Rio 2016 e o “legado” de Grécia 2004

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A Copa do Mundo de futebol realizada no Brasil em 2014 custou R$ 27,1 bilhões. Apenas com as arenas foram gastos R$ 8,4 bilhões. O governo esperava um gasto de R$ 33 bilhões com o Mundial. Não significa, no entanto, motivo para comemorar. A “economia” feita foi de obras de infraestrutura não concluídas ou canceladas nas cidades-sede.

Sempre fui a favor da realização da Copa no Brasil. A Copa do Mundo foi um sucesso de público e a melhor média de gols do século vinte e um: 2,67 – empatando com a Copa da França em 1998. Grandes jogos. Sem nenhuma grande polêmica fora de campo. Uma festa, uma confraternização de torcidas, turistas nacionais e internacionais nas arenas, fan fests e nas ruas por todo país. Foi uma Copa do Mundo histórica não só por Brasil 1×7 Alemanha na semifinal, mas pelo geral.

Agora é hora de olhar para o absurdo dos gastos excessivos com verdadeiros elefantes brancos e superfaturamentos comprovados como o Estádio Nacional Mané Garrincha, de Brasília. R$ 1,5 bilhão para construir uma arena para quase 70 mil pessoas numa cidade que não tem nenhum time nem na Série B do Campeonato Brasileiro. A administração Agnelo Queiroz (PT) quebrou Brasília. O governo do Distrito Federal ficou praticamente sem dinheiro e atrasando pagamentos dos funcionários. Derrotado nas urnas, nem para o segundo turno foi, Agnelo Queiroz foi curtir férias nos EUA enquanto o novo governo fica com a bomba relógio para desarmar.

Depois das emoções da Copa do Mundo, chegou o momento de passar uma lupa em todos os contratos da organização do mundial e punir os responsáveis pelo menor a maior irregularidade encontrada.

Sem legado, orçamento dos Jogos Olímpicos do Rio já chega perto dos R$ 40 bilhões – exatos R$ 37,7 bilhões.

Quando o Brasil ganhou o direito de sediar a Olimpíada do Rio 2016 em 2009, a economia brasileira era celebrada no mundo. O ex-presidente Lula usou essa conquista como propaganda de seu governo para impulsionar o nome da então ministra Dilma Rousseff, de olho na eleição presidencial de 2010. Até a revista Economist fez a famosa capa do Cristo Redentor com “Brasil decola”. Brasil era a nova vedete do mundo com crescimento de quase 10%.

Não é mais. A realidade hoje é mais dura. A economia estagnou e uma inflação persistente acima da meta de 4,5% estabelecida pelo Banco Central. Um ajuste fiscal negado na campanha pela presidente reeleita Dilma Rousseff é feito via aumento de impostos para reequilibrar as contas públicas. O governo promete que o país voltará a crescer com inflação controlada em 2016, no ano olímpico. O Brasil de hoje lembra muito a Grécia de dez anos atrás.

Quando ingressou na União Europeia, a Grécia fez uma farra com dinheiro público e patrocinou a Olimpíada de Atenas 2004. Na hora de pagar a conta vem o discurso “anti-imperialista” contra a Troika (FMI, BCE e Comissão Europeia).

O Brasil de 2017 será a Grécia de 2015? Só o tempo dirá. Mas caminha para isso.

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