Democracia acima da ideologia

VENEZUELA-DEMO-VIOLENCE

Presidente Barack Obama assinou um decreto que permite que ele aplique sanções a cidadãos venezuelanos; sete já foram sancionados. É assim que um presidente comprometido com a democracia e os direitos humanos faz quando um país infringe direitos humanos básicos e golpeia a democracia autorizando arma de fogo pela polícia em manifestações contra o governo. Quando os governos prendem oposicionistas alegando uma suposta conspiração para um Golpe de Estado sem nenhum sentido lógico e sem provas concretas, como faz o governo da Venezuela, de Nicolás Maduro.

A Venezuela vive um caos completo. Um colapso na economia, na política e nas instituições. Nos supermercados faltam produtos dos mais básicos aos produtos supérfluos. Há um silêncio constrangedor sobre o que acontece na Venezuela por parte do governo brasileiro. O governo chega a ser complacente com o governo venezuelano por um projeto megalomaníaco de um Mercosul insustentável criado pelo ex-presidente Lula, que empurrou goela abaixo a adesão da Venezuela ao bloco. Um exemplo disso é a nota absurda divulgada pelo Itamaraty quando um garoto venezuelano de 14 anos foi morto apenas e tão somente porque cometeu o horrível e hediondo “crime” de manifestar-se contra o governo Maduro. Essa nota é a síntese do relacionamento do governo brasileiro com o venezuelano.

Não adianta argumentar que o governo venezuelano prender oposicionista, mandar bater e até atirar em manifestantes vai contra a democracia nem citar a crise econômica que se agrava a cada ano na Venezuela, como a inflação em torno de 70%. Para uma parte da esquerda brasileira, o que acontece no país vizinho é uma conspiração dos EUA com a oposição, empresários e a elite venezuelana, uma vingança contra o chavismo. E, assim, conseguir derrubar o governo bolivariano que tirou a Venezuela dessa mesma elite e deu para o povo. Em resumo, um golpe. Não é golpe. É muita neurose.

Quando disputava o governo pela primeira vez em 1998, Hugo Chávez deu uma entrevista e disse que, caso eleito, entregaria o governo após os cinco anos de mandato e não pretendia estatizar nenhuma empresa. Pelo contrário, queria incentivar o capital privado para o desenvolvimento da Venezuela. Também disse que não pretendia censurar a imprensa. O que se viu depois foi emissoras de TV e rádio perdendo suas concessões apenas por discordar das políticas aplicadas pelo governo chavista. Nessa mesma entrevista, Chávez chegou até a dizer que “Cuba é uma ditadura”.

A ascensão de Hugo Chávez se deve pela omissão e descaso dos governantes que o antecederam para com os mais pobres da população venezuelana. Com Chávez, a população abandonada se sentiu gente, representada e o ajudou a recuperar o poder depois da tentativa de um Golpe de Estado em 2002, o elegendo mais duas vezes posteriormente. Não esquecendo que o Hugo Chávez foi vítima, mas também cúmplice de uma tentativa de golpe.

Chávez usou e abusou da abundância de petróleo na Venezuela. Com a queda do preço do petróleo, a fonte secou. O chavismo já tinha cara de ditadura após a tentativa de golpe contra Chávez em 2002. Após a morte de Chávez em 2013 e a vitória em um país dividido do vice-presidente Nicolás Maduro, os ataques à democracia e aos direitos humanos foi questão de tempo. A rejeição do presidente Maduro está em níveis altíssimos. Para a sorte dos venezuelanos, ele deve perder a próxima eleição presidencial. Chega de falsa revolta, de condescendência ou conveniência por pura ideologia. A democracia tem que estar acima da ideologia. E o chavismo está chegando ao seu fim, se é que já não chegou.

VEN15_VENEZUELA_PROTEST

Anúncios