Parlamentarismo de ocasião

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Renan Calheiros e Eduardo Cunha estão no comando da República, e isso ninguém que acompanha minimamente a política brasileira ousa discordar. Os presidentes do Senado e Câmara deixaram o governo de Dilma Rousseff emparedado. É uma resposta do PMDB ao PT e ao Planalto. A presidente Dilma tentou ficar menos dependente do principal aliado e partido do seu vice-presidente, Michel Temer.

Mas foi de um jeito atabalhoado. Na distribuição dos ministérios do segundo mandato aos partidos, Dilma colocou o PMDB em sete ministérios, um pouco mais que no primeiro mandato, só que com menos relevância e verbas. A presidente deu ministérios mais relevantes ao PSD de Gilberto Kassab (Cidades) e ao PROS de Cid Gomes (educação) – este já saiu da esplanada depois de comprar briga com deputados do PMDB, principalmente com Eduardo Cunha, ao dizer que “no Congresso tem 300, 400 achacadores”.  Na sequência, o Planalto bancou a candidatura de Arlindo Chinaglia (PT/SP) para presidente da Câmara dos Deputados contra Eduardo Cunha. O Ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, queria impor uma derrota ao desafeto do governo e se fortalecer dentro do PT para pleitear a candidatura do partido em 2018. Lula era contra desafiar Eduardo Cunha.

Eduardo Cunha foi eleito presidente da Câmara com uma votação grande (268 votos), mais do que precisava para vencer no primeiro turno da eleição. Enquanto isso, PT apostando que ficaria com o lugar mais alto da mesa diretora ficou sem representante na mesma. Cunha empossado na presidência começou a impor várias derrotas ao governo. A presidente, então, pediu socorro ao vice Michel Temer e a Lula. Mercadante está mais isolado do que astronauta no espaço e virou peça decorativa no ministério, não manda nem na economia muito menos na política.

Enquanto isso, 39 ministérios para abrigar uma base de sustentação que não funciona. Está claro que no Brasil o presidencialismo de coalizão falhou. É hora de uma mudança. O problema é tão grande, que só uma reforma política talvez não resolva. É essencial e urgente uma reforma política, mas por que não implementar o sistema parlamentarista no Brasil? Mesmo como teste. O povo escolheu em plebiscito pela República e o presidencialismo como sistema de governo. Chegou a hora de uma nova consulta popular para se continuemos ou não com o sistema presidencialista. Até porque a última consulta desse tipo foi em 1993, duas gerações atrás. É hora de uma atualização.

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