não pode rasgar a Constituição por ideologia. E não pode ficar em silêncio depois dessa agressão ao Brasil por parte do governo venezuelano.

Dilma afaga Maduro e ele, como retribuição, não deixa brasileiros entrar em solo venezuelano. Se Dilma não quer falar nada é a consciência dela, mas o governo tem que tomar uma atitude firme em resposta a essa agressão, mesmo contra parlamentares da oposição ao seu governo. Não precisa lembrar que a presidente tem que governar para todos. É o nome e a liderança do Brasil no continente que está em jogo.

Atualização

A presidente Dilma chamou de ‘viés político‘ a viagem de senadores brasileiros à Venezuela. É claro que é ‘viés político’. E isso não é pejorativo. O que acontece na Venezuela é referente à política, sim. O que acontece na Venezuela é um governo que está sufocando a democracia e os direitos humanos. E a Venezuela faz parte do Mercosul. Tudo que acontece lá é de interesse do Brasil.

Os senadores brasileiros que foram em comitiva para lá foram em visita a um país membro do Mercosul para tentar encontrar uma solução. Foram em uma missão diplomática (https://twitter.com/RicardoFerraco/status/611655616763981824) a convite das esposas de dois presos políticos. Inclusive, um está em greve de fome há mais de 20 dias. Quem assistir esse vídeo e continuar chamando as milícias de Maduro de “manifestantes” é muito cego de paixão ideológica ou está levando dinheiro para defender o indefensável.

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