Uma estrela (de)cadente

O ex-deputado federal Roberto Jefferson concedeu uma entrevista esclarecedora para o jornal Folha de São Paulo neste sábado (6). O ex-presidente e “dono” do PTB disse algumas coisas que confirmam algumas dúvidas que pairam sobre o mundo político brasileiro.

O que me chamou mais atenção na entrevista foi a seguinte declaração de Jefferson:

Não é diferente. Infelizmente, as estatais são braços partidários. As empresas públicas ainda funcionam no financiamento dos partidos. O cara briga para fazer diretor da Petrobras. É para fazer obra positiva, a favor do povo? Não existe isso.

As estatais são as grandes promotoras da infraestrutura do país. Elas é que são fortes. Não tem empresa privada no Brasil. E tem as paraestatais, que são as empreiteiras. Funcionam em função do governo.

E o mais estarrecedor foi este trecho:

O Brasil não tem financiamento privado. O financiamento é público de segunda linha, mas é. Quem financia campanha no Brasil são as empresas que têm grandes contratos com BNDES, Banco do Brasil, Petrobras. Eu acho uma graça isso: “Temos que acabar com o financiamento privado”. Não tem financiamento privado, é estatal. Os empreiteiros não são privados, são braços das estatais.

E mais:

Havia mesada. A Lava Jato agora clareou isso. Por respeito à decisão do ministro [Luis Roberto] Barroso, eu só posso falar do passado. Mas o [Alberto] Youssef fazia pagamento mensal para vários deputados de partidos da base. Era aquilo que havia na época. As malas chegavam com R$ 30 mil, R$ 60 mil, R$ 50 mil. Não se comprovou porque não fotografaram.

estrela

Há 10 anos e agora Roberto Jefferson vomita os conchavos que são feitos nos bastidores da política. E isso envolve toda a classe política do passado, do presente e do futuro próximo também – não me iludo com falsos moralistas com o discurso “contra a corrupção”. A reforma política não é urgente, já passou do tempo, só que não será feita por quem usufrui do sistema podre, carcomido, ou vai fazer um arremedo de reforma e se orgulhar que tirou-a do papel, como fez Eduardo Cunha. Uma falácia.

Mas só a reforma política não adianta. É preciso uma reforma administrativa nas empresas estatais e na máquina pública, uma reforma completa a outra. Trocar só os nomes e continuar com o sistema viciado é como trocar as moscas.

O PT traiu a nação. Mentiu descaradamente se passando por um “partido diferente”, defendendo a bandeira da ética e não adianta defender o partido argumentando que foi algumas “laranjas podres” ou “a corrupção não nasceu com o PT no governo” – isso é óbvio. José Dirceu era quem mandava no PT desde 1995 até 2005 e dava ordens no partido mesmo cassado e preso.

Também não adianta fazer campanha na internet com “O PT não vai matar o petismo”, o petismo já morreu, só falta descobrirem e enterrarem. Já está fedendo. Cada vez mais gente está acordando para essa realidade. É com dor no coração que escrevo isso: Aquele PT, até 1990, não existe mais. É preciso surgir um novo partido de esquerda. O PT atual não tem salvação e o PSOL não é uma alternativa segura. O PT faz as mesmas práticas dos demais partidos, só que de forma “gourmet” ou Padrão FIFA.

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