Uma presidente fora da realidade

A presidente Dilma concedeu entrevista ao Jô Soares no seu programa, na madrugada de sábado, 13. Perguntada por Jô sobre as críticas da oposição sobre as promessas de campanha não cumpridas, Dilma se saiu dizendo que só está no quinto mês de mandato e justificou o ajuste fiscal falando do que o governo fez no passado para amortecer os efeitos da crise de 2008, de proteger os empregos. Agora é hora de ajustar para não perder o que foi conquistado e preservado, disse Dilma. Mas não reconheceu em momento algum os erros que seu governo cometeu no primeiro mandato nem porque não fez o ajuste em 2011, quando assumiu a presidência pela primeira vez. Assim, o efeito do ajuste fiscal passaria mais rápido. E o custo social seria menor.

Dilma disse que fica agoniada com inflação alta. E completou que é passageira. O problema, presidente, é dizer isso para quem fica com mais mês do que salário. Ao falar do caos na saúde pública, Dilma falou da derrubada da CPMF pelo Senado em 2007, que rendia R$ 40 bilhões por ano, mas o governo cortou 9 bi do orçamento na pasta da saúde. Voltar com o imposto do cheque sem fazer a reforma tributária é asfixiar ainda mais a economia. E não é garantia de uma saúde pública mais digna e humana.

No último bloco, Jô falou de legado. Qual legado Dilma gostaria de deixar e ela enrolou, enrolou e não respondeu nada. Aprovar a Lei dos Portos e o Marco Civil da Internet por mais importantes que sejam não é um legado de governo. Por enquanto, o legado da presidente Dilma é estagflação (inflação alta com PIB baixo e juros altos). Ela pode virar esse jogo, mas tem que primeiro reconhecer os erros do seu primeiro governo e parar de jogar a culpa dos nossos problemas só na crise internacional. Por essa entrevista, Dilma continua na negação dos fatos.

Sobre a performance de Jô Soares, não gostei do modo como ele fez as perguntas. Foram perguntas longas demais. Sobre a postura excessivamente gentil com a presidente, ele poderia ter sido econômico nas perguntas e usar esse tempo desperdiçado para réplicas, contestar as respostas. E só. Bobagem essa coisa de acusa-lo de fazer uma entrevista de “compadres”.

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